segunda-feira, 24 de julho de 2017

Comentários sobre Christian Science, Unity, Cura Joel S. Goldsmith



Bom dia! Primeiramente vocês sabem que este trabalho está na natureza de um trabalho secreto. Isso faz com que seja muito difícil porque significa que não há nenhum crédito para qualquer um que o fizer, nenhum agradecimento, nenhuma possibilidade de recompensa. 

Ninguém pode fazer exame do crédito ou de seus frutos porque não pode ser divulgado. 

Este trabalho começou com um grupo de 25 em New York City e por isso é chamado o “grupo 25”, mas realmente há aproximadamente 250 membros nele, todos situados “around the clock”.


Ou seja, se você estiver acordado aqui às 7 horas da manhã e em oração, quando for oito horas na manhã, há um grupo em New York e há um grupo em Londres às 9, e há um grupo no continente às 10, e há um grupo para baixo na África do Sul às 11, e há um grupo na India às 12, e há um grupo na Austrália à 1 e assim por diante, 24 horas em torno do relógio, há alguns dois ou mais reunidos juntos; não necessariamente em um quarto, mas reunidos junto ao menos em uma cidade engajada neste trabalho.

O objetivo dele é este: na medida em que você faz um trabalho de cura, você passa a ver muito claramente, como eu disse na última noite, que o pecado, e a doença, e a morte e a carência não têm nada a ver com nenhuma pessoa. 

Cada pessoa que tem pecado, doença, morte ou carência é apenas uma vítima. Ninguém é responsável pelos males que está sofrendo. Todos são vítimas. São vítimas dessa crença adâmica em dois poderes, o bem e o mal.

Porque se nós tivéssemos somente um poder, nós não teríamos ninguém sofrendo por coisa alguma. Nós não teríamos ninguém roubando coisa alguma. Nós não teríamos ninguém matando. Se houver somente um poder, não haverá nada a fazer na Terra exceto aprecíar a vida.

É somente quando há um poder dito do mal que nós começamos a tentar superá-lo, ou começamos a usá-lo com fins pessoais. 

Mas, se não houver nenhum poder do mal, então não há ninguém para usá-lo, nem há necessidade de uma vítima. 

Assim, quando você fizer um trabalho de cura, se você não estiver observando, se você se livrar do mundo, da emoção, ou do emocionalismo, de modo que você possa observar objetivamente o que está acontecendo, você verá logo que seus pacientes adultos não são mais responsáveis pelas suas doenças do que seus pequenos pacientes infantis. E você certamente não gostaria de responsabilizá-los por seus males.

Assim é que eventualmente você começa ver a natureza impessoal do mal, daquele que causa as diferentes formas do erro.

Mais cedo ou mais tarde, você começa compreender o que está escrito na página 13 do livro, “As Cartas”. Embora use o termo, Ciência Cristã, você pode aplicá-lo a qualquer fase da vida que queira.

É chegado a bora (alí diz), de fazermos um inventário de nós mesmos para vermos o quanto estamos distantes da ortodoxia. 

Na religião ortodoxa, você tem dois poderes. Todos os poderes do bem são atribuídos a Deus, todos os poderes do mal são atribuídos ao diabo ou satanás. 

Agora, você chegou na metafísica, mas será que você não transferiu aqueles poderes do bem de Deus para a mente divina, e os poderes do diabo ou satanás para a mente mortal? e será que você não sente que ainda tem um poder, e que este poder de Deus ou da mente divina irá superar ou destruir ou ajudá-lo a a se elevar? Ou seja, não substituímos o termo, e agora usamos mente mortal para o diabo ou o mal, ou satanás ou o erro?

Na maioria de casos, você verá que foi isso o que você fez. Isso é o que você verá que todos os metafísicos, quase todos os metafísicos, de todas as escolas, estão fazendo, eles estão usando o poder da mente divina sobre o erro, a mente divina para superar a mente mortal, o poder da mente divina, do amor, para superar o ódio. Puseram-no dessa maneira.

Ora, naturalmente que tudo isso é absurdo porque a revelação básica e original da metafísica é que a mente mortal não é um poder, ela é o total da soma de todo o erro, mas é nada.

No movimento da Ciência Cristã, esse ensino foi perdido ainda enquanto Mrs. Eddy estava entre nós, porque ela mesma se transformou numa vítima do medo. Transformou-se numa vítima da mente mortal. E, mesmo de seu leito de morte, enviou uma mensagem à Igreja Mãe, dizendo que seus inimigos a tinham matado, não a doença.

Que diferença faz se é a doença ou se são seus inimigos, uma vez que vão matá-lo? Uma vez que você está admitindo a existência do erro, você pode também chamá-lo de bom e velho diabo dos outros tempos. E é por essa razão que o movimento da Ciência Cristã não está fazendo tão boas curas como deveria fazer.

Não há nenhuma outra razão. Muitas pessoas responsabilizam o grupo de Diretores. Eu trabalhei com eles por 10 anos, vivi do outro lado da rua por dez anos, e eu posso dizer que são todos muito boa gente. São todos pessoas muito finas e muito sinceras e fazendo o melhor que sabem. E, certamente o melhor que pode ser feito com uma organização tão grande para controlar. Eles não devem ser responsabilizados.

O jornal Sentinel é responsabilizado às vezes, porque os artigos não são bons. E, certamente não são bons. O mundo ficaria bem melhor com 90% deles eliminados. Mas isso não os faz responsáveis, porque Ciência e Saúde ainda existe, e outros trabalhos ainda existem, e se um individuo quiser escavar a verdade, ele pode. Assim porque culpar o grupo de Diretores porque nós somos demasiado preguiçosos para estudar e descobrir quais são os princípios?

Eu devo dizer que o grupo de Diretores nunca limitou ou restringiu nossas atividades exceto numa coisa, que enquanto estivéssemos no Journal, não nos era permitido recomendar abertamente o uso de literatura não autorizada. Não nos restringiram a leitura desse material. Os diretores sabiam que nós usávamos a primeira edição (do C&S) como nosso livro texto principal. Os diretores sabiam que nós líamos outras literaturas.

De fato, certa vez um dos diretores enviou-me a New York para ter uma conversa com o Padre Divine. Sabiam o que nós fazíamos. Não eram cegos. Sabiam que todo praticista que estivesse fazendo um bom trabalho tinha descoberto algumas coisas. Não se opunham a isso. Opunham-se apenas a que confundíssemos nossos pacientes introduzindo-os a coisas que lhes trariam a confusão. Eles já se confundiam bastante sem que fosse preciso que nós colaborássemos com isso.

Não, a razão porque o trabalho do CS não está fazendo o que deve, é porque aceitaram outra vez dois poderes. Eles trabalham com uma mente divina e uma mente mortal e, no minuto em que parem com isso, eles farão um melhor trabalho de cura. No minuto em que pararem de dar tratamentos, e perceberem que você não pode lutar contra o erro, que você não necessita nenhum poder de Deus para superar isso que não tem nenhuma existência, exceto como uma imagem mental em seu próprio pensamento ou no pensamento universal; aí farão um bom trabalho de cura e eu espero que eles façam bons trabalhos com o uso que estão fazendo dos livros do IW e do uso cada vez maior que ainda irão fazer deles.

Agora vamos ver quando a Unity começou, eles fizeram uso de tudo que a CS tinha, exceto uma coisa, que era a natureza do erro. Eles não tinham que saber nada, qualquer coisa, sobre o erro, porque Deus era assim tão tudo, que não havia nenhum erro. Isso era completamente absurdo. E eles viveram para se dar conta disso. Tiveram que se reorganizar e se fazer uma organização religiosa com as vestes, púlpitos e hinos, velas e todas as coisas que pertencem à ortodoxia, Porque você tem que ter um substituto. Se você não cura, você tem que ter um substituto se você quiser permanecer no negócio.

Nós estamos enfrentando a mesma coisa.

Nós temos que curar, ou nós temos que sair do negócio ou nós temos que ter alguma maneira de enganar o público. Isso é tudo. Se nós não curamos, vamos sair do negócio. Nós não vamos nos engajar em qualquer coisa que nos leve de volta à ortodoxia.

Agora, se você alguma vez experimentar em seu trabalho de cura, que o pecado, o apetite falso, a doença, o desemprego, a carência, não têm nada a ver com a pessoa envolvida, isso tem a ver com a crença universal no bem e no mal, e um com Deus é maioria, um com a Verdade é maioria, conseqüentemente, a Verdade contemplada em minha consciência, se torna uma lei em seu corpo, ou seu negócio, ou sua arte, ou sua profissão, ou sua saúde, ou no quer que seja.

Um com Deus é maioria, a Verdade contemplada e mantida na consciência de Jesus Cristo curava seus pacientes. A Verdade mantida na sua consciência individual curou seus pacientes. Não adianta acreditar que um Deus fez a cura. Vocês todos devem ter ouvido aquela história de um praticista em Detroit que curou uma mulher com câncer; o marido veio expressar sua gratidão com um cheque para o praticista. O praticista disse: “Oh, não, não fui eu, foi Deus.” “Ah”, disse o marido, “então eu vou levar o cheque de volta e ver como faço para ele chegar nas mãos de Deus. Pensei que você a tinha curado.”

Vocês vêm que é tudo clichê, um monte de bobagem. É a consciência de um indivíduo que faz o trabalho. É a consciência de um indivíduo, a consciência imbuída da Verdade, uma consciência que descobriu o segredo de curar. E o segredo da cura é o UM PODER. 

O segredo da cura é a habilidade de tomar qualquer pretensão contra você, seja mental, moral, física ou financeira e juntar tudo como mente mortal, ou mente carnal e destituí-los.






domingo, 23 de julho de 2017

Libertando o "fulgor aprisionado"



A paz está encerrada em você e em mim. É preciso libertar o "Príncipe da Paz" de nosso íntimo e deixá-Lo sintonizar-se como todos aqueles que, neste momento, se acham maduros e receptivos para a "experiência do despertar". 

Repitamos: não se consegue isto pela tentativa de moralização das pessoas ou de pedir aos outros que sejam melhores do que têm sido. 

Nada disso. Isto é feito individualmente, pelo mergulho em si e libertação do Príncipe da Paz, que está encerrado dentro de nós. Isto é feito ao comungarmos com o Espírito interno, ao conscientizá-Lo em nós. 

Desse modo vamos formando uma abertura pela qual Ele emerge e Se liberta, caminhando diante de nós para realizar nossas obras, segundo a perfeita vontade do Pai. 

Notem bem: não nos cabe ir ao encontro do mundo para salvá-lo, senão ir ao encontro de nós mesmos, de nossa real identidade, para nos fundirmos em nova consciência e deixarmos que Ela se expanda de nós, em realização e ajuda.


Não há mérito espiritual em milhares de palavras que possamos enunciar; não há valor moral ou espiritual nas centenas de lições que possamos dar. 

A graça de Deus não pode alcançar as consciências humanas pela moralização. Só a consciência pode atingir a consciência. 

Retiremo-nos, em nossos lares, em nossos templos, em vales e colinas, para encontrar a paz escondida em nosso interior. 

Convertamo-nos em faróis através dos quais a graça de Deus possa ser irradiada. Então essa Presença invisível poderá preceder-nos no caminho, aplainando o solo e preparando mansões para nós. 

Os períodos de silêncio e de conscientização da Presença constituem o que de mais precioso podemos oferecer ao mundo.

Cada vez que vemos uma pessoa e realizamos que esta graça divina está dentro dela, somos-lhe uma bênção silenciosa. 

Assim, entoamos, sem vozes nem escrito, a paz ao mundo. Olhemos um indivíduo e tomemos consciência de que a graça de Deus está nele também; que ele é um Filho de Deus. 

Esta é, simplesmente, a prática de libertar o "Fulgor aprisionado": o reconhecimento do Cristo, no íntimo de nossos amigos; além da mera aparência de um ser humano, andando sobre a Terra. É ver e regar, com esta verdade, a semente divina plantada em seu íntimo.

Esta semente continua enterrada dentro de nós e permanecerá como simples semente ou possibilidade, enquanto não a nutrirmos com o alimento espiritual adequado: o reconhecimento constante, repetido, de nossa identidade espiritual.

Dentro do ser individual está o Filho de Deus, este Eu, que ele é; dentro dele está a divina Presença e o divino Poder -a Graça de Deus. 

O EU, dentro dele, é o alimento, o brilho do Sol e a chuva fecundante, para esta semente.

Depois esta semente começa a brotar. A natureza de nossos amigos, parentes, sócios, companheiros de trabalho, começa a mudar aos nossos próprios olhos, sem que eles mesmos saibam o porquê. 

É possível que algo se desenvolva neles e encetem uma busca de Deus, de verdade, até que uma mensagem ou um mensageiro lhes revele que não há necessidade de buscar longe, porque o que estão buscando está dentro deles mesmos e o desejo que sentem é o próprio apelo do "Fulgor Aprisionado" para despertar e libertar-se. O que buscam é a divina Realidade neles: o Filho de Deus, o Santo Graal dentro de suas próprias consciências.

Toda sacralidade do Filho de Deus está estabelecida no centro de nosso ser -- a eternidade, a imortalidade, a natureza infinita da seidade de Deus -- porque somos UM com o Pai, e tudo que o Pai tem, já é nosso: a Sua sabedoria,a Sua Mente, a Sua Graça, a Sua Presença, a Sua Substância, o Seu Ser. 

O próprio alento de nossa vida, pois somos UM e, nesta unidade, encontramos a plenitude e nossa união com toda a humanidade. 

Somente na unidade com Deus é que nos sintonizamos com a Luz individual em cada ser e nos identificamos com tudo que haja percorrido o globo no passado, no presente e no futuro.

O Natal revela-nos que Deus plantou o Seu Filho em nós!

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim." Isaías 9: 6-7





sábado, 22 de julho de 2017

SEJA AGRADÁVEL A MEDITAÇÃO


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"Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a Sua face, Senhor, Rocha minha e Libertador meu!"_ 

(Salmos 19:4)


Meditação é uma experiência e, na medida em que essa é uma experiência individual, jamais pode ser confinada a limites e padrões predeterminados. 

Medite; ore; descanse no lugar secreto do Altíssimo em quietude e paz; dessa forma você descobrirá que a verdade que você procura se encontra dentro de você. Cristo, a grande luz, está dentro de ti. 

Cristo é o curador; Cristo é o multiplicador de pães e peixes; o Cristo é aquele que suporta, mantém e sustenta; e Ele já se encontra dentro de ti. 

Você jamais encontrará saúde, suprimento ou companhia ao procurar por eles mundo afora. Tais coisas já estão incorporadas em teu ser, e elas se revelarão a ti a partir do teu interior quando você aprender a estar em comunhão com com o Pai. 

Você pode recorrer à sua natureza crística e dela extrair qualquer coisa, e isso fluirá para você na medida da sua realização/conscientização dessa verdade. 

Tu és absolutamente completo em Deus. Cristo é a tua verdadeira identidade, e em Cristo, és completamente suprido e preenchido de tudo. 

Em nossa absoluta completude em Deus, há apenas uma única coisa pela qual orar; há apenas uma única coisa necessária por que pedir - Iluminação Espiritual. 

Batei, e a porta se vos abrirá. Ore por iluminação espiritual, para receber a Graça da Presença do Espírito, e Deus Se revelará a ti como plenitude.

Meditar é ouvir uma contínua canção de gratidão por Deus ser amor, por Deus estar aqui, e por esse Deus estar aqui AGORA. 

É descansar no colo de Deus, segurando Suas mãos, e sentir Sua divina Presença. Descanse na contemplação do Amor de Deus e da Presença do Pai. 

Então você estará apto a dizer: "Agradável é a meditação do meu coração perante a sua face, Senhor, Rocha minha e Libertador meu."







sexta-feira, 21 de julho de 2017

A ARTE DA MEDITAÇÃO - CAPÍTULO 18 -FINAL





                        Capítulo XVIII 




            UM CÍRCULO DE MESSIANISMO 




Nos tempos modernos é razoável esperar que haja muitas pessoas de tal modo dedicadas à via Crística, que suas próprias vidas se desenvolvam num contato espiritual permanente. 

Será concebível um grupo de adeptos ou ardentes aspirantes à Senda Espiritual que, sinceramente, aceitem a hipótese de que “por eles mesmos nada são e que Deus é tudo?” 

Será possível encontrar-se no mundo uma plêiade de indivíduos que tenham alcançado o nível de consciência em que as suas vidas passam a ser vividas pelo Espírito? 

Tal plêiade serviria de padrão para o mundo inteiro. Sempre tem surgido indivíduos que, isoladamente, conseguiram a Graça do Cristo, mas, em nenhum período da história do mundo foi essa conscientização alcançada e mantida por grupos, é que até o presente não foi encontrada nenhuma fórmula efetiva capaz de transmitir a Consciência Crística às multidões. 

Jesus ensinou a verdade a doze discípulos e mais três ou quatro aptos para entendê-la. 

Budha ministrou ensinamento da Verdade a vários adeptos, mas apenas dois O compreenderam. 

E entre os discípulos de Lao-Tse, só um correspondeu. 

Hoje a Sabedoria está alvorecendo na consciência humana. “Ouve ó Israel, o Senhor nosso Deus é UM”. Esse preceito de Unidade é o antigo segredo dos místicos revelado através dos grandes faróis espirituais do mundo, nas mais diversas épocas. É isso que nos capacita a compreender a Auto-Realização: Se eu estou no Pai e o Pai está em mim, então tu estás em mim e eu estou em ti; e estamos todos no Pai, unidos em uma só consciência. 

No mundo atual, não obstante as diversas formas de adoração religiosa existentes, os adeptos de qualquer crença devem estar aptos para aderir a essa antiga ciência de Unidade. 

Esse ensinamento é universal e de modo algum interfere, em nossa maneira habitual de adorar a Deus. 

Na realidade, não há separação entre “teu” ensinamento e “meu” ensinamento; o que há é o Espírito de Deus interpenetrando a consciência receptiva. 

O Espírito de Deus opera através de mim para tua libertação e através de ti, para a minha, uma vez que somos um só em Cristo. 

Em matéria de preceitos religiosos o mundo tem avançado, desde os remotos dias de Jesus, Budha, Lao-Tse; porém, a maior parte desses ensinamentos tem constituído apenas mera especulação no reino do intelecto. 

De algum modo, se em qualquer lugar houver um grupo que esteja vivenciando a vida Crística, esta terá de se manifestar. Mesmo sem falar sobre a Verdade, mesmo sem ministrar aulas sobre a verdade, basta viver a Verdade em silêncio e a Presença, o Poder de Deus serão manifestados. 

Enquanto permanecerem em discórdia e desarmonia, deverão resistir à tentação de “afirmar a Verdade”, buscando primeiro atingir o Centro Divino em seu interior onde foi erigido o Cristo e deixá-Lo “endireitar os caminhos”. 

A solução, a resposta para todos os problemas é a realização do Cristo. Ele é a bênção, não eles. Cristo sepultado no túmulo da mente, não aparecerá, não fará milagres, mas o Cristo ressurgido do túmulo através da Meditação e da Comunhão é o verdadeiro milagre. 

Quando a atividade do Cristo se faz presente em nossa consciência, todas as nossas necessidades são supridas, atingindo também aqueles que estiverem receptivos a essa presença. Estes passarão a influenciar outros, e assim sucessivamente poderão circundar o mundo inteiro. 

Toda pessoa que tenha se preparado para o despertamento do Cristo Interno, está apta a tornar-se parte integrante desse círculo de luz. 

Contudo, essa experiência, não é, de imediato acessível a todos, assim como não é possível a alguém avançar no estudo da Engenharia e do Direito sem os processos preliminares. 

Muitos daqueles que se interessam pelas coisas profundas do Espírito gostariam de incluir seus familiares e seus amigos como companheiros de jornada, mas, nem sempre isso é possível. 

Com freqüência, os membros da mesma família ou pessoas estreitamente ligadas por laços de amizade, amor ou outros interesses, são, justamente as que se opõem à Verdade; são o terreno estéril a que o Mestre se refere. 

A ninguém é dado saber ou julgar quem é que está pronto para o desabrochar da alma. 

Trata-se de algo que se processa dentro de cada um. Só mesmo entre ele e Deus. Mas, pouco a pouco, cada joelho deverá dobrar-se, até que finalmente todos participem da herança divina. 

O aperfeiçoamento espiritual sempre se inicia em um indivíduo, começa na consciência de uma pessoa, pode ser na tua, pode ser na minha e tudo depende do grau de conscientização do Cristo. 

O Cristo interno, ativo, realizado em alguém, torna-se uma poderosa força no mundo. A todo momento, é possível que haja alguma pessoa receptiva em qualquer lugar: em um hospital, em um cárcere, em um campo de batalha ou nos meandros da política, clamando: “Ó Deus, ajuda-me!” seja qual for o caso ou a circunstância, no momento em que uma súplica de uma alma receptiva for dirigida a Deus aí estará, em toda plenitude do Cristo Realizado. 

Ninguém pode aprisionar o transbordamento da plenitude do Cristo Realizado, livre do mundo, e ninguém podem avaliar quantas pessoas encontram cura mental, física, moral, financeira, através do simples ato de invocar o Desconhecido, esse Cristo liberto por ti ou por mim num momento de meditação. 

Essa é a razão pela qual sempre peço aos nossos adeptos do Caminho Infinito para que reservem um período de tempo, diariamente, para a meditação. Que esse período de tempo seja dedicado inteiramente a Deus, não para eles, suas famílias, seus negócios ou seus clientes, mas exclusivamente para Deus. 

Em outras palavras: reservemos para Deus um período de meditação no qual O buscamos de mãos limpas: “Pai, nada busco. Venho a Ti com o mesmo espírito com que iria a minha mãe, em condição de agasalhar-me para a comunhão por amor. Tu és o Pai e a Mãe do meu ser, Fonte de minha vida, minha Alma, meu Espírito. Não venho pedir-Te favores, venho a Ti pela alegria da comunhão, para sentir a segurança da Tua Mão na minha, o toque do Teu Dedo no meu ombro, para estar em Tua Presença”. 

A Presença de Deus quando realizada, na consciência de alguém, eleva-o à condição de Salvador do Mundo. Afastem-se da idéia errônea de que apenas um indivíduo pode manifestar o Espírito de Deus na terra. 

Qualquer pessoa está apta a realizar o Espírito de Deus que jaz latente em todos nós. Se este livro puder encaminhar, conduzir alguns para a realização dessa experiência, então, tais realizados se tornarão capazes de auxiliarem outros a encontrar o caminho que conduz a essa experiência. 

O Salvador é o Espírito de Deus, não um homem ou uma mulher, é o Espírito do Senhor que deve ser realizado por mim e por ti, individualmente. 

O máximo que um livro espiritual pode fazer é induzir o estudante à compreensão de que dentro dele está o reino de Deus e inspirar-lhe o desejo de O conquistar. 

O máximo que um mestre espiritual pode fazer é ampliar a consciência daqueles que o procuram de forma que eles consigam atingir a realização do Espírito do Senhor. 

Mas, um mestre, um veterano, no próprio caso de Jesus, o Cristo, não pode fazer isso para o mundo inteiro. Mesmo entre seus discípulos, nem todos foram receptivos; Judas não correspondeu ao Cristo. Somente aqueles que têm fome espiritual poderão ser elevados ao alcance da experiência de Deus através de um mestre espiritual. 

Em todas as épocas, muitos místicos tiveram oportunidade de abrir a consciência de adeptos para a experiência do Espírito do Senhor. 

Em alguns casos, centenas a obtiveram com a ajuda de seus mestres, mas o mundo os persegue em seu tenebroso caminho de destruição de modo que muitos daqueles que alcançaram esse elevado estado de consciência endeusaram tanto seus mestres quanto seus ensinamentos. 

Cada um que pelo esforço empregado conseguiu ser tocado pelo Cristo deve dedicar-se também a engrandecer a consciência de outros, do mesmo modo como a ele foi feito. E assim se torna testemunha da atividade do Cristo através de sua própria consciência, demonstrando ao mundo que, todo aquele que tiver suficiente interesse e devoção, poderá atingir mesma experiência. Onde quer que exista uma consciência realizada em Deus, ali se encontra um instrumento através do qual Deus pode agir para alcançar e tocar outras consciências, iluminando, suprindo e curando. 

Do mesmo modo, quando na meditação estiveres em sintonia com o Infinito Invisível, Cristo utilizará como canal tua consciência, para influenciar as vidas de outros, despertando também suas consciências e melhorando suas condições. 

A atividade do Cristo flui para onde quer que haja uma consciência humana receptiva, pela Graça de Deus. Dias virão em que, no mundo inteiro, haverá um Círculo de Sabedoria Espiritual formado pela Consciência Crística de mestres e adeptos. 

Então, o mundo será elevado, não de um por um, mas aos milhões. E se qualquer um buscar Iluminação será suficiente focalizar sua consciência na de um dos membros do Círculo de Almas Iluminadas. 

Quando a consciência se liberta pela meditação individual, não sofre mais as limitações de tempo e espaço, de modo que todo aquele que no mundo a toque, dela poderá participar. 

“A iluminação dissolve todos os laços materiais e une todos os homens com as cadeias douradas da compreensão espiritual; reconhece a liderança do Cristo, não segue ritual ou regra, mas pratica o Amor Divino, impessoal, universal. Não pratica outra adoração, além da chama interior sempre acesa no relicário do Espírito. Esta união é o estado livre da Fraternidade Espiritual. Somos um universo unido, sem limites físicos, em divino serviço a Deus, sem credos nem rituais, o Caminho sem medo, iluminado pela Graça”.





                                  FIM





quinta-feira, 20 de julho de 2017

A ARTE DA MEDITAÇÃO - CAPÍTULO 17





                         Capítulo XVII

           ILUMINAÇÃO, COMUNHÃO, UNIÃO 




A Meditação conduz à iluminação que se torna comunhão e por fim união. 

A iluminação é uma experiência individual que não está relacionada com qualquer rito externo ou forma de adoração. Depende exclusivamente de nossa própria realização. É uma experiência que se processa dentro de nós mesmos, inteiramente à revelia de qualquer outra pessoa. Não pode ser praticada por ninguém, marido ou mulher, filho ou amigo, nem buscada em companhia de outros. 

É necessário isolar-se no íntimo santuário do próprio ser e aí realizar sua experiência de Deus. De certo modo é possível repartir nosso aperfeiçoamento com outros que já sejam iluminados ou estejam no Caminho da Iluminação, mas lembremo-nos sempre de que a experiência de Deus é individual. Se ela vier a nós no meio de uma multidão, mesmo assim, continuará solitária, sem nenhum participante. 

Nenhuma tentativa deve ser feita no sentido de propagar a verdade que foi revelada antes que ela se alicerce na própria consciência. Posteriormente a orientação virá sobre como, quando, e em que circunstâncias deveremos participar a revelação. 

A iluminação é acessível a todo indivíduo sequioso de consegui-la, de acordo com a intensidade desse desejo. 

Porém, enquanto estiver esforçando-se por esse contato com Deus, deve o aspirante manter oculta essa centelha até que ela se torne chama; e após os primeiros vislumbres de iluminação, conservar em segredo para o mundo, no íntimo de si mesmo, o Cristo recém-nascido. 

Não se deve falar Dele, de modo algum, revelá-la ao mundo, pois este, em sua ignorância e insensatez, pode tentar prejudicar destruindo a própria confiança e certeza em Sua Presença, em Seu Poder. 

O mundo procura sempre aniquilar o Cristo. Nas mais remotas escrituras conhecidas do homem, através de todos os tempos, as profecias indicam a vinda do Messias e sua crucificação. 

Há na natureza humana algo que não deseja ser destruído: egoísmo, malvadez, arrogância - e a Presença do Cristo é o único Poder que os destrói. 

Simbolicamente, a manutenção desse segredo se afigura à viagem ao Egito para esconder o Cristo infante. No exato momento em que o mundo percebe em alguém pura devoção ao Cristo, passa a ridicularizá-lo, tentando afastá-lo do porto em que ancorou. 

O anticristo, sugestão de uma entidade à parte de Deus (a mentalidade coletiva da humanidade), procura com a sutileza da serpente, semear dúvida e minar a fé. 

Deve-se, portanto mantê-lo em segredo, até quando a Consciência Crística de tal forma se desenvolver, se fundamentar, se radicar, que se torne a própria atividade da vida humana. Então poderemos enfrentar o mundo e revelá-Lo sem que nos preocupe ou afete qualquer dúvida ou abuso que o mundo lance sobre nós. 

É somente quando nós apresentamos o Cristo ao mundo que corremos o risco de perdê-lo. Quando o Cristo reveste nossa vida, Ele mesmo, silenciosamente, se apresenta ao mundo, tão suave, tão silenciosamente que todos sentirão Sua influência. 

Após os primeiros vislumbres, muitas tentações nos arrastam, mesmo Jesus enfrentou tentação de carência, a tentação da fama e a tentação do poder pessoal. Resistiu a elas e a todas superou. 

Essas mesmas tentações sitiam o ser humano e muitas vezes se multiplicam, tão logo ele consiga, mesmo que seja um grau mínimo de iluminação espiritual. Progredindo na Senda, essas tentações desvanecem, uma por uma, persistindo apenas o egoísmo, a tentação de acreditar que o eu da personalidade (ego) pode ser ou fazer algo. 

Essa também acabará cedendo ao Cristo erigido em nós. Não há limite para a profundidade da Cristificação. 

A iluminação conduz à comunhão, estágio no qual há trocas recíprocas, algo fluindo de Deus para nossa consciência e desta para Deus. É a meditação o caminho do mais intenso grau, jamais experimentado, mas nós não devemos conduzi-la, Deus é que a conduz. Ela não pode ser produzida por esforço algum de nossa parte, não pode ser forçada, a nós cabe pacientemente esperar e sentir o jubiloso e tranqüilo intercâmbio entre o Amor de Deus que nos toca e nosso amor que a Deus retorna. 

Na Comunhão, a atividade de Deus é contínua, sempre presente, eventualmente, é atingido um ponto de transição em que se opera uma transformação radical, já não vivemos nossa própria vida, Cristo vive em nós, e através de nós. Tornamo-nos meros instrumentos dessa divina atividade; já não temos vontade própria, já nada desejamos, vemos quando e para onde fomos enviados, já nada temos de nosso, nem provisões, nem mesmo saúde. 

Deus está vivendo Sua vida como nossa vida. Então, o manto do Espírito nos envolve e se alguém toca nossa consciência, é o Manto do Cristo que ele toca, ainda que seja apenas a fímbria do Manto, a cura e a redenção se manifestam. Envoltos nessa vestimenta, é desnecessário ir a algum lugar para transmitir a mensagem do Cristo ao mundo; o mundo nos buscará onde quer que estejamos, entretanto precisamos estar revestidos da Consciência do Cristo. 

Levar ao máximo, a Comunhão resulta em União com Deus; então, tal estado de consciência é alcançado e se torna possível a qualquer hora do dia ou da noite; recolhermo-nos interiormente e sentirmos a Presença do Senhor. É como se Ele tivesse dizendo: “Caminho a teu lado, mas agora estou dentro de ti”. 

Finalmente, a voz silenciosa: “Até o presente tenho estado dentro de ti, mas agora EU SOU TU, EU penso, falo e ajo como tu. Tua consciência e Minha consciência são Uma e a Mesma, pois agora, há somente MINHA CONSCIÊNCIA”. 

Alcançando esse estado, já não há comunhão, não há mais dois, há somente UM e esse é Deus, expressando-se, revelando-se, realizando. É o casamento místico em cujas núpcias somos testemunhas de nós mesmos, tornamo-nos 

Aquilo que Deus juntou, na União Indissolúvel que existiu desde o princípio: “Eu e o Pai somos Um”. Nessa união mística, todas as barreiras se diluem e mesmo nossas opiniões intelectuais se dissolvem na Sabedoria Universal. 

Há completa rendição do ego ao UM universal. “Tudo que tenho é Vosso, minhas mãos, a totalidade de meu coração, de meu corpo, não necessito de nada nem de ninguém. 

Dentro de mim está tudo o que eu preciso – pão, água e vinho”. Esse é o nível da experiência espiritual. 

No Canto de Salomão, esta experiência é descrita quase como se fora um amor humano, o que absolutamente não é. 

Na comunhão sentimos nosso amor fluindo para Deus e o amor de Deus fluindo em nós, como transborda o amor materno sobre seu amado filho. 

Tudo termina com a união, então, já não existe Eu, há apenas Deus e ao contemplarmos o mundo, vemos somente o que Deus vê, sentimos o que Deus sente, pois não há outra consciência, não há “tu”, não há “eu”, há apenas Deus. 

Esses momentos de União são de valor inestimável, são poucos esses momentos preciosos e revelam o mundo como ele é. Se alguém consegue experimentá-los uma vez, poderá experimentá-los sempre. 

É necessário somente “encontrar o caminho”. Dias virão em que a Terra ficará tão plena da Presença do Senhor que desaparecerá a lembrança desse período de materialidade. 

A iluminação dissolverá toda sombra criada pelo ego-personal, entre o Sol Divino e a luminosidade de Seus raios. Sobrevindo a iluminação, já não mais necessitamos dos objetos do mundo circunjacente, pois tudo e todos se tornam parte de nosso ser. Desaparece para sempre a inquietação porque Deus vive a nossa vida e nos transformamos em simples espectadores, observando Sua realização que se apresenta como nossa experiência. 

No silêncio de nossa consciência é que se expressa o Poder Creador de Deus. 

Tudo o que houver de bom para nós, onde quer que esteja no Universo, se encaminhará para nós. É a bondade de Deus que através de nós flui para o mundo. Já não teremos mais bens pessoais, desvanecendo-se o sentimento de posse, de aquisição e de poder pessoal. Em seu lugar, envolve-nos a Totalidade, a abundância de Deus em Sua Infinita Plenitude. 

A Glória de Deus se revela em nossa vida como nossa vida. Essa Plenitude então se manifesta como harmonia em nosso relacionamento, satisfação nos negócios, resplendor em nosso semblante e vigor em nosso corpo. Todo júbilo que se exterioriza do nosso ser é um testemunho silencioso do poder do EU.








quarta-feira, 19 de julho de 2017

A ARTE DA MEDITAÇÃO - CAPÍTULO 16





                 MEDITAÇÃO: OS FRUTOS

                              Capítulo XVI 




                    O FRUTO DO ESPÍRITO 

Na vida de todo buscador de Deus, chega o momento em que ele sente a Presença, e de um modo ou de outro adquire a certeza dessa Presença e desse Poder. 

Não podemos prever de que modo essa experiência acontecerá conosco, já que para cada um ela reveste de forma diversa. 

Um fato é indiscutível, quando ela acontece e a Presença do Senhor se realiza “surge a liberdade”, uma imunidade, uma libertação dos pensamentos e coisas deste mundo, de seus temores, dúvidas, cuidados e problemas. 

No momento exato em que o Espírito do Senhor toca uma pessoa, ela se transforma; passa a compreender o profundo significado do “renascimento”, do “nascer de novo”. Ela própria observa grande diferença dentro de si mesma, entre o que “ela é e o que era”. 

Essa transformação pode não ser logo percebida externamente, mas pouco a pouco, evidencia-se. 

Às vezes, logo no início, pode evidenciar-se de forma negativa: a perda precede o ganho. “Aquele que quiser perder sua vida ganhá-la-á”. 

A concepção habitual da vida deve ser sacrificada para que a concepção espiritual se firme. 
Antes que a plena realização dessa nova vida se instale, a ruptura dos antigos modos de viver deve manifestar-se com relação aos mais variados problemas: sociais, econômicos, físicos. Sobrevém impressão de perda, doação, sacrifício de alguma coisa. 



Realmente, isso é verdade; a partir do momento em que o Espírito do Senhor tocou uma pessoa, esta não se impressiona mais com aparências externas, nem se perturba, reconhecendo as facticidades como participantes de uma experiência transitória. 



Os primeiros mártires cristãos que se converteram dos deuses pagãos para o Único Deus, não pensavam mais de acordo com os padrões humanos. A perseguição de que foram vítimas, nada era, comparada com a excelcitude de sua missão espiritual. 



Ao expectador vulgar parece contra-senso, homens dignos serem apedrejados, lançados às feras, queimados em fogueiras. 



Do ponto de vista humano, assim é, mas quando o Espírito do Senhor toca uma pessoa, passa esta a compreender que, em verdade, nada está sendo desperdiçado, perdido ou sacrificado. 



O “martírio” só existe para aqueles que não compreendem. Para os espiritualmente iluminados ele é o cumprimento de sua experiência, de seu destino espiritual e o que eles recebem sobrepuja a perda aparente. Hoje a atitude do homem profano é semelhante à daqueles pagãos de 19 séculos atrás; considera ele, com assombro e desconfiança, aqueles que, deliberadamente, dedicam seu tempo e dinheiro ao aperfeiçoamento de sua natureza espiritual, em vez de correr atrás do prazer, da fama, de fortuna, de bens materiais. 



Tal escolha, aos olhos profanos, se compara ao sacrifício dos mártires cristãos; mas para aquele que vislumbrou a realidade da senda espiritual, sobretudo aquele que teve experiência Crística, sabe que a plenitude interior, o que ele ganhou em qualidade está acima de qualquer perda quantitativa. 



Neste mundo só há montanhas e baixadas. Algumas vezes contemplamos o mundo do alto de uma colina e ele se nos afigura tranqüilo e bom. Há outros dias em que nos encontramos abalados, desencorajados e até desesperados. Esses períodos não têm significado particular, nem real importância, eles fazem parte do ciclo rítmico da vida humana. 



Há sempre um vale entre duas serras; não é possível escalar a montanha anexa sem passar através do vale existente entre elas; as experiências do vale são simples preparação para as experiências do monte. 



Em termos bíblicos “nenhum homem pode ganhar a sua vida sem antes perdê-la”. É no vale que ele lança de si a carga do ego humano, com seus anseios, necessidades e desejos. Assim descarregado, está livre para escalar a montanha mais próxima. 



Prosseguindo a jornada, serão mais longas as experiências na montanha e mais curtas no vale. Isso acontecerá ano após ano, até que seja alcançado um ponto de transição em que as alturas passarão a ser o seu habitat natural. 



Hoje, pode ser esse dia de transição para nós. Daqui a um ano, seremos forçados a admitir a transformação progressiva operada em nossa vida, se decidirmos esquecer “aquelas coisas que ficaram para trás e alcançar as que estão à frente, galardão do chamamento de Deus em Cristo Jesus”. 



Nunca mais nos deixaremos impressionar pela concepção humana da vida. Não mais seremos capazes de amar ou de odiar intensamente como antes. Não mais ficaremos pesarosos ou jubilosos com a mesma intensidade ou emoção humana. 



A profundidade de nossa vida continuará a fornecer luz espiritual cada vez mais resplandecente, mais sábia orientação, de modo que cada dia seja de maior discernimento, de vida mais intensa do que o dia precedente, na atmosfera divina. 



Esse trabalho servirá como alicerce no qual será erigido o templo de nossa experiência individual, o templo que não foi feito por mãos humanas, mas eterno, nos céus. Anos e anos ouvimos falar na beleza do Cristo, do Poder do Cristo, da influência curadora do Cristo – “o Espírito de Deus dentro de nós” e muitos de nós têm sido abençoados através de pessoas que alcançaram o Espírito de Deus. 



Chegou o tempo em que já devemos depender de ensinamentos ou de iluminação de outros; devemos mesmos, adquirir a experiência que nos faculta estar neste mundo sem pertencermos a ele, cruzá-lo ante discórdias e desarmonias, bem como diante de prazeres e desprazeres, mantendo sempre nossa integridade espiritual. 



Abandonamos a antiga concepção de querer fazer algo; saber algo, de compreender algo; adotamos uma atitude de descontração no tocante à responsabilidade pessoal e aí permanecemos tranqüilos, quietos, na compreensão de que “onde está o Espírito do Senhor, está a libertação”. 



Tornamo-nos espectadores, contemplando Deus a operar em Seu universo, reconhecendo o Ser Transcendente na execução do Seu trabalho através de nossa consciência. 



Algumas pessoas chegaram a ter experiência de Deus sem aparentar sinais externos, por ignorarem o que ela representava, viveram apenas com sua lembrança, desconhecendo como foi ela alcançada e, sobretudo como mantê-la. 



Um adepto, porém, que devotou sua vida ao estudo da Sabedoria Espiritual e à prática da meditação, quando acontece a experiência de Deus, ele a recebe sem surpresa, pois compreende seu significado. 



Ainda que ele a aceite, jubilosamente, como evidência da Graça, sabe que foi alcançada após muito esforço. Não vive pois, com a simples lembrança porque sabe que aumentando a receptividade pela meditação constante, a repetição dessa experiência será freqüente, até chegar o tempo em que ela é alcançada pela vontade. 



Essa Presença Espiritual, esse Poder, esse Cristo que executa por nós as funções de nossa vida, é Invisível, mas nem por isso é menos real. Ele se encarrega das funções do nosso corpo, de modo a tornar para nós desnecessário preocuparmo-nos com suas atividades. 



O Cristo interno faz tudo o que nos compete fazer, inclusive ao nosso corpo. Gradualmente, à proporção que o Cristo passa a viver nossa vida, vai se diluindo a concepção de um corpo físico ou de atividades corporais. 



Se fosse necessário cuidar diretamente da circulação do sangue ou da função digestiva, estaríamos vivendo através de meios humanos e não pela palavra que procede da Boca de Deus (Fonte de energia Infinita). 



Não, o funcionamento do corpo sem auxílio de qualquer espécie, sem conhecimento ou interferência direta sobre o aparelho digestivo ou a circulação do sangue, é uma comprovação evidente da atividade do Cristo. 



A saúde é de Deus, assim, não existe “minha saúde”. “tua saúde”. Se aceitares esse conceito literalmente, veremos acontecer milagres. 



Deus não é pessoal, não obstante pode ser saúde e riqueza. Falar de “minha saúde”, “tua saúde”, é admitir que há graus de saúde, boa ou má. No modo espiritual de viver isso não acontece, pois só há uma saúde e essa é Deus. 



Uma vez que aprendemos o sentido de posse pessoal indicado pelas palavras “eu, meu, minha”, teremos encontrado o verdadeiro sentido da vida espiritual, universal, impessoal, harmoniosa. 



Deus expressa Sua harmonia através do nosso ser e essa harmonia pode ser bondade, saúde e nada mais é do que uma atividade, uma Lei de Deus. Reconhecendo-O como a Essência de todo o bem, tornamo-nos instrumentos para a manifestação da concepção universal do bem. 



A saúde não depende da digestão, eliminação ou atividade de qualquer órgão do corpo; é uma qualidade divina, depende de Deus. 



Lembremo-nos disso: o alimento que eu ingiro não tem valor nutritivo, substância ou poder de sustentar ou manter a vida, mas EU, a ALMA, minha consciência, comunica ao alimento a substância vital, seu valor, seu sustento. 



Se nos tornarmos conscientes disso, verificaremos que em nossos corpos os alimentos passarão a exercer efeito diverso daquele que até então produziram. “Ele faz o que foi dado fazer”, em conseqüência, a atividade do corpo é desempenhada por AQUELE que está dentro de nós. 



Por isso não nos preocupemos. Ele executa e aperfeiçoa aquilo que a nós concerne. Contemplemos Deus manifestando-se como nossa saúde, riqueza, força e vida. Assim acontece todas as fases de nossa experiência humana. 



Se adotarmos uma nova concepção a respeito da retitude da vida, se as palavras corretas forem proferidas no devido tempo, se os nossos atos externos corresponderem a uma atitude interna de retidão, teremos uma vivência harmoniosa e então sentiremos que cada fase de nossa experiência é o resultado direto da atividade do Cristo. 



Não precisamos nos preocupar, Ele, o Cristo, faz tudo antes mesmo que tenhamos alguma consciência do que está acontecendo. Ele, o Cristo, é a atividade do corpo, da bolsa, das relações com nossos semelhantes. A Presença vai à nossa frente para endireitar os caminhos tortuosos e preparar um lugar para nós. 



A Presença faz tudo por nós e nesse plano de existência passamos a viver como testemunhas contemplativas. Há inúmeras passagens bíblicas que revelam a importância de confiar no Senhor, de ser um contemplador da vida. Isso não significa sentar-se negligentemente e nada fazer. 



Ao contrário, quanto mais alguém confia no Senhor, tanto mais ele contempla Deus operando nele, através dele e como ele, tanto mais ativo se torna. 



Como contempladores executamos as tarefas que requerem nossa atenção e que estão ao alcance das nossas mãos. 



Se tivermos uma causa a cuidar, cuidemos dela; se nos for entregue a direção de um negócio, dirijamo-lo; se tivermos direitos a reclamar, reclamemos; porém, mergulharemos em nossas atividades com a seguinte atitude: “Confio no Senhor, observo o que o Pai me dá para fazer”. 



Mantemo-nos assim em tal estado de receptividade que, a qualquer momento, estaremos prontos para alterar os planos que propomos executar e seguir o plano divino. 



Há deveres a serem executados, obrigações a serem cumpridas em todos os dias de nossa vida. 



O que nos for dado fazer, deve ser feito. Sendo um “contemplador”, descobriremos que há uma orientação divina, um poder divino que nos guia. Esse é o estado de consciência atingido por Paulo “Não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim”. 



É como se Paulo, o homem, se afastasse para um lado dizendo: “Cristo está em mim, está aqui, está atuando em mim, através de mim, como eu mesmo, ele vive minha vida por mim”. 



Essa é a atitude que mantemos como contemplador, quase como se disséssemos: “Na realidade, não estou vivendo minha vida. Observo o Pai a viver Sua vida através de mim”. 



Esse é o modo ideal de viver a senda espiritual da vida, senda na qual encontramos o mínimo de obstáculos, de dificuldades, de incompreensões. 



Há sempre uma Presença, o Infinito Invisível que vai a nossa frente endireitando os caminhos tortuosos, todas as minúcias de nossas experiências. 



É somente quando “eu penso, eu digo, eu faço coisas” que o resultado pode ser prejudicial. Nossa relutância em aguardar o tempo necessário, longo que seja, para que Ele tome conta de nós é o motivo de nossa frustração. 



Muitos não têm paciência de esperar até o momento em que a decisão se impõe. Insistem em saber a resposta adiantadamente, um dia, uma semana, um mês antes. 



Querem saber o que acontece em todos os lugares, querem saber hoje, o que vai acontecer na próxima semana, no mês próximo, que decisão tomar para o próximo ano, em vez de aguardar o momento em que a decisão é exigida e deixar que “Deus ponha a Palavra em sua boca e lhe revele a atitude a tomar”. Um dia, o maná cai, dia a dia para cada um deles, sabedoria, guia, orientação nos são conferidos. Nem sempre Deus nos adverte uma semana antes, a orientação é recebida quando dela necessitamos. 



Adquirimos o hábito da impaciência e em conseqüência, em vez de esperarmos que se manifeste a decisão de Deus, nós nos intrometemos e temerosos de efeitos possivelmente desafortunados, precipitamo-nos e agimos baseados em nosso melhor julgamento humano. 



No viver espiritual não dependemos da correta avaliação humana das situações. Por melhor que pareça o nosso ponto de vista, desviemo-nos dele e dirijamo-nos ao Pai: “Pai, mostra-nos como proceder, aponta-me o próximo degrau e diz-me como e quando deverei transpô-lo”. 



Com paciência e prática, aperfeiçoamos a consciência contemplativa de confiar no Senhor que nos conduz ao milagre da vida em que não somente descobrimos que há um Deus, como também que Ele se tornou o governante de nossa vida. Temos impedido a atividade de Deus em nossos negócios por não saber esperar, por não sermos contemplativos, por não nos sentarmos serenamente ao lado de nós mesmos, até sentirmos que o Pai está tomando conta de nós. 



Se fizéssemos isso apenas, atestaríamos o milagre da Presença Divina, indo a nossa frente para renovar todas as coisas. Quando “nós” tomamos uma decisão, encontramos, muitas vezes, obstáculos insuperáveis no caminho, mas, quando é Deus que decide, Ele vai adiante de nós e remove todos os obstáculos e providencia tudo o que é necessário para facilitar o empreendimento. Uma pequena prática diária para ser contemplador: “Pai, este é Teu dia, o dia que Tu fizeste. Nele me satisfaço e me rejubilo. Revela-me o trabalho neste dia; aponta-me, não as minhas, mas as Tuas decisões. Que unicamente Tua vontade seja a Razão e o princípio ativo de minha vida”. 



Disponhamo-nos a esperar o preciso momento em que uma decisão deva ser tomada; sejamos pacientes, muito pacientes. Ele virá e, uma vez obtida essa experiência, teremos testemunhado o milagre de observar Deus operando em nossos negócios. 



Quando essa crença se tornar experiência, não mais saberemos o que é ficar sem o governo de Deus, pois teremos descoberto que Deus responde, que Deus se encarrega... 



No salmo 23, lê-se que devemos habitar na mansão do Senhor todos os dias de nossa vida, todos os dias habitarei na Presença da Sabedoria de Deus, por Cristo, impelidos a agir por Ele, jamais tomaremos qualquer decisão sem o concurso da orientação espiritual. 



Muitas pessoas que alcançaram êxito na vida testificam a importância de estabelecer períodos de quietude a fim de obter recursos internos para inspiração e orientação. 



Descobriram que ordenando o trabalho do dia de modo a permitir mais freqüentes períodos de silêncio, longe dos cuidados mundanos, libertam-se de uma sensação opressiva, reabastecendo seus reservatórios íntimos de modo a torná-los dispostos com renovado vigor e interesse. 



Há um limite para o que, no espaço de 24 horas, pode executar o corpo e a mente humana. Porém desconhece limitações aquele que na senda espiritual aprendeu a entregar-se à atividade do Cristo, que não é medida em termos de capacidade humana. Ele opera através de Sua capacidade, sendo nós mesmos meros instrumentos. Nada existe que não possa ser extraído das profundezas de nosso ser, pois Deus é a mente do homem individual. Dispõe cada um de plena capacidade da natureza divina e segundo a tranqüilidade, e serenidade e quietude da mente “o Infinito se expressa”. 



Tanto a mente como o corpo são instrumentos de Deus; exatamente como usamos o braço e a mão para escrever, Deus emprega nossas mentes e corpos para tornar-se visível, tangível na experiência humana. 



Toda inspiração recebida de Deus traz consigo seu cumprimento. Por exemplo, se um inventor compreende que seu trabalho é atividade de Deus, tudo o que for necessário para a concretização da idéia será conseguido, seja propaganda, financiamento, compra ou venda. 



Isso é verdade para toda idéia creada em Deus, a fonte de sua inspiração é a mesma atividade que conduz à plena execução. 



Ninguém pode seguir, por determinado tempo, as instruções sobre meditação expostas neste livro, sem notar uma mudança na sua natureza espiritual. 



Desde o momento em que haja um afastamento dos liames materiais para outra modalidade de vida Invisível, antes desconhecido, é inevitável que essa alteração ocorra. “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, resignação, tolerância, bondade, fé, brandura, modéstia, humildade”. Tal fruto não vem para aquele que ainda não aprendeu a apreciar o Cristo, Sua Presença, Poder e Jurisdição. 



Antes da consagração e devoção em que alguém abandonou tudo pelo Cristo, deve proceder à colheita desse fruto. Mas, quando chegar o tempo, não mais se sentirá só, não mais temerá. 



Poderá caminhar no Vale da Sombra e da Morte e mesmo assim, a Presença estará com ele, repousando no centro do seu ser, ainda que sobre a sua cabeça desabe a tempestade. 



É Deus realizando-se como ser individual, então ele O vê como Ele é e Deus aparece como suprimento, abundância, harmonia, paz, alegria em sua experiência.