sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

PRINCIPE DA PAZ - 1 - JOEL GOLDSMITH






O significado pleno de Natal não pode ser conhecido, senão através da compreensão da natureza imutável de Deus. Deus é. Eterna e infinitamente, Ele é o mesmo, ontem, hoje e para sempre.

O que é próprio de Deus sempre foi, continua sendo agora, e sempre será. Em decorrência desta compreensão, o verdadeiro Natal não começou há dois mil anos: seu início está além do tempo.

O que ocorreu há dois milênios foi meramente a revelação de uma experiência que se tem repetido, não somente “antes que Abraão fosse”, mas antes mesmo que o tempo fosse. Deus não inaugurou nada de novo há dois mil anos.

O verdadeiro sentido de Natal é este: Deus plantou na consciência de cada um de nós uma divina semente que há de germinar e vir a ser um Filho de Deus.


Ninguém jamais existiu, nem existe agora e tampouco existirá, sem esta influência espiritual; sem este Poder que foi implantado em nossa consciência, desde o princípio.
A missão do Filho de Deus foi revelada através do ministério de Jesus Cristo e do que ele ensinou: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (não eu, Jesus, mas Eu, o Filho de Deus).

Disse Jesus: “Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro…Eu de mim mesmo não posso nada: o Pai, em mim, é Quem faz as obras…Eu Sou o pão da vida…Eu Sou a ressurreição e a vida”. Este era o Filho de Deus falando através de Jesus, o mesmo Filho de Deus que está no íntimo de cada indivíduo, desde o início dos tempos.


Mergulhe em seu íntimo, para encontrar a paz que foi estabelecida desde o princípio.


Conta, uma antiga estória, que havia um rei justo, amável, pacífico e misericordioso. Seu vizinho, rei das terras limítrofes, estava empenhado em guerras de conquista. Movido por sua índole justa e misericordiosa, o primeiro rei mandou um embaixador ao reino vizinho, em missão de paz. Entrementes, para proteger o povo, começou o preparo bélico. De um extremo a outro da nação se movimentaram para o provável conflito. Desde então, a alegria se apagou no coração do povo. O sorriso desapareceu da face das pessoas. Isso entristeceu o rei, que se recolheu em prece, em busca de uma solução que devolvesse a paz e harmonia à sua gente. Um dia, a esposa de um dos oficiais da corte pediu audiência para revelar-lhe um segredo. E o que ela sussurrou em seu ouvido fê-lo sorrir. De rosto iluminado, o rei a incumbiu de ir ao encontro de todas as mulheres, não os homens, para confiar este segredo, até que todas o soubessem e o pusessem em prática. O rei levantou-se e foi segredar à rainha o que aprovara. E a própria rainha foi, com a esposa do oficial, correr o reino, para comunicá-lo a todas as mulheres. Dentro de algum tempo o sorriso voltou ao semblante do povo. Um cântico novo era entoado por toda aquela terra. O júbilo foi restabelecido. No dia de Natal chegou um arauto do embaixador que estava no reino vizinho, anunciando que fora assinado um tratado de paz. 


O rei mandou dizer ao povo que cessassem os preparativos bélicos. E os oficiais da corte pediram ao rei que lhes dissesse qual fora o segredo, que provocara tão grande transformação no povo e conquistara um improvável tratado de paz. O rei lhes explicou que o segredo, embora singelo, encerrava um poder imenso: consistia nisto: “Retirar-se, pela manhã, em curto período de silêncio, de vazio e introspecção. Orar a Deus (sem pedir a paz nem qualquer outra coisa), e comungar com Ele, deixando que Sua paz permeasse e enchesse o íntimo. Depois, durante o dia, várias vezes conscientizar essa Presença, no íntimo, como paz”. Tal foi o segredo que devolveu alegria ao povo e assegurou harmoniosas relações com o reino vizinho.

Aos estudantes da Verdade, esta estória parecerá mui familiar, porque sabem que em estágio avançado não se ora pela paz ou ordem em nosso reino interno. Deus já plantou esta semente em nossas almas, em nossos corações, em nossas mentes. Para que esta semente germine e emerja à superfície de nossa consciência, devemos mergulhar no próprio íntimo, abrindo o canal, a fim de que o “Fulgor aprisionado” se escape de lá, abençoando nossa vida e contagiando as pessoas de nosso convívio.

A função deste Filho de Deus é levar-nos a vivenciar a paz; induzir-nos a experienciar uma vida abundante; a dinamizar as potencialidades divinas, manifestando, de dentro para fora, tudo o que o Pai é e tem, como foi dito:“Filho, tu sempre estás comigo. Tudo o que é meu, é teu”.

Esse “tudo” é a semente que foi plantada em nós. Quando furamos o solo em busca de petróleo; ou cavamos minas, para extrair ouro, prata, diamante; ou quando mergulhamos à cata de pérolas; não estamos trazendo para fora o que Deus formou dentro da terra e do mar? Somos, acaso, responsáveis por tudo que se formou no seio da terra ou dos mares, ou do ar? Fomos nós que formamos tudo isso?

Alguém pode responder, pela ciência, que tudo isso se formou durante milhões e milhões de anos, antes que tivéssemos consciência de sua utilidade. No entanto, foi tudo previsto e tudo o que temos a fazer é extrair tudo isso que Deus preparou, para atender às nossas necessidades.

O mesmo ocorre no universo espiritual. O reino dos céus não está fora de nós (não acrediteis quando vos disserem: ei-lo aqui; ei-lo acolá, porque o reino dos céus está dentro de vós”).
Como, então poderemos usufruir este reino, senão procurando-o e encontrando-o dentro de nós mesmos?Para contatá-lo, é mister cavar e mergulhar em nós mesmos.
Quanto mais profundamente cavarmos e mergulharmos neste silêncio interior, tanto maiores e mais ricos tesouros traremos à manifestação.

NOSSAS VIDAS INDIVIDUAIS MANIFESTAM A GRAÇA DE DEUS
Para compreender o “Dia de Natal”, devemos entender com clareza que Deus plantou a semente de Si mesmo em cada um de nós. Tal semente deve germinar e converter-se no Filho de Deus plenamente desenvolvido,cuja missão é tornar nossas vidas bem-sucedidas e demonstrar a glória de Deus, como Jesus a revelou.

Desde que “eu, de mim mesmo, nada posso”, e, “se der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro”, o que nos cumpre é simplesmente demonstrar, em nossas vidas individuais, a graça de Deus — Sua sabedoria, Espírito, saúde e abundância.

Ao tornar o potencial em dinâmico, a possibilidade em atualidade, podemos dizer que Deus vai do infinito para o infinito; que Deus é o mesmo sempre, e Ele não faz acepção de pessoas.

Se Deus tudo criou para sempre, então, desde o princípio dos tempos, a humanidade trouxe, dentro de sua própria alma, a divina paz e a divina graça.Infelizmente não podemos partilhar estes dons com nossos semelhantes e nem eles conosco, enquanto cada um não os encontrar em seu íntimo.


É uma simples descoberta, mas não podemos dar o que não descobrimos ou aquilo de que não temos consciência ainda. Todavia, quando o descobrimos, assumimos uma responsabilidade: “a quem muito é dado, muito lhe será exigido”.

Espera-se muito daqueles que encontraram dentro de si a paz: eles devem derramá-la sobre os demais.

Se ainda não encontramos o Cristo dentro de nós mesmos, não podemos partilhar essa Consciência com os outros.

Se não realizamos a paz em nós mesmos, não podemos manifestá-la ao próximo nem suscitá-la nele. Quem não expressa amor não pode atraí-lo. Aquele que não exprime abundância, não pode atraí-la. Ninguém pode atrair a paz, se, antes, não a encontrou dentro de si.

Tudo o que gostaríamos de receber de nossos familiares, amigos, comunidade e do mundo, ou partilhar com eles, há de ser, primeiramente, encontrado dentro de nós mesmos. 






Continua..>











quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

NATAL- JOEL S. GOLDSMITH






Uma mensagem de Natal deve ser uma mensagem de paz, em que nossos pensamentos se voltam do conceito de paz que o mundo busca, para a realização da verdadeira paz, “a minha paz”, que vem assim que os homens se encontram prontos a recebê-la.

O mundo busca uma paz que jamais pode ser encontrada, enquanto o senso de paz estiver baseado na cessação de guerra. Esta paz, ainda quando esteja realizada, é temporária, pois está baseada somente em conferências e relacionamentos entre homens e nações. 

A verdadeira paz é consumada, exclusivamente, quando nos despimos da armadura da carne, no momento em que deixamos de erguer a espada em defesa dos temores e ódios do mundo e cessamos de guerrear com as condições terrenas.

A paz duradoura reina somente quando os relacionamentos entre os homens estão alicerçados na conexão de cada um com Deus. 

A paz é realizada quando nos encontramos unidos com nossos companheiros através da experiência da vivência de Deus. 

A paz é alcançada quando contemplamos antes o Filho de Deus governando nossa vida e, em seguida, também a de nosso irmão.

O mundo está procurando a paz “lá fora”, mas ela deve ser encontrada dentro do nosso próprio ser individual, na medida em que hospedamos o Príncipe da Paz. 

Portanto, deixemos de procurar a paz que “o mundo está buscando” e empenhemo-nos em encontrar “A paz de Deus que ultrapassa todo entendimento humano”. 

“A Minha Paz vos deixo, a Minha Paz vos dou: não como o mundo vos dá. Que não se turvem vossos corações e nem se receiem”. (Ler Isaías 42: 1-9, em seguida, Isaías 61-62: 1-4 e 62: 12).

As advertências, e as promessas do Velho Testamento, são muitas vezes mal interpretadas, como se fossem dirigidas a algum homem em particular ou a uma determinada raça. 

Os amigos Hebreus consideravam-se filhos de Deus, distintos e favorecidos por Ele; tal má interpretação levou à adoração de certas pessoas chamadas de salvadores, como se fossem, por si mesmas, o Cristo. Isto gerou o sectarismo em determinadas religiões, com limitadas diferenças e inimizades.

Deus não ungiu especificamente um homem ou um povo: Deus tem ungido o Seu Bem-amado, o Cristo. O Cristo é uma entidade espiritual, um impulso espiritual – Um espírito que está no homem. É Ele que, em nós, é abençoado, ungido e sustentado pelo Pai.

Ocasionalmente, este divino Impulso Espiritual, o Cristo, se manifesta de uma forma mais pronunciada num indivíduo aqui, noutro acolá; porém, Ele existe na consciência de cada um, na face do globo terrestre. Chega um período específico na vida de cada indivíduo, em que ele recebe a anunciação espiritual e então o Cristo é concebido, nutrido e desenvolvido. Num dia de Natal, o Cristo nasce; em outras palavras, a presença do Cristo é realizada dentro do nosso ser.

O nascimento de Cristo não ocorre cronologicamente no dia 25 de dezembro nem em lugares de terras santas, mas ocorre, sim, na consciência elevada do indivíduo. Esta consciência elevada é a Cidade Santa – a cidade cuja busca foi esquecida, o lugar de nascimento e o lugar onde habita o Cristo. Onde quer que o Espírito de Deus apareça na consciência humana, todas as bênçãos e profecias em relação aos ricos frutos do Cristo se evidenciam.

Na luz do Cristo, o cenário humano se revela como algo fantástico. É somente depois da realização do Cristo em consciência, que o sentido profundo da verdadeira humildade é compreendido. Antes desse acontecimento, sempre haverá um sentido pessoal do ego; mas, com o nascimento do Cristo, todo sentido de exibição pessoal, todo desejo de algo ou de alguém, e toda a espécie de ambição humana são perdidos. 

A partir desse ponto de transição em consciência, onde havia necessidades, desejos pessoais ou uma vida incompleta, passa-se a não mais ter uma vida própria para ser plenificada com seus apegos e suas necessidades de êxitos e sucessos. 

Neste estado de consciência não existe nem mais um senso de necessidade de Deus, porque há a realização de se contemplar Deus agindo através de si. Esta atividade nunca é para benefício pessoal, mas se torna uma bênção para aqueles que ainda não experienciaram a concepção e o nascimento de Cristo dentro do seu próprio ser e, portanto, não realizaram a natureza universal de Cristo.

Elias revelou a natureza do Cristo como sendo a “pequenina e silenciosa voz” que está dentro e ao alcance de cada indivíduo que se torna receptivo a ouvir; Daniel revelou o Cristo como uma “pedra cortada da montanha sem mãos”. 

Nas palavras de Isaías: (42; 2,3,4) “Não chamará, não se exaltará, nem fará ouvir sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade, produzirá o juízo”. 

Quando Cristo Jesus falava daqueles que “tinham olhos, mas não viam”, referia-se a uma capacidade interna que contempla aquilo que jamais os olhos humanos seriam capazes de captar.

A natureza do Cristo é uma atividade espiritual, totalmente sem cumprimento físico, assim mesmo suficiente para destruir os quatro reinos temporais. 

As palavras e os pensamentos de Elias, de Daniel, Isaías e outras grandes personagens bíblicas, transitam no meu ser e se unem na revelação de uma Essência espiritual única, de uma Presença e de um Poder. Mesclados com estes pensamentos estão também os das crianças que vêm ao mundo com deficiências. Estas crianças, com seus clamores, indagam: “por que isto?, por que eu?, por que comigo?”, e suas vozes penetram a consciência da Terra, e esta não tem resposta aos seus problemas e às suas necessidades de cura. Um clamor semelhante se faz dos povos do mundo inteiro, ansiosos por uma cessação de guerras e esperançosos de uma paz mundial, e a Terra também não tem resposta para eles.

Mas há uma resposta! A resposta é o Cristo! Cristo é a influência espiritual dentro de você, de mim e de todas as almas e corações abertos para a anunciação, para a experiência da concepção e nascimento do Cristo. 

O Espírito do Senhor Deus Todo-poderoso está sobre o Cristo do seu ser individual e esta suave Presença é manifestada, não pela força e nem pelo poder, mas sim pela unção do próprio Espírito.

É este Cristo a resposta à paz mundial, assim como também é a resposta a todos aqueles pequeninos que clamam por suas heranças divinas de saúde, harmonia e plenitude.

A maior missão do Cristo é curar o mundo, portanto, se torna necessário, para aqueles que sentiram o toque do Cristo para servir, abrir caminho para a atividade do Cristo, que é permear a consciência humana com o conhecimento e o amor do Cristo. A prece é o canal ativo em nossa consciência, que traz a Presença e o Poder de Deus aos afazeres humanos.

Eventualmente você poderá receber pedidos para uma ajuda específica; e, para estar preparado, é preciso aprender a manter a comunhão com o Príncipe da Paz, com nenhum outro propósito a não ser o da própria comunhão com Ele. Você deve reservar períodos todos os dias para a meditação e nesses momentos se isentar de qualquer preocupação com os problemas relacionados com sua própria vida. Sua única razão para meditar deve ser experienciar em consciência a comunhão com Deus.

Nesta comunhão, a atividade de Cristo em você se torna o agente curador por todos aqueles que lhe solicitem ajuda.

Pensem acerca da consciência curadora que pode ser suscitada no mundo, quando cada estudante da verdade se conscientizar, em primeiro lugar, que “o único filho bem-amado, que está no âmago do Pai”, é o Cristo do seu ser individual.

Tudo que o Pai tem, está derramado sobre esta Centelha divina, vital, eterna e imortal, e o lugar onde Ele habita é dentro de você, em sua consciência!

Lembre-se sempre de que “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles”.

A atividade amorosa do Cristo, em você, é suficiente para derrubar os reinos temporais. Mas, uma coisa é exigida: cada Cristo deve ter o seu Jesus. A criança espiritual deve ter o Seu representante na Terra, e Ela deve ser liberada ao mundo através da conscientização daquelas pessoas que chegaram a realizar o Cristo em si mesmas.

É nossa função recolhermo-nos, diariamente, sem nunca falhar, com o propósito de receber o Príncipe da Paz e, dessa forma, criar-Lhe a possibilidade de atuar em nossos negócios e relacionamentos humanos.

Não é necessário dirigi-Lo ou esclarecê-Lo; a nossa parte consiste em esperar, silenciosamente, sem esforço e sem poder, e deixá-Lo ocupar nossa consciência! Você pode vislumbrar o que acontece, quando o Cristo realmente realizado começa a tocar a consciência de todas as pessoas na Terra, removendo delas as causas e os efeitos do erro humano? O Cristo, ao nos tocar a consciência, liberta-nos dos ódios e dos medos do mundo, abençoando assim inúmeras pessoas.

A prece feita dessa forma nos abre à visitação e à comunhão com o Príncipe da Paz, fazendo de nossa consciência a Cidade Santa, onde o Cristo habita, e através da qual Ele acha o caminho de entrada em todas as consciências humanas.

Enquanto a videira recebe a sua substância pelo Pai, cada galho está sendo alimentado. O Santo de Israel, o Espírito de Deus no homem, o Cristo, está sempre presente, porém, disponível somente na medida em que nos abrimos para recebê-Lo, deixando-O em nós habitar. Nosso único propósito, ao entrarmos em comunhão com o Cristo, é o de Lhe propiciar uma entrada ao mundo, para que possam ser demolidas as crenças humanas cristalizadas e ser estabelecido o Reino de Deus sobre a Terra.

Saibamos que não nos cabe um trabalho pessoal, temos somente que nos aquietar e “deixar fluir”.

No verdadeiro sentido da humildade, não há um “eu” dirigindo esta atividade; ao contrario, há um sentimento profundo de paz e quietude, onde nos tornamos exclusivamente desejosos de deixar o Cristo se encarregar dos negócios do Pai.

Nunca você ou eu poderemos nos ocupar dos negócios do Pai – somente o Cristo pode executar as funções de Deus sobre a Terra, estabelecendo Seu reino nos corações de todos aqueles que são receptivos e responsivos à Sua presença curadora.



E assim, no dia de Natal, façamos votos de boa sorte ao Príncipe da Paz em Sua jornada de amor nas consciências humanas, de modo que cada indivíduo que tenha seu pensamento e mente, Espírito e Alma, abertos à concepção e nascimento de Cristo, possa conhecer essa Presença amorosa capaz de lançar a paz na Terra e a boa vontade entre os homens.










quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

OS PUROS DE CORAÇÃO NÃO PERCEBEM O MAL








Ninguém pode desafiar a Deus, e mais especialmente ninguém pode desafiar a Deus uma vez que tenha tido contacto com alguém que conheça a verdade. 


É bem verdade que o pecador aparentemente parece prosperar durante certo tempo, e instituições maléficas parecem dominar o mundo humano. E por quê? Porque não há compreensão deste princípio. Mas deixe que alguém tente maquinações maléficas contra uma pessoa de mente pura, e cedo observareis que não só seu poder do mal é destruidor, mas que se ele não emendar seus caminhos, destruir-se-á a si mesmo, ao final. O mal sempre anda às soltas até o momento em que se choca contra o puro de coração.


Este ponto está bem ilustrado no caso de um hipnotizador que estava tentando divertir os membros de uma família de metafísicos hipnotizando-os e que constatou que não só podia hipnotizar nenhuma das pessoas do grupo, mas que, numa tentativa final de exibir os seus poderes, ele decidiu hipnotizar a sua própria esposa com quem sempre tinha sido bem sucedido até então, verificou que não conseguia hipnotizá-la. Tinha ele encontrado no seu caminho os puros de coração – aqueles que conscientemente se haviam apercebido de que só havia uma mente e um poder atuando naquela sala. Isso anulou a crença de que uma pessoa possuía uma mente que ela podia usar para dominar outra pessoa. 

Enquanto todos os que estavam na sala acreditavam que havia duas mentes, o grupo podia ser hipnotizado; mas quando surgiu uma pessoa que tinha uma convicção suficientemente forte de que havia só uma mente na sala, uma mente que não podia destruir-se a si mesma, o hipnotizador já não podia mais atuar com sucesso.

E assim será na sua existência individual, e na minha, quando nos tornarmos puros de coração, isto é, no momento em que chegamos à convicção de que Deus é a mente de cada um de nós, e que nenhum de nós possui qualidades ou atividades separadas, ou à parte da atividade daquela uma e única mente, e que nenhuma outra mente está operando, e nenhuma outra mente pode operar. 

Somente as qualidades e atividades que emanam da única mente estão se manifestando, e essas são qualidades de inteligência, qualidades de amor e vida, qualidades do puro ser. Se surge, então, alguém em nossa experiência, que se proponha a nos prejudicar, ou hipnotizar, suas tentativas serão anuladas, e ele não terá nenhum poder sobre nós.

Tratemos, individualmente, de nos tornarmos puros de mente, isto é, chegar à compreensão, à realização, de Deus como mente, vida e Alma individual. Só então as qualidades de Deus podem fluir para fora de nós, e envolver o mundo. 

Contemplemos o Cristo sentado entre os olhos de cada individuo; contemplemos somente o Cristo como a substância e a lei de cada condição; e não haverá então, nenhum dualismo em nossa consciência, e nenhum dualismo pode voltar-se contra nós.

Por meio dessa realização, fazemos de nós mesmos uma avenida para o fluxo, o escoamento, do bem; e fazemos mais do que isso: pela realização da universalidade dessa Verdade, nós nos precavemos contra a aproximação de qualquer mal. 

Em outras palavras, nós anulamos, invalidamos, a atividade do mal no individuo, como fez Jesus em Pilatos: Tu não terias nenhum poder contra mim, exceto se te fosse dado de cima (João 19:11).

Você verificará, que se você, diligentemente, se ocupa com esta ideia, já não mais se deparará com o homem que respira pelas narinas em coisa alguma. Isso não que dizer que, se você necessita de auxílio, não o peça de um praticista. Certamente que poderá fazê-lo, mas na realidade você já não estaria esperando auxílio de uma pessoa, muito embora o esperasse através dele, como atividade do amor divino.









terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O SENTIDO DA CRUCIFICAÇÃO: ELEVAR-SE ACIMA DO SENTIDO DA PERSONALIDADE OU SEJA ACIMA DO EU PESSOAL






Tomar uma atitude dessas, é eliminar o sentido pessoal do eu, morrendo diariamente ao sentido personal do ser, você não mais reage, aos medos, crenças, condenações e irritações do mundo; e por conseguinte, você se situa muito acima deles, e eles não se projetam sobre você. 


Qualquer exigência que lhe for feita, não é feita sobre você, mas sobre o Cristo do seu ser- A SUA REAL IDENTIDADE, portanto, o você - carnal- ILUSÓRIO não tem direito de reagir.


Lembre-se sempre que as provações e as tribulações do mundo nunca chegam perto da morada da pessoal que mora no lugar secreto do Altíssimo, que vive, e se move e tem o seu ser na consciência-de-Deus (na percepção consciente da Presença de Deus). 


Estar fixado, estabelecido na consciência-de-Deus, significa compreender, em primeiro lugar, que Deus é a sua Consciência, e por conseguinte, você nada aceita, nunca, como sendo pessoal, para você, mas deixa que a consciência-de-Deus tome conta; e, em segundo lugar, significa que Deus é a consciência do que existe e, assim, se qualquer discórdia ou desarmonia parece vir em sua experiência, você compreenderá que não parte de qualquer pessoa, mas de um sentido ilusório daquele a quem chamamos o homem, cujo alento está nas narinas.


Atingir um nível, um sentido, mais elevado da vida, significa superar o sentido personalista da vida. 


Em outras palavras, significa elevar-se a um lugar, na consciência, na percepção, onde os dardos inflamados do maligno (Efésio 6:16) já não atingem a você. 


Ainda assim, não há garantia de que o mundo deixe de sua maledicência, ou de espalhar falsos rumores a seu respeito, ou que se abstenha de fazer de você o alvo de suas armas de fogo. 


Poderão acontecer todas essas coisas, mas a resposta é sempre a mesma: Que diferença faz, desde que o EU de mim é Deus, e esse EU jamais poderá ser atingido e ferido? Enquanto você vive no sentido de que somente as qualidades e atividades de Deus podem fluir para fora de você, que importa que o mundo faça a você, ou a mim?


Toda a experiência da Crucificação serviu de prova de que nem mesmo os pregos, a cruz, e a espada tinham poder. Além disso, provou que nem a oposição, nem o ódio da igreja organizada, nem a pompa temporal e a glória de Roma eram poder. 


A ressurreição celebrada na páscoa simboliza que o ódio humano contra a verdade não é poder, que as armas deste mundo – seus pregos e suas espadas – não são poder, e que a lei humana não é poder. 


Essa é a grande lição a ser tirada da Crucificação e da Ressurreição. 


A Ressurreição provou que qualquer que seja a forma maléfica que é lançada contra nós, em três dias, podemos superá-la. Num curto espaço de tempo, podemos sobrepor-nos acima de toda e qualquer forma de discórdia e desarmonia, se, não só nos recusamos a aceitá-la como um poder real, mas, ainda, não a aceitarmos como se fosse dirigida a nós, como pessoa, mas realmente dirigida ao Cristo do nosso ser, e estivermos, então, dispostos a contemplar o Cristo aniquilá-la.


Seja onde for, ou quando for, que haja alguém nutrindo ressentimentos contra nós, manifestando inveja, ciúmes, ou malícia, empenhado em nos fazer uma competição sem trégua, ou onde quer que haja ameaça do poder temporal, ou falta de apreciação, ingratidão, diz-que, diz-ques, maledicência, ou rumores, a resposta deve ser sempre a mesma: Nada importa. 

O homem, cujo alento está nas suas narinas, não tem poder algum para fazer algo, ou ser algo! Visto que Deus é a mente do homem, e todo o poder está centralizado, e emana em Deus e de Deus, nenhum dos pilatos deste mundo tem poder sobre mim, a não ser que provenha do Pai que está nos céus.


Não seria estranho, ter o poder de Deus, e não obstante, ter medo do que o homem lhe possa fazer? 


Foi-nos dito que não devemos temer o que o homem mortal possa fazer: O Senhor está ao lado, não terei medo: que poderá o homem fazer contra mim? (Salmos 118:6) 


Isso não deverá ser interpretado como significando que estamos sentado aqui com Deus, mas que o inimigo não tem Deus; não significa que nós temos um Deus aqui para nos defender de algum poder maléfico, ou alguém, lá fora. 


Não. Significa que Deus é o único poder; e com a compreensão de Deus como o único poder, Deus torna-se, então, a única voz que pode ser ouvida.


Não existe do mundo nenhuma maneira pela qual possamos ser convencidos de que o mal não é poder, a não ser que possamos ver que existe um Deus, que Deus é, e que este Deus que é, é o único poder, e que este Deus é realmente a lei, o princípio, a substância do ser individual.


Só depois de você reconhecer Deus como ser individual, só depois que você possa ver Deus não só como bem universal, mas o bem universal individualmente manifestado, não só Deus como poder infinito universal, mas o poder infinito universal individualmente manifestado, só então poderá você olhar para toda e qualquer pessoa, e saber: o único poder que você tem é o de expressar a Deus, ou deixar que Deus se manifeste através de você.











segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A ATITUDE DO MUNDO PARA CONOSCO É O RESULTADO DE NOSSA REAÇÃO PARA COM ELE






Nas nossas relações com amigos, com a família, e membros da comunidade, muito cedo passaríamos a notar a diferença que iria fazer, se em vez de criarmos antipatias ou abrigarmos ressentimentos porque as pessoas não agem na forma como nós pensamos que deveriam agir – fossemos capazes de manter nossa equanimidade e equilíbrio espiritual, realizando, compreendendo, que o homem não tem poder de estar certo ou errado, de fazer a coisa certa ou errada, porque todo o poder reside em Deus, a ALMA DO HOMEM, A VIDA DO HOMEM.


Se em vez de reagirmos contra aqueles, que persistentemente tentam tirar proveito de nós, para com que os que são desatenciosos, remissos, ingratos, frios,nós nos elevássemos acima dessas sugestões e compreendessemos que não há ninguém, que pode dar ou reter o bem – ninguém que possa negar, recusar, reconhecimento ou cooperação – toda a situação mudaria.


Ao aplicar esse princípio, você fará a descoberta de algo que eu aprendi no meu ministério de cura, e que consiste no seguinte: a atitude do mundo para comigo é o resultado direto da minha reação para com ele. 


Em outras palavras, se eu for chamado, e me pedem auxílio para um caso de doença, e eu aceitar como uma realidade, e me deixar dominar pelo medo, ou pela dúvida, ou então começar a trabalhar com afinco para superá-la, a reação seria tão forte que a cura não se realizaria tão depressa. 


De fato, nem haveria cura até que eu pudesse me elevar acima de qualquer reação ao problema. 


De outro lado, quando vem um chamado, se eu me sentir numa posição suficientemente elevado no meu consciente para enfrentá-la com uma atitude: E então! o que é que ela pode fazer! Ela não tem poder, a não ser aquele que é recebido de Deus! 

Em si mesma, e de si mesma, uma miragem não tem poder de cobrir a estrada com água, e em si mesma e de si mesma, uma ilusão não pode fazer algo, nem ser algo e se essa consciência (essa-percepção da Presença) é minha única reação ao problema, a cura poderá ser instantânea, ou, pelo menos, será rápida.


Essa é a reação que se deve ter nos caos de injustiça, desatenção e ingratidão; sempre esse sentido de Que diferença faz? Não tem nada a ver comigo. - com o Eu que sou .. com o Cristo que sou .. 

Se há qualquer injustiça, não está dirigida a mim – está dirigida ao Cristo, e o Cristo encarregar-se-á dela. 

Se há uma ingratidão, não é para comigo – é uma ingratidão para o Cristo, e o Cristo sabe como lidar com ela. 

O Cristo que somos é inatingível e inofendível.








domingo, 18 de dezembro de 2016

VIDA ESPIRITUAL : É ABANDONAR O SENTIDO DE TER VIDA PRÓPRIA




Viver a vida espiritual significa abandonar o sentido pessoal, o conceito de personalidade, e chegar à compreensão de que a vida não é nossa, não é propriedade, mas que a vida que é nossa, é, na realidade a Vida de Deus expressa como nossa vida ou experiência individual. 


Essa é a verdade acerca de nossa vida, mas mais do que isso, essa é a verdade com relação a cada indivíduo na face da terra, tanto faz ele saber, como não. 

Nessa compreensão, nessa realização reside o princípio que pode ser de imensa importância nas nossa relações humanas.

Se temos que abandonar o sentido pessoal da vida, temos que aprender a morrer a cada dia para o homem velho, esse homem velho que esteve vivendo a sua própria vida, uma vida vivida estritamente de acordo com seus próprios desejos, e para seus próprios fins e interesses. 

Muitas pessoas viveram suas próprias vidas com propósitos altruístas, entretanto, não se pode concluir necessariamente que essas vidas foram vividas de acordo com a Lei Espiritual. O seu próprio altruísmo poderia estar eivado com certo fariseísmo ou falso virtuosismo, uma atitude rígida de ser bom humanamente, e fazer o bem humanamente. 


A vida espiritual, no entanto, é admitir que de mim mesmo nada posso fazer e que o homem, a criatura humana - o ser ilusório, não tem capacidade de ser tanto bom como mau.






sábado, 17 de dezembro de 2016

QUANDO O ESPÍRITO DO SENHOR É PERCEBIDO COMO O NOSSO SER , NÃO JULGAMOS PELA CARNE





Se julgarmos pelas aparências, estaremos sempre contemplando o pecado, a doença, a morte, a carência, a limitação, as guerras e as restrições de toda espécie; e seremos por eles limitados, porque estaremos sofrendo de nossa própria crença naquilo que contemplamos.

Quando o Espírito de Senhor Deus está sobre nós, porém, é-nos dado discernimento para não julgar segundo as aparências. 

Aí então, quando formos chamados para qualquer tipo de ajuda, seremos capazes de nos sentar em contemplação e meditação, e perceber: Pai, é o Vosso Espírito que vivifica; é o Vosso Espírito que revela a verdade bem ali onde está o quadro do erro. Que eu ouça a Vossa palavra.

A parte mais difícil desta senda é chegar-se ao ponto de compreender que não somos curadores nem agências de empregos, mas que nosso trabalho se situa no nível espiritual, esse nível de discernimento no qual, por estar sobre nós o Espírito de Deus, sabemos que o estropiado não pode ser estropiado porque Deus não o fez estropiado, e Deus é o único poder que existe. 


Sabemos que cego não pode ser cego porque Deus não o fez cego, e não existe outro poder além de Deus.


Não pode haver um pecado, nem uma doença, porque Deus não criou o pecado nem a doença, e Deus é o único criador. Isto não o sabemos com a mente humana.

Não podemos saber estas coisas com pensamentos humanos; não podemos sequer acreditar nelas.

Quando estamos espiritualmente ordenados e o Espírito do Senhor Deus está sobre nós, no entanto, nos é possível perceber que ninguém é um ser humano: todo mundo é divino, todo mundo é o filho de Deus.

À luz dessa compreensão, podemos ver através da aparência, e então aqueles que vieram a nós respondem, “sinto-me melhor: estou melhor”.

Nosso discernimento espiritual enxergou através da aparência, e o que jamais poderíamos fazer como ser humano, o Espírito de Deus pode fazer por nosso intermédio.

Pode levar meses e anos para que se atinja essa realização do Espírito – não que vá levar anos para que o Espírito venha sobre nós – mas, quando Ele vier a nós, será apenas um Bebê, e teremos de cuidá-lo e alimentá-lo. 


Teremos então de coabitar secreta e sagradamente com ele até que, pelos Seus frutos, outros comecem a notar que há algo mais do que carne em nós. 


Que será esse algo mais? O Espírito de Deus que habita em nós.