quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

DA LEI PARA A GRAÇA - 2







No sermão da Montanha Jesus resume as diferenças entre o judaísmo e os novos ensinamentos, que não eram ainda conhecidos como cristianismo, mas como ensinamentos de um Mestre hebreu, livre-pensador e radical.

E o que eram os ensinamentos desse homem, que foi sem dúvida o mais iluminado e espiritualmente desenvolvido dos que foram conhecidos, tão iluminado que o mundo de hoje gira praticamente em torno de seus ensinamentos?

A palavra Graça nos revela o que eles são. 

A Lei veio por Moisés, “mas a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo”. 

Tais Graças e Verdade representam algo inteiramente diferente daquilo que a Lei representa. E assim, por três séculos após o ministério de Jesus, havia pessoas andando pela Terra Santa, cruzando por Roma e Grécia, ensinando e pregando não a Lei como está assentada na fé judaica, mas algo novo, deslumbrante, algo diferente chamado Graça e Verdade, algo que aos poucos foi sendo conhecido como ensinamento do cristianismo. 

Os primeiros seguidores de tais ensinamentos eram chamados judeus-cristãos, pois eram judeus seguidores do Cristo. De fato naqueles tempos iniciais apenas aqueles que eram judeus podiam tornar-se cristãos.Porém, finalmente Paulo e Pedro perceberam que os ensinamentos de Cristo eram bem mais que apenas um novo tipo de judaísmo. Eram algo único, algo separado e distinto em si mesmo, e aos poucos a não mais ser necessário ser antes hebreu para se tornar cristão, a circuncisão não foi mais necessária e outras práticas venerandas foram abandonadas. 

Os discípulos começaram a pregar para os gentios, avisando que os ensinamentos de Cristo eram universais pela sua própria natureza, até que chegou o dia em que até os pagãos de Roma e da Grécia, ou qualquer um, independentemente de sua origem, poderia, se o quisesse, se tornar cristão. E essa foi, durante séculos, a condição do ensinamento cristão, quando então ocorreu em dos eventos mais estranhos da história do mundo.

Organizou-se uma igreja que adotava todos os ritos e rituais egípcios e de outros pagãos da época, que aceitava integral e literalmente o judaísmo conforme ensinado no Velho Testamento e que desprezava todos os ensinamentos cristãos, menos o nome do seu Mentor,e que passou a chamar a si mesma de Igreja Cristã. 

E o que aconteceu com os ensinamentos de Cristo quando foram organizados? Estaria tal Igreja a praticar o ensinamento de Jesus “não resistais ao mal” ou estaria ainda apegado ao velho ensinamento “ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente”?

A prática do verdadeiro cristianismo eleva o homem adâmico, que exige vingança sobre seu inimigo, do estado de consciência da lei cármica - da mente para a outra consciência da Graça e da Verdade, que revela um Deus de amor no lugar de um Deus de vingança e punição. 

O Deus que Jesus revelou foi de natureza totalmente diferente da do Velho Testamento, e, no trecho do Sermão da Montanha em que aborda a lei cármica, Jesus ensina que o pecado é em si a própria punição, mas não faz nenhuma referência a um Deus que pune.

Explica claramente que, assim como fizermos aos outros, assim será feito conosco, não por Deus, mas de acordo com a lei cármica -  lei da mente do “o que semeares colherás”, sob a qual vive todo ser que se reconhece como humano.

Nossas ações amorosas revertem sobre nós como amor e nossas ações más retornam sobre nós como efeitos maus, pela própria ação em si mesma. Pelo nosso estado de consciência movimentamos a ambos, o bem e o mal.“Com a medida que medires serás medido”, não por Deus, mas pela lei.

Quando odiamos estamos invocando a lei, assim como quando amamos; quando doamos ou repartimos, invocamos a lei, assim como quando ficamos apegados às coisas. 

De qualquer modo, a natureza é testemunha da veracidade dessa lei. Por exemplo, se um fruto não foi colhido ou removido de algum modo da árvore, esta terá dificuldade em frutificar de novo. Não acusaremos Deus por isso. Deus não pune a árvore. É lei na natureza que a árvore deva dar seus frutos para poder continuar a dar mais frutos. 

Assim, sem doarmos, cedermos ou entregarmos os bens, nos tornaremos estéreis, pois a lei diz: “Aquilo que semeares colherás”. E essa lei de semear e colher se aplica tanto aos indivíduos como às nações. Não há meio de evitar os efeitos primitivos das más ações – não que haja um Deus que esteja a cuidar disso, mas porque essa é a lei cármica -lei da mente humana - que é posta em ação pelo agir de cada um.

Tudo isso Jesus revelou na parte do Sermão da Montanha em que disse: “Ouvistes o que foi dito...”

Mas Jesus nunca ensinou que Deus pune, nem mesmo ao ladrão na cruz, nem à adúltera e nem ao cego de nascença. Sempre em nós mesmos somos nós que o trazemos, e não Deus que no-lo inflige. 

Quando o cristianismo se tornou algo organizado,adotou o ensinamento de um Deus punitivo do Velho Testamento, talvez na vã esperança de amedrontar as pessoas para que ficassem boas; porém, o que de fato ocorre é que o mesmo ensinamento, longe de impedir que se faça o mal, é provavelmente responsável por muitos dos pecados cometidos hoje no mundo. 

Os que fazem o mal logo descobrem que não há nenhum Deus que lhes faça qualquer coisa, e essa evidência tampouco os convence de que Deus os punirá um dia pela omissão e pela perpetração. Se ao homem fosse ensinado que é o mal feito que é a própria punição em si, compreenderia a interpretação de Jesus, o Cristo, da lei cármica, e estaria então preparado para aceitar e Seu ensinamento maior de como superar a lei.

É possível superar a lei cármica - lei mental humana, varrer todas as punições de nosso enganos anteriores e viver sob a Graça, mas isso não pode acontecer com nenhum individuo ou com o mundo até que a lei cármica, como o Mestre a explicou, seja aprendida e compreendida. Os feitos carregam em si o seu próprio prêmio e o seu castigo, e não é necessário que haja um ato manifesto, pois o ato em si é apenas a manifestação do pensamento que o gerou.

Assim, por exemplo, não e necessário roubar para trazer sobre si os efeitos da lei cármica - lei da mente , basta pensar em roubar, e de fato nem mesmo isso é n mmecessário – o simples desejo cobiçoso de algo que alguém possua é suficiente para acionar a lei cármica.Não e necessário ferir uma pessoa – ficar irado com ela é o bastante para trazer a lei sobre si.

As pessoas que estão num estado grosseiro de consciência não notam a repercussão da lei cármica - mente humana, tão rapidamente como aqueles que estão no caminho espiritual, que sofrem mais por infrações menores do que aquelas por faltas maiores,pois têm maior percepção do que é certo e do que é errado, e o menor desvio do caminho já aciona a lei.

Para superar a lei cármica- causa e efeito, é necessário em primeiro lugar o reconhecimento de sua existência – que o mal que pensamos ou fazemos tem efeito sobre nós - , e tal descoberta nos impedirá de culpar alguém ou algum conjunto de circunstâncias por qualquer dilema em que venhamos a nos encontrar. Começamos a ver que só nós somos responsáveis. 

Não há um misterioso Deus em alguma parte a atirar nosso erros contra nós, e sim nós mesmos determinamos os resultados da vida, e compreendemos que provocamos o bem e o mal que nos acontecem. Isso nos leva a não mais culpar ou condenar a outrem, a descobrir que ocorreu alguma mudança em nós;descobrimos que o estado de consciência que nos levou a agir erradamente, por descuido, impensada ou mesmo involuntariamente, pode ser mudado.

Mui rapidamente aprendemos o que Paulo descobriu – que há dois seres em nós. Cada um de nós é de fato dual; um é uma criatura que não está sob a lei de Deus, e outro é o Filho de Deus, que tem o Espírito do Pai morando nele: “O bem que eu quero, eu não faço, mas o mal que não quero, eu faço”. 

Parece haver dois de nós, um aborrecendo o outro – um que sabe o que é certo e o outro lutando contra ele; um que quer ser um homem perfeito e o outro que, por um ou outro tipo de limitação, não o pode conseguir. 

Quando percebemos que há um filho de Deus em nós,embora o filho pródigo esteja ainda lutando para sobreviver, começamos a compreender a guerra entre o Espírito e a carne. 


O filho pródigo, ou o homem adâmico - que se reconhece como carnal, que vaga pelo mundo desperdiçando sua substância para, finalmente, mergulhar no abismo da degradação, o que é simbolizado pelo repartir a comida com os porcos, outro não é senão o filho e herdeiro que mais tarde veste a túnica de púrpura e o precioso anel. 


Não se trata de dois homens diferentes, mas do mesmo homem que ora julga-se como carne e que ora se reconhece e se percebe como Espírito à imagem e semelhança de Deus.

















terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

DA LEI PARA A GRAÇA - 1







A qualquer momento, não importa que seja aos nove, aos dezenove ou aos noventa -, nós podemos empreender o retorno à casa do Pai. 

Não nos esqueçamos, porém, que podemos voltar ao estado edênico e continuar sendo a mesma pessoa que éramos ontem, com todas as nossas virtudes e falhas humanas – vacilando constantemente entre o bem e o mal. 

Nossa virtudes humanas não garantirão nossa entrada do Éden mais que nossas falhas. Temos de largar a ambas, falhas e virtudes, e vestir o manto do Cristo, subindo para além da criação mental do segundo capítulo do Gênesis, que nos acorrentou à lei do bem e do mal.

“A lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a Verdade vieram por Jesus, o Cristo.”

Por centenas de anos antes de Moisés, os hebreus viveram um estado de servidão, com pouca ou nenhuma oportunidade de progredir em educação, cultura, religião, artes ou ciências. E sob tais circunstancias não é de se admirar que vivessem com um senso moral pouco desenvolvido. Para esse povo, Moisés representou um modo de vida elevado, a espinha dorsal daquele que traria, mais tarde, os Dez Mandamentos.

Se tais mandamentos fossem observados, a pessoa seria considerada o melhor tipo de cidadão que se pudesse esperar, e, mais ainda, se observasse as leis da dieta e alguns outros poucos costumes, mereceria o titulo de Bom Hebreu. 

Se a lei fosse desobedecida, todo contraventor poderia esperar ser apedrejado ou excomungado. Pouca ou nenhuma ideia de amor estava incluída em tais ensinamentos. Eram ensinamentos estritamente sobre as leis éticas e morais. Um senso moral ou ético tão grande quanto deveria ser, contudo, é só um passo no caminho para a conscientização espiritual.

Enquanto alguém viver na estrita observância dos Dez Mandamentos poderá estar a “eons” de distância da vida espiritual, pois a verdadeira vida espiritual é vivida acima dos pares de opostos.

Quando veio Jesus, ensinou um novo modo de vida que não trazia a preocupação básica de trocar o sentido negativo da vida pelo positivo, mas o de elevar-se acima de ambos, positivo, para o plano espiritual. 

Não podemos esquecer que, como Mestre hebreu, dentro da igreja hebréia organizada, Jesus estava autorizado a falar e orar sobre as suas bases; nem podemos esquecer que aquilo que Ele pregava não era chamado de cristianismo, pois não havia cristianismo. 

Jesus não pregava para cristãos, que não existiam. Ele era um Mestre hebreu pregando para hebreus. Mas aí ocorreu um milagre. Esse homem Jesus recebeu uma iluminação que lhe trouxe um ensinamento religioso completamente novo, algo que até então era absolutamente desconhecido pelos hebreus. Com isso Ele foi muito além da lei cármica do Velho Testamento, por meio de seus ensinamentos sobre um Poder Único.

Ao ensinar tal revelação para homens e mulheres do seu tempo, os libertou de todo ritual e dogma; tão livres os fez que a igreja não o tolerou e nem aos seus ensinamentos. 

O que muitos homens, mulheres e doutores da lei do tempo de Jesus puderam sentir foi ódio e medo por um dos seus que virara de ponta-cabeça algumas das práticas mais tradicionais e mais queridas, como a exigência de se fazerem peregrinações anuais a Jerusalém, com o propósito de pagar tributos e como observância dos rituais.

O grande afastamento de Jesus dessas observâncias era uma crítica silenciosa e uma condenação daquilo em que eles haviam posto sua confiança por tanto tempo.

Jesus trouxe para a luz a verdade de que a bem-aventurança espiritual não tem relação alguma com a rígida observância de qualquer forma exterior, mas tem a ver com a Percepção Espiritual desenvolvida pelo indivíduo. 


Jesus pregou uma nova dimensão de vida, uma consciência maior que implicava a morte das velhas crenças. Explicou que o vinho novo não pode ser colocado nos odres velhos, isto é, que esse novo enfoque não poderia simplesmente ser acrescido ao velho modo de vida hebraico, mas que este deveria ser trocado pelo novo, uma vez que eram contraditórios. 








segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

TRASCENDENDO PENSAMENTOS HUMANOS





O sofrimento deste mundo deve-se à nossa procurada bagagem material – mesmo esperando que esteja no lugar certo. 



Este é o erro, procurar, esperar, desejar que algo apareça. O erro é a crença de que algo esteja desaparecido ou ausente. 


Não há um lugar para você, para mim ou para qualquer “ele”, “ela” ou “aquilo”, a não ser no exato local onde se encontra, e que é na Onipresença, onde mesmo aquilo que os humanos sentidos julgam estar ausente quando, de fato, está apenas escondido de nossa vista. 

Do mesmo modo, as nuvens das crenças humanas podem temporariamente esconder de nós aquilo que é onipresente, que está presente onde “Eu sou”. E o que é aquilo que está presente onde “Eu sou”? 

Tudo o que é do Pai -  é AGORA onipresente – integridade, lealdade, fidelidade, eternidade, imortalidade, justiça, liberdade, contentamento, harmonia de todos os nomes e naturezas - a menos que nós os tornemos finitos e os vejamos como peças de bagagemalgo que ocupa tempo e espaço. 

Nada ocupa TEMPO E ESPAÇO a não ser nossas imagens mentais, e a razão disso é que nós aceitamos o ontem, o hoje e o amanhã.

No momento em que nos elevamos acima do reino mental da vida, percebemos que não há tal coisa como o tempo. 

Qualquer pessoa que tenha feito contato com Deus terá descoberto que não havia consciência temporal durante tal experiência, e, embora o contato possa ter demorado apenas meio minuto, nesse curto lapso de tempo ocorreu o bastante para convencê-lo de que se haviam passado algumas horas. 

Outras vezes, feito o contato, parece ter demorado só um minuto, mas, ao olharmos o relógio, percebemos que se passaram duas ou três horas.

Em outras palavras, não há percepção de tempo e de espaço na consciência da Onipresença. 

Estaremos na mente humana - que julga pelas aparências - toda vez que pensamos e raciocinamos, ou quando observamos coisas e pessoas. Só no reino espiritual é que transcendemos a mente.

Algumas pessoas acham um modo de transcender a mente por um processo que tem sido descrito como “o silenciar da mente”; acharam que tais esforços têm dado, frequentemente, resultados, se não em perceber a consciência espiritual, ao menos em deixar o pensamento humano mais sereno.  

Há um modo, contudo, de subirmos além do nível mental da vida, embora não sejamos capazes de ficar permanentemente nesse estado, que requer anos e anos de dedicação exclusiva; podemos porém nos elevar acima da mente a tal ponto que, mesmo se estivermos no mundo, ela não nos perturbará por muito tempo.

Podemos começar por não tentar parar o nosso processo de pensamento. Se a mente quer pensar, nós a deixamos ir, e, se for o caso, sentamos e a observamos em seu processo de pensar. Embora os pensamentos venham, eles não podem nos fazer dano. 

Pensamentos não têm poder, e nada há neles que devamos temer, se os temermos ou os odiarmos, tentaremos fazer com que parem e, se por outro lado os amarmos, tentaremos segurá-los. 

Não nos deixemos pois odiar ou temer qualquer pensamento que se apresente à nossa mente, mas não nos permitamos também amá-los ou segurá-los, por mais que nos pareçam bons. 

Deixemos os pensamentos vir e ir embora, enquanto sentamos e observamos como espectadores. 

Tudo o que estamos olhando são sombras que deslizam rapidamente sobre a tela: não há nelas poder nem qualquer substância – não há nelas nenhuma lei ou causa-; são apenas sombras.

Algumas podem ser muito agradáveis, e nós poderemos querer agarrá-las. Outras poderão nos perturbar ou constranger, mas são apenas pensamentos, pensamentos e nada mais. 

Estes pensamentos podem testificar a doença; podem testificar o pecado ou o acidente, mas, por mais constrangedores que sejam, nós nos quedamos imóveis e os observamos vir e ir embora. “Não há bem nem mal naquilo que estou observando: essas coisas são só figuras, sem poder. Não podem fazer nada, não podem testificar coisa alguma; e, mesmo que pareçam ser boas, não são boas porque são apenas figuras.”

Se tentarmos esse pequeno experimento em nossos momentos de meditação, logo perceberemos que estivemos a sofrer por causa dessas imagens e pensamentos que nos submergiram, e ficamos tão aflitos que tentamos fugir deles ou apagá-los; todavia, quando somos capazes de vê-los em sua perspectiva correta, eles são inofensivas nulidades, apenas sombras. 

Na verdade, por vezes representam teorias ou regras feitas pelo homem, com relativas punições associadas, também produto humano. Quem porém lhes outorgou a autoridade? 

Senão vejamos este aqui testifica a infecção e o contágio e este outro os falsos apetites. O próximo é uma profecia de desastre, o outro é o medo da carência, e este outro é o medo do medo. 

Mas a verdade é que aí só há nomes – terríveis nomes, é verdade, pela sua conotação trágica, mas só nomes. Nomes que Adão deu para algo que não compreendia – apenas imagens no pensamento.

Deixemos de nos amedrontar com nomes. Mesmo que seja uma imagem na maquina de raios X, por que deveríamos temê-la? 
Continua sendo só uma imagem, uma representação de imagem mental. Quando não mais a temos na mente, não é mais possível sua representação. 

Nós só podemos fazer figuras daquilo que temos na mente. Se podemos vê-lo, ouvi-lo, tocá-lo, saboreá-lo ou cheirá-lo, será uma atividade da mente, uma imagem mental, o “braço da carne”, uma nulidade. É uma falsa criação que Deus nunca fez.

Sempre que estivermos a pensar nisso, estaremos ainda no reino mental, o reino do conhecimento da verdade; contudo, se continuarmos o nosso exercício, observando honestamente a imagem, começaremos a perceber que se trata de algo sem substância ou causa.

Indiferentemente de quão material pareça ser uma condição, não é nada mais material do que o fora minha bagagem perdida, que não era material: ela era uma imagem mental, cuja descoberta revelou a onipresença.

As pessoas, às vezes, seguindo tais práticas parecem vislumbrar imagens bonitas, ou visões, e cometem então o primeiro engano, tentar segurá-las. 

O segundo engano é querer trazê-las de volta em algum momento futuro. Isso é uma verdadeira insensatez. 

Nunca devemos fazer isso e nem mesmo segurar uma imagem bonita, pois é só uma imagem. 

Se é de Deus, o próprio Deus pode nos dar muito mais do que precisamos, e, se for uma imagem desagradável, devemos aprender a não temê-la, uma vez que não tem existência como realidade eternizada, mas é apenas uma imagem mental.

Chegaremos talvez ao ponto em que não haja mais o que dizer ou pensar. E assim teremos uma última palavra sobre isso: “Independentemente do que pareça ou afirme ser, não há em você propriedades intrínsecas de bem e de mal. Todas as propriedades estão na consciência que fez este universo à sua imagem e semelhança, e nem o bem nem o mal existem como forma ou efeito. 
Qualquer que seja seu nome ou natureza, se você existe no tempo e no espaço, você é uma imagem mental, uma nulidade. Eu não tenho de temer você, pois não tem existência no meu ser e nem do de ninguém. Só tem existência na mente, e como existência mental não tem forma e é vazio. 



Não há em você mais bem ou mal do que numa sombra que se move na dela da lanterna mágica – você é só uma sombra sem substância”.


Quando atingimos a completa quietude e a paz, a mente já não funciona, nós a transcendemos ao subirmos à atmosfera do espírito, dentro da qual estamos receptivos e sintonizados com qualquer coisa que Deus conceda. 

Tão logo nos tornemos desapegados, isto é, desprendidos do pensamento da fome, do medo, do amor por pessoas ou objetos, de modo que podem flutuar diante de nossos olhos nos deixando completamente indiferentes, não mais estaremos no reino da mente. 

Somos atingidos, tocados, e tocamos a nossa própria alma, que é Deus – estamos na atmosfera na qual, quando Deus fala, nós podemos ouvi-lo.


Quando Deus faz soar sua voz, o coração derrete e todos os problemas se dissolvem.







domingo, 19 de fevereiro de 2017

VIVEMOS EM UM MUNDO ESPIRITUAL - JOEL GOLDSMITH





Alguns anos atrás, quando de minha viagem à África do Sul, fiz uma parada de um dia no Congo Belga. 

Após o encarregado dos papéis e seu assistente examinarem minha passagem, o que é feito sempre que julgado necessário, e pesaram minha bagagem, eu pedi a um garotinho nativo que carregasse minhas malas para o avião no qual voaria para Joanesburgo. 

Aquele era um pequeno aeroporto, tanto que pude ver o garotinho quando se dirigia porta afora, para o campo, com uma grande mala em cada mão e uma pequena debaixo do braço. Poucos minutos depois ele voltou sem a bagagem, e dirigi-me a ele interrogativamente: “OK?”, ao que ele respondeu: “OK”.

Quando, na manhã seguinte, cheguei a Joanesburgo, havia apenas a pequena maleta esperando por mim, e as outras duas peças grandes da bagagem estavam extraviadas. 

Imediatamente o pessoal desse enorme e ativo aeroporto começou a procurar minha bagagem, mas não a encontraram nem no compartimento nem junto às coisas da tripulação; além disso, mandaram vasculhar o avião, onde tampouco foi encontrada. 

O encarregado da Linha Aérea me disse que faria imediatamente contato com a estação do Congo Belga, e que logo teria uma resposta para mim, de modo que nada me restava fazer a não ser ir para o hotel.

Os estudantes do Caminho Infinito de Joanesburgo haviam arranjado as coisas para que eu visitasse o Parque Nacional Krueger, e assim, depois de comprarmos algumas roupas necessárias, iniciamos nossa caminhada de três dias por essa fabulosa reserva de vida selvagem, levando conosco a expectativa de que encontraríamos a bagagem na nossa volta. 

Ao retornarmos, porém, nenhuma bagagem havia sido encontrada. A única explicação que a Linha Aérea tinha a oferecer era que alguém deveria tê-la roubado, e que esse alguém deveria ser o garotinho nativo e seu comparsa, já que a ultima fez que as malas foram vistas foi quando foram carregadas para o campo de aviação.

O absurdo daquela suposição era evidente, pois ninguém poderia ter levado aqueles duas grandes peças de bagagem para fora do campo sem ser notado.

Apesar disso, todos os quartos da aldeia foram revistados e o lugar virado de pernas para o ar, já que as autoridades estavam convencidas de que havia ocorrido um roubo. A despeito de toda essa confusão, contudo, nenhuma mala foi encontrada.

Durantes três semanas fiquei na África do Sul sem bagagem, sem carteira, sem dinheiro e sem documentos – mas não foi um grande incômodo, pois comi regularmente, as contas do hotel forem pagas e as roupas estavam compradas, embora o mínimo indispensável, porque estava eu convencido de que minhas malas apareceriam, o que aliás era uma convicção muito falsa - metafisicamente falando. 

Duas noites antes de viajar para a Índia, sentei para fazer algumas sérias considerações sobre todo o affair da bagagem. “Isto representa uma falha de minha parte. Mas qual seria a falha? O que deu errado?” 

Sentado no meu quarto, pensando e meditando, finalmente veio-me a resposta: “Este é um universo espiritual e, todavia, aí estou eu esperando pelas malas,quando a verdade é que não há qualquer bagagem". 

Tudo o que a bagagem é não passa de parte de uma crença em tempo e espaço - espaço ocupado pela bagagem, tempo em que ela poder ter se perdido e espaço no qual poder der se perdido. 

Aqui estamos, tentando achar as malas que, se forem encontradas, serão apenas uma evidencia de que a cena humana foi manipulada. 

Não há verdade nesse quadro todo, pois vivemos num universo espiritual, onde ninguém precisa de malas. 

O que quer que haja de realidade é incorpóreo, espiritual e onipresente; e, se aparecer como uma bagagem finita no tempo e no espaço, será uma imagem no pensamento, e não poder ter uma realidade própria e autônoma; assim, eu estive a perder tempo na esperança e na expectativa de que uma bagagem material se manifestasse num universo espiritual, onde toda ideia é onipresente. Com isso, fui me deitar.

Após tal descoberta, a história chegou rapidamente à sua conclusão. O assistente do chefe da Linha Aérea em Joanesburgo estava sentado à mesa às 8 horas da manha seguinte quando, aparentemente vindo do nada, veio-lhe o pensamento: “A bagagem não pode dissolver-se no ar. Ela só pode desaparecer entre aqui e acolá – e deve estar em algum lugar, mas onde?” 

De repente, veio-lhe outra ideia, e ele foi até o hotel onde a tripulação se hospedara durante a parada da noite, e onde estavam as duas peças de bagagem no chão, onde haviam esperado por três semanas. Ninguém pensara em tal possibilidade; de fato, ninguém pensara em alguma forma de solução pratica até que eu parasse de pensar na bagagem.

Essa história ilustra um ponto muito importante na cura e no viver espirituais. Na metafísica, geralmente pensaríamos: “Oh, bem, vai aparecer” ou “Não pode estar perdida”

Em outras palavras, estaríamos negociando com algo chamado bagagem. A falácia desse método de encarar um problema torna-se visível imediatamente porque, em caso de doença, e para sermos coerentes, deveríamos fazer um tratamento que lidasse especialmente do coração, fígado, pulmões, estomago, intestino, cabeça ou pés, e estaríamos completamente fora do reino do ser espiritual.

Muitos de nós não sabem o bastante para tratar as pessoas pelo nome, e nós não sabemos o bastante para tratar coração, fígado ou pulmões: bastará ver quão facilmente pudemos ser logrados no caso da bagagem.

Tornamo-nos mais autoconfiantes, acreditamos estar caminhando na direção certa e logo a seguir o ilusionismo dos sentidos humanos faz-nos lembrar da bagagem, ou da sua falta.

Compreendamos agora: eu não estava preocupado com a perda da bagagem; meu erro era ter certeza de que ela iria aparecer, o que é exatamente o mesmo que estar seguro de que o coração de alguém ficará bom ou seu pé doentio ficará melhorao passo que o princípio sobre o qual se fundamenta todo o nosso trabalho é que a verdadeira criação é aquela narrada no primeiro capítulo do Gênesis, no qual Deus fez tudo o que fora feito, e tudo o que Ele fez é bom. 

A criação espiritual é incorpórea, e prova disso é que havia luz antes que houvesse o sol no firmamento. 

Se vivemos e nos movemos e temos o nosso ser na criação espiritual, como está consignado no primeiro capítulo do Gênesis, podemos ter tudo aquilo de que precisamos sem ter bagagem. 

O mundo sensorial, aquele que podemos ver, ouvir, cheirar, tocar e saborear, é criação irreal, descrita no segundo capítulo do Gênesis – uma imagem mental dentro da mente. 

Se nos lembrarmos de que não devemos tentar manipular o cenário humano ou manusear a imagem mental que existe apenas como uma sombra dentro do nosso pensamento, testemunharemos a rápida dissolução dessas imagens. 

Não confunda o que estou dizendo: eu sei que quando viajamos a bagagem parece real e necessária. 

Também sei que, a maior parte do tempo, o nosso conceito de corpo parece real, porque uma coisa o traz para dentro da nossa consciência, e que, por causa disso, há a tentação de pensar que seja real. 

Nós não negamos o corpo – ele é real. Mas aquilo que vemos como corpo não é o corpo; é uma imagem mental dentro do nosso pensamento – um conceito mental universal, individualizado dentro de nós. 

Não há tal coisa como um corpo material: o que há é apenas um conceito material do corpo. 

Não há um universo material: o que há é um conceito material de um universo espiritual.

Enquanto aceitarmos o conceito material do universo, estaremos sob as leis da matéria; mas estaremos livres tão logo comecemos a compreender que vivemos, nos movemos e temos o nosso ser no primeiro capítulo do Gênesis, onde o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, do Espírito. Onde a Alma de Deus é a Alma do homem, a vida de Deus é a vida do homem, a mente de Deus é a mente do homem e o corpo de Deus é o corpo de homem. 

Saiba todavia que o seu corpo é o templo do Espírito Santo – não o corpo como aparece no espelho, mas como realmente ele é.

Logo depois da minha descoberta não lidamos com a bagagem material, e sim com a onipresença - considerada-, conscientizado de que seria necessário alguém para a demonstração, alguém também desperto para a ideia de onipresença, foi justamente ali onde esse alguém estava que a bagagem foi encontrada, sem problemas. 

Para entender o que são o corpo e o universo, é só chegar à descoberta que trará a solução:
"Eu vivo, me movo e tenho o meu ser em Deus; eu estou no Pai, e o Pai está em mim. Como posso ser finito, em ser limitado, e ter Deus infinito dentro de mim? Devo pois ser tão espiritual quanto o Pai que me criou. Todos os seres devem ser espirituais, e dentro dessa criação espiritual nada de finito pode entrar para limitar ou criar qualquer sentido de separação". 
















sábado, 18 de fevereiro de 2017

FILHOS DE UMA UNIÃO ESPIRITUAL






Homem e mulher, quando se casam com a atitude iluminada de que os filhos oriundos do casal têm destino muito mais elevado do que os somente nascidos da carne, estarão reconhecendo a Verdade espiritual de que Deus estará surgindo na terra sob outra forma, de que mais um filho de Deus estará vindo à expressão visível, não um filho do casal, não alguém que se pareça com um deles, mas alguém que se assemelha a Deus e que age como Deus.

Quando duas pessoas se casam tendo esta conscientização, seus filhos nascerão em sua natureza crística, já que, antes mesmo da concepção, os pais estarão cientes de que sua união servirá apenas como participação do casal para dar ao filho a expressão visível; porém, estarão sabendo que homem algum sobre a face da terra é o pai verdadeiro e mulher alguma sobre a face da terra é a mãe verdadeira.

Há um Pai somente: Deus. 
E Deus é o criador e mantenedor de todos. 

Os pais humanos são meros instrumentos pelos quais a Graça de Deus é expressada como seres individuais vindos à terra. 

Deus é Pai e Mãe da criança, o seu Princípio criativo. 


Portanto, tudo que Deus é, e Se revela manifestado, é o que se tornará a natureza da criança.

Quando o Espírito de Deus for universalmente reconhecido, uma diferente “safra” de crianças surgirá na terra. 

Crianças que não mostrarão nenhuma glória de natureza humana, mas que expressarão o parentesco divino, manifestado como a Graça e a Capacidade deste divino Pai.












sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

FALANDO DE CASAMENTO






Os casamentos, como estão sendo vistos atualmente, não estão dando certo. Nem é para menos! Da forma com que são interpretados, cada cônjuge acaba ficando sem identidade e individualidade, com a mulher muitas vezes perdendo até o sobrenome!

Dois seres se tornarem um não deve implicar a perda da individualidade, coisa impossível de realmente ocorrer! 
Sempre, de antes do nascimento até a eternidade, o indivíduo se mantém como indivíduo: jamais perdemos a qualidade de ser únicos. 

O casamento humano, com seu sistema de submissão um ao outro, tenta anular o que de mais precioso cada um possui aos olhos de Deus: a sua individualidade espiritual, ou seja, a manifestação do próprio Deus como homem e como mulher. 

Temos todos qualidades e dons que não se destinam a ficar anulados simplesmente porque alguém se casou.

No casamento espiritual, pelo contrário, em vez de submissão existe liberdade. Um cede ao outro total liberdade, reconhecendo este ponto logo que se casam. 

Depois de trinta anos de experiência, concluí que somente darão certo os casamentos em que houver a mútua concessão de liberdade. Cada um vivendo a própria individualidade e, ao mesmo tempo, sem exigências, compartilhando a vida a dois.

Se no casamento humano homem e mulher têm direitos legais, no casamento espiritual a coisa é diferente: ambos têm somente o privilégio de amar e compartilhar, sem direito algum de fazer exigências. 

Não cumpriremos nossa experiência humana enquanto não pararmos de aprisionar alguém como vítima de nossos direitos.

Geralmente, no casamento humano, o marido assume a função de sustentar a mulher. 

Espiritualmente, jamais ela fica nessa dependência, pois estaria negando sua divina herança de se manter autossuprida graças à sua comunhão com Deus. Quando esta herança é reconhecida, o marido é liberto para compartilhar, liberto das obrigações legais que o forçariam a fazer alguma coisa. 

Ninguém gosta de agir por obrigação! Nem legal nem moralmente! Porém, quando fazemos as coisas espontaneamente, de livre vontade, sentimos enorme prazer. São feitas de coração, e não movidas por alguma lei de tribunal humano.

A volta ao lar do “filho pródigo” é o casamento místico.Quando o indivíduo, que se via separado de Deus, descobre sua unidade consciente com Ele, temos o casamento místico. Separado de sua Fonte, jamais o homem será completo!

O indivíduo, quando está consciente de sua unidade com Deus, encontra sua unidade com todo ser e ideia espiritual— e isto inclui todo tipo de relacionamento no céu e na terra. 

O casamento humano, portanto, é a expressão visível do casamento místico, da unidade consciente com Deus.Sem esta base real de fortalecimento espiritual, casamento algum poderá resistir. 

Quando cada um, homem ou mulher, fizer o contato consciente com Deus, estará em contato consciente com seu par, com os filhos, vizinhos, nação e resto do mundo. 

Jamais haverá esta “união fortalecida” sem que haja, antes, o relacionamento de união com Deus. Aí, sim, teremos uniões fortalecidas em todas as esferas humanas.

Não devemos crer no casamento como instituição permanente, a menos que ele tenha sido fruto da conscientização de unidade com Deus por parte do casal. Então, sim, haverá a união impossível de ser rompida. 

Ouve-se muito, em cerimônias de casamento, a frase “o que Deus uniu não se pode separar”. 

De fato, o que Deus une ninguém conseguirá separar! Será um relacionamento indestrutível, mas se for consolidado realmente por Deus. 

Inexiste unificação, inexiste união, exceto na consciente união com Deus.

De minha própria experiência, posso adiantar que as desarmonias não têm acesso ao lar ou casamento em que o casal com freqüência se une em meditação. 

Se algo pude aprender em minha vivência espiritual, tal aprendizado foi o seguinte: onde quer que nos unamos em meditação, ocorre o desdobrar do amor.

Para que um casamento não se restrinja ao mundo visível, e seja uma união do Reino de Deus, para que ele tenha, não a “paz do mundo”, mas a “Paz celestial”, deverá existir não somente por um vínculo espiritual, mas também ser mantido por constante meditação, em que nos unimos a Deus e nos unimos mutuamente.

Este é o segredo da meditação. Com ela, unimo-nos a Deus e nos descobrimos em unidade com toda a humanidade sensível à espiritualidade. Isto se torna ainda mais real no casamento. 

Na união com Deus, principalmente quando homem e mulher se unem para meditar, ambos descobrem entre si um elo indissolúvel, uma vez que o relacionamento que daí emerge, é algo muito além daquele meramente pessoal. Ele transcende inclusive o bom relacionamento humano. Dissolve todo o mal entre os casamentos comuns, dissolve toda a sensualidade, todo ciúme, toda malícia, toda exigência, e se torna a livre doação de Deus a nós, e a cada um, reciprocamente.

Não há questão alguma, num lar, que não se resolva pela meditação conjunta, desde que ambos abram mão de querer fazer prevalecer a sua vontade ou desejo pessoal, para que a Vontade de Deus possa ser feita. Este é o segredo, e não há outro. 

Todos os tipos de relacionamentos humanos podem ser mantidos em harmonia; porém, esta possibilidade somente existe pela submissão de nossa vontade a Deus, e nunca pela submissão mútua de nossa individualidade.

Sempre devemos honrar e respeitar a individualidade do outro. Recordemos que, da infância à fase madura, temos em cada casal duas pessoas trazendo traços individuais de caráter, de hábito e de vida; assim, não nos iludamos: tudo aquilo não ficará passível de resignação somente por ter ocorrido um casamento!

Portanto, mesmo quando nossos meios, modos ou maneiras diferirem por completo dos praticados por nosso parceiro, os fatos que acabamos de expor deverão ser lembrados. 


Enquanto cada um tiver a liberdade para ser “ele mesmo”, enquanto os dois estiverem sendo “eles mesmos” em união consciente com Deus, o casamento será uma relação indissolúvel, assim na terra como é no céu.