domingo, 4 de junho de 2017

A linguagem da cura pelo espírito - parte 01





De acordo com o caminho da auto-realização, poucas palavras servem de base à arte de curar pelo espírito. Antes de abordar este assunto, quero dizer brevemente o que se entende por auto-realização: É uma doutrina espiritual baseada em uns poucos princípios, que qualquer pessoa pode observar praticamente, independentemente de sua confissão religiosa. 

O caminho da auto-realização revela a natureza de Deus como sendo o poder infinito, a inteligência e o amor do Universo; e revela o ser de cada indivíduo como uno com a natureza e os atributos de Deus, ser individual esse que se manifesta em inumeráveis formas e espécies; revela ainda que a natureza e a idéia de que temos das desarmonias deste mundo resultam de uma concepção errônea sobre a revelação da Divindade do Universo. São estes os princípios universais, baseados na mensagem do Cristo, quando ensina que o homem pode realizar a sua unidade com Deus mediante um contato consciente com Deus, e que o homem, assim realizado em Deus, pode trazer ao mundo harmonia, paz e integridade.


A primeira e mais importante palavra neste processo de cura pelo espírito é o pequeno vocábulo “como”, cuja compreensão exclui para sempre o conceito de dualidade: o Deus universal se revela como cada ser individual!

Se isto é verdade, então não há Deus e o homem; não há Deus mais tu, por isto, não pode haver pessoa que se possa dirigir a Deus com alguma necessidade.

Durante os anos em que eu dedicava o meu tempo exclusivamente à terapêutica espiritual, aprendi a não considerar os meus pacientes como seres humanos; nem me dirigia a Deus para que eles recuperassem a saúde. Eu via Deus em cada pessoa que me visitava; eu via Deus como esse ser individual; e esta verdade creava harmonia. Esta verdade revelava a divindade do ser humano e do corpo deles, e esta revelação se tornou a pedra fundamental do edifício da auto-realização.

Há somente Deus, que manifesta a sua infinita essência e sua natureza espiritual, como teu ser, como meu ser: “Eu e o Pai somos um” – não dois. Nesta unidade és tudo o que Deus é. Se compreenderes a idéia “como”, que Deus se manifesta como o teu ser individual, como o meu ser individual, então compreenderás que tudo que Deus é, tu também és.

“Meu filho, tu estás sempre comigo, e tudo que é meu é teu”. Eu sou co-herdeiro com o Cristo de todos os tesouros do reino de Deus. “Nada posso fazer de mim mesmo” – mas, em virtude da minha unidade com o Pai, eu sou tudo que Deus é. Onde quer que eu esteja, está o Pai dentro de mim; por isto, onde quer que eu esteja, o Pai age dentro de mim.

Deus, que aparece como ser individual – Deus que se mostra como sendo tu, como eu – é este o caminho da auto-realização. É este o segredo da cura pelo espírito. Esse “tu” ou “eu” não é um reflexo ou uma idéia separada, ou algo que fosse menos que Deus; esse “tu” ou “eu” é Deus mesmo, feito manifesto – Deus Pai, que aqui na terra aparece como um ser individual. Unidade – é este o mistério.

Depois de assimilares esta verdade; depois de viveres nela e a praticares, considerando cada homem, cada mulher, cada criança, cada planta e cada ser individual no mundo à luz do conhecimento: “Isto não é o que parece ser; isto é Deus, que se manifesta como”... então desenvolverás aquela consciência curativa que nunca enxerga o homem na sua humanidade; mas que logo entra em contato com a consciência espiritual dele. Acostumar-te-ás a não ver o homem segundo a sua aparência, mas o verás através dos seus olhos, para além dos seus olhos, na certeza de que lá está o Cristo de Deus. Fazendo isto, aprender a prescindir da aparência externa, e, em lugar de tentares curar alguém ou restabelecer alguém ou melhorar alguém, te tornarás verdadeiramente uma testemunha da sua natureza crística, da sua essencial identidade com Cristo.

Outra palavra não menos importante que o “como”, é o verbo “é”. Se é verdade que Deus se revela como o ser individual de cada creatura, então a harmonia é a verdade sobre cada indivíduo. E com isto a palavra “é” se torna uma palavra-mestra na oração e no processo curativo. Então desistimos de querer curar alguém, desistimos de querer melhorar ou enriquecer alguém; então vivemos constantemente na harmonia do É, ou do EU SOU. Se Deus é o teu ser, então Deus é a tua harmonia; se tudo o que o Pai tem é teu, então, tu estás, agora mesmo, na plenitude e perfeição de Deus; se Deus é a atividade do teu ser, então é a harmonia e a lei do teu ser. Se deixares de viver no passado ou no futuro, então vives na consciência do permanente É, do eterno EU SOU.

Mesmo quando encontras um bêbado, um doente ou um moribundo, não prestarás atenção à aparência externa, mas dirás a ti mesmo “Ele É”. A conseqüência do “como” é necessariamente o “é”. É isto compreensível ou não? Se Deus se manifesta como o teu “tu”, portanto é a harmonia a tua verdade.

A mais poderosa expressão no vocabulário da oração é a palavrinha “é”. A harmonia é, Deus é, a paz é, a abundância é, a onipresença é. Será que pode haver algo que curar, algo que mudar, algo que renovar, ou algo que aniquilar na presença da onipresença? Percebes os fenômenos externos, as aparências dos sentidos, mas não te deixarás desorientar por elas. Podem os olhos ser testemunhas da doença de alguém, testemunhas da pobreza ou da culpa de alguém – mas o Espírito te diz: “Não! Isto é Deus em sua manifestação: isto é uma individualização de Deus; e por isto, a harmonia é a verdade, independentemente do que meus olhos vêem ou meus ouvidos ouvem”.

A cura espiritual supõe uma consciência altamente desenvolvida. É uma consciência capaz de penetrar as aparências e enxergar para além; é uma visão de dentro, que nos dá a certeza desta verdade, mesmo quando os nossos olhos enxergam um ladrão ou um moribundo. Ninguém pode ser curador espiritual eficiente se não possuir a certeza: “Este é meu filho amado, no qual me comprazo”. É sem importância o testemunho dos sentidos externos. Algo no teu interior deve cantar, e o cântico que teu interior canta deve dizer: “Este é meu filho amado, no qual me comprazo... O Eu no meu interior é poderoso”.

Palavras não resolvem este problema. Deve ser uma convicção interna – e esta só se adquire por meio de exercícios, pela compreensão e pela prática – sem falar da graça de Deus que reside no teu íntimo. Se fores capaz de ficar sentado à cabeceira de um doente moribundo sem um vestígio de temor, porque uma voz canta no teu interior: “Este é meu filho amado... Eu sou onipotente no meu interior... Jamais te abandonarei nem te esquecerei” – então és um curador pelo Espírito. Isto supõe uma evolução que só se alcança por exercícios – até que desponte o dia em que esta voz fala de dentro. Ou alguém recebe esta consciência pela graça de Deus, como um presente.

Entretanto, é difícil alcançar esta convicção, se não forem clarificadas certas circunstâncias que fazem parte da cura espiritual. Uma das mais importantes é a função da mente humana.

Antigamente, nos primórdios das assim chamadas curas metafísicas, ensinava-se que o corpo estava sujeito à mente. Era uma idéia nova, tão provocante que o homem moderno começou a treinar neste sentido, controlando o corpo pela mente. Breve foi o tempo dos sucessos – e ainda em nossos dias alguns principiantes colhem certos resultados com este método. O que há de ilusório nesta praxe é que os seus adeptos se esquecem de que por detrás do pensamento está um pensador, e que esse pensador não é nenhuma pessoa – o pensador é Deus, o Deus no homem, a alma humana.

A mente humana é apenas um instrumento de percepção. Podemos, sim, perceber a verdade com a mente, mas a mente não é creadora. O próprio inventor não haure a sua invenção de dentro da sua mente. Ele percebe a existência de certas leis naturais, que sempre existiram; descobre como essas leis harmonizam-se entre si e como devem ser aplicadas. O reto uso da mente como instrumento de percepção faz dela não somente um poderoso instrumento, mas a sua faculdade cresce com o uso e faz eclodir novas forças.

Sabendo que a mente é um instrumento, devemos saber também de quem ela é instrumento; porque todo instrumento deve ser conduzido e controlado por alguém. 

Infelizmente, a maior parte dos homens não descobriu ainda aquele centro interior capaz de dirigir eficazmente o intelecto humano. Adeptos das ciências mentais, quando tentam dominar a mente pela força da vontade ou pela modificação de pensamentos, chegam, geralmente, à experiência de que a mente humana não se deixa dominar pelo homem; e a disposição desses estudiosos acaba por ser pior no fim do que era no princípio, revelando-se em estados de esgotamento nervoso.

A mente humana é um instrumento de algo que está acima dela. Esse algo é o verdadeiro Eudo homem, a tua autêntica IDENTIDADE. Se esse teu Eu interno guiar e controlar a tua mente, então encontrarás a paz, uma paz perfeita, que transcende o entendimento humano.

Certas fotografias de Tomás Edison nos dão idéia de uso correto da inteligência: esses retratos mostram o grande inventor, quase sempre, com a mão junto ao ouvido, em uma atitude de intensa auscultação. Os seus colaboradores sabiam contar numerosas histórias sobre isto; Edison lhes distribuía os trabalhos de pesquisa, e cada um elaborava aquilo de que era capaz – e, no fim, apelavam apara a sabedoria do mestre. A mão do inventor ia imediatamente ao ouvido, Edison escutava uma voz inaudível – e depois dava as suas instruções para o próximo passo.

Nesta altura, quero frisar a diferença entre duas atitudes: uns tentam servir-se da mente como de uma força creadora – outros servem-se dela como um simples instrumento de percepção. Se eu trabalhasse no plano puramente mental, dos pensamentos, fecharia os olhos e repetiria incessantemente a mim mesmo: “Teu corpo está sadio; teu corpo funciona normalmente; teu corpo reage a esta verdade, que me é consciente” – e, provavelmente, o resultado desses exercício mental seria um certo alívio benéfico do mal. Com efeito, nos primeiros tempos dessas terapias metafísicas houve uma onda de resultados admiráveis. Na realidade, porém, os curadores não haviam atingido a verdade plena, quando cuidavam que a mente pudesse curar o corpo humano, o próprio ou alheio. Era uma das etapas intermediárias, certamente superior àquele outro estágio em que o homem considerava o corpo material como fonte e origem da vida.

Do ponto de vista da cura espiritual e da vida espiritual, o processo é bem diferente.

Das alturas desta perspectiva, é Deus a alma, a vida e lei única de todos os seres; a mente humana é o instrumento, e o corpo é a sua forma manifestativa externa. Quem trabalha neste plano e recebe um grito de socorro de um doente, fecha os olhos e não pensa pensamento algum. Não reflete o que o doente deva comer ou beber, ou como deveria ser a sua saúde. O curador espiritual senta-se tranquilamente, na consciência de que a sua mente é um vaso receptivo. Receptivo, para receber o que? Para receber em si aquela “voz suave e silenciosa” – e a terra degela!...

De dentro desse silêncio, em que tu te fizeste quase um vácuo -- um vácuo auscultativo – sempre vigilante, nunca dormente, nunca fatigado, nunca hesitante, sempre consciente e ativo, na expectativa da visita do Cristo – de dentro deste grande silêncio, de dentro deste infinito, que é Deus, das profundezas de tua alma, o Deus em ti, se fará ouvir uma voz ou surgirá um sentimento, uma vibração, uma libertação, uma certeza – indiferente o nome que lhes dê -- e lá se foi a ilusão e nasceu a Verdade...

Não importa a natureza do problema, quer seja de caráter físico, mental, moral ou financeiro, ou se trate de harmonizar relações sociais – não faz diferença alguma; pois não é a tua sapiência que vai tratar do assunto. Tu não haures daquilo que aprendeste durante os anos de tua peregrinação na terrestre. Manténs uma atitude completamente receptiva para Aquilo que te creou no princípio e que sabe da situação de cada indivíduo; e se tu permitires que esse Poder se manifeste, estarás lá onde deves estar, sob a jurisdição de teu Pai celeste, sob o domínio desse Alguém, que sabe das tuas necessidades, antes que tu mesmo as conheças; desse Alguém que se compraz em dar-te o reino...

Faze da tua mente um simples instrumento de percepção, em vez de investires com a tua cabeça contra a muralha de um problema aparentemente insolúvel, em vez de preocupares com o pensamento qual seja o próximo passo a dar, amanhã, depois de amanhã – habitua-te a escutar, servindo-te da mente como de um canal para receber as águas vivas da Fonte. Permita que Deus encha a tua mente. Sê uma testemunha do espírito divino, que move, anima e penetra tanto a mente como o corpo.

Percebe, através da tua mente, a Verdade de Deus, e esta Verdade realizará a obra; não tu, nem os teus pensamentos. Não é a atividade da tua mente que libertará alguém; é a atuação da Verdade que, através do canal da tua mente, libertará alguém dos seus males.

Talvez já notaste que, quando um nadador tenta manter o corpo na superfície da água, quanto mais agita os membros, mais vai afundando; o que ele deve fazer é manter-se em estado de calma relaxação, movendo vagarosamente pernas e braços e deslizando suavemente pela água. É esta a atitude do curador espiritual – uma calma e tranquila receptividade.











Continua...

DEUS, O SER INDIVIDUAL (Joel Goldsmith)



Os milagres acontecem quando o “pequeno eu” está ausente. Quando você recebe um pedido de ajuda, se houver a conscientização de que este “eu” é inexistente, a chamada cura já se inicia. Porém, se encarar a pessoa como este “eu”, com a ideia: “Como poderei melhorá-la, curá-la, supri-la?", você estará destruindo sua capacidade curativa, pois este “eu”, levado em consideração, não existe. Deus é o ÚNICO Eu, e Deus não necessita de cura, ensinamento ou enriquecimento.


Se alguém lhe disser: “Eu estou doente”, e sua resposta for do tipo: “Bem, vamos ver o que poderei fazer para torná-lo saudável”, tal procedimento será o de “um cego conduzindo outro cego”. O “paciente” pensa ser alguém apartado de Deus; assim, se você alimentar a mesma idéia, estarão ambos caindo no fosso.

A única forma de vivenciarmos um ministério de cura em elevado nível espiritual consiste em nos convencermos da inexistência de qualquer “eu” apartado de Deus. Se houvesse este “eu”, Deus não existiria. É impossível existir Deus e algum ser mortal, alguém fadado a adoecer, pecar ou morrer.

Nós abolimos não somente a crença em doença física ou a crença numa possível causa mental para ela: abolimos também a crença de que existe alguma pessoa vivenciando a condição doentia, até chegarmos à conscientização de sua REAL IDENTIDADE. Não podemos considerar um ser humano para, depois, querermos torná-lo mais saudável, mais próspero, mais sábio! Nós revelamos Deus como o Ser infinito e Individual. Nosso interesse fica voltado apenas nesta direção: ver Deus como cada Ser, em permanente manifestação. A forma de se conseguir isto está no “morrer diário” para a nossa humanidade, no “renascer” para a nova Identidade espiritual, e na conscientização – quando alguém solicita nosso auxílio – de que a totalidade do Reino de Deus jamais inclui pessoa alguma naquela situação. Mantendo-nos e sustentando-nos nesta atitude, a harmonia começará a ser evidenciada.

Quando alguém de nosso círculo familiar ou de amizade estiver envolvido em algum senso de desarmonia, em vez de procurarmos saber de que forma poderíamos ajudá-lo, sentemo-nos para assim conscientizar: “Ah, não acreditarei na existência de tal pessoa! Deus é a Individualidade infinita; Deus é a Pessoa infinita; Deus é o Um infinito; e, ao lado de Deus, não há nenhum outro”.

A forma verdadeira de prestarmos ajuda está em aprendermos a “morrer diariamente”; e, para tanto, utilizamos a disciplina denominada “Não-eu”. Não-eu! Não! Esta pessoa não me interessa! Ela nada tem a ver comigo. O verdadeiro e único Eu está tomando conta dela.

















sábado, 3 de junho de 2017

Orar a Deus (Joel Goldsmith)





A essência de nosso trabalho é que DEUS É! Todos falamos sobre Deus, pensamos em Deus, oramos a Deus; mas, ao percebermos que Deus não está existindo para receber nossas orações saberemos os motivos que tornam tão infrutíferos o nosso falar e grande parte do nosso pensar sobre Deus.

O primeiro ponto a ficar claro, quando percebemos que DEUS É, é que Deus não existe para estar recebendo nossas orações. 

Se simplesmente tivéssemos captado o que nos revelou Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, já teríamos percebido isso há muito tempo. Observemos suas palavras:

“Deus não é movido pelo bafejo louvaminheiro a fazer mais do que já fez, nem pode o infinito fazer menos do que conceder todo o bem, porquanto Ele é sabedoria e Amor imutáveis. Deus é Amor. Podemos pedir-Lhe que seja mais? Deus é Inteligência. Podemos passar à Mente infinita algo que ainda não compreenda? Pedir a Deus que seja Deus é vã repetição. Deus é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre; e Aquele que é imutavelmente justo, fará o que é justo sem que seja preciso lembrá-Lo de Seu ofício. Quem se colocaria diante de uma lousa para rogar ao princípio da matemática que lhe resolvesse o problema?”

O primeiro passo é aprendermos a não pedir ou orar a Deus, nem esperar algo dEle. 

O passo seguinte é aprendermos a nos voltar ao Reino dentro de nós, que é o Reino de Deus. Não por alguma coisa, mas em reconhecimento da harmonia e perfeição presentes em tudo que Deus governa. E Ele governa a Realidade inteira.

Aprendemos, também, que não existe mal em nenhuma pessoa, lugar ou coisa, mas que o mal está no CONCEITO universal de pessoa, lugar ou coisa. Saber que inexiste mal em toda circunstância ou condição nos liberta dos efeitos malignos que poderiam advir da crença no mal.

Se o sentido espiritual é o que dissolve cada chamado problema humano, também é verdadeiro que uma percepção consciente da verdade do ser resulta em harmonia que nunca nos deixa, e que experienciamos conscientemente. 

Portanto, devemos “conhecer a Verdade”, para que “a Verdade nos liberte” de tudo que aparente nos ocultar a nossa real identidade.

Se somente habitarmos na infinitude e natureza eterna do governo divino e do Universo, reconheceremos e experienciaremos a natureza imutável de toda a criação de Deus. A dependência a um poder supostamente externo a nós mesmos é sempre o erro.

Todo o nosso objetivo é a realização da presença e poder de Deus. “Eu, de mim mesmo, não posso fazer nada”, mas perdura o fato de que “o Pai interior faz a obra”. Como ter consciência do “Pai interior”? Aquietando os sentidos humanos e ouvindo a “pequenina voz suave”. “Eu ouvirei Tua Voz”, pois, a transmissão deve sempre provir da Mente.









sexta-feira, 2 de junho de 2017

Impersonalizando o erro (Fim) - JOEL GOLDSMITH




Reconheça o mal como a mente carnal

Em sua experiência, você estará lidando com pessoas de diferentes níveis de consciência, de várias graduações de bem e mal, e mesmo que elas tenham contato pessoal com você, não fugirá de seu conhecimento o mal em pessoas ativas nas ocupações nacionais e internacionais. 

Não será o bastante, posso lhe garantir, você apenas testemunhar o fato de que o Cristo está presente nelas. 

Você terá que dar o segundo passo e também reconhecer que a mente carnal não é poder. Somente assim a sua prece ou meditação estará completa. Uma vez feito o reconhecimento: “Eu, em meu âmago, é Deus; Eu, em seu âmago, é Deus; e a mente carnal, a crença universal em dois poderes, é não-poder”, então, e somente então, seu trabalho estará completo.

Não tente destruir o mal em alguma pessoa. Perceba a natureza universal da mente carnal, e então “anule-a”. Isto pode ser feito, porque jamais Deus criou uma mente carnal. Deus jamais criou dois poderes. 

Deus jamais criou o mal; portanto, ao realizar a “impersonalização” e a “anulação”, você conduzirá sua prece, tratamento ou realização a uma conclusão. 

Poderá, então, descansar e ficar certo de ter realmente lidado com a situação de forma espiritual e inteligente, por honrar a Deus num reconhecimento de Onipotência. Terá honrado a Deus num reconhecimento da Onipresença, a presença de Deus dentro de você, o próprio Eu de seu ser, e praticamente terá expulso o diabo, pela conscientização de que a mente carnal, a crença universal em dois poderes, não tem nenhuma lei de Deus a mantê-la.

O mal que tenta atingi-lo sempre se personaliza. Ele surge como um pecado, como uma tentação, como um falso desejo seu, ou de alguma outra pessoa. Ele sempre se personaliza em “ele”, “ela” ou “você”. Observe como jamais você pensa no alcoolismo, mas pensa em alguém alcoólatra. Você nunca pensa na droga, mas no drogado. Você nunca pensa na mente carnal universal: você pensa no mau sujeito na prisão, porque o mal sempre surge numa forma personalizada. Ele veio a Jesus na forma de diabo. Ele sempre se personaliza, mas quando Jesus voltou-se contra ele, não havia diabo algum ali. Era somente uma tentação em sua mente, e foi em sua mente que ele teve de ser encarado.

Assim, não há nenhuma pessoa má a confrontá-lo. Não existe nenhuma condição maligna a confrontá-lo. Isto é uma personalização da impessoal mente carnal – não uma crença sua ou minha, mas a crença universal em dois poderes. Feito este reconhecimento e esta impersonalização, o mal sairá da pessoa, seja na forma de pecado, doença, falso desejo, etc. Sua saída é, às vezes, muito rápida; em outras vezes, é lenta, dependendo do grau de receptividade de cada um.


Nenhum poder divino é usado

Quando você aprender a impersonalizar o mal, não terá que apelar a um poder divino. Você poderá aceitar a Deus como Onipotência, mas somente se puder ver as assim-chamadas aparências malignas como maya, ou ilusão, e deixar, em vista disso, de pretender que Deus faça alguma coisa com elas. Quando se capacitar a agir assim, estará com a sabedoria espiritual. Poderá, então, dizer ao cego: “Abra seus olhos”. Contudo, no instante em que intencionar que um poder divino faça algo pelo cego, terá perdido a demonstração.

Se puder olhar para o paralítico, e dizer: “Levante-se, tome seu leito e ande”, você conseguirá dar-lhe ajuda; porém, se recorrer a Deus para que Ele faça algo por ele, estará participando do mesmo sonho vivido pelo paralítico. 

Os espiritualmente iluminados sabem que é desnecessário recorrer a Deus por alguma coisa, porque Deus está cuidando sempre de Seus negócios. Ele não precisa ser lembrado, dirigido nem clamado.

Se você deseja realmente honrar a Deus, saiba que Deus está sempre sendo Deus; Deus está sempre mantendo e sustentando Seu universo espiritual. Então, em sua soltura de Deus, irá conscientizar: “Que poder apartado de Deus existe? Que presença apartada de Deus existe? Não devo ser iludido por aparências.” Assim, você verá a retidão se revelar. Nenhum poder divino é usado. O poder divino estava presente desde o princípio, mas o reconhecimento da Onipotência e da Onisciência, e o reconhecimento da irreal natureza das aparências trouxeram-no à infinita manifestação.


Desperte da inércia rumo ao Ser

Está em nossas mãos! Dentro de nós reside nosso poder de determinar se valorizamos ou não nossa liberdade o suficiente para rompermos com a inércia mental que nos impediria de percebermos conscientemente a verdade duas, três ou mais vezes por dia.

Cada um possui um destino espiritual. Assim, o que nos impede de vivenciá-lo? A crença em dois poderes, o bem e o mal, que de tal maneira se cristalizou na consciência humana como uma má-prática ou hipnotismo; crença que nos mantém sob a lei e não sob o domínio da Graça! Uma vez conhecida a verdade de que toda forma de discórdia em nossa vida é uma forma de hipnotismo, e, na proporção com que pudermos aceitar que somos um Eu Divino, iremos ficar livres dos pecados, temores e doenças deste mundo. Nossa mente não tentará alcançar Deus, não buscará o bem: estaremos completamente livres de buscar qualquer tipo de coisa. 

Deus é; Eu Sou: nesta verdade permaneceremos repousados.

Minha vida e a vida de Deus estão unidas: somos uma só vida. Minha mente e a mente de Deus são uma só mente. Nada pode nos separar ou dividir. Nem a vida nem a morte podem separar-me da vida de Deus, do amor de Deus e da abundância de Deus, pois Deus está sendo AGORA. Eu não posso criar isto – nem mesmo Deus pode fazê-lo, pois já tem sido assim desde o princípio.

O que Deus uniu, nenhum homem, circunstância ou condição podem separar, e qualquer crença ou poder que eu vinha até aqui aceitando, referente a uma presença ou um poder apartados do Eu que Eu Sou, rejeito conscientemente embasado na Onipotência e Onipresença.

Impersonalize Deus; impersonalize o mal. Conheça a natureza do Eu como sendo universal; vida e existência universais. Não permita que o “véu” que personaliza Deus volte a ser colocado. Não faça nenhuma imagem de Deus: não faça nenhuma representação de madeira, de marfim nem de ouro; não faça sequer alguma imagem mental de Deus. Assim, você não estará personalizando Deus.

No minuto exato em que você retiver uma imagem de Deus em seu pensamento, estará personalizando-O, e ficará na expectativa de que aquele conceito formado é Deus; mas, conceito algum poderá ser Deus. Somente o Eu pode ser Deus, e você não será capaz de formar uma imagem mental do Eu. Esta é uma palavra que carece de descrição. Tente à vontade e verá: não irá conseguir fazer uma imagem mental do Eu.

Quando esta verdade lhe estiver desvelada, jamais ela voltará a ser encoberta para você. Jamais será capaz de retornar à mania de criar conceitos de Deus, ou de esperar de Deus que faça algo quanto à nulidade e impotência – não-poder – deste mundo do efeito. Sempre aquele sorriso lhe virá aos lábios, e a palavra Eu lhe surgirá; e então, você estará em paz, estará repousado. E nesse estado de quietude e confiança, você se tornará um observador de Deus em ação. Não irá impulsioná-Lo; não irá dar-Lhe força; não irá colocá-Lo em expressão: em quietude e confiança, apenas se tornará um observador, vendo-O trabalhar









quinta-feira, 1 de junho de 2017

Impersonalizando o erro - 02 - JOEL GOLDSMITH





O mal é impessoal


Todo mal é impessoal: não há pessoa em quem, sobre quem, ou através de quem ele possa operar. 

Seja uma alegação de tempo, de doença, ou de carência – seja qual for o nome ou a natureza do mal – o mal é impessoal. Não teve sua origem em mim, em você ou em qualquer pessoa, lugar, coisa ou condição. 

A raiz do mal é a mente carnal, ou a crença em dois poderes; e a crença de que existe poder na doença, no pecado, na carência, é o hipnotismo causador de toda a discórdia no mundo.

Ficaremos sem “mente carnal” à medida que conscientizarmos que, neste mundo todo, o bem e o mal não existem como entidades. 

Portanto, mesmo pensar ou dizer que tal pessoa, coisa ou condição sejam boas, significa permitir que a mente carnal nos controle. Há somente um Ser, uma Essência, um Poder, e este é Consciência – Deus. A Consciência não é boa nem má: Ela simplesmente É.

Para ser boa ou má, a Consciência teria que ter um oposto, e Ela teria que possuir graduações. Não há opostos em Deus; não há graduações em Deus: Deus é infinito; Deus é onipresente, onipotente, onisciente, o que impede que haja espaço para oposição, opostos, limitações ou finidade. 

Ao permitirmos que limitação e finidade operem em nossa consciência, estaremos trazendo a mente carnal à nossa experiência. A mente carnal não é sobrepujada através de lutas contra ela, mas através do reconhecimento de que ela se compõe de uma crença no bem e no mal.


Nós reconhecemos o bem e o mal na experiência humana

O que vimos não quer dizer que deixaremos de reconhecer o bem e o mal em nossa vivência cotidiana. Naturalmente, nós reconhecemos que uma condição de saúde é uma experiência melhor em nossa vida do que a de doença, e um dos frutos da vivência espiritual é um senso máximo de saúde que podemos estar agora desfrutando. 

Assim, enquanto é verdadeiro que humanamente aparentemos ser compelidos a reconhecer as limitações do bem e do mal, deveremos reconhecer que a Consciência não incorpora dentro de Si mesma quantidades ou qualidades de bem e mal, ou de limitação.

Ao nos envolvermos com a rotina das atividades diárias, internamente manteremos nossa percepção espiritual do Eu como consciência individual e o reconhecimento de que tudo que surgir em nossa experiência como pecado, doença, morte ou limitação é a mente carnal, o “braço de carne”, ou seja, nenhuma mente.

Não negaremos que haja maus motoristas, motoristas alcoolizados, descuidados ou incompetentes nas estradas. Enquanto o quadro humano for considerado, os trajetos estarão cheios de pessoas boas e más; mas, ao assim reconhecermos, assumiremos nossa postura espiritual: “Sim, esta é a aparência decorrente da crença no bem e no mal –mente carnal--, mas ela não é poder: não é ordenada ou mantida por Deus. Simplesmente é o “braço de carne”.

Através de nossa experiência humana, não poderemos evitar de tomar conhecimento de pecado, doença e pobreza no mundo, condições que no mundo estarão enquanto existir uma raça humana que não tenha se emancipado. 

Enquanto perdurar um mundo fundamentado na crença no bem e no mal, estes quadros estarão aqui para serem vistos: doença por toda parte, morte, insanidade, e todas as demais coisas componentes da mente carnal. O que irá determinar a harmonia de nossa experiência é a nossa reação a estes quadros, não por escondermos nossas cabeças na areia, afirmando ou declarando que eles não existem, mas por fazermos o reconhecimento: “Sim, eles são o braço de carne”. Têm poder temporal. Eles são poder para um mundo que crê no bem e no mal, mas não são poder para mim. Eu sei que existe somente um Poder”.

No início de nossa jornada espiritual, meramente saímos de um conceito mortal de mal para um conceito melhorado de vida humana, com mais saúde, mais prosperidade ou felicidade. Contudo, não é este o nosso objetivo final de vida. Este objetivo final é a realização espiritual que, eventualmente, erradica a ambos os conceitos de vida humana: o bom e o mau.


A Onipotência do Eu

Ao testemunhar os males do mundo, se eles surgirem em sua vida ou na de seus familiares, vizinhos ou em sua nação, certifique-se de estar cobrindo os dois princípios maiores de O Caminho Infinito: primeiramente, abra a porta de sua consciência e admita o Eu; a seguir, faça o reconhecimento:

"Não se atemorize. Eu estou com você. Não tema com relação àquele que está lá fora: Eu sou Ele. Eu estou aqui, e Eu estou lá. Não tema: Eu, em seu âmago, sou poderoso. Eu sou vida eterna. Eu sou o Caminho. Apenas confie em Mim. Não tema perigo algum, pois não há poder algum externo a você. Eu, em seu âmago, sou poder infinito, o poder-total, o único poder.

Viva pela Graça, pois Eu sou o seu alimento, seu vinho, sua água. Eu posso dar-lhe a água que, ao ser bebida, fará com que jamais volte a ter sede. Eu tenho alimento que você não conhece. Eu sou a ressurreição. Eu sou o Caminho para a sua paz; Eu sou o Caminho para a sua abundância; Eu sou o Caminho para a sua segurança.

Eu sou a rocha. Eu sou a fortaleza. Eu sou a muralha. Habite em Mim, e permita-Me habitar em você, e mal algum o atingirá. Nenhuma arma apontada a você irá produzir qualquer efeito. Por quê? Porque elas todas são sombras; não são realidades; não são poder. Eu, em seu âmago, sou onipotência, o único poder. Estas flechas, estes dardos envenenados, estes germes, estas balas, estas bombas: são todos sombras. São crenças num poder apartado de Mim. São a crença universal em dois poderes. Acredite em Mim como Onipotência."

Você não estará na Mística até que tenha aberto a sua consciência e aceito a Verdade de que Eu, em seu âmago, sou Ele, este Cristo encarnado em você, e que a Anunciação significa o nascimento do Cristo em você. Mas, quando aceitar isto, não se esqueça de que o trabalho somente estará completo quando você associar a onipotência do Eu, que é o primeiro princípio de O Caminho Infinito, com o segundo, que é o “não-poder” de tudo aquilo que estiver aparecendo como o mundo do efeito.















quarta-feira, 31 de maio de 2017

Impersonalizando o erro - 01- JOEL GOLDSMITH





A história do mundo registra centenas de místicos que se elevaram tão alto em consciência ao ponto de conscientizarem o Eu; no entanto, muitos jamais conseguiram desfrutar uma vida feliz, saudável e bem-sucedida, ou formaram um corpo de alunos capazes de revelar ao mundo a harmonia divina aqui disponível para todos. Por quê? Por que atingiram tamanha elevação e, mesmo assim, continuaram às voltas com as discórdias deste mundo? Eis o motivo: não captaram a importância e o significado da natureza do erro.

Sem uma compreensão da natureza do erro, este mundo não será, na próxima geração, diferente do atual. Todos sabemos que têm havido várias revelações do Eu, mas, igualmente, sabemos que estas revelações não salvaram o mundo. 

A revelação da natureza do erro, combinada com a revelação do Eu, poderá cumprir este objetivo e irá fazê-lo.


Uma compreensão do não-poder do efeito é essencial

É verdade que a natureza do erro foi ensinada, em certa escala, nos primeiros anos de ensino e cura metafísicos, mas o real significado do princípio da nulidade e não-poder da doença não foi entendido. Acreditou-se que a mente, que foi tornada um sinônimo de Deus, era o poder que curava a doença; em resumo, que Deus era o poder que a removia. 

Contudo, se você aceitar a Verdade de que Deus é onipotente, logicamente concluirá o seguinte: “Ora, então nada, senão Deus, é Poder”. Isto implica a impotência de toda e qualquer coisa que se lhe apresente como poder, seja ela uma pessoa, circunstância, coisa ou condição. Poderá encará-la objetivamente e perceber quão impossível é ela capaz de ser um poder ou possuir um poder, sendo que Deus é onipresente e onipotente, a única Presença e o único Poder.

Quanto mais conscientes ficamos da natureza de Deus como Onisciência, Onipotência e Onipresença, mais nos tornamos conscientes do não-poder deste mundo do efeito. Talvez você fique a imaginar qual seria o motivo que provocou a não-descoberta deste princípio pelos antigos místicos, e a resposta é que suas mentes estavam condicionadas, assim como alguns dos místicos atuais estão condicionados. Eles acreditavam que o Carma é poder, mais poderoso até que Deus, ou acreditavam que Deus utiliza o mal para Seus objetivos. Estavam tão condicionados, que não podiam abrir mão de sua crença no poder do pecado, doença, falsos desejos, carência e limitação. Isto é o que dificulta explicar este princípio àqueles que não se deixaram conduzir internamente a este ensinamento. Os que conseguiram fazê-lo, puderam logo aceitá-lo e compreendê-lo, certamente por já terem tido a oportunidade de comprovar o não-poder do erro de uma forma ou de outra. Contudo, seja qual for esta experiência, isto é somente um começo.

Os poderes deste mundo não são poder na Presença de Deus

Como milhares de pessoas da atualidade, séculos atrás, também os hebreus oravam a Deus pela destruição dos males de seu mundo, mas nunca eles eram destruídos. 

Desde o advento do Cristianismo, os cristãos têm orado a Deus para vencer os males de seu mundo, e estas preces, igualmente, não foram bem-sucedidas. Pessoas de outras religiões e ensinamentos têm feito preces para dominar os males de seu mundo, mas estes não foram dominados. E isto jamais ocorrerá, a menos que haja o reconhecimento de que estamos todos perdendo tempo enfrentando o mal. Se Deus pudesse combater o mal, não precisaríamos orar a Ele para que assim o fizesse. Deus faria isto sem necessitar de nossas súplicas.

Não comece falando a Deus sobre algo que Ele não esteja já fazendo. A sabedoria de Deus é infinita – não a sua, mas a sabedoria de Deus. A sua sabedoria passa a ser infinita quando você “morre” o suficiente para as suas teorias, suas crenças, seus conceitos, e, em meditação, você se abre em consciência para receber a sabedoria de Deus. Somente assim, a sua sabedoria será infinita, por já não ser mais a sua, mas a sabedoria de Deus.

Em suas meditações, eventualmente, você chegará a uma profunda comunhão com Deus, entrando em tabernáculo com Ele. Esta Presença é tão real e tangível quanto qualquer coisa que você tenha conhecido, ou até mesmo muito mais real; e, ao começar a comungar com este Espírito, através de suas meditações, Ele, em seu íntimo, logo o convencerá de que os poderes do mundo não são poder, e mais especialmente, de que os poderes malignos do mundo não são mal algum. De fato, nada é mal, exceto quando o pensar o torna assim. Aceitá-lo o torna assim; porém, em si e de si mesmo, o mal não existe.

Em qualquer grau de cura espiritual que você tenha experienciado, você já obteve a prova desta Verdade. Em outras palavras, se esteve com um resfriado, que supostamente era um poder, e obteve uma cura espiritual, então irá saber que isto provou que o resfriado não era o poder que ele alegava ser.

Se você teve uma doença mais séria, e através de sua própria consciência, ou consciência espiritual de alguém, pôde observar o sumiço da dor e dos sintomas, e a conseqüente restauração da harmonia, tudo o que realmente você experienciou foi a nulidade daquilo que estava surgindo como uma doença, porque se ela fosse alguma coisa, continuaria existindo como alguma coisa. O próprio fato de que ela tenha desaparecido sem o uso de medicamentos materiais, cirurgia, ou outras aplicações de qualquer tipo, significa que ela não era aquilo que alegava ser.


Mal, um hipnotismo universal

Todo mal, de qualquer nome ou natureza, é produto de um hipnotismo, ou má-prática universal, baseada na crença em dois poderes, e descrita por Paulo como mente carnal. 

Qualquer discórdia à nossa frente nada mais é que este senso mesmérico. Não se trata de uma crença minha ou sua: trata-se de uma crença universal, sob a qual nos colocamos, em virtude da nossa ignorância da Verdade.

Através da atividade da mente carnal, operando universalmente, submetemo-nos a este hipnotismo desde o momento da concepção; e, se estivermos vivendo sob a lei do bem e do mal, tudo poderá acontecer. Ou nos sujeitamos à mente carnal universal, às suas crenças e atividades, ou atenderemos mais e mais ao impulso espiritual.

Exemplificando, quando no outono caem as primeiras chuvas frias, provavelmente três ou quatro, dentre dez pessoas, pegam resfriado, não por causa de seus pensamentos errados, mas devido ao hipnotismo universal oriundo desta crença em dois poderes. Tal hipnotismo pode ser quebrado pela conscientização de que não é preciso nos sujeitarmos ao mesmerismo do mundo, e pela compreensão de que o hipnotismo, ou mente carnal, não é de Deus; não é espiritualmente ordenado, não é sustentado por nenhuma lei espiritual. Concluindo: ele não é poder.

Nós não lutamos contra o hipnotismo ou mente carnal; não discutimos com ele; não tentamos destruí-lo nem nos elevarmos acima dele. 

Para nós, o hipnotismo e a “mente carnal” são meramente nomes que identificam o bem e o mal como a essência de toda limitação, mas tão logo sobrepujemos a crença nos poderes do bem e mal, iniciamos a dissolução da origem de nossas discórdias e desarmonias.

Quanto mais vivermos na conscientização de que não precisamos nos sujeitar ao hipnotismo universal da crença mundial em dois poderes, mais nos libertaremos daquela influência para vivermos sob a Graça e não sob a lei. 

Quando compreendermos a Deus como Onipotência, poderemos, então, perceber que o hipnotismo, o mesmerismo, a mente universal, ou a crença universal em dois poderes, não são poder; e, à medida que percebermos isto, proporcionalmente nos libertaremos.

Esta crença universal da mente humana ou carnal somente pode atuar como poder por causa da nossa aceitação da mesma; mas, em si e de si mesma, inexiste qualquer poder na sugestão de um ser apartado de Deus ou de uma presença ou poder apartados de Deus. A única presença é Onipresença. Embora possamos acreditar que vemos um fantasma, embora possamos ver pecado, doença, ou morte, a única presença é a Onipresença.

Deus é o único poder, a despeito das aparências, e Deus é onisciência, todo-sabedoria. Portanto, não temos de conhecer coisa alguma sobre a atividade da mente ou do corpo; tudo que nos cabe fazer é descansar na onisciência de Deus, repousar em Sua sabedoria infinita. 

Ao permanecermos na Onisciência, Onipotência e Onipresença, poderemos convictamente afirmar: “Ah, sim! Não há presença alguma nem poder algum ao lado de Deus, e isto a que chamamos de crença em dois poderes – a mente carnal – não é poder. Ela não pode atuar sobre o homem, nem através dele.”








terça-feira, 30 de maio de 2017

O QUE SABER PARA CURAR ESPIRITUALMENTE Joel S. Goldsmith




Tudo que sabemos sobre Deus não passa de conceito, e não aquilo que realmente Deus é. Nenhuma verdade que conhecemos é, de fato, a Verdade. Deus nos é revelado quando alcançamos a quietude interna. 

A Verdade é percebida e demonstrada claramente quando nos tornamos receptivos à Sua Presença. Nada permanece oculto para os que buscam a Deus por Deus mesmo – pela alegria, paz, vida e amor de Deus – pela Experiência em si.



Aprendendo a descartar nossas opiniões, crenças e teorias sobre Deus, percebendo o vazio dos conceitos humanos sobre a Verdade – discernimos Deus preenchendo o nosso Ser a ponto de viver a nossa própria vida!


Nesta experiência é revelado o próximo grande segredo da vida: nós não conhecemos o homem; não nos conhecemos uns aos outros; nem mesmo conhecemos a natureza dos animais ou das plantas. Sobre eles, somente vínhamos retendo opiniões e convicções baseadas em aparências. Vínhamos rotulando as pessoas de boas e más, de amigas e inimigas; acreditávamos ser isto saúde e ser aquilo uma doença. Julgávamos tudo “segundo as aparências”, enquanto o Mestre nos preveniu para que julgássemos “segundo a reta justiça”.


Todo o trabalho de cura espiritual se fundamenta nesta habilidade de ignorarmos as aparências e contemplarmos, “através delas”, este “julgamento justo”.


A habilidade de se conseguir esta capacidade curativa, ou discernimento verdadeiro, decorre da busca pela real percepção de Deus. Ao nos defrontarmos com alguma pessoa ou condição, precisamos evitar todo julgamento, todas as opiniões e conceitos, entendendo que nenhum deles representa realmente a verdade relativa àquela condição.


No exato instante em que cessamos de aceitar a aparência, e paramos de emitir uma opinião ou formar conceitos sobre a pessoa ou situação, alcançamos o Silêncio em que verificamos a ausência do pensamento humano, do medo, ódio ou julgamento – e então, o Pai interior (nossa própria Consciência crística) nos revelará a Verdade sobre a pessoa, condição ou situação. 

Nenhum de nós pode conhecer humanamente a Verdade, mas Deus pode, e irá fazê-lo, naquele momento de Quietude, revelando-nos a Verdade sobre tudo que nos for requerido saber.


Aproxime-se de cada pessoa ou condição da mesma forma com que se aproximaria de Deus – com pleno conhecimento de que todo o seu saber não é verdadeiro, sendo apenas um conceito ou opinião baseada numa aparência – mas como Deus possui o conhecimento verdadeiro, na quietude interna aguarde poder ouvir e conhecer a Verdade, e observar a Realidade espiritual concernente à pessoa ou situação em foco.

Na revelação recebida internamente, em paz e quietude, está a cura. Eis por que sabemos que nem eu nem ninguém realiza curas – porém, podemos ser instrumentos pelos quais a “consciência curativa” nos abençoa e também aos que nos encontram.

Vínhamos aprendendo que o “curador” é a Consciência espiritual. Agora conhecemos a natureza desta Consciência: a habilidade de refrearmos a aceitação dos conceitos sobre Deus e sobre o homem, e um instante de quietude humana, que permita ao Espírito Divino revelar-Se.

A Consciência espiritual é a sua e a minha consciência, quando desprovida de senso pessoal, desejos e conceitos de vida. 

A Consciência espiritual é a sua e a minha, quando nos recusamos a aceitar conceitos, temores e ódios do mundo, para recebermos internamente a paz e confiança provenientes da conscientização de Sua Presença.