quarta-feira, 5 de julho de 2017

A GRANDE EVIDÊNCIA DA PRÁTICA NATURAL DE UMA VIDA ESPIRITUAL por JOEL S. GOLDSMITH


A ARTE DA MEDITAÇÃO - CAPÍTULO 2




                       A FINALIDADE


Os caminhos A todos os homens se destinam uma estrada elevada e uma estrada rasteira. Cada homem decide sobre o caminho que seguirá sua alma. John Oxenham




O propósito da meditação é alcançar a Graça Divina. Uma vez conseguida ela dirige nossa experiência, vive nossa vida, executa os labores a nosso cargo, retifica os caminhos tortuosos, já não vivemos só pelo pão, mas, pela Graça Interior. Suprimento, relacionamento satisfatório, êxito nas atividades profissionais, capacidade creadora, são efeitos tangíveis da Graça. Não poderemos recebê-la, porém, se a considerarmos um meio para alcançar fins lucrativos, se a procura tiver o intuito de conseguir a posse de algo ou de alguém. 

A meditação jamais deverá ser praticada com o propósito de obter resultados, seja um automóvel, mais dinheiro, ou, melhor situação. Sua única finalidade deve ser a conscientização da presença de Deus. 


Na meditação Deus se revela como vida individual. Ele é a fonte da qual derivam todos os bens e, desde que seja alcançada a experiência da sua presença, onde houver necessidade surgirá suprimento. Falharemos sempre que estivermos visando conseguir algo à parte, separado de Deus. Deus é o próprio bem. Orar ou meditar por pessoas ou coisas materiais anula o propósito da meditação. Diz a Escritura que o homem comum recebe as coisas de Deus. Quem é o homem comum senão o ser humano, o filho pródigo, mergulhado ainda na ilusão das facticidades, a orar por coisas materiais, pessoais? Rezamos para pedir dinheiro, mais bens, não oramos para diminuir o que já temos, essa, de fato, seria uma oração espiritual. Deus não toma conhecimento dos rogos feitos para aumento da materialidade. Comumente, nossos desejos humanos, mesmo quando realizados, nos deixam insatisfeitos, porque como seres humanos falta-nos sabedoria para conhecer as coisas que realmente nos são necessárias. Só o Pai dentro de nós é plena sabedoria e amor. Oração eficiente é aquela dirigida a Deus em espírito, deve, portanto ser de natureza espiritual aquilo por que oramos. 


Lembremo-nos disso toda vez que nos dirigimos a Deus na meditação, avaliando a qualidade de nossa meditação pelo grau de iluminação espiritual de que ela se reveste. “Eu vim para que eles possam ter vida e a tenham em maior abundância”. É uma promessa de realização; certifiquemo-nos, porém, de que aquilo que estamos pedindo é de ordem espiritual, não devemos orar a um Deus espiritual para cultivar o nosso aspecto humano. 


Devemos obedecer à orientação do Evangelho e deixar que o espírito dentro de nós testemunhe, “pois não sabemos o que devemos pedir para nossas necessidades, mas o Espírito intercede por nós...” 


Realmente, não somos nós que oramos ou meditamos, cabe-nos, apenas, abrir a consciência para que o Espírito, dentro de nós, revele nossa necessidade e providencie o suprimento. Aí está o segredo, muito diferente do trabalho mental de declarar ou afirmar que isso ou aquilo deve ocorrer agora, nesse minuto. Ao contrário, meditando, nossa atitude deve ser aquela do humilde hebreu: “Fala Senhor, para que seu filho ouça”. Esta é a verdadeira atitude para a prática da meditação. Alargar a consciência e permitir que Deus cumpra Sua palavra dentro de nós, não a nossa palavra, mas a Palavra de Deus, viva aguda, poderosa. Ela não ecoará em vão, no vazio. 


O verdadeiro aspirante à Senda espiritual tem um único desejo legítimo: a conscientização da presença de Deus, a experiência do Cristo na própria consciência. “O Pai dentro de mim faz o trabalho”. O Pai está dentro de mim, está dentro de vós; por que então os trabalhos são executados? Há uma condição necessária – a consciência da Onipresença. Dentro de nós está a atividade de Deus, o Poder de Deus. Nós, porém, formamos um estado de consciência ilusório constituído por camadas de facticidades. Não tivemos êxito em transpor essas camadas de materialidade e atingir o Centro Divino no nosso íntimo e enquanto isso não acontecer, falharemos em nossa meditação. 


Muitos de nós buscam Deus, conservando da vida uma perspectiva falsa, puramente material. Interessados que o coração pulse tantas vezes por minuto, que os órgãos da função digestiva e eliminatória funcionem devidamente e que nossa provisão de dinheiro seja suficiente, plenamente convictos de que no mundo é possível encontrar-se completa satisfação; para isso corremos atrás de mais dinheiro, acreditam outros que a fama é a resposta aos seus anseios e outros mais, que a sua felicidade reside na boa saúde. 


Quantas vezes ouvimos: “Se ao menos eu melhorasse dessa dor... poderia iniciar minha busca de Deus”, ou “se estivesse em melhores condições financeiras sobrar-me-ia paz para fazê-lo”. 


Desse modo, fica a conscientização da Presença de Deus dependente de condições físicas ou econômicas. A prova do contrário é verificarmos que muitos possuidores de milhares e milhões ainda não descobriram Deus e muitos que gozam boa saúde também não encontraram paz e felicidade. 


Vejamos agora o reverso do quadro: Dedicamo-nos à busca incondicional de Deus, observaremos que ao encontrá-la as dores desaparecem, os pecados se desvanecem e nossos horizontes se ampliam. 


Enquanto estivermos empenhados, apenas, em trocar discórdia física por harmonia, física, não teremos idéia do que seja o Reino de Deus, da riqueza Espiritual, da saúde Espiritual. 


Devemos iniciar a meditação com a convicção de que nem riqueza, nem saúde são motivos determinantes para nossa busca a Deus. Todo anseio por coisas ou pessoas dificultará, adiará nossa entrada no seu reino. 


A firme convicção de que a meta que visamos é a conscientização da Presença de Deus abrirá o caminho e nessa realização “todas as coisas nos serão acrescentadas”, ou melhor, elas já estão incluídas dentro de nós. 


O verdadeiro objetivo é a conscientização do Reino para nosso desenvolvimento individual, testemunhando perante o mundo que Deus é o Eu individual e que esse estado de consciência pode ser alcançado por todos aqueles que decidam desapegar-se das coisas terrenas. Isso não quer dizer que devamos isolar-nos em lugares remotos, quer dizer que devemos abandonar os desejos pelos objetos que o mundo oferece. Como aspirantes à sabedoria espiritual cabe indagar qual o melhor caminho e se existe algum para conseguirmos essa realização do verdadeiro Eu. Existe alguma via que conduza à conscientização de Deus aqui na terra? A resposta é Sim. Não só existe um caminho, como existe um caminho curto, simples e ao mesmo tempo difícil. Praticar em nosso próprio corpo um ato de cirurgia mental que elimine todos os desejos por pessoas, lugar, coisa, circunstância ou condição. Com afiado bisturi mental, devem esses desejos, ser extirpados e que apenas um permaneça. “Conhecer a Ti”. 


O conhecimento que conduz à vida eterna. Empenhemo-nos de todo coração, alma e mente, na realização da Presença de Deus e não na obtenção de alguma forma de bem. Ao alcançá-la, passaremos a gozar de todas as coisas da vida sem a elas nos escravizarmos, sem a elas nos prendermos, sem temor de perdê-las. Jamais alguém que alcançar o contato com o Cristo perderá sua riqueza, sua saúde ou sua vida. Seja esta nossa oração: Uma coisa tenho desejado, poder conhecer-Te. Uma coisa! Brada meu coração: “Deus, revela-Te a mim. Não me preocupa que o faças na riqueza ou na saúde, na pobreza ou na doença. Apenas revela-Te. Em Tua Presença haverá segurança, sossego, paz e alegria”. 


Na meditação nada mais buscamos além da Graça de Deus; ela não é encontrada na mente humana nem é encontrada na paz que o mundo oferece (armistício). Simples afirmação e leitura de livros não a produzem. Podem servir de incentivo e nos conduzir a uma esfera de vibração silenciosa em que nos preparamos para receber a Graça de Deus, mas só a meditação nos eleva a um estado de receptividade espiritual no qual advém a Graça Divina. “Se isso acontecer de modo que o Espírito de Deus conscientemente habite em nós”, então tornamo-nos filhos de Deus. Como seres humanos estamos afastados de Deus e por essa razão não obedecemos a Sua Lei nem experimentamos as bênçãos de Sua presença. 


Nós nos afastamos do lar Paterno e diluímos nossa filiação divina na manifestação pessoal do ego. Para efetivarmos nossa filiação divina precisamos seguir o caminho de volta à Casa do Pai; aquela mesma jornada feita pelo filho pródigo para que possamos vestir o manto e receber novamente o diadema e o sinete de filho. Como poderemos tornarmo-nos filhos de Deus? Como despertar o Cristo que sempre foi, é e será a nossa verdadeira identidade e que se encontra dormente dentro de nós? Executar essa tarefa requer esforço. Precisamos abandonar todos os velhos conceitos ou preconceitos de vida “por causa de minha reputação”. Devemos nos levantar da mesa do banquete, deixar para traz pensamentos, pessoas e atividades do mundo e retornar ao Pai. É próprio do ser humano ser indulgente consigo mesmo. Bem-estar, conforto, riqueza, intemperança, glutonaria, indolência e sensualidade agem sobre a consciência como sentimentos separatistas de Deus. 


Na realidade, essa separação não ocorre, como sucede ao anel de ouro que não pode ser separado do ouro de que é formado. Ouro é o anel, ouro é a substância que o constitui, não há meio de remover o ouro do anel sem destruí-lo, pois não há duas coisas como ouro e anel, mas somente “um anel de ouro”. O mesmo acontece conosco; não podemos nos separar de Deus porque na realidade não há dois: Deus e eu. Não existe no mundo tu e eu como indivíduos isolados. Sendo Deus Infinito, Deus é tudo o que é. Deus é tu e eu, nossa vida, nossa mente, nossa alma, nosso ser; exatamente como o ouro que constitui o anel. Ouro é a substância, anel é a forma; Deus é a substância, o indivíduo é a forma pela qual Ele se manifesta. É a essência do nosso ser – vida, alma, mente, espírito, lei, atividade; Deus é tudo no indivíduo, seja ele santo ou pecador. 


A manifestação de santidade apresentada por um indivíduo depende totalmente do grau de conscientização de unidade com o Pai; do mesmo modo, a manifestação de pecado num indivíduo, depende do grau, do senso de separação que ele admite. Não somos, porém, os seres humanos que parecemos ser: somos puros seres espirituais. Não que haja em nós dois seres separados – humano e espiritual; nós não podemos nos separar de Deus, todavia, como homens, podemos manter esse senso de separação. Decrescendo esse senso de separação a filiação divina passa a revelar-se. 


A volta do filho pródigo se processa integralmente dentro de nós, dentro de cada um, como atividade da consciência. Entramos na senda espiritual no momento em que dirigimos nossos passos rumo a Deus, a nosso Pai. E ninguém se vanglorie, se não fosse pela Graça de Deus, ninguém atingiria a realização de sua filiação divina. 


Na experiência de cada um, chega o momento em que nos sentimos penetrados por um raio de luz divina. Sentimos um toque, um lampejo que descerra uma janela em nossa consciência, não por causa nossa, mas apesar de nós. 


Quando isso acontece, o próximo passo é inevitável – encontramos o caminho reto que conduz ao trono de Deus. Para o homem comum parece algo impraticável, na vida efêmera, intangível. 


Na realidade, porém, o Espírito de Deus é o que há de mais tangível no mundo. Uma vez conscientizada a Sua presença, as contas bancárias, os nossos negócios, os bens que possuímos, nossas próprias relações colocam-se em seu lugar certo como símbolos externos da Graça, como efeitos do Espírito. São esses símbolos ou efeitos que mudam; enquanto os homens viverem somente pelo pão, imersos na simples atividade humana, enquanto dependerem exclusivamente de símbolos. 


Um dia descobrirão que as posses humanas rápidas se esvaem, se consomem, se tornam nada. Observamos os resultados da dependência às coisas materiais quando olhamos as faces das pessoas que vivem a elas apegadas, pondo sua segurança na saúde de seus corpos, na riqueza de seus talões de cheques, nas coisas deste mundo. Contrastando com essas figuras, outras existem aqui e ali, cujas vidas esperançosas decorrem iluminadas por uma luz interior, espiritual, facilmente percebida; vemo-las nos olhos, ouvimo-la na voz, observamo-la na vitalidade, no vigor do corpo. Ainda que invisível essa presença está dentro de cada um de nós, não há coisa alguma fora dela. Essa Presença pode ser percebida por aqueles que têm olhos para ver, ouvidos para ouvir, isto é, os que estejam receptivos à Graça Divina. 


O propósito único de nossa existência é tornarmo-nos instrumentos através dos quais possa expressar-se a Glória de Deus. Jamais devemos ficar preocupados na tentativa de expressar nossa individualidade. 


Nosso empenho deve consistir na atitude permanente de permitir que através de nós se manifeste o Infinito Invisível. Não vacilemos no esforço de buscar essa glória e cada vez que meditarmos, digamos assim: Pai, “de mim mesmo nada posso fazer... Minha doutrina não é minha, mas d’Aquele que me enviou”. 


Não tenho sabedoria, Pai, não tenho opinião, não tenho saúde, não tenho riqueza. 


Aqui estou tranqüilo para permitir que dentro de mim flua o Infinito. Nossa função consiste em habitar nessa zona de realização interior e nos empenhar que surja a harmonia pela conscientização da presença do Cristo dentro de nós. Ele, então, se exterioriza como um ser humano mais rico, mais sadio, melhor. Mas não nos iludamos com as aparências, pois não estamos à procura de uma alteração no quadro humano. Meditação não é tentativa de transformar doença em saúde, carência em abundância. 


A nossa visão deve sempre se manter no Cristo Invisível que habita no centro do nosso ser, aqui e agora. Qualquer meditação que inclua qualquer desejo de alcançar alguma coisa de Deus não é meditação. 


O bem tem que ser realizado e não conquistado. A infinitude do bem já está onde eu estou, pois o Reino de Deus está dentro de mim. 


A presença e o poder de Deus interpenetram o nosso ser como o perfume na flor, quando desabrochamos espalha-se a fragrância. Cada um de nós tem dentro do próprio ser a totalidade de Deus, não apenas uma parte Dele que é Infinito, Indivisível. 


A totalidade de Deus está tanto em uma folhinha como em todos os seres na face da terra. Se não fosse assim, teria havido menos de Deus, no globo terrestre, quando sua população era somente 10% da atual e pelo mesmo motivo teria de aumentar a população. 


Havia tanto de Deus há milhões de anos como continuará a haver daqui a muitos milhões. A infinitude de Deus está no indivíduo, por isso se diz que um Cristo pode conduzir aos céus milhões de pessoas. Um Cristo é um filho individual, Infinito de Deus, manifestando tudo o que Deus é. “Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que tenho é teu”, estas palavras não são dirigidas a um grupo, mas a um indivíduo, Deus em sua Infinita totalidade está encarnado no Filho de Deus, manifestação de nossa identidade espiritual. 


Inicialmente, aprendemos pelo autoconhecimento, a interiorização no Centro Divino, depois permitimos que o perfume que jaz latente se evole, se exteriorize como transbordamento visível do Cristo interno invisível. É a magnitude de Deus que aparece individualizada. 


Quando não mais estivermos interessados na paz que o mundo não pode dar, mas buscarmos, tão somente nossa paz, abrir-se-ão as janelas da consciência espiritual e por elas irá penetrar a luz que se tornará a vida de nosso corpo, de todo nosso ser. 


Muitas pessoas desejam a vida espiritual para alcançar poderes, fenômenos, experiências. Como compensação pela busca de Deus pretendem gozar mais e melhor as coisas terrenas, apanhar em suas redes maiores e melhores peixes. Porém, o fundamento de nosso trabalho deve ser: “abandonar as redes”, desprezar esse tipo de busca e abrir a consciência para a realidade espiritual. 


Então, os objetos externos nos acontecem porque eles são o fruto da Graça interior e esta só pode ser alcançada no silêncio, em estado de grande receptividade. Compete a cada um preparar-se devidamente para o advento dessa experiência – o reconhecimento da Graça. Esse é, na íntegra, o propósito da meditação. 


A intensidade da força e poder que fluem através de nós é uma conseqüência da Graça Divina. O alvo final é a iluminação que só alcançamos pela Graça, não por esforço próprio. 


Assim, alguns lutarão até esgotarem as forças e não obterão; outros poderão alcançá-la fácil e rapidamente e uns poucos, ainda romperão todas as cadeias com o advento da consciência crística. Essa experiência, porém, só é alcançada através da Graça – seja qual for o grau em que ela aconteça, nada mais do que uma manifestação da dádiva divina. Ela não vem porque a conquistamos, não vem porque a merecemos nem porque somos humanamente bons. 


Na verdade, muitas vezes ela visita um pecador, pois sua luta íntima, o anseio interior pode ser mais ardente do que a de um indivíduo, apenas humanamente bom (bondoso) e o vácuo do pecador poderá atrair a plenitude divina e ele será, quem sabe, altamente compreendido. 


A única coisa pela qual somos responsáveis é a alimentar constantemente o desejo de alcançar a experiência crística e que esse desejo se expresse na sinceridade do nosso estudo, no aprofundamento de nossa meditação e devoção. Essa é a parte sob nossa responsabilidade. 


A experiência Crística é exclusivamente, dádiva de Deus, ninguém a merece e ninguém sabe também por que uns a recebem e outros não. 


Há um período na senda espiritual em que o devoto percebe que a alma se abre na experiência da iniciação. Pode ser provocado por algo que se ouviu ou leu, pelo contato direto com a consciência de um mestre espiritual. 


Quando a consciência espiritual sobrevém, o aspirante já não precisa de outras fontes fora dele mesmo; todo seu aprendizado, sua iluminação, seu poder curador, passam a fluir dentro dele mesmo. A partir desse instante, ao longo do caminho, ele é uma benção para os outros, distribuindo cura e conforto. 


Quanto mais ele submerge no Espírito, tanto mais pode despertar nos outros qualidades messiânicas – Se eu me elevo arrasto comigo os que me cercam. Na proporção que um indivíduo recebe luz espiritual, essa luz se torna lei para todos que se encontrem dentro de sua órbita. 


Assim, seja qual for o grau, tornamo-nos luz para todos os que se ponham em contato com a nossa consciência. E para o curador espiritual é essa luz em sua consciência que acarreta a cura. É esse o propósito da meditação; oxalá cada um consiga alcançar essa luz através da experiência crística. Uma vez conseguido o contato com nosso íntimo Ser, já não poderá haver homens, condições ou circunstâncias que nos escravizem. Somos livres em Cristo e podemos dizer: Cristo vive em mim. Que diferença faz haja períodos de prosperidade, de aridez, de secas ou inundações? Cristo vive em mim. Ele me guia através das águas tranqüilas; escolheu-me para repousar em verdes campinas. Poderão mil cair à minha direita, dez à minha esquerda; a mim nada sucederá. Eu sintonizo com o Cristo e todos os dias morro para minha personalidade; estou renascendo pelo espírito, sendo guiado, dirigido, alimentado, mantido, sustentado e salvo por esta luz íntima de iluminação interior. Todo o segredo consiste em despertar o Cristo dormente dentro de nós e esta é a finalidade da meditação.











terça-feira, 4 de julho de 2017

A ARTE DA MEDITAÇÃO - CAPÍTULO 1

                                                                   
                                                        O CAMINHO 



Muitas pessoas estão convencidas da existência de um poder divino, que de certo modo atua sobre os labores humanos, porém não estão seguras do que se trata nem sabem como levar esse PODER e essa PRESENÇA DIVINA para sua experiência cotidiana. 

Tempo houve em que os homens se contentavam em crer em um Deus habitante de um céu remoto, um Deus que eles esperavam encontrar após a morte. Moderadamente, poucos se satisfazem com esse limitado conceito de Deus. 

O mundo está cheio de discórdias e agora surge a pergunta: “Se existe Deus, por que Ele permite o pecado, a doença, a guerra, a fome, o infortúnio? Como podem existir esses males se Deus é bom, se Deus é Vida, se Deus é Amor? Como podem coexistir esse tal Deus e os horrores da experiência humana?”. 

Através dos tempos tentou-se decifrar esse enigma; mas não há solução, não há resposta a essa pergunta angustiante, a não ser esta: que o mundo não conhece Deus. 

Se a humanidade tivesse perfeita compreensão de Deus, discórdias e desarmonia desapareceriam do mundo; a nossa ignorância de Deus é a causa dos males que nos acompanham em nossa vida. 

Quando entramos em harmonia com Deus encontramos o segredo de uma existência harmoniosa. Em todos os tempos os povos têm buscado liberdade, paz e fartura; essa busca porém tem sido feita, principalmente, através da febril atividade da mente humana. Prazer e satisfação têm sido provocados artificialmente e devido a esse artificialismo não são permanentes ou reais. Liberdade, paz, plenitude, são condições da Alma, não são dependentes das circunstâncias. 

Houve homens que foram livres mantidos em algemas, livres no meio da escravidão e da opressão, encontraram a paz em plena guerra, sobreviveram aos flagelos e fome, prosperaram em períodos de depressão e de pânico. 

Quando a alma do homem é livre, ela o conduz através de Mares Vermelhos e experiência no deserto à Terra Prometida de paz espiritual. 

Quando conscientizamos a presença do Reino de Deus no nosso íntimo Ser descobrimos também a manifestação do Poder Divino no mundo exterior. 

Quando buscamos a paz interior encontramo-la também lá fora na harmonia externa. Ao atingirmos a profundeza da nossa alma, deixamos que ela tome conta de nossa existência, dando a nossa vida novo cunho de paz e serenidade como jamais havíamos sonhado; é então que alcançamos a liberdade da alma, privilégio da Graça. 

Através de todos os tempos sempre houve pessoas espiritualmente dotadas: os místicos da humanidade que experimentaram a união consciente com Deus e manifestaram na vida cotidiana Sua presença e Seu poder. 

Sempre houve um Moisés, um Elias, um João, um Paulo, mas nenhum deles teve muitos seguidores, nenhum deles foi amplamente conhecido, nem seus ensinamentos foram intensamente praticados na época em que viveram ou anos após. 

Esses mestres espirituais devotaram suas vidas a semear a verdade que conduziam muitas almas receptivas ao estado de consciência que ora vivera. A luz que hoje nos ilumina deriva daquela luz projetada por eles e tem atravessado os tempos. 

Há muitos mestres espirituais sobre os quais nada sabemos, líderes de séculos passados e de épocas mais recentes: Moisés, Elias, Jesus, João e Paulo, já mencionados; Eckhart, Boehme, Fox, e muitos outros luminares de todas as épocas. Cada um desses apareceu como um raio luminoso, contribuindo para a totalidade da luz, emanada da Fonte Única. Todos esses líderes concordam com os princípios básicos que nós conhecemos: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o seu coração, farás aos outros o que quiseres que te seja feito; não matarás, não roubarás, não cometerás adultério”. Eles não prescreveram que fôssemos da mesma nacionalidade, da mesma cor, do mesmo credo. Ensinaram o princípio do amor e da cooperação. Fosse o amor realmente praticado e vivido pelos milhões que dizem aceitar os ensinamentos do Cristo e as guerras não existiriam. 

É paradoxal que há milhares de anos perdure a revelação dessas verdades e a discórdia e a violência continuem a ser a força que move o mundo. Com esse vasto repositório de sabedoria, era de se esperar que depois de decorridos tantos séculos, o mundo passasse a desfrutar maior liberdade e abundância. 

Porém os princípios desses ensinamentos nem sempre foram praticados como haviam sido revelados, ao contrário, foram cristalizados em ritos e formalismos e gradualmente adulterados, descendo ao mais baixo nível do pensamento humano, em vez de conduzirem o homem às culminâncias de uma visão da Verdade. 

O princípio original ensinado pelo Mestre cristão revela que o Reino de Deus, a Presença. O Poder de Deus, estão dentro de nós. A essa Presença e Poder, Jesus chamava PAI... Não sou eu é o Pai que habita em mim que faz as obras. Paulo exprimindo-se de outro modo diz: Posso todas as coisas no Cristo que me fortalece. Seja qual for o nome porque o chamamos: Deus, Pai, Cristo, é dentro de nós que Ele deve ser encontrado. 

A natureza divina deve ser buscada não em montanhas sagradas ou no templo de Jerusalém, mas sim dentro de nós mesmos. Se acreditarmos firmemente nisso, teremos o desejo de afastarmo-nos do mundo por algum tempo para nos colocar em contato com o Pai. 

Desde que passamos a reconhecer que o nosso bem é o bem de Deus, damos descanso ao raciocínio, ao pensamento, à mente que planeja e começamos a escutar a voz suave e silenciosa, sempre atentos ao anjo do Senhor, ao Cristo em nós, ao Pai em nós que nunca nos abandona. 

Esta auscultação é a arte de meditar cujo aprendizado conduz a um ponto em que a busca da Verdade deixa de ser uma especulação analítica da mente para intuir diretamente ao coração. Em outras palavras, não mais subsiste a análise intelectual sobre a Verdade, pois temos a certeza intuitiva da Realidade Divina como uma presença viva dentro de nós. 

Todos conhecem a palavra “Deus”, mas poucas pessoas no mundo conhecem Deus. Para a grande maioria, Deus permanece uma palavra, um termo, um poder fora de nós, não se converteu numa Realidade viva, exceto para uns poucos chamados místicos. A meditação nos leva a uma experiência pela qual sabemos que Deus é tão real como é certo estarmos lendo este livro. 

Se todos os jornais do país publicassem em vistosas manchetes, a afirmação que nós não nos achamos agora neste lugar, essa publicidade não modificaria em nada a nossa certeza de estarmos agora nesse lugar. Deus é tão real, tão presente como nós somos presentes e reais a Deus e Deus pode ser conhecido por nós, assim como nós somos conhecidos de outros e de nós mesmos. 

A partir do momento em que percebemos Deus através de nossa experiência, nossa vida se transforma graças à libertação de nossa individualidade. Ficamos possuídos do sentimento de que algo opera dentro de nós, através de nós e para nós. Algo muito maior do que pensamos. Essa tem sido a experiência de todos os místicos que realmente conheceram Deus, sentiram a presença de Deus, então Deus se tornou um poder dinâmico em suas vidas. 

O mundo conta com raras pessoas assim e se houvesse um número maior de pessoas com essa experiência talvez fosse suficiente para salvar o mundo. No místico a consciência da presença e poder de Deus não é mera admissibilidade, não é simples afirmação e sim, um produto da experiência, é uma realidade viva. 

Nossa busca, nossa procura do Reino de Deus é uma demonstração de fé na presença e no poder de Deus, é uma crença firme, mesmo ainda sem a experiência individual da Realidade. Só aqueles que alcançaram convicção interior são impelidos a essa busca. Os que assim procedem, apesar de não terem ainda atingido a experiência, guardam uma íntima certeza e dizem em seu coração: este é o caminho de Deus. Assim se inicia a busca por diferentes meios. O modo de começar essa busca depende da nossa vivência passada. Existem os que começaram em igrejas dogmáticas, esses obtiveram lá mesmo a resposta, descobriram o Reino de Deus dentro de si e continuaram a colaborar nas suas igrejas como forma de serviço e às vezes, como forma de gratidão. 

Alguns encontraram Deus palmilhando através do intelecto; outros ainda, por meios puramente intelectuais, há também os que se valeram de ensinamentos, combinando o intelecto com o espírito, graças à leitura de livros edificantes e graças a mestres, santos e videntes que nunca deixaram de existir entre os chamados – vivos. Uma coisa é ouvir falar sobre a verdade através de livros e conferências, através de teorias e citações; outra coisa muito diferente é conhecê-la pela meditação, pela conscientização quando o verbo se enraíza no ser individual e se expressa em frutificação espiritual. “Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, resignação e benevolência, bondade e fé”. É matematicamente certo que ao atingirmos a conscientização do Cristo interior, quando somos tocados pela experiência interna da alma, a frutificação espiritual se exterioriza em forma de harmonia, inteireza, plenitude e perfeição. 

É propósito deste livro, auxiliar os adeptos na prática da arte de meditar pela qual o Verbo lança raízes, de modo que venham a alcançar a consciência da presença de Deus e passam a viver realmente na dimensão do Espírito. 

Nosso objetivo é atingir a estatura daquele Espírito que estava em Cristo Jesus e deixar que ele faça o que quiser; é alcançar a experiência revelada por Paulo: “Já não vivo eu, é o Cristo que vive em mim”, ou “Eu posso fazer tudo através do Cristo que me fortalece”. Em outras palavras, a atividade do Espírito se manifesta através de nós e nos governa; já não somos bons nem maus, doentes ou sadios. Nesse estado de consciência alcançamos um estágio que transcende os pares de opostos, inexistentes na sabedoria espiritual. 

Aquietamo-nos e nos afastamos da luta pelas coisas terrenas: DEUS É, e assim sendo não há mais preocupação de nossa parte sobre como alcançá-lo, já que nada existe que nos force a fazê-lo. Dia bonito, frutos amadurecendo nas árvores, plantas florescendo, sol, lua e estrelas em seu eterno e silencioso percurso – existe harmonia. Nesse estado de consciência espiritual, afastamo-nos da luta pelas coisas terrenas. “Que esse espírito vos possua, o mesmo que estava em Cristo Jesus e O elevou dentre os mortos e também vivificará vossos corpos mortais por seu espírito que habita em vós”. 

Devemos nos esforçar para alcançar essa mentalidade, mas isso não se consegue apenas falando, afirmando, ensinando e pregando; requer esforço e acima de tudo a Graça de Deus; esse é o fator mais importante sem o qual falece a força para prosseguir na senda que conduz à realização divina. Abandonado, sozinho diante dos árduos degraus a serem escalados, ninguém ousaria sequer iniciar a busca. 

Há uma área da consciência revelada na meditação, podemos chamá-la: Oceano do espírito, Alma Universal ou Pai em nós. Imersos neste estado de consciência, sentimo-nos “um com Deus”, com a creação, com todos os seres espirituais. Em contato com o Oceano do Espírito - o Pai em nós, percebemos a manifestação do Amor Divino e sentimos que já não vivemos pelo esforço pessoal, somos conduzidos pela Graça. Em vez de procurarmos o nosso bem em pessoas ou coisas, penetramos na Alma Universal e nos tornamos espectadores de Sua atividade, vemo-la expressar-se em idéias que se concretizam em forma do bem necessário à nossa experiência. Somente quando aprendemos a olhar dentro do Infinito Invisível é que começamos a compreender a natureza da Graça. Em vez de desejar algo já existente como forma ou efeito, aprendemos a nos dirigir “para dentro” e permitimos que nosso bem flua da Fonte Divina, do Infinito Invisível. Que o comerciante e o profissional percebam o Divino dentro deles; que o doente e o pecador busquem a cura e a perfeição dentro deles mesmos. Que cada um de nós esteja sempre alerta a observar o desabrochar da consciência em formas mais novas e mais ricas do bem, demonstrando a abundância da vida pela Graça. Devemos buscar nosso bem na Infinitude do nosso próprio Ser, no Reino de Deus dentro de nós. Tocando aquele centro o Pai revela nossa herança de co-herdeiros com Cristo de todas as riquezas celestiais. Isso é viver pela Graça, dádiva de Deus. Assim vivem seus filhos, compreendendo que a alma é o repositório eterno de todos os bens e permitindo que a atividade do Cristo se manifeste em nossa experiência. O segredo da Graça reside no contato com o Infinito Invisível – o centro Universal de nosso ser, dentro de cada um. Esta é a experiência da presença do Cristo na literatura mística chamada iluminação, Consciência Cósmica, Consciência Crística que no Evangelho recebe o nome de “renascimento pelo espírito”. 

A leitura de livros inspirados, edificantes, acrescida da meditação constante é o caminho que leva à comunhão com o Pai, atraindo para nossa consciência esse “toque do Cristo”. Com a mente repousada em Deus, ocorre às vezes, auscultar uma voz, aí percebemos que Ele executa aquilo que a nós cabia executar. Os que alcançarem esse estado de iluminação, já não terão problemas em sua existência, uma vez que passarão a ser alimentados, vestidos e alojados pela Fonte Infinita da Vida que chamamos Cristo. Esse estado de Graça não pode ser convenientemente descrito, já que ele se manifesta de formas diversas nas diferentes pessoas, porém os que recebem essa Luz compreendem a experiência dos iluminados de todos os tempos. 

A atividade do Cristo que resulta na vida pela Graça não se limitou ao passado; nos tempos atuais muitas pessoas adquiriram essa experiência e passaram a viver jubilosamente, vidas de beleza, saúde, harmonia, pela Graça. Embora a Verdade esteja acessível a todos, a Iluminação Espiritual será alcançada, apenas, por aqueles que, fervorosamente, a buscarem. “Habitua-te à presença de Deus dentro de ti e permanece na paz”. O conhecimento da presença do “Pai dentro de nós” é o começo da vida pela Graça. Viver pela Graça capacita-nos a executar maiores trabalhos, a colher melhores resultados em todas as atividades. Esse impulso espiritual, essa orientação divina, permite-nos despreocupar-nos com nossos assuntos pessoais, com os de nossas famílias ou de nosso país. 

A libertação do medo, da angústia, do perigo, das carências sobrevém somente quando surge o Confortador. A voz da Verdade fala dentro de nós e entramos em “paz repousante” a despeito de todas as tempestades necessárias à nossa experiência. 

É como se houvesse uma Presença sempre à nossa frente a “retificar os caminhos tortuosos, a fertilizar os desertos, abrir as portas da oportunidade e do serviço”. Ora, como a atividade do Cristo se manifesta através do crescente poder espiritual, nossa fé e confiança aumentam, proporcionalmente com a manifestação desse poder. Firmes nessa convicção íntima, fazemos cessar todas as formas de discórdia a passamos a viver, não pelo poder da força, mas pela força do Espírito, pela Graça. Neste mundo, poucos já nasceram com alguma percepção da Consciência Cósmica, mas qualquer um, com perseverança, dedicação e fidelidade, poderá desenvolver e cultivar “aquele Espírito que vivia em Cristo Jesus”. Isso requer devoção, determinação, receptividade para reconhecer e aceitar o Cristo quando Ele tocar nossa alma, despertando-a para uma “vida nova”. 

No silêncio de nosso Ser, Cristo fala e nós auscultamos: “Não deixarei, não te abandonarei... ficarei contigo até o fim dos tempos”. Essa consciência da presença de Deus é desenvolvida pela perseverança, na quietude do silêncio, na abstenção do uso do poder mental ou físico para que o Espírito possa agir. “Acalma-te e sabe que Eu Sou Deus”. “Pois, pela Graça vos salvareis através da fé; não por vós mesmos: é uma dádiva de Deus...” Pela Graça vos salvareis. 





segunda-feira, 3 de julho de 2017

ORIENTAÇÃO EM MEDITAÇÃO por JOEL GOLDSMITH COMUNHÃO COM O TODO

Silêncio e Paz como chave para perceber o Espírito de Deus




Paulo de Tarso experimentou a paz como a "descida do Espírito", isto é, como a descida do Espírito de Deus no homem.

Essa expressão é usada para descrever que quando estamos em silêncio, Deus preenche nossa consciência muito mais do que quando nossa mente está em atividade.

É-nos difícil imaginar esse estado de ser, porque estamos habituados com a ideia de que precisamos estar sempre pensando, ou que necessitamos reter algum pensamento. Isto não é verdade. Se pudermos ficar em silêncio por meia hora, mas em verdadeiro silêncio, estaremos no céu.

Silêncio é Deus em ação. Portanto, quando se nos depare algum problema, nosso ou de outrem, deveremos ficar em silêncio, deixando que a solução apareça.

Suponhamos que hoje alguém nos venha com um problema qualquer, como de desemprego, algum vício, alguma doença. Ao invés de refutar a ideia da existência do problema, procuremos ver através dele, olhando para além de sua aparência, visto que ele existe somente como aparência.

Ora assim, em atitude de escuta interna: Pai, projeta luz sobre este problema, para que eu possa vê-lo como é. E observa o que este tratamento fará por ti.

Em outras palavras, quando vires os dois trilhos de uma estrada de ferro se juntarem num ponto, não te perguntarás o que devas fazer para separá-los, mas pedirás ao Pai que te mostre esses trilhos como eles estão. E não precisarás mais pensar nisso.

Não tentes melhorar ninguém, nem a sua saúde. Não aceites em tua consciência o pensamento de que possa existir alguém com saúde precária.

Senta-te e fica em estado de receptividade, relaxado, em silêncio, em paz; deixa que a paz penetre todo o teu ser e, em chegando a este ponto, continua ainda em atitude de escuta interna, observando como a luz dissipa as trevas, como a inteligência dissipa a ignorância. E então perceberás que, na verdade não és o curador, mas sim uma testemunha que observa como esse estado de paz efetua a cura.

Deves ser um observador da atividade de Cristo, ou seja, de Deus. Observa como Ele trabalha em nós, através de nós e como nós.

Se eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, uma não tivesse caridade, seria como bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

O que importa é o amor, ou seja, a Percepção de que só existe Um Espírito sendo Tudo, e não as palavras, por mais eloquentes que pareçam, e não as afirmações acerca da verdade, por mais enfáticas e vibrantes que sejam.

Se os sermões e as afirmações acerca da verdade não forem repassados na percepção de Unidade com Deus - o Infinito Invisível, de nada servirão ao ministério de cura.

O importante não são as palavras em si, ou a letra da verdade.

O que importa é até que ponto o praticante de cura espiritual está cônscio de que Deus é amor e vida, até que ponto o curador se tornou incapaz de temer, detestar ou amar o erro, sob qualquer aspecto que este se apresente.

Lemos no Evangelho segundo João: Não que alguém tenha visto ao Pai; somente quem é de Deus viu ao Pai. Isto é o mais importante.

Nenhum mortal, nenhum ser humano pode ver ou conhecer a Deus. Somente o Filho de Deus, a Consciência Crística de cada um pode ver ou contemplar a presença de Deus.

Em outras palavras, não é a nossa mentalidade humana que conhecerá a Deus. Com a mente humana, jamais veremos, jamais conheceremos a Deus, a vida espiritual. Mas o Filho de Deus, a Consciência Crística, nosso sentido espiritual, pode PERCEBER Deus.






domingo, 2 de julho de 2017

Dispersando as crenças universais



A Maioria das pessoas aceita essas crenças universais na sua forma aparente, e depois sua experiência de Vida é influenciada por elas.

Nós, entretanto, precisamos treinar para não a aceitar as crenças do mundo: não aceite essa sugestão de sessenta anos mais dez, não aceite a sugestão de que uma moléstia é perigosa ou séria. Lembre-se: trata-se apenas de uma sugestão.

Qualquer crença pode ser posta de lado, mas o mesmo pode acontecer com uma lei de Deus – ESPÍRITO. A Lei de Deus é Vida Eterna.

A lei de Deus é : “Tudo o que Eu tenho é teu” – toda eternidade, toda imortalidade.

Isso não pode ser posto de lado, mas tornando-se uma lei dentro do seu próprio ser através da compreensão de que o seu é um domínio dado por Deus, a crença de que você tem que morrer em qualquer ocasião específica pode ser posta de lado – quer seja um médico que diga isto, quer seja a Bíblia com seus sessenta anos mais dez, quer seja as estrelas que o digam.

Deus deu ao homem o domínio sobre as coisas da terra, sobre as águas, sobre as estrelas, sobre os céus.

Deus deu a você, que é o Seu próprio SER individualizado, o domínio, mas você precisa exercer conscientemente esse domínio e não ficar quieto e deixar que as crenças universais atuem sobre você.

Lembre-se de que essas crenças, essas crenças universais – sejam médicas ou teológicas – agem realmente sobre você, até que sua consciência as ponha de lado.

Em outras palavras, a cada dia do ano você está ficando mais velho e, a menos que esteja conscientemente trabalhando essa crenças percebendo que “Minha Vida é Deus e, portanto, não tem idade”, você passa a ser influenciado por essa crença humana acerca da idade e chegará ao lugar que é conhecido como mudanças de vida, e por fim mostrará sinais de idade, porque passará através de todas as várias fases da vida de acordo com as crenças da medicina, até que você mesmo, conscientemente tome posse da sua vida através do domínio dado por Deus – Espirito e compreenda: “ Não! Minha Vida é Deus! Idade e mudança são apenas crenças ou sugestões médicas e não tem de agir sobre a minha consciência ou através delas”.

Milhares podem tombar à sua esquerda e dezenas de milhares à sua direita – se não se ativerem a esta Verdade Universal.

Todos têm o direito, seja por escolha, seja por ignorância, de passar a vida à sua própria maneira.

Você tem o direito de ater-se à sua própria maneira de existência e determinar o seu curso e o faz desta maneira: Quando surgir qualquer forma de erro, esteja seguro de que o reconheces pelo que ele é, de modo que ele não o engane.

Não deixe que o erro faça você aceitar uma pessoa doente ou pecadora e depois tentar reformá-la ou curá-la. Se você fizer isso, será um cego guiando outro cego.

A única diferença entre um prático e um paciente é que o prático não pode ser hipnotizado para acreditar que o seu paciente é um ser humano.

O Praticista sabe que, apesar das aparências, seu paciente é Deus aparecendo como ser individual, e o praticista não aceitará outra coisa além disso. 

Da mesma maneira, o praticista não aceitará uma pessoa doente, uma pessoa mentalmente perturbada ou pecadora como paciente.

Sua resposta sempre será: “Para trás, Satanás"! Você é apenas um falso sentido tentando fazer com que eu o aceite como realidade. Eu o conheço: portanto, pode tirar a sua máscara.


Pela REINTERPRETAÇÃO e pela IDENTIFICAÇÃO CERTA, você pode verdadeiramente chegar a um estado de consciência em que a vida se torna, não um processo mental, mas um olhar para fora e uma visão de Deus, uma visão de que tudo está bem com o mundo.