quarta-feira, 7 de junho de 2017

A Alma (Goldsmith)





A Alma é a parte do homem pouco conhecida e só raramente percebida. Muitas vezes, aqueles que estão imersos em profunda aflição rompem a névoa do sentido material até o recesso do seu ser interior, onde descobrem a Alma, ou a Realidade do ser. Tornam-se conscientes da Alma, encontram novos valores, novos recursos, uma força nova e diferente e uma maneira de ser de natureza totalmente diferente.


Exercer as faculdades da Alma resulta na quebra da ILUSÃO dos sentidos. Toda discórdia humana é o produto do sentido material e é vivenciada através dos cinco sentidos físicos — isto é, todas as desarmonias mortais são vistas, ouvidas, sentidas, saboreadas ou cheiradas. Por existirem apenas neste estado material de consciência, as discórdias e as doenças têm o seu ser em falsas idéias, em ilusões, embora naturalmente pareçam muito reais aos nossos sentidos.

Há muitos meios que nos proporcionam alívio temporário para as condições falazes de suprimento, de saúde ou outras desarmonias que se apresentam na vida diária. A destruição completa e definitiva do erro, porém, só é obtida ao se encontrar e exercitar as faculdades da Alma. 

A Alma é a parte do homem que jaz enterrada mais profundamente dentro dele, e por isso é raramente percebida. Nós usamos nossas faculdades matemáticas ou musicais porque jazem mais próximas à superfície do nosso ser, e, muito mais do que estas, nossas faculdades habituais de comércio, ou o nosso sentido de orientação, ou mesmo o nosso senso artístico; mas os artistas, os autores e os músicos de talento vão mais fundo dentro do seu ser, e de lá trazem à luz as grandes harmonias da boa música, a boa literatura, pintura, escultura ou arquitetura.


Escondida ainda mais profundamente, embora ao alcance de nossa consciência, jaz a Alma com suas faculdades. Quando tocamos tais poderes da Alma, estes emanam do nosso interior e atingem todos os caminhos da nossa vida cotidiana, trazendo inspiração, beleza, paz, alegria e harmonia para cada instante da nossa existência, e revestem todos os acontecimentos da vida com amor, compreensão e sucesso.

Aqueles, contudo, que estiverem demais envolvidos com as dores e os prazeres dos sentidos não chegarão, com certeza, até o reino da Alma. Ao longo da história, este convite para se dessedentar na fonte de águas vivas foi estendido a toda a humanidade, e todas as gerações têm produzido muitos homens e mulheres que encontraram a eterna paz e juventude dentro se si mesmos. 

E assim sempre surge aquele que bebeu mais profundamente na fonte da Alma, e todos estes videntes sempre deram notícias do reino interior e da vida que pode ser vivida pela Graça, uma vez atingida esta consciência. Por outro lado, muitos respondem que têm grandes encargos humanos que lhes ocupam todo o tempo; outros despendem tempo demais no prazer dos sentidos, passatempos e recreações; outros ainda estão ocupados em realizar e adquirir.

Cada vez mais, as pessoas começam a perceber que a libertação do medo, da insegurança, da necessidade, e da pouca saúde não se encontra no reino da matéria. As guerras não acabam com a guerra; as aplicações não garantem segurança contra a falta. A medicina alivia as dores, mas não traz uma saúde verdadeira. Devemos extrair um poder que seja maior do que aquele que é encontrado no corpo ou nos pensamentos humanos, um poder que nos dê a felicidade, a harmonia e a paz, que são direitos nossos de nascença. Tal poder está disponível para todos, pois ele JÁ faz parte do nosso ser — na verdade, é a parte maior do nosso ser. Como um iceberg, que mostra apenas uma parte de si fora da água, assim os poderes humanos do corpo e da mente não representam senão uma parcela de nossos poderes e faculdades.

As forças da Alma são mais reais e tangíveis do que qualquer poder material da natureza ou da capacidade inventiva. Elas trabalham num nível mais elevado de consciência, mas se tornam visíveis nas coisas chamadas de humanas.

As forças da Alma agem sobre o corpo humano para produzir e manter a saúde e a harmonia. Permeiam todos os caminhos da vida cotidiana com influências protetoras e são a fonte de suprimento infinito.

As pessoas deste mundo que são conscientes de sua Alma vivem uma vida interior de paz, de contentamento e domínio, e uma vida exterior em completa harmonia consigo mesmas e com o resto do mundo dos homens, dos animais e das coisas. Estão sintonizadas com seus poderes da Alma, e isto constitui sua UNIFICAÇÃO com toda a criação.

Todos podemos ter acesso à Alma. Ela jaz nas profundezas íntimas do nosso próprio ser. O desejo de realizações mais elevadas da vida é o primeiro requisito, e, a partir daí, deve-se manter uma constante orientação para o próprio interior até que a meta tenha sido alcançada.

Um bom começo pode ser a percepção da verdade que há muito mais na existência humana do que saúde física e suprimento material. Quando temos o vislumbre do fato de que mais dinheiro, mais casas ou automóveis não constituem o suprimento, que mais viagens não são recreação, que a ausência de doença não significa necessariamente saúde — em outras palavras, que "meu reino não é deste mundo" —, estamos na direção correta para descobrir o reino da Alma.

Todos sabemos como empregar a força física, como quando usamos o esforço muscular para erguer algum peso, ou fazemos força com os braços ou as pernas; e sabemos também como exercer pressão mental, como em profunda meditação ou pela vontade pessoal.

Sabemos que há um poder da Alma, mas saber que este poder pode fazer muito mais por nós do que os poderes materiais e mentais juntos, isto poucos sabem. Talvez uma 'razão pela falta de interesse por parte do mundo neste tema tão vasto' seja o fato de que este imenso reservatório de poder que está em nós NÃO possa ser utilizado para fins EGOÍSTAS. Pensemos na grandeza disso — um grande e maravilhoso poder à mão, mas que jamais pode ser usado para satisfazer a fins egoístas. Nisto está o segredo do porquê são tão poucos os que atingem a consciência da Alma. Só podemos perceber a presença da Alma após nos termos libertado dos desejos egoístas, e termos individualizado este poder infinito dentro de nós mesmos na medida do nosso desejo de SERVIR aos interesses da humanidade.

É justo, natural e normal que vivamos uma vida plena, próspera e feliz, mas nós podemos viver isto sem nos preocuparmos conosco, com nosso suprimento e mesmo com nossa saúde. Todo o bem necessário ao nosso bem-estar nos será fornecido em grande abundância quando pudermos aceitar que temos de abandonar nossos esforços e desejos de ter, de conseguir ou realizar, e nos aprofundarmos no desejo de cumprirmos apenas nosso destino sobre a terra. Estamos aqui como parte de um plano divino. Somos Consciência, que realiza (de si mesma) e expressa (de si mesma) a si mesma de forma individual; e se aprendermos a desprender o nosso pensamento de nós mesmos, ou da preocupação com nosso lugar, nosso suprimento ou saúde, e a deixar que Deus cumpra seus desígnios através de nós ou como cada um de nós, acharemos de fato que todas as coisas nos serão acrescentadas.

A Bíblia é literalmente verídica quando afirma: "Do Senhor é a terra, e tudo o que nela se contém" e "Filho... tudo que é meu é teu". 

Não há, pois, necessidade de ter qualquer ansiedade quanto ao nosso bem-estar. Esquecendo de nós mesmos e aprendendo a manter um estado de receptividade, perceberemos ESTAR plenificados pelo poder da Alma, da consciência e recursos da Alma, e nossa vida será aquinhoada com a companhia de outros homens e mulheres que partilharão conosco a alegria de sua descoberta.

A mente que estava em Jesus Cristo não é algo afastado, tampouco é ela a mente de uns poucos líderes religiosos: a mente que estava em Cristo Jesus é a sua, e está pronta para se manifestar em você na medida em que se esqueça do seu ego e se torne receptivo à divina sabedoria que está em seu íntimo. Os recursos da Alma estão à porta de nossa consciência, prontos a se derramar em nós, mais do que possamos receber, mas não para satisfazer algum desejo pessoal ou egoísta. Tais falsos desejos são as pedras de tropeço do nosso desenvolvimento espiritual, e não devemos pensar em usar nossos poderes espirituais para fins pessoais ou egoístas. A canção da Alma é liberdade, alegria e eterna felicidade; a canção da Alma é amor para toda a humanidade; a canção da Alma é você.

Por que demoramos tanto para obter a libertação da doença, da discórdia e de outras mazelas do mundo material? Inteiramente por causa de nossa incapacidade de apanhar a grande revelação: não há realidade no erro.

Pusemos tanta atenção na fé em Deus como nosso benfeitor, ou na fé em algum curador ou mestre, que passamos por cima da grande verdade: o erro não é real — não existe matéria, pois a substância da matéria é de fato mental.

Aprendemos com os cientistas físicos, e também com os metafísicos, que aquilo que tem sido chamado de matéria é uma interpretação equivocada da mente. A mente é um instrumento de Deus, e Deus é Espírito; assim, tudo o que existe é substância espiritual, apesar do nome ou da natureza que lhe tenha sido atribuído pelos sentidos finitos.

Deus é a consciência do indivíduo; assim tudo o que se nos depara como pessoa, coisa ou condição, nos vem como consciência, na consciência e através da consciência; e Deus, a Consciência, é a Alma de todo indivíduo; Deus, o Princípio, é a lei de toda ação; Deus, o Espírito, é a Substância de tudo de que temos consciência.

Pela educação equivocada, que estrutura nossos sentidos finitos, chegamos a temer certos indivíduos, coisas ou condições, sem perceber que estas coisas nos chegam pelo caminho da consciência, e que são todas Seres de Deus, Consciência que se nos revela, consubstanciadas de Espírito. A consciência material é o sentido finito e enganador que considera o homem e o Universo limitados, como bons e maus. A consciência espiritualé a percepção do indivíduo como um ser de Deus, que tem apenas a mente de Deus e o corpo do Espírito. Reconhece o Universo todo como manifestação da mente e governado pelo Princípio divino. A consciência espiritual é a capacidade de ver a realidade além das aparências, perceber e reconhecer que, como Deus é a nossa mente, tudo o que se nos apresenta está em e vem de Deus, nossa única consciência.

A consciência espiritual não supera nem destrói a matéria ou as condições materiais: apenas sabe que tais condições não existem, pelo menos da forma com que nos são mostradas pelos sentidos finitos. Ela traduz para nós as aparências, revelando-nos a verdadeira natureza das coisas que estão presentes.

O poder espiritual provém da Alma — da sua Alma, da minha Alma. É impessoal e imparcial. Todos podemos abrir as janelas da Alma e contemplar as glórias infinitas de um mundo bem acima do universo dos sentidos. O mundo da Alma é muito maior que tudo que possamos ter visto ou ouvido, é o mundo que é observado através do sentido espiritual. Sabemos que o pensamento não iluminado vê o Universo como algo material, enquanto a consciência iluminada, ou sentido da Alma, vê e compreende o Universo como algo espiritual.

No desenvolvimento de nosso sentido espiritual, ou poder da Alma, nada há de só teórico, não aplicável à prática. Esta consciência elevada capacitou Moisés para liderar seu povo em sua libertação da escravidão, através do Mar Vermelho, rumo à conscientização da abundância. Através de Jesus ela curou muitos dos males que afligiam aquela gente, alimentou multidões com alimento real e ressuscitou os mortos. Através de Paulo, ergueu uma parte da humanidade acima dos profundos pesares e persecuções, para a Cristo-consciência e a liberdade espiritual.

A consciência espiritual nos eleva para acima de toda forma humana de limitação e nos permite um sentido mais amplo da vida, da saúde e da liberdade. Onde houver esta consciência espiritual, não haverá escravidão a pessoas, lugares ou coisas, e não haverá limitações para nossas realizações.

Até onde se saiba, Jesus nunca deixou uma palavra escrita e, contudo, seus ensinamentos são os fundamentos morais e éticos de boa parte da humanidade. Muitos outros videntes deixaram apenas as palavras ditas a seus seguidores, embora, pelo seu poder intrínseco, tais mensagens tenham se tornado águas vivas durante épocas sem conta. A sabedoria dos tempos, propalada por homens e mulheres espiritualmente iluminados, que nunca sonharam que seus pensamentos corressem em volta da terra e influenciassem a vida e a conduta das pessoas, não está confinada no tempo e no espaço. O pensamento crístico, que preenche sua consciência, dela irradia como círculos na água atingida por uma pedra, criando círculos cada vez maiores, até atingir toda a humanidade. Sim, a consciência espiritual tem aplicação prática. Nosso desejo de abundância, contudo, deve ser o desejo de abundância para outros, antes que possamos ter a experiência da graça, que é o presente de Deus.

A meditação é a porta para o mundo da Alma, e a inspiração é o seu caminho. Quando aprendemos a ficar cinco ou dez minutos cada manhã, tarde e noite, sentados em silêncio com os ouvidos "de ouvir"; quando nos voltamos para dentro de nós mesmos e aprendemos a esperar pela "pequena voz silenciosa", adquirimos o hábito da meditação e desenvolvemos a habilidade nesta técnica, até que sejamos possuídos pela inspiração e que ela nos leve para o céu de nossa Alma. Este é o princípio de nosso novo nascimento, e aqui aprendemos a nova linguagem do Espírito. E a vida começa a ter um novo significado.












terça-feira, 6 de junho de 2017

A linguagem da cura pelo espírito - parte 02 (fim)




A cura pelo espírito é algo maravilhoso, quando se nos torna tão natural como o nadar ou como o respirar. Se não for isto, pode ser mais fatigante que o mais duro trabalho diário. 

O curador espiritual, quando está alicerçado na Verdade divina, mantém-se livremente suspenso em Deus e permite que o espírito de Deus flua através dele. Deixa jorrar a Verdade, e a Verdade o libertará, seja a ele mesmo, seja o seu paciente. Isto é obra da Verdade, nunca do homem.
É esta a atitude realmente humilde, que repousa no espírito: “Eu, de mim mesmo, nada posso fazer” – mesmo que o tentasse. Flutuando livremente na atmosfera da Verdade, será a obra realizada pela Verdade... Ao nadares, deixa que as águas suspendam o teu corpo – ao curares, deixa que o espírito de Deus realize a cura. Não tentes influenciar a verdade com a tua mente. A Verdade é infinita – o teu intelecto é finito. Não procures modificar a verdade infinita até que caiba dentro do recipiente da tua mente finita.

A inteligência e o corpo nos foram dados como instrumentos a nosso serviço. Não somos daqueles que negam a existência do corpo ou tentam libertar-se dele – assim como não tentamos extinguir a mente ou excluí-la da nossa vida. O corpo nos foi dado para que pudéssemos entrar em contato com esse mundo material. O corpo, com seus órgãos e suas faculdades, é um instrumento a serviço do nosso Todo, admiravelmente sintonizado para esta tarefa. É um instrumento de Deus para manifestar a sua glória. O verdadeiro uso do corpo consiste em que o ponhamos a serviço de Deus e o deixemos guiar e controlar por Ele. E isto nos leva àquele estado de leveza em que “o império repousa sobre os ombros do Senhor”. Não há nenhum caminho capaz de promover, por meio de pensamentos ou preocupações, o processo da alimentação, digestão ou eliminação; a mente não nos foi dada para esse fim. A mente é um intermediário pelo qual percebemos a Verdade, e esta Verdade rege todo órgão e toda função do nosso corpo. A Verdade fortalece os nossos músculos. A Verdade nos dá a possibilidade de sabermos tudo que for necessário.

Toda e qualquer palavra da Verdade que o teu consciente receber se tornará uma parte integrante da tua mente e do teu corpo. Não és tu que dominas o teu corpo, não és tu que dás ordens à tua mente – mas e a atuação da Verdade em tua consciência, atuação essa que se serve naturalmente do teu intelecto, que o conserva puro e claro, ativo, vivo e harmonioso. E o intelecto, por sua vez, orienta o teu corpo, dá-lhe ordens e o domina. A atuação da Verdade funciona como estímulo que purifica tanto a mente como o corpo.

Há em ti um único centro, e neste centro se acha armazenado todo o teu patrimônio espiritual – imortalidade, eternidade, vida, amor, lar, infinita plenitude. Este centro não se encontra em teu corpo, e é tempo perdido procurá-lo ali. Esse centro é o teu consciente, e esse consciente não está no teu corpo; o teu corpo está nesse consciente, que é ilimitado. 

E é por isso que podes, após pesquisas e exercícios, fechar os olhos e saborear a paz e achar-te dentro ou fora do teu corpo, ou onde quiseres estar; então serás capaz de haurir, de dentro do ilimitado tesouro da consciência, tudo que houveres mister para a tua evolução, hoje, amanhã, até o fim do mundo e para além deles, através de toda a humanidade.

Muitos dos curadores metafísicos acham difícil a terapia de sofrimentos físicos por meios espirituais, porque lhes falta a compreensão da verdadeira natureza do corpo. Esta incompreensão nasce de uma idéia inexata da palavra “matéria”. Desde o início, andaram os adeptos de doutrina metafísica desorientados por esse conceito.

A maior parte dos que usam conscientemente o vocábulo “matéria” ignoram totalmente o seu verdadeiro sentido; ouviram que a matéria é irreal, uma simples ilusão dos sentidos, e que é inanimada; e, em se tratando da matéria do corpo, negam a realidade e a existência do corpo, procurando deste modo superá-lo e aboli-lo.

Como poderia a matéria ser irreal, se ela é indestrutível? A ciência provou que a matéria é uma substância indestrutível; ela pode, sim, mudar a sua forma e assumir outra, mas não pode ser aniquilada; ela pode ser dissolvida em moléculas ou átomos – e o que resta? Resta energia. A matéria não deixou de existir, em consequência desta redução ao seu constitutivo básico; mudou apenas de forma. Não há nenhuma possibilidade de aniquilar a matéria, porque ela é indestrutível.

Na realidade, a substância da matéria é espírito; matéria é espírito tornado visível; espírito tornado visível em forma de matéria. A água, por exemplo, pode transformar-se em vapor; mas este processo nada destrói, e seu peso é conservado em qualquer forma. Um copo de vidro pode ser reduzido a pó de vidro e desaparecer da vista, mas os seus componentes continuam indestrutíveis, e no laboratório se pode provar que continuam a existir e que têm o seu peso.

A mais antiga crença de que a matéria seja irreal e que os objetos que vemos, ouvimos, tangemos, cheiramos e saboreamos sejam ilusórios, é atribuída a Gautama Siddhartha, mais tarde chamado o Buda (Iluminado). Sobre esta base, realizavam, ele e seus discípulos, curas maravilhosas. Os seus discípulos posteriores, porém, descompreenderam a palavra “Maya” ou “ilusão”, e a interpretaram como algo alheio ao seu próprio Ser, como algo externo. Quando, no século passado, o mundo recebeu pela primeira vez a doutrina metafísica, afirmaram seus adeptos que os nossos sentidos estavam sujeitos à ilusão. Em vez de afirmarem esta doutrina, começaram os assim chamados metafísicos a ensinar, infelizmente, que tudo que há no mundo é ilusão, inclusive o corpo. Mas este mundo não é uma ilusão – ilusão é a idéia que nós formamos do mundo.

A cura espiritual baseia-se na afirmação de que pecado, doença e morte não têm realidades em si mesmos, mas que consistem somente na opinião ilusória da nossa parte. Entretanto, a matéria não é irreal, o nosso corpo não é irreal; este mundo não é irreal. Este mundo é belo, imortal, eterno. Este mundo não será jamais dissolvido em nada; mas os nossos conceitos sobre este mundo sofrerão modificação, bem como se modificará a idéia que temos do corpo. Todo adulto admitirá que ultrapassou a idéia do seu corpo de criança e aceitou a idéia de seu corpo adolescente; e ultrapassou também o conceito sobre este, quando se desenvolveu em homem maduro. Na medida que progredir no caminho da compreensão espiritual aceitará uma idéia espiritual do corpo, mas não possuirá um corpo mais espiritual do que esse que já possui agora.

Provavelmente, haverá quem zombe dos metafísicos e dos místicos por causa do uso de palavras como “real” e “irreal”, “realidade” e “irrealidade”. Os metafísicos são, muitas vezes, ridicularizados por causa de expressões como “isto é irreal”. Dois carros colidem na estrada, e se desfazem em fragmentos; aparece o metafísico e afirma: “Isto é irreal; nada aconteceu; pura ilusão”. Poderemos levar a mal o mundo quando se ri de semelhante linguagem? O mundo não compreende o sentido da palavra “irreal” – e o pior é que nem o próprio metafísico, que tais palavras emprega, sabe o que elas querem dizer.

Em nossos livros sobre auto-realização entendemos por “real” ou “realidade” somente aquilo que é espiritual, eterno, imortal, infinito, Real, realidade somente é aquilo que é Deus. E, neste sentido, é evidente que não podemos ver, ouvir, tanger, cheirar ou saborear a realidade.

Por outro lado, os termos “irreal”, “irrealidade” se referem a tudo que não é permanente, seja agradável ou desagradável à nossa percepção.

E, neste ponto particular, costuma o metafísico cometer o seu grande erro: quando vê uma pessoa sadia, ou alguém que considera como bom e moral, diz, geralmente, desta situação que ela é real; mas, se encontra um doente ou um pecador, diz que isto é irreal. Entretanto, essa interpretação é inaceitável à luz da compreensão filosófica. Real é somente aquilo que é do Espírito, de Deus, da alma. Só a alma é capaz de perceber o real. O que não é perceptível pela faculdade interna da alma não é real. A isto se refere Jesus quando diz: “Vós tendes olhos, e não vedes; tende ouvidos e não ouvis”.

Quando falamos de pecado e doença como sendo irreais, não queremos negar a sua existência objetiva. Enganamos a nós mesmos quando afirmamos que essas coisas não existem. Mas como, desde a nossa infância, nos foi impingido que o mundo material é real e que nosso corpo material é real, para nós também existem as doenças. Quando afirmamos que doença, pecado e morte são irreais não queremos com isto afirmar que estas coisas não existem; negamos apenas a sua existência como parte integrante de Deus e como pertencentes à Realidade divina.

No âmbito do real, no reino de Deus, as desarmonias que os sentidos percebem não têm existência, realidade. Mas isto não elimina o fato de que temos de sofrer sob o impacto dessas desarmonias; a sua realidade e inexistência, da parte da realidade divina, não diminui nem elimina as nossas dores, as nossas necessidades, as nossas deficiências, porque, em virtude da nossa percepção sensorial, sofremos com esses fenômenos.

No princípio do toda a sabedoria está o conhecimento de que estas coisas não necessitam de existir. 

A libertação destas desarmonias não é alcançada pelo fato de recorrermos a Deus por socorro, mas sim pelo fato de descobrirmos o Deus verdadeiro, de subirmos até aquelas alturas da vida onde há somente Deus: Não há tal coisa como libertação de desarmonias, libertação de pecados, libertação de desejos impuros; não há libertação de pobreza – há somente liberdade, a liberdade em Deus, a liberdade no Espírito, o Deus-Liberdade.

Quem descobre o Deus-Liberdade não necessita de libertar-se de coisa alguma, porque na Liberdade não há escravidão.

Se te encheres plenamente com o Espírito, verás que a Lei espiritual te encherá com todas as coisas de que necessitas. E assim se realiza também a cura do corpo; não porque Deus pense em palavras ou conceitos de um corpo doente – nem sequer de um corpo fisicamente sadio – mas porque tu, superando o conceito material pela realização do espiritual, a tua consciência se transformou e realizou harmonia, em uma linguagem e em uma forma que te são compreensíveis.

Não usemos jamais de expressões como estas: “É irreal – não é verdade – não aconteceu”, antes de compreendermos que aquilo de que falamos só é irreal, não-verdadeiro, inexistente na zona do Reino Espiritual. Somente à luz desta compreensão, podemos afirmar que doença, pecado, pobreza, deficiência, são irreais e não participam da verdadeira Realidade.

O divino Mestre via a irrealidade do poder, do poder maligno, quando respondeu à ameaça de Pilatos “Não sabes que eu tenho o poder de crucificar-te, e o poder de soltar-te?”, com as palavras “Não terias poder algum se não te fora dado do alto”. Jesus admitia o poder temporal de Pilatos; mas, em virtude da sua consciência crística, que vivia na Realidade, sabia também que nenhum poder temporal tinha poder sobre a sua consciência espiritual. Do mesmo modo curou a orelha do soldado decepada por Pedro, e não opôs resistência à violência física; também na cruz proferiu as palavras “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Ele enxergava para além desses atos humanos e sabia que não eram reais, isto é, que não participavam da Realidade permanente, eterna, imutável, imortal. Foi também em virtude dessa faculdade de discriminação espiritual que ele foi capaz de sair vivo do sepulcro. À luz da sua consciência espiritual, não havia poder algum na crucificação.

Esta mesma consciência espiritual, iluminada – essa mesma consciência crística – está presente, aqui e agora, através dos séculos e milênios. E é esta mesma consciência crística que dá aos curadores espirituais dos nossos dias a possibilidade de curar doentes e libertar os pecadores; é a convicção de que as formas do mal são irreais, não-participantes da harmonia do reino de Deus, e que essas formas do mal são inconsistentes em face da permanente realidade de Deus. Homem! Cultua a Deus, na firme convicção de que o Reino Espiritual é íntegro e invulnerável, e que nenhuma doença, nenhum pecado, nenhuma pobreza, nenhuma deficiência faz parte do Reino de Deus; que em nada há substância permanente, que em nenhum desses males reside uma lei, uma legalidade real e duradoura.

Depois de firmarmos esta convicção em nosso interior, passemos a considerar mais algumas expressões usadas no ministério da terapia espiritual.

Por via de regra, não falamos de uma enfermidade como sendo doença, mas sim um aspecto, uma aparência. Assim, por exemplo, designamos a tuberculose, o câncer, a paralisia, como aspectos ou fenômenos. Perguntará o leitor se faz alguma diferença usar esta ou aquela palavra. Faz, sim, uma vez que a terapia espiritual representa a atuação da consciência, e enquanto as sutis particularidades do processo curativo não estiverem claramente apreendidas, não pode a verdade exercer a sua atuação nos consciente do curador, realizando a cura.

Tomemos um exemplo. Alguém viaja pelo deserto. De repente, como acontece não raro, vê o caminho todo coberto de água. Automaticamente pára o carro; pois não pode atravessar um lago de automóvel. Provavelmente, o primeiro pensamento será este: “E agora, o que devo fazer? Como atravessar a água? Como remover da estrada essa água?”

O viajante olha em derredor, mas não há possibilidade de socorro. Olha novamente para a estrada, mais atentamente – e verifica que não existe nenhuma água. O que ele vira era uma dessas miragens do deserto, uma fantástica fada-morgana, reflexo aéreo de algum lago longínquo. Sorrindo da sua ilusão, põe em movimento o carro e prossegue viagem. 

Enquanto o homem via água no caminho, esperava inutilmente que a água fosse removida; mas, no momento em que reconhece que o fenômeno não passa de uma simples ilusão, nada mais o impede de prosseguir.

É exatamente isto que se dá no campo da cura espiritual. Enquanto nos ocupamos com câncer, tuberculose, paralisia, tumor, resfriado, gripe, etc., estamos em um beco sem saída. Que fazer contra esses males? Como libertar-nos deles? Será que temos o poder de os eliminar? Ou haverá algum Deus que os possa remover? Milhares de orações sobem a Deus, pedindo-lhe que cure os nossos males, que modifique as circunstâncias ingratas – mas é inútil... Deste modo nada acontecerá...

Mas, então, o que fazer?

Enquanto a doença permanecer em nossa consciência como doença, nada poderá ser feito contra ela. Mas, se uma consciência mais iluminada nos fizer ver que não se trata de uma doença, mas sim de uma ilusão ou miragem criada por nós, então foi dado o primeiro passo para a cura. 

Na realidade, é fácil o processo curativo, seja qual for a doença, contanto que o mal, a doença ou pecado seja reconhecido na reconhecido na consciência como inexistenteno plano da realidade divina, mas apenas existente no plano do nosso ego humano.

Enquanto uma doença for realidade para ti, enquanto creres que a febre tem de seguir o seu curso, enquanto tentas reduzi-la com certos expedientes, enquanto tentas reprimir um tumor, enquanto acreditas que uma doença deva necessariamente percorrer este ou aquele processo – estás fora da terapia espiritual, embora a tua mente esteja desempenhando o seu papel.

Cura espiritual total consiste em não reconhecer a realidade de uma situação negativa. Eu, tu, ou outro homem qualquer que queira curar pelo espírito, deve crear em si um estado de consciência em que Deus e as obras de Deus – o Verbo de Deus, o Universo de Deus, o Homem de Deus – sejam tão intensamente reais que nenhum contrário, nenhum negativo, nenhum mal, nenhuma doença, possam coexistir com esse Deus do Universo ou esse Universo de Deus. Porque Deus é tudo.

A eficiência do processo curativo baseia-se, sobretudo, na realidade de Deus e na realidade da sua criação – quer ela se manifeste como homem, como corpo ou como Universo: e, em segundo lugar, se baseia no reconhecimento da não-realidade de tudo aquilo que nos aparece em forma de doentes ou pecadores, de enfermidades ou de circunstâncias indesejáveis.

Importa que compreendamos o sentido correto das expressões “real” e “irreal” – a sua significação em sentido espiritual. Com outras palavras: tudo o que podemos perceber com os sentidos físicos não passa de uma ilusória miragem no deserto, porque a mente, servindo-se desse material dos sentidos, o interpreta erradamente. Discernindo essa miragem a doença sede lugar a saúde. Mais ainda: quando 

o homem começa a compreender espiritualmente todas as coisas que o cercam – flores, nuvens, estrelas, o nascer e o pôr-do-sol – tudo começa a aparecer de modo diferente, ultrapassando a capacidade da mente humana. Para além do invólucro visível destas coisas se revela algo mais, algo que nem os sentidos percebem nem a mente concebe. 

Quando percebemos as coisas pelo poder espiritual, descobrimos o homem verdadeiro, assim como Deus o criou, segundo a sua imagem e semelhança – e é precisamente esta faculdade, de conhecer a realidade, que realiza a cura pelo espírito.













domingo, 4 de junho de 2017

A linguagem da cura pelo espírito - parte 01





De acordo com o caminho da auto-realização, poucas palavras servem de base à arte de curar pelo espírito. Antes de abordar este assunto, quero dizer brevemente o que se entende por auto-realização: É uma doutrina espiritual baseada em uns poucos princípios, que qualquer pessoa pode observar praticamente, independentemente de sua confissão religiosa. 

O caminho da auto-realização revela a natureza de Deus como sendo o poder infinito, a inteligência e o amor do Universo; e revela o ser de cada indivíduo como uno com a natureza e os atributos de Deus, ser individual esse que se manifesta em inumeráveis formas e espécies; revela ainda que a natureza e a idéia de que temos das desarmonias deste mundo resultam de uma concepção errônea sobre a revelação da Divindade do Universo. São estes os princípios universais, baseados na mensagem do Cristo, quando ensina que o homem pode realizar a sua unidade com Deus mediante um contato consciente com Deus, e que o homem, assim realizado em Deus, pode trazer ao mundo harmonia, paz e integridade.


A primeira e mais importante palavra neste processo de cura pelo espírito é o pequeno vocábulo “como”, cuja compreensão exclui para sempre o conceito de dualidade: o Deus universal se revela como cada ser individual!

Se isto é verdade, então não há Deus e o homem; não há Deus mais tu, por isto, não pode haver pessoa que se possa dirigir a Deus com alguma necessidade.

Durante os anos em que eu dedicava o meu tempo exclusivamente à terapêutica espiritual, aprendi a não considerar os meus pacientes como seres humanos; nem me dirigia a Deus para que eles recuperassem a saúde. Eu via Deus em cada pessoa que me visitava; eu via Deus como esse ser individual; e esta verdade creava harmonia. Esta verdade revelava a divindade do ser humano e do corpo deles, e esta revelação se tornou a pedra fundamental do edifício da auto-realização.

Há somente Deus, que manifesta a sua infinita essência e sua natureza espiritual, como teu ser, como meu ser: “Eu e o Pai somos um” – não dois. Nesta unidade és tudo o que Deus é. Se compreenderes a idéia “como”, que Deus se manifesta como o teu ser individual, como o meu ser individual, então compreenderás que tudo que Deus é, tu também és.

“Meu filho, tu estás sempre comigo, e tudo que é meu é teu”. Eu sou co-herdeiro com o Cristo de todos os tesouros do reino de Deus. “Nada posso fazer de mim mesmo” – mas, em virtude da minha unidade com o Pai, eu sou tudo que Deus é. Onde quer que eu esteja, está o Pai dentro de mim; por isto, onde quer que eu esteja, o Pai age dentro de mim.

Deus, que aparece como ser individual – Deus que se mostra como sendo tu, como eu – é este o caminho da auto-realização. É este o segredo da cura pelo espírito. Esse “tu” ou “eu” não é um reflexo ou uma idéia separada, ou algo que fosse menos que Deus; esse “tu” ou “eu” é Deus mesmo, feito manifesto – Deus Pai, que aqui na terra aparece como um ser individual. Unidade – é este o mistério.

Depois de assimilares esta verdade; depois de viveres nela e a praticares, considerando cada homem, cada mulher, cada criança, cada planta e cada ser individual no mundo à luz do conhecimento: “Isto não é o que parece ser; isto é Deus, que se manifesta como”... então desenvolverás aquela consciência curativa que nunca enxerga o homem na sua humanidade; mas que logo entra em contato com a consciência espiritual dele. Acostumar-te-ás a não ver o homem segundo a sua aparência, mas o verás através dos seus olhos, para além dos seus olhos, na certeza de que lá está o Cristo de Deus. Fazendo isto, aprender a prescindir da aparência externa, e, em lugar de tentares curar alguém ou restabelecer alguém ou melhorar alguém, te tornarás verdadeiramente uma testemunha da sua natureza crística, da sua essencial identidade com Cristo.

Outra palavra não menos importante que o “como”, é o verbo “é”. Se é verdade que Deus se revela como o ser individual de cada creatura, então a harmonia é a verdade sobre cada indivíduo. E com isto a palavra “é” se torna uma palavra-mestra na oração e no processo curativo. Então desistimos de querer curar alguém, desistimos de querer melhorar ou enriquecer alguém; então vivemos constantemente na harmonia do É, ou do EU SOU. Se Deus é o teu ser, então Deus é a tua harmonia; se tudo o que o Pai tem é teu, então, tu estás, agora mesmo, na plenitude e perfeição de Deus; se Deus é a atividade do teu ser, então é a harmonia e a lei do teu ser. Se deixares de viver no passado ou no futuro, então vives na consciência do permanente É, do eterno EU SOU.

Mesmo quando encontras um bêbado, um doente ou um moribundo, não prestarás atenção à aparência externa, mas dirás a ti mesmo “Ele É”. A conseqüência do “como” é necessariamente o “é”. É isto compreensível ou não? Se Deus se manifesta como o teu “tu”, portanto é a harmonia a tua verdade.

A mais poderosa expressão no vocabulário da oração é a palavrinha “é”. A harmonia é, Deus é, a paz é, a abundância é, a onipresença é. Será que pode haver algo que curar, algo que mudar, algo que renovar, ou algo que aniquilar na presença da onipresença? Percebes os fenômenos externos, as aparências dos sentidos, mas não te deixarás desorientar por elas. Podem os olhos ser testemunhas da doença de alguém, testemunhas da pobreza ou da culpa de alguém – mas o Espírito te diz: “Não! Isto é Deus em sua manifestação: isto é uma individualização de Deus; e por isto, a harmonia é a verdade, independentemente do que meus olhos vêem ou meus ouvidos ouvem”.

A cura espiritual supõe uma consciência altamente desenvolvida. É uma consciência capaz de penetrar as aparências e enxergar para além; é uma visão de dentro, que nos dá a certeza desta verdade, mesmo quando os nossos olhos enxergam um ladrão ou um moribundo. Ninguém pode ser curador espiritual eficiente se não possuir a certeza: “Este é meu filho amado, no qual me comprazo”. É sem importância o testemunho dos sentidos externos. Algo no teu interior deve cantar, e o cântico que teu interior canta deve dizer: “Este é meu filho amado, no qual me comprazo... O Eu no meu interior é poderoso”.

Palavras não resolvem este problema. Deve ser uma convicção interna – e esta só se adquire por meio de exercícios, pela compreensão e pela prática – sem falar da graça de Deus que reside no teu íntimo. Se fores capaz de ficar sentado à cabeceira de um doente moribundo sem um vestígio de temor, porque uma voz canta no teu interior: “Este é meu filho amado... Eu sou onipotente no meu interior... Jamais te abandonarei nem te esquecerei” – então és um curador pelo Espírito. Isto supõe uma evolução que só se alcança por exercícios – até que desponte o dia em que esta voz fala de dentro. Ou alguém recebe esta consciência pela graça de Deus, como um presente.

Entretanto, é difícil alcançar esta convicção, se não forem clarificadas certas circunstâncias que fazem parte da cura espiritual. Uma das mais importantes é a função da mente humana.

Antigamente, nos primórdios das assim chamadas curas metafísicas, ensinava-se que o corpo estava sujeito à mente. Era uma idéia nova, tão provocante que o homem moderno começou a treinar neste sentido, controlando o corpo pela mente. Breve foi o tempo dos sucessos – e ainda em nossos dias alguns principiantes colhem certos resultados com este método. O que há de ilusório nesta praxe é que os seus adeptos se esquecem de que por detrás do pensamento está um pensador, e que esse pensador não é nenhuma pessoa – o pensador é Deus, o Deus no homem, a alma humana.

A mente humana é apenas um instrumento de percepção. Podemos, sim, perceber a verdade com a mente, mas a mente não é creadora. O próprio inventor não haure a sua invenção de dentro da sua mente. Ele percebe a existência de certas leis naturais, que sempre existiram; descobre como essas leis harmonizam-se entre si e como devem ser aplicadas. O reto uso da mente como instrumento de percepção faz dela não somente um poderoso instrumento, mas a sua faculdade cresce com o uso e faz eclodir novas forças.

Sabendo que a mente é um instrumento, devemos saber também de quem ela é instrumento; porque todo instrumento deve ser conduzido e controlado por alguém. 

Infelizmente, a maior parte dos homens não descobriu ainda aquele centro interior capaz de dirigir eficazmente o intelecto humano. Adeptos das ciências mentais, quando tentam dominar a mente pela força da vontade ou pela modificação de pensamentos, chegam, geralmente, à experiência de que a mente humana não se deixa dominar pelo homem; e a disposição desses estudiosos acaba por ser pior no fim do que era no princípio, revelando-se em estados de esgotamento nervoso.

A mente humana é um instrumento de algo que está acima dela. Esse algo é o verdadeiro Eudo homem, a tua autêntica IDENTIDADE. Se esse teu Eu interno guiar e controlar a tua mente, então encontrarás a paz, uma paz perfeita, que transcende o entendimento humano.

Certas fotografias de Tomás Edison nos dão idéia de uso correto da inteligência: esses retratos mostram o grande inventor, quase sempre, com a mão junto ao ouvido, em uma atitude de intensa auscultação. Os seus colaboradores sabiam contar numerosas histórias sobre isto; Edison lhes distribuía os trabalhos de pesquisa, e cada um elaborava aquilo de que era capaz – e, no fim, apelavam apara a sabedoria do mestre. A mão do inventor ia imediatamente ao ouvido, Edison escutava uma voz inaudível – e depois dava as suas instruções para o próximo passo.

Nesta altura, quero frisar a diferença entre duas atitudes: uns tentam servir-se da mente como de uma força creadora – outros servem-se dela como um simples instrumento de percepção. Se eu trabalhasse no plano puramente mental, dos pensamentos, fecharia os olhos e repetiria incessantemente a mim mesmo: “Teu corpo está sadio; teu corpo funciona normalmente; teu corpo reage a esta verdade, que me é consciente” – e, provavelmente, o resultado desses exercício mental seria um certo alívio benéfico do mal. Com efeito, nos primeiros tempos dessas terapias metafísicas houve uma onda de resultados admiráveis. Na realidade, porém, os curadores não haviam atingido a verdade plena, quando cuidavam que a mente pudesse curar o corpo humano, o próprio ou alheio. Era uma das etapas intermediárias, certamente superior àquele outro estágio em que o homem considerava o corpo material como fonte e origem da vida.

Do ponto de vista da cura espiritual e da vida espiritual, o processo é bem diferente.

Das alturas desta perspectiva, é Deus a alma, a vida e lei única de todos os seres; a mente humana é o instrumento, e o corpo é a sua forma manifestativa externa. Quem trabalha neste plano e recebe um grito de socorro de um doente, fecha os olhos e não pensa pensamento algum. Não reflete o que o doente deva comer ou beber, ou como deveria ser a sua saúde. O curador espiritual senta-se tranquilamente, na consciência de que a sua mente é um vaso receptivo. Receptivo, para receber o que? Para receber em si aquela “voz suave e silenciosa” – e a terra degela!...

De dentro desse silêncio, em que tu te fizeste quase um vácuo -- um vácuo auscultativo – sempre vigilante, nunca dormente, nunca fatigado, nunca hesitante, sempre consciente e ativo, na expectativa da visita do Cristo – de dentro deste grande silêncio, de dentro deste infinito, que é Deus, das profundezas de tua alma, o Deus em ti, se fará ouvir uma voz ou surgirá um sentimento, uma vibração, uma libertação, uma certeza – indiferente o nome que lhes dê -- e lá se foi a ilusão e nasceu a Verdade...

Não importa a natureza do problema, quer seja de caráter físico, mental, moral ou financeiro, ou se trate de harmonizar relações sociais – não faz diferença alguma; pois não é a tua sapiência que vai tratar do assunto. Tu não haures daquilo que aprendeste durante os anos de tua peregrinação na terrestre. Manténs uma atitude completamente receptiva para Aquilo que te creou no princípio e que sabe da situação de cada indivíduo; e se tu permitires que esse Poder se manifeste, estarás lá onde deves estar, sob a jurisdição de teu Pai celeste, sob o domínio desse Alguém, que sabe das tuas necessidades, antes que tu mesmo as conheças; desse Alguém que se compraz em dar-te o reino...

Faze da tua mente um simples instrumento de percepção, em vez de investires com a tua cabeça contra a muralha de um problema aparentemente insolúvel, em vez de preocupares com o pensamento qual seja o próximo passo a dar, amanhã, depois de amanhã – habitua-te a escutar, servindo-te da mente como de um canal para receber as águas vivas da Fonte. Permita que Deus encha a tua mente. Sê uma testemunha do espírito divino, que move, anima e penetra tanto a mente como o corpo.

Percebe, através da tua mente, a Verdade de Deus, e esta Verdade realizará a obra; não tu, nem os teus pensamentos. Não é a atividade da tua mente que libertará alguém; é a atuação da Verdade que, através do canal da tua mente, libertará alguém dos seus males.

Talvez já notaste que, quando um nadador tenta manter o corpo na superfície da água, quanto mais agita os membros, mais vai afundando; o que ele deve fazer é manter-se em estado de calma relaxação, movendo vagarosamente pernas e braços e deslizando suavemente pela água. É esta a atitude do curador espiritual – uma calma e tranquila receptividade.











Continua...

DEUS, O SER INDIVIDUAL (Joel Goldsmith)



Os milagres acontecem quando o “pequeno eu” está ausente. Quando você recebe um pedido de ajuda, se houver a conscientização de que este “eu” é inexistente, a chamada cura já se inicia. Porém, se encarar a pessoa como este “eu”, com a ideia: “Como poderei melhorá-la, curá-la, supri-la?", você estará destruindo sua capacidade curativa, pois este “eu”, levado em consideração, não existe. Deus é o ÚNICO Eu, e Deus não necessita de cura, ensinamento ou enriquecimento.


Se alguém lhe disser: “Eu estou doente”, e sua resposta for do tipo: “Bem, vamos ver o que poderei fazer para torná-lo saudável”, tal procedimento será o de “um cego conduzindo outro cego”. O “paciente” pensa ser alguém apartado de Deus; assim, se você alimentar a mesma idéia, estarão ambos caindo no fosso.

A única forma de vivenciarmos um ministério de cura em elevado nível espiritual consiste em nos convencermos da inexistência de qualquer “eu” apartado de Deus. Se houvesse este “eu”, Deus não existiria. É impossível existir Deus e algum ser mortal, alguém fadado a adoecer, pecar ou morrer.

Nós abolimos não somente a crença em doença física ou a crença numa possível causa mental para ela: abolimos também a crença de que existe alguma pessoa vivenciando a condição doentia, até chegarmos à conscientização de sua REAL IDENTIDADE. Não podemos considerar um ser humano para, depois, querermos torná-lo mais saudável, mais próspero, mais sábio! Nós revelamos Deus como o Ser infinito e Individual. Nosso interesse fica voltado apenas nesta direção: ver Deus como cada Ser, em permanente manifestação. A forma de se conseguir isto está no “morrer diário” para a nossa humanidade, no “renascer” para a nova Identidade espiritual, e na conscientização – quando alguém solicita nosso auxílio – de que a totalidade do Reino de Deus jamais inclui pessoa alguma naquela situação. Mantendo-nos e sustentando-nos nesta atitude, a harmonia começará a ser evidenciada.

Quando alguém de nosso círculo familiar ou de amizade estiver envolvido em algum senso de desarmonia, em vez de procurarmos saber de que forma poderíamos ajudá-lo, sentemo-nos para assim conscientizar: “Ah, não acreditarei na existência de tal pessoa! Deus é a Individualidade infinita; Deus é a Pessoa infinita; Deus é o Um infinito; e, ao lado de Deus, não há nenhum outro”.

A forma verdadeira de prestarmos ajuda está em aprendermos a “morrer diariamente”; e, para tanto, utilizamos a disciplina denominada “Não-eu”. Não-eu! Não! Esta pessoa não me interessa! Ela nada tem a ver comigo. O verdadeiro e único Eu está tomando conta dela.

















sábado, 3 de junho de 2017

Orar a Deus (Joel Goldsmith)





A essência de nosso trabalho é que DEUS É! Todos falamos sobre Deus, pensamos em Deus, oramos a Deus; mas, ao percebermos que Deus não está existindo para receber nossas orações saberemos os motivos que tornam tão infrutíferos o nosso falar e grande parte do nosso pensar sobre Deus.

O primeiro ponto a ficar claro, quando percebemos que DEUS É, é que Deus não existe para estar recebendo nossas orações. 

Se simplesmente tivéssemos captado o que nos revelou Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, já teríamos percebido isso há muito tempo. Observemos suas palavras:

“Deus não é movido pelo bafejo louvaminheiro a fazer mais do que já fez, nem pode o infinito fazer menos do que conceder todo o bem, porquanto Ele é sabedoria e Amor imutáveis. Deus é Amor. Podemos pedir-Lhe que seja mais? Deus é Inteligência. Podemos passar à Mente infinita algo que ainda não compreenda? Pedir a Deus que seja Deus é vã repetição. Deus é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre; e Aquele que é imutavelmente justo, fará o que é justo sem que seja preciso lembrá-Lo de Seu ofício. Quem se colocaria diante de uma lousa para rogar ao princípio da matemática que lhe resolvesse o problema?”

O primeiro passo é aprendermos a não pedir ou orar a Deus, nem esperar algo dEle. 

O passo seguinte é aprendermos a nos voltar ao Reino dentro de nós, que é o Reino de Deus. Não por alguma coisa, mas em reconhecimento da harmonia e perfeição presentes em tudo que Deus governa. E Ele governa a Realidade inteira.

Aprendemos, também, que não existe mal em nenhuma pessoa, lugar ou coisa, mas que o mal está no CONCEITO universal de pessoa, lugar ou coisa. Saber que inexiste mal em toda circunstância ou condição nos liberta dos efeitos malignos que poderiam advir da crença no mal.

Se o sentido espiritual é o que dissolve cada chamado problema humano, também é verdadeiro que uma percepção consciente da verdade do ser resulta em harmonia que nunca nos deixa, e que experienciamos conscientemente. 

Portanto, devemos “conhecer a Verdade”, para que “a Verdade nos liberte” de tudo que aparente nos ocultar a nossa real identidade.

Se somente habitarmos na infinitude e natureza eterna do governo divino e do Universo, reconheceremos e experienciaremos a natureza imutável de toda a criação de Deus. A dependência a um poder supostamente externo a nós mesmos é sempre o erro.

Todo o nosso objetivo é a realização da presença e poder de Deus. “Eu, de mim mesmo, não posso fazer nada”, mas perdura o fato de que “o Pai interior faz a obra”. Como ter consciência do “Pai interior”? Aquietando os sentidos humanos e ouvindo a “pequenina voz suave”. “Eu ouvirei Tua Voz”, pois, a transmissão deve sempre provir da Mente.









sexta-feira, 2 de junho de 2017

Impersonalizando o erro (Fim) - JOEL GOLDSMITH




Reconheça o mal como a mente carnal

Em sua experiência, você estará lidando com pessoas de diferentes níveis de consciência, de várias graduações de bem e mal, e mesmo que elas tenham contato pessoal com você, não fugirá de seu conhecimento o mal em pessoas ativas nas ocupações nacionais e internacionais. 

Não será o bastante, posso lhe garantir, você apenas testemunhar o fato de que o Cristo está presente nelas. 

Você terá que dar o segundo passo e também reconhecer que a mente carnal não é poder. Somente assim a sua prece ou meditação estará completa. Uma vez feito o reconhecimento: “Eu, em meu âmago, é Deus; Eu, em seu âmago, é Deus; e a mente carnal, a crença universal em dois poderes, é não-poder”, então, e somente então, seu trabalho estará completo.

Não tente destruir o mal em alguma pessoa. Perceba a natureza universal da mente carnal, e então “anule-a”. Isto pode ser feito, porque jamais Deus criou uma mente carnal. Deus jamais criou dois poderes. 

Deus jamais criou o mal; portanto, ao realizar a “impersonalização” e a “anulação”, você conduzirá sua prece, tratamento ou realização a uma conclusão. 

Poderá, então, descansar e ficar certo de ter realmente lidado com a situação de forma espiritual e inteligente, por honrar a Deus num reconhecimento de Onipotência. Terá honrado a Deus num reconhecimento da Onipresença, a presença de Deus dentro de você, o próprio Eu de seu ser, e praticamente terá expulso o diabo, pela conscientização de que a mente carnal, a crença universal em dois poderes, não tem nenhuma lei de Deus a mantê-la.

O mal que tenta atingi-lo sempre se personaliza. Ele surge como um pecado, como uma tentação, como um falso desejo seu, ou de alguma outra pessoa. Ele sempre se personaliza em “ele”, “ela” ou “você”. Observe como jamais você pensa no alcoolismo, mas pensa em alguém alcoólatra. Você nunca pensa na droga, mas no drogado. Você nunca pensa na mente carnal universal: você pensa no mau sujeito na prisão, porque o mal sempre surge numa forma personalizada. Ele veio a Jesus na forma de diabo. Ele sempre se personaliza, mas quando Jesus voltou-se contra ele, não havia diabo algum ali. Era somente uma tentação em sua mente, e foi em sua mente que ele teve de ser encarado.

Assim, não há nenhuma pessoa má a confrontá-lo. Não existe nenhuma condição maligna a confrontá-lo. Isto é uma personalização da impessoal mente carnal – não uma crença sua ou minha, mas a crença universal em dois poderes. Feito este reconhecimento e esta impersonalização, o mal sairá da pessoa, seja na forma de pecado, doença, falso desejo, etc. Sua saída é, às vezes, muito rápida; em outras vezes, é lenta, dependendo do grau de receptividade de cada um.


Nenhum poder divino é usado

Quando você aprender a impersonalizar o mal, não terá que apelar a um poder divino. Você poderá aceitar a Deus como Onipotência, mas somente se puder ver as assim-chamadas aparências malignas como maya, ou ilusão, e deixar, em vista disso, de pretender que Deus faça alguma coisa com elas. Quando se capacitar a agir assim, estará com a sabedoria espiritual. Poderá, então, dizer ao cego: “Abra seus olhos”. Contudo, no instante em que intencionar que um poder divino faça algo pelo cego, terá perdido a demonstração.

Se puder olhar para o paralítico, e dizer: “Levante-se, tome seu leito e ande”, você conseguirá dar-lhe ajuda; porém, se recorrer a Deus para que Ele faça algo por ele, estará participando do mesmo sonho vivido pelo paralítico. 

Os espiritualmente iluminados sabem que é desnecessário recorrer a Deus por alguma coisa, porque Deus está cuidando sempre de Seus negócios. Ele não precisa ser lembrado, dirigido nem clamado.

Se você deseja realmente honrar a Deus, saiba que Deus está sempre sendo Deus; Deus está sempre mantendo e sustentando Seu universo espiritual. Então, em sua soltura de Deus, irá conscientizar: “Que poder apartado de Deus existe? Que presença apartada de Deus existe? Não devo ser iludido por aparências.” Assim, você verá a retidão se revelar. Nenhum poder divino é usado. O poder divino estava presente desde o princípio, mas o reconhecimento da Onipotência e da Onisciência, e o reconhecimento da irreal natureza das aparências trouxeram-no à infinita manifestação.


Desperte da inércia rumo ao Ser

Está em nossas mãos! Dentro de nós reside nosso poder de determinar se valorizamos ou não nossa liberdade o suficiente para rompermos com a inércia mental que nos impediria de percebermos conscientemente a verdade duas, três ou mais vezes por dia.

Cada um possui um destino espiritual. Assim, o que nos impede de vivenciá-lo? A crença em dois poderes, o bem e o mal, que de tal maneira se cristalizou na consciência humana como uma má-prática ou hipnotismo; crença que nos mantém sob a lei e não sob o domínio da Graça! Uma vez conhecida a verdade de que toda forma de discórdia em nossa vida é uma forma de hipnotismo, e, na proporção com que pudermos aceitar que somos um Eu Divino, iremos ficar livres dos pecados, temores e doenças deste mundo. Nossa mente não tentará alcançar Deus, não buscará o bem: estaremos completamente livres de buscar qualquer tipo de coisa. 

Deus é; Eu Sou: nesta verdade permaneceremos repousados.

Minha vida e a vida de Deus estão unidas: somos uma só vida. Minha mente e a mente de Deus são uma só mente. Nada pode nos separar ou dividir. Nem a vida nem a morte podem separar-me da vida de Deus, do amor de Deus e da abundância de Deus, pois Deus está sendo AGORA. Eu não posso criar isto – nem mesmo Deus pode fazê-lo, pois já tem sido assim desde o princípio.

O que Deus uniu, nenhum homem, circunstância ou condição podem separar, e qualquer crença ou poder que eu vinha até aqui aceitando, referente a uma presença ou um poder apartados do Eu que Eu Sou, rejeito conscientemente embasado na Onipotência e Onipresença.

Impersonalize Deus; impersonalize o mal. Conheça a natureza do Eu como sendo universal; vida e existência universais. Não permita que o “véu” que personaliza Deus volte a ser colocado. Não faça nenhuma imagem de Deus: não faça nenhuma representação de madeira, de marfim nem de ouro; não faça sequer alguma imagem mental de Deus. Assim, você não estará personalizando Deus.

No minuto exato em que você retiver uma imagem de Deus em seu pensamento, estará personalizando-O, e ficará na expectativa de que aquele conceito formado é Deus; mas, conceito algum poderá ser Deus. Somente o Eu pode ser Deus, e você não será capaz de formar uma imagem mental do Eu. Esta é uma palavra que carece de descrição. Tente à vontade e verá: não irá conseguir fazer uma imagem mental do Eu.

Quando esta verdade lhe estiver desvelada, jamais ela voltará a ser encoberta para você. Jamais será capaz de retornar à mania de criar conceitos de Deus, ou de esperar de Deus que faça algo quanto à nulidade e impotência – não-poder – deste mundo do efeito. Sempre aquele sorriso lhe virá aos lábios, e a palavra Eu lhe surgirá; e então, você estará em paz, estará repousado. E nesse estado de quietude e confiança, você se tornará um observador de Deus em ação. Não irá impulsioná-Lo; não irá dar-Lhe força; não irá colocá-Lo em expressão: em quietude e confiança, apenas se tornará um observador, vendo-O trabalhar









quinta-feira, 1 de junho de 2017

Impersonalizando o erro - 02 - JOEL GOLDSMITH





O mal é impessoal


Todo mal é impessoal: não há pessoa em quem, sobre quem, ou através de quem ele possa operar. 

Seja uma alegação de tempo, de doença, ou de carência – seja qual for o nome ou a natureza do mal – o mal é impessoal. Não teve sua origem em mim, em você ou em qualquer pessoa, lugar, coisa ou condição. 

A raiz do mal é a mente carnal, ou a crença em dois poderes; e a crença de que existe poder na doença, no pecado, na carência, é o hipnotismo causador de toda a discórdia no mundo.

Ficaremos sem “mente carnal” à medida que conscientizarmos que, neste mundo todo, o bem e o mal não existem como entidades. 

Portanto, mesmo pensar ou dizer que tal pessoa, coisa ou condição sejam boas, significa permitir que a mente carnal nos controle. Há somente um Ser, uma Essência, um Poder, e este é Consciência – Deus. A Consciência não é boa nem má: Ela simplesmente É.

Para ser boa ou má, a Consciência teria que ter um oposto, e Ela teria que possuir graduações. Não há opostos em Deus; não há graduações em Deus: Deus é infinito; Deus é onipresente, onipotente, onisciente, o que impede que haja espaço para oposição, opostos, limitações ou finidade. 

Ao permitirmos que limitação e finidade operem em nossa consciência, estaremos trazendo a mente carnal à nossa experiência. A mente carnal não é sobrepujada através de lutas contra ela, mas através do reconhecimento de que ela se compõe de uma crença no bem e no mal.


Nós reconhecemos o bem e o mal na experiência humana

O que vimos não quer dizer que deixaremos de reconhecer o bem e o mal em nossa vivência cotidiana. Naturalmente, nós reconhecemos que uma condição de saúde é uma experiência melhor em nossa vida do que a de doença, e um dos frutos da vivência espiritual é um senso máximo de saúde que podemos estar agora desfrutando. 

Assim, enquanto é verdadeiro que humanamente aparentemos ser compelidos a reconhecer as limitações do bem e do mal, deveremos reconhecer que a Consciência não incorpora dentro de Si mesma quantidades ou qualidades de bem e mal, ou de limitação.

Ao nos envolvermos com a rotina das atividades diárias, internamente manteremos nossa percepção espiritual do Eu como consciência individual e o reconhecimento de que tudo que surgir em nossa experiência como pecado, doença, morte ou limitação é a mente carnal, o “braço de carne”, ou seja, nenhuma mente.

Não negaremos que haja maus motoristas, motoristas alcoolizados, descuidados ou incompetentes nas estradas. Enquanto o quadro humano for considerado, os trajetos estarão cheios de pessoas boas e más; mas, ao assim reconhecermos, assumiremos nossa postura espiritual: “Sim, esta é a aparência decorrente da crença no bem e no mal –mente carnal--, mas ela não é poder: não é ordenada ou mantida por Deus. Simplesmente é o “braço de carne”.

Através de nossa experiência humana, não poderemos evitar de tomar conhecimento de pecado, doença e pobreza no mundo, condições que no mundo estarão enquanto existir uma raça humana que não tenha se emancipado. 

Enquanto perdurar um mundo fundamentado na crença no bem e no mal, estes quadros estarão aqui para serem vistos: doença por toda parte, morte, insanidade, e todas as demais coisas componentes da mente carnal. O que irá determinar a harmonia de nossa experiência é a nossa reação a estes quadros, não por escondermos nossas cabeças na areia, afirmando ou declarando que eles não existem, mas por fazermos o reconhecimento: “Sim, eles são o braço de carne”. Têm poder temporal. Eles são poder para um mundo que crê no bem e no mal, mas não são poder para mim. Eu sei que existe somente um Poder”.

No início de nossa jornada espiritual, meramente saímos de um conceito mortal de mal para um conceito melhorado de vida humana, com mais saúde, mais prosperidade ou felicidade. Contudo, não é este o nosso objetivo final de vida. Este objetivo final é a realização espiritual que, eventualmente, erradica a ambos os conceitos de vida humana: o bom e o mau.


A Onipotência do Eu

Ao testemunhar os males do mundo, se eles surgirem em sua vida ou na de seus familiares, vizinhos ou em sua nação, certifique-se de estar cobrindo os dois princípios maiores de O Caminho Infinito: primeiramente, abra a porta de sua consciência e admita o Eu; a seguir, faça o reconhecimento:

"Não se atemorize. Eu estou com você. Não tema com relação àquele que está lá fora: Eu sou Ele. Eu estou aqui, e Eu estou lá. Não tema: Eu, em seu âmago, sou poderoso. Eu sou vida eterna. Eu sou o Caminho. Apenas confie em Mim. Não tema perigo algum, pois não há poder algum externo a você. Eu, em seu âmago, sou poder infinito, o poder-total, o único poder.

Viva pela Graça, pois Eu sou o seu alimento, seu vinho, sua água. Eu posso dar-lhe a água que, ao ser bebida, fará com que jamais volte a ter sede. Eu tenho alimento que você não conhece. Eu sou a ressurreição. Eu sou o Caminho para a sua paz; Eu sou o Caminho para a sua abundância; Eu sou o Caminho para a sua segurança.

Eu sou a rocha. Eu sou a fortaleza. Eu sou a muralha. Habite em Mim, e permita-Me habitar em você, e mal algum o atingirá. Nenhuma arma apontada a você irá produzir qualquer efeito. Por quê? Porque elas todas são sombras; não são realidades; não são poder. Eu, em seu âmago, sou onipotência, o único poder. Estas flechas, estes dardos envenenados, estes germes, estas balas, estas bombas: são todos sombras. São crenças num poder apartado de Mim. São a crença universal em dois poderes. Acredite em Mim como Onipotência."

Você não estará na Mística até que tenha aberto a sua consciência e aceito a Verdade de que Eu, em seu âmago, sou Ele, este Cristo encarnado em você, e que a Anunciação significa o nascimento do Cristo em você. Mas, quando aceitar isto, não se esqueça de que o trabalho somente estará completo quando você associar a onipotência do Eu, que é o primeiro princípio de O Caminho Infinito, com o segundo, que é o “não-poder” de tudo aquilo que estiver aparecendo como o mundo do efeito.