terça-feira, 23 de maio de 2017

O VERBO FEITO CARNE - PARTE I - JOEL GOLDSMITH






Há pouquíssimas citações ou passagens de sabedoria espiritual nas escrituras que não têm um duplo sentido, o literal e o intuitivo, espiritual ou místico. Muitas palavras e afirmações na Bíblia parecem contraditórias, embora eu duvide que haja uma contradição verdadeira na Bíblia inteira. Pode parecer que haja contradições, se as informações são interpretadas a partir do conceito que uma pessoa tem da palavra ou mesmo a partir da definição que o dicionário registra, mas eu não encontrei nenhuma.


Provavelmente, a palavra mais controvertida da Escritura é a palavra “carne”, porque, na bíblia, ela é empregada de dois modos completamente diferentes. O primeiro modo é “Espírito”, que é a substância original, é uma forma. É a idéia. E quando ela vem à nossa consciência, é o Verbo feito carne. Quando ele se torna visível, é a carne que definha, a carne com a qual podemos ter prazer hoje. Mas não vamos nos prender à forma amanhã. Vamos mudar nosso conceito de ser, de corpo ou provisão todo dia. Isaías disse: “Toda carne é erva” (Isaías 40:6). Jesus disse: “A carne para nada aproveita” (João 6:63). No primeiro capítulo de João, diz-se: “E o Verbo se fez carne” (João 1:14).

“O Verbo se fez carne” pode ser considerado como uma das principais premissas do ensinamento do Mestre, tal como é uma premissa maior no ensinamento do Caminho Infinito. A palavra de Deus dentro de nós torna-se visível ou tangível como expressão: O Verbo torna-se o filho de Deus. Nesse sentido, a carne deve ser considerada como significando forma espiritual, atividade e realidade. “O Verbo se fez carne e habita em nós”: Deus se tornou visível como o homem. Deus-Pai tornou-se visível como o filho, mas ninguém jamais verá esse homem com seus olhos. Esse homem só pode ser visto no ápice da consciência espiritual.


A PALAVRA INVISÍVEL TORNA-SE TANGÍVEL

Os médiuns espirituais apresentam a cura no momento em que notam o homem espiritual: o Verbo feito carne. Até esse momento de percepção, a meditação ou o tratamento estão apenas nos conduzindo para onde o Verbo torna-se carne como homem espiritual.

Uma pessoa pode empenhar-se em meditações saudáveis desde a manhã até à noite, mas se a meditação não culmina num momento de distensão – liberdade, alegria e paz – não adianta esperar a cura ou a restauração da harmonia daquela meditação, porque não são os pensamentos de uma pessoa que realizam a cura. Eles apenas conduzem a um estado de consciência acima da percepção humana da vida, em que, num momento de plena consciência, é como se alguma coisa reluzisse diante dos olhos e dissesse: “Havendo eu sido cego, agora vejo” (João 9:25). E, naturalmente, ele pode não ter visto ou ouvido alguma coisa e, no entanto, sabem, concebe e pressente.

Quando uma pessoa afirma a verdade na sua consciência, pondera-a e finalmente pára de ponderar e apenas senta-se quietamente com a atenção em expectativa de que algo se revela a partir do seu interior, aquele momento de iluminação vem – um clarão, uma liberação, uma sensação de paz – e é como se a pessoa fosse libertada de seu próprio corpo. Há uma sensação de leveza, um sentimento de alegria, um sentimento de realização. É naquele momento que ele se torna ciente da Realidade, o Deus invisível torna-se tangível, mesmo que ele não possa vê-Lo ou ouvi-Lo.

Depois disso a febre pode baixar, o tumor pode ser removido, o suprimento pode ser mostrado, um trabalho pode ser oferecido ou um novo lar pode ser encontrado. Todos são os resultados na experiência humana, do Verbo invisível que se torna tangível como um sentimento invisível. Primeiro vem o Verbo invisível, Deus, o Próprio Infinito Invisível, que sabemos que está aqui e agora preenchendo todo o espaço dentro e fora de nós. Então, segue-se a percepção consciente daquele Verbo que se evidencia em captar um instantâneo do Divino e finalmente aqui fora, naquilo que chamamos de cura ou mudança na aparência. Mas nenhuma aparência pode mudar a menos que algo tenha ocorrido na consciência.

Não cuide das aparências. Não busque as aparências para qualquer mudança. “Ainda em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26). Bem aqui e agora na terra, podemos ver a Deus. Eu não quero dizer que vemos com os olhos físicos, mas podemos discernir ou ficar conscientes d’Ele. Isso é o que significa ver a Deus ou senti-Lo: ser tocado por Deus ou tocar na orla do manto.

Cada praticante espiritual recebe iluminação direta, se não de outra forma, pelo menos na cura da qual ele foi instrumento. Do contrário, a cura não poderia ter sido realizada. Não há ninguém na terra hoje que realize quaisquer obras maiores do que o Mestre, Jesus Cristo. Ele disse: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma” (João 5:30). Tenho certeza de que não podemos fazer mais do que ele podia. O Pai dentro de nós faz a obra, mas só naquele momento de contato, de iluminação. Daí pra frente, depois que se conseguiu a iluminação, aquele fluxo continua sem esforço consciente. Mas deve ser renovado dia a dia. Todo dia é necessário penetrar no silêncio, em certas ocasiões, doze vezes, para sentir novamente o Impulso divino.

Depois que se está neste caminho há vários anos, não é necessário voltar e estabelecer aquele contato em cada meditação ou tratamento dado. Chega o tempo em que “vivemos e nos movemos e existimos em Deus” (Atos 17:28), e raramente estamos fora daquele estado de consciência. É só sob tensão de alguma grande emoção ou de alguma grande tragédia, dura experiência ou impacto, que a pessoa que vive deste modo há muitos anos pode estar temporariamente fora do reino de Deus. Isso pode acontecer e acontece mesmo para aqueles bem adiantados no caminho, mas eles têm pouca dificuldade de refazer seus contatos. Nos primeiros anos de nosso trabalho, contudo, isso não é assim. Fazemos contato e então parecemos perdê-lo por alguns dias na oportunidade e encontrá-lo novamente somente com esforço e luta.


A CARNE QUE ENFRAQUECE

A palavra “carne” é usada com um sentido realmente diferente da afirmação: “Toda a carne é erva”. Carne, nesse sentido, significa o que nós observamos através dos sentidos, o que vemos, ouvimos, saboreamos, tocamos ou cheiramos. Se estivermos num estado de consciência, no qual nossa manifestação é de pessoas, coisas ou circunstâncias, não poderemos entrar no reino de Deus, no domínio do Espírito.

A posse de um bilhão de dólares não tornará possível a uma pessoa herdar o reino de Deus, nem a crença de que a carne tem poder para nos dar prazer ou dor. Enquanto nossa fé e confiança estiverem nos bens materiais, nunca conheceremos a realidade das coisas; só conheceremos as formas aqui fora. Quando, porém, com estudo e meditação, nossos interesses começarem a transcender as pessoas, as coisas e as circunstâncias, estamos sendo levados para um reino mais elevado da consciência e nele, finalmente, O vemos tal como Ele é e ficamos satisfeitos com essa semelhança.

Isso também ocorre quando começamos a compreender por que é possível amar aos nossos semelhantes. Uma vez que ficamos cientes um do outro através desta visão mística interior, somos amigos. Na verdade, quando vemos a nós mesmos aqui fora, somos mortais, materiais e finitos. Nós somos a carne que definha como a erva, mas, quando nos observamos uns aos outros com visão espiritual, em nossa verdadeira identidade, somos os filhos de Deus. Quando despertamos deste sonho de materialidade, observamos as pessoas como elas são e ficamos satisfeitos com essa semelhança.

Quando você se apresenta a um mestre espiritual com um problema físico, monetário ou de relacionamento familiar, você é da terra. Seu mestre, vendo-o assim, nunca o ajudará a resolver seus problemas. Mas a capacidade de estar quieto, até que esse pequeno instantâneo venha de dentro, capacita o médium espiritual a vê-lo como você é, o que revela o Verbo feito carne, o que revela o filho de Deus.


Primeiro vem o Verbo, Deus, e Ele se faz carne. Ele se torna um estado de consciência, mas sem forma. Não é uma ideia e também não é uma coisa. Mas, então, com isso vem o pensamento a palavra falada, a palavra escrita, o dólar palpável, um peixe ou um pão. Esse tipo de carne - palavras, escritos e dólares - deve definhar como a erva. Mas a carne entendida como a consciência jamais morrerá. Primeiro é a compreensão de Deus como Substância. Depois, o Verbo, a Substância, torna-se carne. Ela se torna um estado de consciência. E o estado de consciência se manifesta como forma.



NÃO SE ORGULHE COM A APARÊNCIA

Assim que tiver consciência do Espírito, você poderá fazer qualquer coisa que precise fazer, porque você não a estará fazendo; será o espírito da Verdade da qual você se tornou ciente. Ele tomará forma. Mas, quando isso ocorre, não se orgulhe dessa aparência. Tenha muito cuidado para não se sentir satisfeito com abundância de suprimento, saúde física ou felicidade diária. Não fique satisfeito com qualquer coisa no reino da carne, dos bens materiais ou da forma. Não quero dizer que você não deva apreciar as coisas. Quero dizer que você não deve ficar satisfeito com elas.

Quando você se sentir satisfeito com suprimento, nunca se alegre com isso, como se fosse a manifestação. O que foi manifestado foi o Espírito, não o suprimento. Alegre-se com o Espírito invisível que está gerando esse suprimento. Quando uma pessoa lhe diz: “estou me sentindo melhor”, observe para que você não se sinta muito feliz com isso porque, se você estiver observando as aparências, lembre-se de que elas podem mudar amanhã. Olhe o que está por trás do indivíduo e sinta-se agradecido de que a percepção consciente do Espírito realizou-se, porque essa é a razão pela qual a pessoa agora está bem, empregada, alegre ou coisa que o valha.

Observe para que você não se orgulhe da carne, na forma da manifestação, mas se orgulha com o outro sentido da carne: o Verbo feito carne. Essa carne é a carne invisível. Repetidas vezes os metafísicos perdem suas completas manifestações de harmonia porque no momento em que seu salário dobra, pensam que realizaram uma manifestação. Eles realizaram, mas a manifestação não foi o salário dobrado; a manifestação foi a presença do Espírito que apareceu como salário dobrado.

Os hebreus que estiveram com o Mestre, pensavam ter realizado uma manifestação quando os pães e os peixes foram multiplicados. Não realizaram uma manifestação absolutamente. No dia seguinte eles estavam com fome novamente. Mas o Mestre realizara uma manifestação da consciência da presença de Deus e, assim, podia multiplicar pães e peixes a todo e qualquer dia da semana. Podia sair e descobrir ouro na boca dos peixes. Ele não estava tentando multiplicar pães e peixes; tudo o que estava fazendo era elevar seus olhos na compreensão de que o Espírito de Deus era sua manifestação. Permanecer em plena consciência da Presença foi sua manifestação e quando ele realizou essa manifestação, o cadáver tinha que se levantar, os pães e os peixes tinham que ser multiplicados e o ouro tinha que estar na boca dos peixes, porque Deus é a substancia de toda a forma.

Não se orgulhe em curar. Nunca afirme uma cura a não ser para ilustrar o princípio ou a ideia espiritual que a realizou. É relativamente sem importância se você tem saúde ou riqueza hoje. O que é importante é se você obtém a convicção espiritual que lhe dará saúde e riquezas eternas. Não se orgulhe de qualquer tipo de manifestação, mas jacte-se e alegre-se de que viu a face de Deus, de que testemunhou a presença do Espírito, que por sua vez se tornou evidente como a cura ou o suprimento.


USANDO UM NOVO CONCEITO DE CORPO

“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu (...) Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados: não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida” (II Coríntios 5: 1, 2, 4).

Nossa tarefa não é livrarmo-nos negando ou ignorando, do corpo. Nossa tarefa é sermos revestidos com outra consciência do corpo, esse corpo que é “não feito pelas mãos, eterno, nos céus”. Este corpo verdadeiro é aquele corpo. É eterno nos céus, imortal. Mas não podemos ver este corpo. Nós todos recebemos conceitos diferentes de todo corpo que vemos, se estamos apenas julgando pelas aparências, baseados em nossas experiências.

Este corpo, que é invisível, que é eterno e imortal estará conosco para todo o sempre. Este corpo, como eu o vejo, mudará de dia para dia, porque, quanto mais elevado meu conceito de Deus ou do Espírito, tanto melhor em aparência e em sentimentos meu corpo fica. O conceito muda, mas o próprio corpo é imortal; portanto, não nos livramos do corpo mesmo na morte. Nós nos livramos de nossos conceitos de corpo. Mais cedo ou mais tarde, portanto, desenvolveremos a consciência de que nosso conceito de corpo mudará enquanto estivermos na terra.


O CONHECIMENTO DAS PESSOAS PELA ESPIRITUALIDADE

“Assim que daqui por diante a ninguém conheceremos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora já não o conhecemos mais deste modo” (II Coríntios: 5:16).

Antes você me conhecia na carne como um homem. Daqui em diante, você não vai mais me conhecer daquele modo, mas vai me conhecer como um mestre espiritual e não juiz da carne. Antes eu conhecia vocês como seres humanos e alunos, mas daqui por diante não devo conhecê-los jamais deste modo, porém apenas como o Cristo, como Espírito, como fruto de Deus. Antes você conhecia seus amigos e seus parentes, seus pacientes e seus alunos como seres humanos; alguns bons e outros maus. Daqui em diante, você não deve conhecê-los nem como bons nem como maus, mas como seres espirituais. É um erro tentar avaliar uma pessoa como rica, e também avaliá-la como pobre. Você não deve avaliar qualquer pessoa segundo a carne, quer seja boa ou má. Daqui em diante, você deve avaliar uma pessoa apenas como o Cristo.

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17). No momento em que você deixar de considerar-se a si mesmo e aos outros como condenados a ser bons ou maus, doentes ou sãos e avaliá-los apenas segundo o Espírito, as coisas velhas passarão. Velhos hábitos, velhas formas da carne, velhos apetites carnais, cobiça, luxúria, ambição, desejo de saúde, riqueza e fama – todas essas coisas passarão e se renovarão.

É nesse ponto que a mensagem do Caminho Infinito se mantém firme. Não devemos considerar uma pessoa como carne ou como ser humano. Não devemos glorificá-la como homem, bom ou mau, mas é melhor agora conhecê-lo não segundo a carne, mas segundo o Espírito. Portanto, se alguém estiver em Cristo, se alguém estiver consciente de sua qualidade messiânica, todas as coisas velhas desaparecerão. Mesmo os velhos conceitos sairão de sua vida. Ele pode ficar triste ao ver alguns deles desaparecerem porque gostava deles, mas eles não permanecerão porque deixarão de fazer parte de sua experiência.

Uma vez que estejamos fundados no Cristo, toda a nossa família, todas as nossas relações pessoais e toda a nossa esfera de ação mudam. Podemos até nos mudar para um outro estado ou sair do país de uma vez, porque todas as coisas se renovaram neste estado elevado de consciência, no qual “nós vivemos, nos movemos e existimos”. Achamos que não há limitações; não estamos confinados a um apartamento ou a uma casa; não estamos ligados a uma família. Nós as temos, mas chegamos e partimos e nos sentimos livres.

Quando a consciência muda e quando a substância do Espírito é revelada na consciência, não necessariamente revelada na sua totalidade, mas mesmo quando revelada em parte, o Templo Sagrado, o corpo verdadeiro, surge em nossa consciência. Outros (que estão de fora e não compreendem a consciência espiritual) ainda podem vê-lo como esta forma, mas saberemos que não é isso. Este corpo é o templo do Deus vivo. Se nós subirmos numa balança, ela pode ainda mostrar um certo número de quilos; mas não teremos sensação alguma de peso, do estado sólido, do corpo.


DESEJAR SOMENTE A DEUS


Hoje, com todos os conflitos, guerras e tumultos, parece que o mundo está inclinado a destruir-se. Nessa desordem, as pessoas, por si mesmas, não têm força, inteligência ou amor. "Porque o homem não prevalecerá pela força" (I Samuel 2:9). Esta destruição ou crucificação, que ocorre e toda parte do mundo, é na realidade a crucificação da crença em poder pessoal, vontade pessoal e sentido de uma identidade isolada e separada da Unidade. É tudo isso que está sendo crucificado. Qualquer um que se agarre à crença de que tem uma vida pessoal pra salvar ou perder, fortuna pessoal para proteger ou uma vontade ou autoridade pessoal pode ser crucificado, porque essas crenças devem ser extirpadas para que a glória de Deus encha a terra e para que o homem se mostre na plenitude da condição de Cristo.

"O que posso desejar além de Ti? Se eu tivesse toda a terra e Ti, eu não teria mais do que se eu só tivesse a Ti. Mas se eu tivesse toda a terra e não tivesse a Ti, então eu teria nada além de um vazio ainda à espera de ser preenchido. Compreendo claramente a inutilidade da cobiça, do desejo e da esperança, porque no silêncio eu sei que Tu estás comigo. Tu és a luz do meu ser."

Nunca posso sentir a presença de Deus até que eu esteja em silêncio. Mas depois de ter alcançado a tranqüilidade e o silêncio, posso pô-la em prática no mundo por algumas horas, quando novamente eu devo recolher-me para renovação da confiança. Não é que Deus não seja onipresente, mas no tumulto e atividade da mente humana, eu estou apto a desenvolver um sentimento de separação, um sentimento de estar à parte. Assim volto para este silêncio por um momento, para renovar a confiança e sentir aquela Presença divina.








segunda-feira, 22 de maio de 2017

INVISIBILIDADE DA IDENTIDADE ESPIRITUAL







Esta vida que estou experimentando não é a minha vida, mas a vida de Deus: infinita, eterna, imortal. Este corpo, que é meu veículo de expressão, é o corpo de Deus. Se fosse meu, seria isolado e separado de Deus; e como eu o preservaria? Mas este não é meu corpo, é o corpo de Deus em uma de suas infinitas formas e expressões. O controle está em seu ombro para manter e sustentar este corpo e sua individualidade até a eternidade. Ele nos prometeu que nunca abandonará Seu universo: Ele nunca me deixará ou me abandonará. Isso não quer dizer que Ele não deixará minha alma apenas. Quer dizer que ele não abandonará meu corpo também. Deus não abandona minha alma ou meu corpo, porque eles são um só. A alma é a essência e o corpo é a forma.


“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte”, você andaria nele comigo e eu me encontraria com a mesma individualidade e o mesmo corpo. À medida que minha compreensão disso aumenta, todavia, minha sensação física de corpo tomará uma aparência sempre melhor, não porque o corpo mude, mas porque meu conceito de corpo muda. Meu corpo é sempre o mesmo: infinito, imortal, útil, vigoroso, essencial e eternamente jovem. Meu conceito dele pode variar. Eu posso aceitar um conceito de envelhecimento e mostrá-lo, porque tudo o que eu aceito em minha consciência está visível na aparência. Mas, se eu aceito em minha consciência a verdade de que este corpo é o templo de Deus, formado, mantido e sustentado por Deus, então tenho um conceito de imortalidade mais perto da verdade do ser. Assim, meu corpo manterá sua aparência amadurecida, sua força amadurecida e sua harmonia amadurecida. Meu corpo é eterno, apenas meu conceito dele muda.


Cada ano nosso conceito de corpo melhora à medida que permanecemos na identidade de toda vida e, à medida que nosso conceito melhora, nossa aparência também. Deus é o princípio de tudo o que existe; portanto, tudo o que existe é eterno. Apesar de passarmos pela experiência de que o mundo clama a morte, ainda estaremos intactos, perfeitos, integrais, completos e espirituais, manifestando-nos como forma, porque não pode haver Eu oscilando aqui fora no espaço. O Eu é sempre criado.


Quando você olha para uma árvore, você acredita realmente que está vendo uma árvore. Assim, quando as folhas caem ou os ramos morre, você pode pensar que a vida não é eterna porque as flores, os frutos, os ramos estão mortos e você os viu secos e sem vida. Mas você nunca viu uma árvore. De fato, em toda a sua vida, você realmente nunca viu uma árvore. Você viu o efeito ou a forma de uma árvore, mas a própria árvore é tão invisível quanto eu ou você o somos.


Se eu quiser vê-lo, apenas na verdadeira elevação de meus momentos iluminados que posso entrar em contato com a realidade do "Você" que você é, o que você entende quando diz “Eu”. Se você fechasse os olhos já e dissesse “Eu, Maria”, “Eu, Jorge”, ou qualquer outro nome que fosse, você saberia imediatamente que eu não poderia vê-lo, porque essa Maria ou esse Jorge não estão em lugar nenhum visível. O corpo não é você: a cabeça, o pescoço ou os braços são seus; todo o corpo, da cabeça aos pés, é seu, mas ele nunca é você.


Quem o conhece? Quem me conhece? Quem já o viu ou já me viu? Cada um de vocês tem um conceito sobre mim e há tantos conceitos diferentes, quanto há pessoas que acolhem esses conceitos. Eu não reconheceria nenhum deles como sendo Joel, porque eu me conheço por dentro e você não. Você simplesmente formou uma opinião a meu respeito, uma ideia às vezes boa, às vezes má, mas nunca correta, porque tudo o que sou, eu sou. Essa é minha verdadeira individualidade, que não exibo a ninguém. Eu não permito que ninguém saiba como eu sou em meus piores momentos, mas os bons eu oculto também. Meu ser está oculto no meu interior, completamente isolado, seguro, com Deus. Assim, eu divulgo apenas certas qualidades, sobre as quais você forma um conceito ou uma opinião.


Eu também formo conceitos ou opiniões sobre você. Às vezes, afirmo erroneamente que não penso que esse ou aquele aluno nunca chegará a qualquer lugar espiritualmente e, então, ele me confunde como sendo um dos melhores. Além disso, os Judas, os Pedros e os hesitantes Tomés mostram-nos o quanto nossos conceitos podem estar errados, quando os vestimos com todas as glórias da pura espiritualidade e então eles deixam de corresponder a essa convicção e confiança.


Muitos de vocês têm sido ensinados, em Metafísica, que toda pessoa é uma ideia espiritual, o filho de Deus e que aqueles gatos, cães e flores são idéias espirituais. Isso não é verdade e nunca foi. Uma ideia espiritual é perfeita e eterna nos céus. Uma ideia espiritual nunca muda, nunca falha, nunca tem um sentido de separação de Deus, nunca envelhece e nunca morre. Ela nunca pode ser vista com os olhos. Nunca! Assim como você não pode me ver, porque esse “eu” é uma ideia espiritual, do mesmo modo você não pode ver um gato, um cão, uma flor ou uma árvore. Você só pode ver a forma. A ideia espiritual é a própria entidade, que é a identidade espiritual, mas o que você viu é o seu conceito daquela identidade espiritual.


Você não pode ver a minha mão. Você nem mesmo sabe o que é uma mão. Olhe para a sua mão e então procure compreender que você não a está vendo. Você está vendo sua ideia dela aparecendo como forma. A própria mão é uma ideia espiritual permanente e nunca muda, nunca envelhece e nunca morre. É um instrumento para seu uso, preparado para você no princípio e ficará com você eternamente.


O propósito dos ensinamentos de O Caminho Infinito é conduzi-lo àquele estado de consciência em que, quando você vê uma pessoa, uma coisa ou uma condição contraditória, você não tenta mudá-la. Não tente manipular nada externamente. Perceba que você não está examinando algo, mas um conceito que em si e por si mesmo não tem poder, presença ou realidade. A realidade que você está testemunhando é eterna nos céus, perfeita. Quando você olhar para um corpo harmonioso, um corpo jovem ou fisicamente perfeito, lembre-se de que você não está vendo uma ideia espiritual. Você está olhando o seu conceito de uma ideia espiritual. Quando compreender isso, começará a se livrar de qualquer mal e o restabelecimento virá rapidamente.








domingo, 21 de maio de 2017

A NATUREZA DO PODER ESPIRITUAL - FINAL








O Abre-te Sésamo

“Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades: os teus olhos verão a Jerusalém, habitação quieta, tenda que não será derrubada, cujas estacas nunca serão arrancadas, e das suas cordas nenhuma se quebrará... E morador algum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniqüidade”. (Isaías 33:20-24)

Os males são perdoados para aqueles que habitarem na consciência de um Espírito todo-poderoso, perdoados no sentido de serem apagados e esquecidos. Em outras palavras, o restabelecimento, de fato, significa ser perdoado. Ser curado de nossos males é realmente ser perdoado do pecado de dualidade, perdoado do pecado de crer que há duas forças e que Deus não é força todo-poderosa. Estamos sendo realmente perdoados da aceitação da crença de que há uma outra força que não a divina. O modo de sentir esse restabelecimento é deixar de combater às circunstâncias, parar de temer o “homem cujo fôlego está no seu nariz”, parar de temer o orgulhoso, o fanfarrão, parar de temer o ruído das armas. Eles se destinam apenas a amedrontar-nos, mas não podemos nos preocupar, se tivermos um Deus todo-poderoso.

Como é possível a um povo, amante de Deus, constantemente temer o ateísmo ou qualquer obra dele? O ateísmo não é uma força. Não adianta simular que há um Deus em quem acreditamos, se acreditamos também que o ateísmo é uma força.

Ninguém nunca tem chance de derrotar a Deus ou ao religioso. Nós moraremos em habitação quietas e pacíficas, quando aprendemos, como disse Ralph Waldo Emerson, que os dados de Deus estão sempre chumbados. Ninguém tem chance contra Deus, contra o Espírito, contra o amor, a liberdade e a justiça. Ninguém tem chance contra o disposto espiritualmente. Mesmo a doença não pode deitar raízes no espiritualmente disposto. Ela pode aproximar-se dele e ameaçá-lo, mas tudo o que precisa fazer é estar atento e compreender que: “Nós temos o Senhor Deus Todo-poderoso”, virar-se e ir dormir, deixar que haja luz, deixar que haja liberdade, deixar que seja revelado na Terra que Deus existe. Então, mesmo o irreligioso observará as palavras de Deus e verá que Deus, e só Deus, é poderoso.

Entre nós, Deus já sabe o que deve ser feito e é Seu grande prazer dar-nos o reino, dar-nos a liberdade, dar-nos a alegria, dar-nos abundância. Dar, dar! A palavra é sempre “dar”, mas temos que ficar bastante quietos e confiantes para receber.

Uma vez que tenhamos tal vislumbre de Deus, teremos captado o significado do poder espiritual. Deixemo-lo ser nossa contra-senha, nosso “abre-te sésamo”. Deixemo-lo ser o que abre todas as portas para nós – poder espiritual. Não tentemos obtê-lo; não tentemos fazer uso dele. Não tentemos empregá-lo: apenas compreendemos e relaxamos a tensão nele. Não estamos resistindo ao mal; todavia, o mal desaparecerá. Ele se dissolverá. De um modo normal, natural, a harmonia começará a existir.


A CONQUISTA DO MUNDO

O tipo de hostilidade que poderia envolver o mundo hoje, nunca poderia resultar em vitória para ninguém. Portanto, ninguém em seu juízo perfeito vai dar início a quaisquer conflitos que nos ameacem. A proteção necessária não são mais ou melhores bombas. Eu não sou um pacifista e não estou tentando impedir ninguém de fabricar bombas. Mas o mundo só será salvo pelo poder espiritual, e ele vem apenas através da consciência dos indivíduos. Sempre houve poder espiritual, mas até que chegasse através de um Moisés, de um Elias, de um Jesus, de um Paulo ou de alguém mais que alcançasse essa compreensão, não ficaria em evidência. 

O poder espiritual governará esta terra através de nossa consciência individual (ela deverá ser o canal), na medida em que não temermos o erro nem empregarmos o poder espiritual contra ele, mas somente manifestando “o poder espiritual” dentro de nós mesmos.

Algum dia teremos um corpo de pessoas deste mundo tocado pelo Espírito. Eles se encontrarão e haverá paz. A paz virá pela atividade do Espírito que está agora a circular pelo mundo, tocando pessoas de todos os países. Os que foram tocados pelo Espírito estão auxiliando e podem auxiliar mais a despertar a humanidade para esse toque do Espírito por suas orações, pelo desempenho das ações de Graça – absolvição, oração para o inimigo – mas, acima de tudo, pela compreensão do Messias. O Messias ensinou: “O meu reino não é deste mundo”. “Mete no teu lugar a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”.

A maior parte das pessoas pensa em Deus como um Rei absoluto. Elas até cantam hinos em louvor do Rei absoluto, o Rei que sai à frente delas para matar os inimigos, o Rei que conquista as terras para elas. O resultado é que, quando os conquistadores saem com suas armadas, há sempre um sacerdote ou um padre para abençoá-lo, como se Deus sancionasse ou pudesse abençoar o conquistador de outros povos. Exércitos e armadas saem para matar, e sempre se pode encontrar alguém para fazer uma oração para eles.

Tudo isso baseia-se nos errôneos ensinamentos dos antigos hebreus de que Deus é um Rei todo-poderoso e que Sua atividade é providenciar para que nossos inimigos sejam mortos e para que sejamos vitoriosos. Devemos ser sempre vitoriosos, o que seria verdadeiro se apenas pudéssemos ser vitoriosos como o Mestre ensinou: “Eu venci o Mundo”. Ele não venceu o mundo de César, nem o mundo exterior. O que ele realmente quis dizer foi: “Eu venci o mundo dentro de mim; eu venci a avidez, a luxúria, a ambição louca; eu venci a sensualidade, os falsos desejos, os falsos apetites. Eu venci ‘este mundo’ dentro de mim”.

Mesmo quando vencemos espiritualmente o mundo, um ditador desumano pode estar ocupando o trono do poder ou a bomba pode ainda estar lá fora. Contudo, será verdade que vencemos o mundo, porque não temeremos a bomba ou o ditador; não teremos medo do pecado, da enfermidade, da tentação, da necessidade ou da limitação. Vencemos o mundo porque fomos tocados pelo Messias, e o filho de Deus foi despertado em nós. Depois de termo sido assim tocados, podemos dizer: “Eu vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”.“Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Quando o Cristo que habita em nós tiver ressuscitado, não haverá necessidade de se preocupar com nossa vida, porque este filho de Deus, em nós ressuscitado, irá, antes de nós, realizar cada atividade de nossa experiência.

Deus é Espírito e deve ser cultuado em espírito e na verdade. Deus é Espírito e governa pelo amor, não pela destruição das coisas, mas pela revelação mística da inexistência de qualquer outra coisa que não a presença de Deus. Quando orarmos, não peçamos que Deus faça algo, mas que o filho de Deus seja despertado em nós e governe nossa experiência. Não peçamos ao Messias para derrotar nossos inimigos ou nossos competidores. Oremos para que o Messias ressuscite em nós como um espírito de amor, e assim será para nós. Quanto mais nos estendermos à compreensão de Deus e de Cristo como Espírito, maior será a manifestação de Cristo em nossa própria experiência.

O perigo consiste no retorno às crenças antigas de que Deus ou Cristo é alguma forma de poder e que uma vez que nos agarremos a Ele, poderemos até fazer desaparecer Houdini (Nota: famoso mágico americano de teatro, 1874-1926). Podem estar certos de que não conseguiremos. Não dominaremos quaisquer inimigos. Não dominaremos quaisquer competidores. Apenas vivemos,nos movemos e existimos em uma paz alegre, em abundância e benevolência. Viveremos pela Graça, em vez de viver pelo poder ou pela força. Todas as coisas são realizadas pelo Espírito, não pelo poder ou pela força. É um Espírito nobre. Deus não está no furacão, no pecado, na doença, nos falsos apetites. Deus não está na pobreza. Deus está na “voz mansa e delicada” (I Reis 19:12). Conduzir-nos a uma vida sob a proteção de Deus, quer dizer levar-nos a uma vida por meio da qual possamos ser tão silenciosos intimamente, que, quando a voz mansa e delicada falar, será como se estivesse trovejando.


FUNÇÃO DE CRISTO

Cristo não é algo fora de nós que tem que ser procurado. Cristo é algo que já está dentro de nós, esperando atrair a nossa atenção.

O que é o Cristo? O que é o Espírito de Deus no homem? Qual o propósito de Deus em minha vida? Qual é a natureza da Presença que segue à minha frente para guiar o meu caminho? Qual é a natureza do poder que apareceu para Moisés como “uma nuvem”, “uma coluna de fogo”, e o “maná” caindo do céu? Qual é a natureza do Pai dentro de mim, que curou as doenças para o Mestre? Qual é a natureza deste Cristo que está dentro de mim e que me habilita a perdoar os pecadores? Qual é a natureza deste Cristo que é o pão, a carne, o vinho e a água para mim, a mulher na fonte e alguém que deseje vir até mim?

Nesse plano de meditação, a resposta virá de dentro de nosso ser, mas devemos abrir caminho.

Este Cristo, este Messias, está dentro de nós. O Messias não é um homem que vai chegar ou um homem que vai chegar uma segunda vez. Este Cristo, este Messias, é o Espírito de Deus que foi plantado em nós no princípio – não no princípio do intervalo da nossa vida aqui na terra, mas no princípio, quando éramos unos com Deus, no princípio, quando éramos formados à Sua imagem e semelhança. Seu propósito é viver a nossa vida, elevar-nos, redimir-nos, preparar o caminho para nós, preparar mansões para nós. Foi-nos dado no princípio. Ele agora está trancado de baixo de chave e devemos abrir caminho para que Ele possa fluir para nossa experiência.

Quando o Espírito de Deus estiver em nós, despertaremos para a consciência mística. Estamos determinados a nos tornar cientes de que o filho de Deus está entre nós:

“Dentro de mim habita Algo, uma Presença, uma Glória. Não está aqui para glorificar-me. Sua atividade é glorificar a Deus, provar o que é a vida quando é dirigida, mantida e sustentada por Deus”.

Então nos tornamos testemunhas da graça de Deus, da presença de Cristo dentro de nós.

Só tenhamos o cuidado de não fazer de Cristo algum tipo de poder temporal para nos ajudar a adquirir coisas temporais. Vamos nos satisfazer com o fato de que Cristo é o Espírito em nós e que podemos fazer tudo através d’Ele, com amor, sabedoria, com bom senso, equidade, misericórdia, igualdade e paz. A compreensão disto, e só disto, realiza “a paz que excede todo o entendimento”. Não há meios de se obter paz neste mundo. Podemos conseguir fama e riqueza e ter mais dificuldade do que esperamos. Mas o Messias mostra a diferença: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou: não como o mundo a dá”.

Em termos humanos, não sabemos, e ninguém pode dizer, qual é a natureza da paz. Minha paz é um estado de paz que nos invade, não por alguma coisa boa ter acontecido no mundo exterior, mas porque algo maravilhoso realizou-se dentro de nós. É como se fosse uma garantia: “Eu estou com você. Eu nunca o abandonarei. Eu estarei com você até o fim do mundo”. Nós quase poderíamos cantar esse refrão, pela vida afora, uma vez que nos tornamos cientes de que Cristo habita em nós. Agora, não há necessidade de se preocupar, nem de temer. Há uma Presença invisível guiando o nosso caminho.

A paz na terra não será alcançada só pelos esforços humanos. A paz na terra é uma dádiva de Deus que deve ser recebida pelas pessoas dentro do templo de seu próprio ser.

Não podemos saber por nossa própria índole pacífica, por nossa própria inabilidade de batalhar um com o outro, até que ponto Cristo penetrou na nossa Alma, até que ponto recebemos a dádiva de Deus, seu filho. Cristo ressuscitado entre nós é uma dádiva de Deus. Se ainda não O recebemos em grau suficiente, ainda é possível. O caminho está dentro de nós. O caminho é a introspecção, a meditação, a comunicação interior, o reconhecimento de que o filho de Deus habita entre nós e está sempre pronto a nos dirigir a palavra. De fato, Ele está se dirigindo a nós mesmo quando não O ouvimos. Ele tem estado clamando a nós através dos tempos.

Vivemos pela palavra de Deus, não pelo pão nem pelo dinheiro. É pela palavra de Deus, que se transforma em carne, que somos alimentados, vestidos e abrigados. É pela palavra de Deus que uma Graça divina nos leva a viver em paz. É esta dádiva de Deus dentro do templo de nosso próprio ser que estabelece nossa paz com nosso semelhante: amigos ou inimigos, próximos ou distantes. É a graça de Deus em nosso coração, o Cristo que entra em nossa Alma, que é a paz entre nós. Nada mais pode dá-lo a nós; nada mais pode mantê-lo. Nunca poderemos encontrar amparo ou nossa imortalidade por qualquer outro meio que não seja essa comunhão interior, por meio do qual ouvimos a voz mansa e delicada proferindo a palavra de Deus.

“Como pássaros voando”, deixaremos o Espírito realizar sua obra. Deixemo-Lo realizar Sua obra. Deixemos Deus. Deixemos que haja luz e observemos que há luz. Deixemos que haja firmamento e notemos que há um firmamento. Deixemos Deus agir e resistamos à tentação de procurar uma força para empregar, procurar a verdade ou qualquer coisa para empregar. Em vez de nos acomodarmos com a certeza de que Deus é Espírito e de que este Espírito tenha prometido que Ele nunca nos deixará ou nos abandonará. Ele sempre esteve conosco, mas nós O negligenciamos. Não só O negligenciamos, mas não sabíamos que Sua natureza era Onipotência; assim, tentamos fazer uso d’Ele contra alguma coisa. Não há nada contra o que empregá-Lo. Tudo quanto parece mal para nós é uma aparência e não temos o direito de julgar pelas aparências. Devemos deixar de combater o erro, deixar de tentar dominá-lo, deixar de querer buscar Deus para dominá-Lo e admitir que “Deus está comigo e é todo-poderoso”. Então veremos a natureza do poder espiritual, à medida que o silêncio revelar o Verbo feito carne.













sábado, 20 de maio de 2017

A NATUREZA DO PODER ESPIRITUAL - 1






Para conhecer a natureza do poder espiritual, devemos praticá-lo. Se falarmos de água, não extinguiremos a sede; devemos bebê-la. Se falarmos de alimentos, nunca satisfaremos nosso estômago; devemos comê-los. Assim ocorre com o poder espiritual. Pode ser descrito para nós, mas isso não o fará agir em nossa experiência. Para apreender sua natureza e processo, devemos incorporá-lo praticá-lo e trazê-lo para nossa experiência.

No estado materialista da consciência, conhecemos e compreendemos a matéria e os valores materiais, as forças e os poderes materiais; mas Jesus Cristo, que trouxe para o mundo a mensagem cristã, provou que há uma outra dimensão. 

Quando ele disse: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá", ele estava falando da paz que vem de uma outra dimensão. 

Em sua afirmação: "O meu reino não é deste mundo", é claro que o reino de Cristo não consiste de mais carros de batalha, mais cavalos, mais aviões, mais armamentos, mais ouro e mais prata. "Meu reino não é deste mundo" e, ainda, "Meu reino" domina "este mundo", sem couraçados, sem bombas e sem as armas de guerra do poder temporal.

O mundo religioso esteve tentando durante séculos obter o poder do Espírito para fazer alguma coisa pelo poder da matéria. Mas não trouxe paz à terra; não eliminou os armamentos do mundo e os transformou em "foices". Nós cometemos um erro: o poder espiritual não é para ser usado para vencer o poder material. O poder de Deus não é para ser usado para vencer os pecados e doenças do mundo.

A natureza do poder espiritual é onipotência e o único meio de que dispomos para atrair o poder espiritual para nossa vida é observar qualquer fase do poder material - discórdia, desarmonia, necessidade ou doença - e conceber: "Não tens poder! Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado".

O Mestre não invocou o poder do Espírito para acalmar uma tempestade, ele simplesmente disse: "Cala-te, aquieta-te". Deus não está no furacão; Deus não está na matéria; Deus não está na força ou nos poderes materiais; Deus não está na temporalidade. Deus é Espírito e, além d'Ele, não há poderes.

Provamos isso em muitas fases de nossa vida. Dezenas de milhares têm sido curados neste século, não pelo uso do poder de Deus de eliminar uma doença, não recorrendo ao Espírito para poder vencer as condições materiais, mas compreendendo silenciosamente que além de Deus não há poder. Temos testemunhado isso em nossas relações comerciais - nunca pela disputa, nunca pela pressão de uma campanha, mas sempre do mesmo modo, isto é, silenciosamente,pacificamente compreendendo: "Não há nada que exista além de Deus".

Nós tentamos chegar a Deus para conseguir que Deus faça algo para alguma coisa que não tenha poder. Tentamos fazer uso da Verdade. Isso não pode ocorrer. Não fazemos uso da Verdade; não fazemos uso de Deus. Isso seria fazer de Deus um servo. Deus não é nosso servo. Deus não é para ser usado. Deus é para ser compreendido. A Verdade não é para ser usada. A Verdade é para ser compreendida.

A INSENSATEZ DA LUTA PELO PODER TEMPORAL

O Mestre eliminou a doença, a morte e o pecado. É vontade de Deus que sejamos integrais, completos, eternos, imortais, inocentes e puros. Não somos porque, em vez de compreender que a verdadeira natureza de Deus é onipresença e onipotência e permanecermos silenciosa e pacificamente nessa verdade, nós vivemos à procura de Deus para que faça algo, como se Deus pudesse fazer algo hoje ou amanhã, que já não tenha feito ontem. Se Deus pudesse ter superado nossos problemas particulares, ele o teria feito, porque é vontade de Deus que vivamos.

"Porque eu não tomo prazer na morte do que morre, diz o Senhor Jeová: convertei-vos, pois, e vivei". (Ezequiel 18:32)

"Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou". (João 6:38)

Deus foi o mesmo ontem é hoje e será para sempre, de eternidade a eternidade. Não podemos induzir Deus a fazer algo amanhã. Dois vezes dois sempre foi quatro: mesmo Deus não pode mudar isso amanhã. Isso tem sido de eternidade em eternidade e assim será para sempre.

Nunca houve tempo em que Cristo não foi entronizado em nossa consciência: "Antes que Abraão existisse, Eu sou". "Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos". Nós buscamos um poder, um poder divino, um poder de Cristo e ei-lo aqui. O segredo do poder espiritual é simples. Ao ensinar: "Não resistais ao mal", Jesus não quis dizer para sermos devorados por ele. Ele estava reconhecendo a verdade de que o mal não é o poder que parece ser. Quando ele disse: "Mete no seu lugar a tua espada... porque todos os que lançarem mão da espada, pela espada morrerão", ele não quis dizer "Mete no seu lugar a tua espada até 1980 e então saque-a". Ele falou da espada no sentido de poder temporal. Não faz diferença se é uma espada ou uma bomba, se é uma grande quantidade de ouro ou muito pouco. Ele está falando sobre abandonar o poder temporal, sem resistir ao mal, parando de combater o gênio do mal e aprendendo que o mal não é poder. Por que combater o o espírito carnal ou mortal? Eles não constituem poderes. Deus é Espírito e Deus é onipresença; portanto, o Espírito é onipotência, todo poderoso.

Podemos provar isso. Podemos levar um dia, uma semana ou um mês, porque estamos acostumados a procurar forças com as quais fazer algo. Antes deste século existiu poder material. Embora ainda procuremos poder material, neste século estamos procurando também poderes mentais e espirituais. Há poder espiritual, mas ele não age porque: "Da mesma forma como as aves naturalmente voam, assim o Senhor dos Exércitos amparará a Jerusalém: ele a amparará e a aliviará, e, passando, a salvará". (Isaías 31:5)

Este poder espiritual cria, permanece e conforta, mas se pudermos ser motivados a aceitar a crença em dois poderes, começa a dificuldade. Começou assim para Adão. Ele realmente conhecia a verdade de que só há um único poder e era muito feliz com esse conhecimento; mas, então, comeu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, isto é, dois poderes. Do momento em que assim procedeu, ele tinha que procurar um Deus para fazer algo quanto à força do mal. Nós estamos procedendo assim desde então, vivendo uma vida adâmica, sempre buscando uma força para fazer algo quanto aos males que nos importunam, mesmo que esse males não sejam poder, exceto em nossa aceitação deles como poder.

Nós tememos os mortais e tudo o que eles nos poderiam fazer. Depositamos nossa fé em tudo, desde o machadinho de guerra até a bomba atômica. Quando a bomba atômica foi inventada e usada, parecia que tínhamos descoberto a derradeira força e nunca mais haveria dificuldades na terra. Mas quanto mais poder nos empenhamos para obter, mais poder é necessário para dominá-lo; e então mais poder será necessário para dominar aquele. É semelhante às drogas. Uma pessoa começa a fazer uso de uma pequena quantidade, mas essa quantidade é continuadamente aumentada porque, quanto mais se usa, tanto mais se necessita da próxima vez.


A PROVA DE QUE O PODER ESPIRITUAL É O PODER ABSOLUTO

Pelo fato de temermos, há séculos, diferentes tipos de forças, até mesmo o poder da prata e do ouro, pode levar uma, duas, três ou quatro semanas para corrigir a nós mesmos até podermos estar alertas a todo e qualquer tipo de erro que tememos - o pecado, a doença ou as bombas - e compreender: "Pai, perdoai-me, pois eu não sabia o que estava fazendo". Com o completo ministério de Jesus Cristo, com dois mil anos neste mundo, como pode ser que não acreditamos que temos o Senhor Deus Todo-Poderoso?

Por mais que procuramos usar o poder espiritual em algo ou alguém, nunca poderemos provar sua verdade. O segredo dele está na compreensão de que ele é o poder máximo e não há outros. Vamos iniciar com coisas simples, alguma coisa que não nos amedronte, que nos conduza gradualmente às questões mais sérias da vida e possa provar, nos abstendo do uso da força - mesmo da tentativa de usar o poder divino -, que não há poderes aqui fora.

Esta é a revelação da natureza do poder espiritual, como me foi dada, baseado em trinta anos de demonstração e prova de que o mal não é um poder. É um poder apenas enquanto um indivíduo aceita dois poderes. Quando um indivíduo aceita a mensagem de Cristo: "Não resistais ao mal", a nulidade do erro fica provada, não obstante a forma que toma. Permanece conosco como indivíduos.

Nós não podemos passar nossa vida inteira vivendo da manifestação de quem quer que seja. Mais cedo ou mais tarde, nossa falta de compreensão, se continuar, nos apanhará. Devemos continuamente trazer à memória: "de agora em diante, estou aceitando a Deus dentro de mim, para que 'se subir ao céu' ou 'se fizer no inferno a minha cama', este Deus estará comigo. Se eu passar pelo 'vale da sombra da morte', este Deus irá comigo porque Ele está dentro de mim. Todo reino de Deus está dentro de mim". Devemos fazer isso conscientemente.

O próximo passo é admitir conscientemente que Deus é todo-poderoso - o todo-poderoso, o todo-poder, o Espírito. Não podemos ver o Espírito, ouví-Lo, tocá-Lo ou sentir seu odor. Temos que compreender que Ele existe, mesmo que não tenhamos prova material d'Ele. Temos que ter suficiente discernimento espiritual para sentir dentro de nós mesmos que isso é verdade e, então, temos que aprender a estar alerta às coisas que tememos e começarmos a compreender conscientemente: "Que absurdo. O Todo-Poderoso está dentro de mim. O Espírito é o todo-poderoso e eu tenho medo do 'homem cujo fôlego está em suas narinas'. Eu tenho medo do álcool, eu tenho medo das enfermidades, eu tenho medo do falso apetite, eu tenho medo do ateísmo, eu tenho medo do comunismo e eu tenho medo do capitalismo".

Que diferença faz o que nós tememos? Qualquer coisa que seja, quando tememos, nós estamos reconhecendo uma outra força que não a divina. Estamos considerando duas forças e, quando temos duas, somos expulsos do Jardim do Éden e temos que ganhar a nossa vida com o suor de nosso rosto, criar filhos no sofrimento e aprender como ser agressivos, porque, com duas forças, nós estamos sempre procurando uma para socorrer a outra. Mas, quando reconhecemos Deus como Espírito e Espírito como o infinito todo-poderoso, já não procuramos uma força. Então permanecemos na Graça.







sexta-feira, 19 de maio de 2017

Deus não é um poder a ser usado -JOEL GOLDSMITH






O poder de Deus não é para ser evocado pelos humanos e não é alcançado pela tentativa de influenciar Deus em causa própria. Não se trata de um poder contra o pecado, contra a doença ou contra a morte, tanto quanto a luz não é um poder contra as trevas. 

A verdade é que não há trevas: elas são apenas ausência de luz. Não constituem uma presença, nem uma entidade, nem uma substância que se possa examinar ao microscópio. Não é possível capturar um pedaço de escuridão e examiná-lo, porque não existe essa coisa chamada escuridão. A escuridão é unicamente ausência da luz.


Pecado, doença e morte – como a escuridão – não existem, pois aquilo que Deus não criou não existe. Ele é o único criador, é o poder que mantém a criação. 

No Gênesis, lemos: “Deus contemplou tudo o que fizera e viu que era bom”. Não está em Sua natureza contemplar o pecado, a doença e a morte e considerá-los bons; por isso, não pode tê-los criado.

Há outro ponto: o que Deus criou, criou para sempre, e não permitiria que alguém aniquilasse qualquer coisa que haja criado. Se houvesse criado o pecado, a doença e a morte, não teríamos nenhuma esperança de vencê-los.

Não precisamos do poder divino para vencer algo que não foi feito no princípio, nunca teve existência e apenas representa a nossa ignorância da Verdade. 

O nosso poder de cura, então, que é o nosso poder espiritual, repousa unicamente no conhecimento da verdade de que Deus é o Supremo Poder Criador, mantenedor e sustentador, e de que aquilo que Ele não criou não existe. Aí reside o nosso único poder espiritual.





quinta-feira, 18 de maio de 2017

Consciência x Mente (Joel S. Goldsmith)





Pergunta: Se Deus é mente, ou mesmo se Ele é consciência, Sua atividade não é mental?

RESPOSTA:

Não, a atividade mental é um raciocínio e uma atividade do pensamento. A consciência não é uma atividade mental; a consciência não raciocina ou pensa: ela apenas percebe.

Duas vezes dois, quatro. Deus, Consciência infinita, não utiliza um processo mental para chegar a essa resposta. Trata-se apenas de um estado óbvio. Nunca houve uma ocasião em que isso fosse diferente, nem tampouco houve uma época na criação quando duas vezes dois tornou-se quatro. Não existe um processo para tornar duas vezes dois, quatro; por conseguinte, não há necessidade de atividade mental para estabelecer esse fato. Duas vezes dois sempre existiu como quatro, e a única atividade mental envolvida nesse conceito é a atividade da percepção.

Quando declarei que não trabalhamos no plano mental, o que quis dizer foi que a única atividade da mente é a da percepção. Tornamo-nos conscientes de que somos espirituais, que somos um ser divino, que o pecado, a doença e a morte são ilusões -- nada mais que nada ou apenas uma sugestão mesmérica -- mas não passamos por nenhum processo mental para que seja assim.

Não nos entregamos a nenhuma espécie de processo mental com a idéia de tornar são um homem doente, ou tornar rico um homem pobre, ou de empregar um desempregado. Se houver algum processo, este é o da percepção, o processo de conscientização que já é divino, e esse não é um processo mental.

Do ponto de vista humano, não podemos olhar uma pessoa doente e afirmar mentalmente: "Você está bem". Isso é hipocrisia e ignorância e, obviamente, uma inverdade. Somente com o discernimento espiritual é que podemos olhar através da aparência humana e ver a realidade divina subjacente a ela. 

Por isso, não é através do processo mental que nos conscientizamos da perfeição, e nosso trabalho consiste em nos conscientizarmos da perfeição. Isso não pode ser feito pelo homem com a mente humana, porque nada que a mente humana conheça será perfeito. Só quando a mente humana não está trabalhando, quando, na verdadeira quietude de nosso ser mais íntimo, os sentidos de nossa Alma e da consciência espiritual são despertados, é que vemos o homem perfeito.

É por esse motivo que a cura espiritual não é um processo mental. Nada do seu ou do meu pensamento trará saúde a você ou a mim. Uma vez mais voltamos a Jesus: "E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado a sua estatura?" Quem por preocupação pode tornar "um cabelo branco em preto"? "Não estejais apreensivos por vossa vida..." 

Em outras palavras, um processo mental nada tem a ver com a verdade espiritual, e esse é realmente o ponto mais importante desta apresentação total de verdade. A atividade mental humana nada tem a ver com esta abordagem particular. Nenhuma quantidade de conhecimento da verdade o ajudará, nenhuma quantidade de declaração da verdade. Nenhum processo mental/humano entra nessa apresentação.

O Caminho Infinito diz respeito primeiro, e antes de mais nada, ao desenvolvimento do sentido da Alma. Quando estamos quietos, sentados com aquele "ouvido que escuta", quando estamos em meditação, dando o que chamamos um tratamento, a Essência íntima vem para a vida e nos mostra a perfeição espiritual interior, aquilo que de fora é interpretado como um ser humano saudável, são ou rico.

Exatamente aqui estão a carne e a substância do Caminho Infinito. Não nos entregamos a nenhum processo mental para a autocura, e é aí que nos afastamos de todo o campo metafísico. Trata-se de desenvolver nosso sentido espiritual de modo que, por fim, cheguemos à consciência de um Cristo Jesus que pôde olhar o aleijado e dizer: "Levanta-te e anda!".

O que você acha que capacitaria um homem a dizer isso? Você acredita que qualquer processo mental que alguém pudesse empregar levantaria, instantaneamente, um homem aleijado, de modo que ele pudesse andar? Não; somente o Fogo divino interior, somente o próprio Espírito de Deus poderia fazer isso.

Talvez fosse possível dar a uma pessoa um tratamento de um ano e, gradativamente, transformá-lo de um aleijado num homem saudável através da manipulação mental -- martelando-o, martelando-o mentalmente. Porém nenhum ser humano poderia fazer isso instantaneamente -- só a inspiração de Deus que existe nele.

Eis porque precisamos fazer do amor a influência dominante em nossa experiência. Todas as qualidades divinas do Cristo precisam tornar-se ativas em nós; todos os desejos pessoais -- todo o ódio, inveja, crítica e condenação -- precisam ser abandonados. Não pode haver complacência com essas qualidades humanas. Precisamos deixar de temê-las, porque então estamos perdendo a oportunidade de trazer à luz as qualidades divinas do Cristo. Por que deveríamos estar por aí cedendo a estas coisas humanas a expensas de nos enganarmos que temos a mente que estava em Cristo Jesus?

A mente que estava em Cristo Jesus não se empenha em qualquer processo de raciocínio ou de pensamento. Ao paralítico ela diz: "Levanta-te, e toma teu leito e anda", e poderia ter acrescentado "O que há para impedí-lo? Existe algum poder fora de Deus?". Esta mente de Cristo Jesus é percepção sem um processo.

A verdade é que não existe poder fora de Deus, mas poderíamos repetir isso mil vezes, e nada aconteceria. De fato, o mestre metafísico pode sentar-se e repetir estas verdades desde agora até o dia do juízo e não obter, como resultado, qualquer manifestação de espiritualidade em sua aura; um clérigo pode pregar sermões encantadores e, ainda assim, os membros de sua congregação continuarem sendo a mesma espécie de seres humanos, entra ano, sai ano, exatamente com as mesmas doenças, os mesmos crimes, as mesmas fraudes nos negócios, a mesma corrupção na política. Por que as congregações nessas igrejas e centros não progridem espiritualmente? Pela simples razão de que algumas vezes estão ouvindo somente uma apresentação intelectual da verdade e, apesar de muitas vezes esta vir de um ser humano muito bom, se a pessoa não desenvolve a consciência de Cristo, ou o sentido espiritual, ela não pode estimular as mentes e os corações de seus seguidores.

O que é mais importante é não criticar as falhas humanas, mas antes elevar as pessoas até o lugar onde não sejam mais humanas. Você não pode fazer isso por meio da razão humana. Você pode dizer a uma pessoa para não roubar; pode dizer para não mentir e não enganar; pode dizer-lhe qualquer coisa que queira, e muitos de vocês provavelmente já o fizeram, mas usualmente isso não teve e não tem qualquer efeito sobre a conduta dessa pessoa.

A melhora da conduta só é ocasionada se se alcançar o indivíduo através do Espírito. Você precisa conseguir tal grau de espiritualidade que um pecador, ao ser tocado pela sua consciência, perde todo o desejo de pecar. Quando isso acontece, você está atuando como um mestre espiritual. Então você não está ensinando novas verdades e novos processos mentais: você está projetando a verdade de tempos imemoriais que foi experimentada e considerada eficiente -- por Eliseu, Elias e Isaías, por Jesus e João.

A verdade é tão simples que toda ela pode ser resumida em menos de mil palavras, mas é apenas através do desenvolvimento de nossas qualidades espirituais que a espiritualidade pode ser levada às pessoas com quem nos encontramos.














quarta-feira, 17 de maio de 2017

A Quarta Dimensão (Joel S. Goldsmith)



Quando Jesus Cristo disse: “Eu, de mim mesmo, nada posso; o Pai em Mim é quem faz as obras”; e Paulo afirmou: “Não mais eu quem vive, mas o Cristo vive em mim” – revelaram a quarta dimensão da vida, na qual “não só de pão vive o homem” e nem por sua vontade, esforços ou sabedoria pessoais.

Chega um momento, em nossa experiência, em que já não somos unicamente nós (aspecto humano), senão que alargamos nossa consciência para a percepção de uma Presença interna. Este momento de transição ocorre quando esta Presença se-nos torna real e assume a direção de nossa vida. A partir desta experiência, não mais ficamos “cuidadosos com a nossa vida”, porque sentiremos sempre a proximidade desse Algo – que é o Cristo ou Presença divina – que harmoniza nossa experiência diária.

Nesta experiência de transição, deixamos de ser meramente seres humanos (que elaboram os próprios pensamentos, planejam as próprias vidas e resolvem seus assuntos particulares) para atingir um nível de consciência em que sentimos realmente esta Presença interior. 

Vivemos, então, como se nos houvéssemos separado um pouco de nós mesmos – digamos, uns dois ou três centímetros – passando a observar, como simples espectadores, o modo como estamos vivendo.

Se neste momento estamos na esfera profissional, veremos que nos chegam outros negócios dos quais não somos responsáveis – ou seja: sobre cuja realização não fizemos esforços pessoais. Se formos escritores, músicos, etc., receberemos idéias e temas com os quais jamais havíamos sonhado e que inspiradamente nos chegam do íntimo. Saberemos, então, que não os estamos gerando, mas que são dados por uma Graça interna.

Estão-se empenhados num Trabalho Espiritual, de cura ou pregação, veremos que os pacientes e estudantes nos serão encaminhados, mas será o Espírito que os sanará e ensinará. Compreenderemos, então: “Vivo – mas não eu, senão que o Cristo é Quem vive minha vida. Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”

Em tal estado, convertemo-nos no instrumento consciente de ação da Consciência divina. Então compreendemos a citação do Mestre: “Não sou eu quem faz as obras, mas o Pai que mora em mim é Quem as faz”. Jesus queria significar que de seu próprio conhecimento ou esforço ele nada podia fazer, senão que era a atividade da Verdade, em sua Consciência, que tornava possíveis os milagres de cura, de conforto ou de alimentar multidões.

Vimos a ser, pois, o veículo através do qual a vida vive a si mesma ou o mensageiro levando a divina Mensagem. Saberemos que já não estamos vivendo a própria vida, senão que a Presença e o Poder a estão vivendo, fazendo de nossa instrumentação humana o seu modo de expressão ou meio de atividade. Esta vivência nos permitirá entender claramente porque o Mestre disse: “Eu e o Pai somos um, mas o Pai é maior que eu”. Não que isto sugira dualidade ou separação, pois seria um retorno à crença passada de um Deus separado do homem. Já aprendemos que Deus Se manifesta individualmente como Eu e Tu, o que vem mostrar que Eu Sou, Deus, embora sendo um Princípio infinito, universal, divino, da vida, aparece como eu e tu individual, de modo que em verdade “Eu e o Pai somos um”: o Ser interno a exprimir-Se como o indivíduo externo.

Não obstante, tudo isto são meras declarações da verdade, até o momento mesmo de nossa transição, em que a experiência interna converte estas idéias em verdade viva, em realidade palpável. Aí estas declarações da Verdade cederão lugar à Presença interna, que se torna uma experiência real.

Ao alçar-nos a este lugar na Consciência, em que o Cristo vive as nossas vidas, constatamos ao mesmo tempo, que o Cristo mantém e provê nossa existência inteira, suprindo-nos vitalidade, iniciativa, inteligência, amor, persistência, valor e saúde, necessários ao atingimento de nossas metas. Ele também nos subministra recursos materiais bastantes, reconhecimento e prestígio, já que, havendo tomado o leme de nossas vidas, poderá manejar todas as coisas devidamente, na amplitude de nosso nível, promovendo a realização total de nossa vida. Ele irá adiante de nós, proporcionando transportes, hospedagem, oportunidades e êxito em tudo que empreendermos.

Aqueles que se ocupam do Ministério Espiritual logo verão que este Infinito invisível supre tudo o que é preciso para a completa manifestação da mensagem, posto que “o meu ensino não é meu, e sim dAquele que me enviou”. Tudo o que seja necessário à expressão da Mensagem e, quem quer que seja o inspirado ou Mensageiro, tenhamos a certeza de que será apoiado, sustido e suprido por Aquele que é a Fonte e a Inspiração da Mensagem.

Quer esteja no exercício de atividades comerciais, quer nas artes, numa profissão liberal ou nos deveres do lar, a pessoa inspirada sente-se, de imediato, livre de toda responsabilidade pessoal, na medida em que o Infinito Invisível se converte na Alma e atividade de seu ser.

Compreendamos, agora, que quando Jesus fala do Pai que está nEle, refere-se ao Poder e à Presença divina que lhe animaram o ser e que constituía o poder curativo, o poder que multiplicou pães e peixes, o poder que apaziguou a tempestade, o poder que ressuscitou Lázaro dentre os mortos. Da mesma forma, compreendemos o que disse Paulo, quando fala que tudo podia através de Cristo, aludindo ao Poder divino que chamamos o Infinito Invisível. Foi esse Poder que possibilitou ao “Apóstolo dos gentios” cumprir sua missão de levar a mensagem cristã ao mundo de sua época. Ele recebia, dessa Presença interna, a força, a inspiração, a coragem e todo sustento.

“O Pai que mora em mim é Quem faz as obras” (de Jesus) e o “Cristo que me fortalece” (de Paulo) são um e o mesmo Espírito interno, a mesma Consciência da Verdade, que supria o povo prometido com o maná, e o guiava “como nuvem durante o dia e coluna de fogo durante a noite”, através da realização de Moisés; que aparecia como tortas assadas sobre a rocha, como corvo trazendo alimento ou como uma viúva oferecendo alimento, através da realização de Elias; na forma de cura maravilhosa, à porta do Templo, chamada Formosa, pela realização de Pedro e João. “O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos, dará também a vida a vossos corpos mortais”.

Isto tudo é muito claro: existe um Espírito em nós, uma Chispa divina que denominamos o Cristo, que nos eleva à Quarta Dimensão da vida – a um estado de Consciência em que não mais vivemos pelos esforços pessoais, pela sabedoria, pelo poder ou pela saúde pessoais – no qual somos investidos de um Poder que nos vem de dentro do Reino de nosso próprio ser.

Novamente repito: há um nível que atingimos neste mundo, em que já não vivemos a própria vida, senão que o Infinito Invisível a vive por nós, precedendo-nos no Caminho e solucionando tudo. Ele nos acompanha como a Fonte e a atividade de nossa vida diária, revelando-Se como água, maná, alimento, proteção, segurança e saúde. E ainda que o templo de nosso corpo ou o nosso lar fossem destruídos e nossos negócios desfeitos, esse Infinito Invisível os reconstruiria rapidamente, “restituindo os anos que foram consumidos pelo gafanhoto”.

Mesmo que defrontemos dificuldades, temores e discórdias – servirão para mostrar ao mundo que dentro de nós há um poder que supera as vicissitudes e tentações: “Maior é Aquele que está em mim, do que o que está no mundo”.

Pois bem, neste exaltado estado de Consciência Crística, avançamos sem barreira material, sem impedimentos físicos, emocionais, mentais ou financeiros. Em tal estado de Consciência divina, que é o Céu, as realidades do mundo de Deus se nos tornam tão reais quanto o plano sensorial, porque as limitações dos sentidos se desvaneceram.

Aos poucos, vamos entendendo que esta Presença e Poder são atemporais, pois, independentemente de quando se revelem à nossa Consciência, em verdade sempre existiram dentro de nós, sem que o soubéssemos. Em outras palavras, embora este Infinito Invisível esteja conosco agora, só chegará a ser marcantemente real e poderoso em nossa experiência – como o foi para os profetas hebreus e aos cristãos iluminados de outras épocas – através do desenvolvimento da Verdade em nossa Consciência; através da conscientização da Verdade em nossa Consciência; através da atividade da Verdade em nossa Consciência.

Agora dediquemos um momento à natureza ou função deste Poder que chamamos o Cristo. O Cristo é a atividade, a substância e a lei invisível de tudo quanto aparece como efeito. É por isso que não devemos deixar-nos hipnotizar pelas aparências. Com isso quero dizer que, se humanamente temos saúde ou riqueza, isso não significa havermos alcançado a imortalidade, a segurança. Mesmo que tenhamos um refúgio antiatômico na montanha, não pensemos haver encontrado segurança. Não ponhamos nossa fé ou dependência em nada, em nenhum efeito, em nenhuma pessoa. Doutra parte, não tenhamos temor ao pecado, à enfermidade ou à carência. Eles não têm poder nenhum. “Ainda que eu tenha de atravessar o vale das sombras da morte, não receio mal algum, porque Tu estás comigo”.

Ao encarar as condições humanas do bem e do mal aparentes, lembremo-nos sempre de tomar consciência de que todo efeito espiritual, harmonioso, é produzido pela atividade do Cristo. A atividade do Cristo manterá e sustentará todos os acontecimentos e experiências felizes e harmoniosas. Ainda que estes sejam momentaneamente perturbados ou destruídos, não nos deixemos alarmar. Não nos preocupemos com os órgãos ou funções de nosso corpo, nem pela situação econômica ou política, posto que a atividade do Cristo é a lei de Ressurreição de tudo isso.

O propósito de nosso Ministério Espiritual é o de nos elevar à Quarta Dimensão, onde não mais vivemos de efeitos, nem só de pão, ou vitaminas ou sais minerais; onde vivemos mercê da atividade do Cristo, do Infinito Invisível. Nesta Quarta Dimensão da vida, que é Consciência Espiritual, todo efeito que surgir em nossa experiência, será na medida de nossa necessidade, para suprir-nos abundantemente.

Recordemos, sem lugar a dúvidas, que o Cristo é o fundamento, a lei ou o desabrochar de nossa experiência.

A Quarta Dimensão é esse estado de consciência em que toda a nossa confiança, fé, dependência e compreensão estão firmadas no Infinito Invisível, no Qual aprendemos a usufruir as conquistas do Espírito e as harmonias de viver diariamente na Graça.

Ainda que não O contemplemos com nossos olhos, sem dúvida alguma, na câmara secreta, interna, de nosso ser, descobriremos espiritualmente, em nossa meditação, a atividade do Cristo em nossa vida!