domingo, 7 de maio de 2017

O Suprimento - 2/2 - JOEL GOLDSMITH




Em certo momento dizemos que não devemos nos preocupar quanto ao nosso suprimento ou a nossa saúde e, no momento seguinte, dizemos que precisamos "orar sem cessar" e "conhecereis a verdade e a verdade-vos libertará". Embora isso pareça contraditório, ambas as afirmações estão corretas, mas elas têm de ser compreendidas.



Há sempre uma crença de "bem humano" em operação — uma lei de estatísticas, e dela nós extraímos nosso benefício material. Nas vendas de porta em porta, há geralmente uma média de uma venda a cada vinte visitas; nas propagandas de mala-direta, há um retorno médio de dois por cento; no dirigir veículos, é dito que a regra estipula uma certa porcentagem de acidentes; as companhias de seguro de vida possuem uma tabela de expectativa de vida, e, baseando-se nessas médias, elas podem lhe informar a cada instante quantos anos de vida ainda lhe restam.


Viver humanamente, isto é, seguir ao longo do dia-a-dia permitindo que estas médias nos afetem, permitindo que crenças humanas operem sobre nós, não é um modo de vida científico. Isso tudo faz parte da crença em existência humana, e, a menos que façamos algo especificamente a esse respeito, ficaremos expostos a estas chamadas leis de saúde ou econômicas.


Estas sugestões, que realmente não passam de crenças, são tão universais que agem de modo hipnótico, e tendem a produzir efeito sobre os menos avisados, trazendo-lhes limitações.


O que nós podemos fazer para nos manter livres de tais sugestões e vivermos acima delas? Em primeiro lugar temos de viver em um plano de consciência mais elevado. Tanto quanto possível, temos de nos exercitar no conhecimento de que qualquer coisa que exista no campo do efeito, não é uma causa, não é criativo, e não tem poder sobre nós. E isso nos leva ao importante ponto da sabedoria espiritual: eu sou a lei, eu sou a verdade, eu sou a vida eterna. Ora, uma vez que eu sou consciência infinita e a lei, nada do mundo exterior pode agir sobre mim e se tornar uma lei para mim. Não há nada que nos possa infligir sofrimento, a não ser a aceitação da ilusão como realidade. As coisas chamadas pecado e a doença não são coisas pelas quais temos de sofrer: são formas assumidas pelo erro. Independentemente do nome que lhe dermos, elas são só hipnotismo, sugestões, ilusões se apresentando como pessoas, lugares ou coisas — se mostrando como pecado, doença, necessidade ou limitação.


Não devemos viver como se fôssemos "efeito", com alguma coisa operando sobre nós. Lembremos de viver como a Lei, como o Princípio do nosso ser. Podemos assumir os nossos negócios só na medida de nossa percepção consciente de que estes são efeitos de nossa própria consciência, a imagem e semelhança de nosso próprio ser, a manifestação ou expressão do nosso Eu divino — e só então seremos a lei que os governa.


Temos de começar nosso dia com uma reflexão sobre nossa verdadeira identidade. Temos de nos identificar como Espírito, como Princípio, como a Lei que atua em nossas coisas. É coisa muito necessária relembrar que não temos necessidades: somos consciência espiritual, individual, mas infinita, corporificando dentro de nós mesmos a infinitude do bem; por isso, somos o centro, o ponto da Consciência divina que pode alimentar cinco mil pessoas a cada dia, não usando nossa conta bancária, e sim a infinitude do bem que jorra através de nós, assim como o fazia através de Jesus.


Não vamos de encontro às pessoas pensando no que podemos delas obter ou no que elas possam fazer por nós — apenas vamos para a vida como para a presença de Deus.


Ao longo do dia, quer estejamos fazendo trabalho doméstico, dirigindo o carro, comprando ou vendendo, temos sempre de nos conscientizar que nós somos a lei do nosso universo, o que significa sermos a lei do amor para com todos que fazem contato conosco. 

Devemos lembrar conscientemente de que todos os que entram na esfera de nosso pensamento e atividade devem ser abençoados por este contato, pois nós somos a lei do amor; somos a luz do mundo. Lembremos de que não precisamos de coisa nenhuma, pois que somos a lei do suprimento em ação — podemos alimentar "cinco mil" daqueles que ainda não sabem de sua verdadeira identidade.


Existe a crença da separação entre nós e Deus — nosso bem — e nós a corrigimos quando reconhecemos que "Eu e o Pai somos um; tudo o que o Pai tem é meu; o lugar onde eu estou é solo sagrado". 

No reconhecimento da infinitude do nosso ser, percebemos as verdades da Bíblia, percebemos a verdade de suas promessas. Já não se trata de citações, mas de afirmações de fatos, e isto nos traz até a linha demarcatória entre "conhecer a verdade" e "não nos preocupar".


Percebemos agora a verdade como algo assentado em nossa própria consciência — a realidade do nosso ser. Não nos preocupamos em atrair algum bem; não estamos nos dando algum tratamento para que nos aconteça algo, mas percebemos a verdade, a realidade de nossa identidade, de nossa unidade com o Infinito, com nossas infinitas possibilidades. 

A razão para perceber e conhecermos esta verdade é que através dos tempos sempre nos reconhecemos apenas como homens — como algo diferente de ser divino — e a menos que, diária e conscientemente, lembremos da verdadeira natureza do nosso ser, recairemos sob a crença geral de que somos algo separado e longe de Deus.


Existe uma crença de que estamos separados das pessoas, que na realidade são parte de nosso ser como um todo; ou a idéia de que sejamos separados e distantes de certas idéias espirituais necessárias à nossa auto-realização, idéias que se apresentam como pessoas, textos, lar, amizades ou oportunidades. Esta crença de separação nós corrigimos com a percepção de que nossa unidade com Deus constitui nossa unidade com cada uma das idéias. Temos um bom exemplo com o telefone. Através do meu telefone eu posso fazer contato com qualquer outro telefone ou lugar do mundo, mas não posso falar nem ao meu vizinho pelo telefone sem que a ligação passe pela central. Se então eu estabelecer meu contato com a central, serei um com todos os telefones. Pelo conhecimento de nossa unidade com Deus, o Princípio infinito, o Amor, encontramos e manifestamos nossa unidade com todas as idéias necessárias à expansão de nossa "completeza".


Nunca esqueçamos de que não podemos viver cientificamente como homens ou como idéia, mas que devemos perceber que somos Vida, Verdade e Amor. Devemos aceitar a revelação de Jesus sobre o "Eu sou" até que se torne realizada em nós.


Paremos de tentar aplicar a Verdade: tal tentativa de aplicar a Verdade nada mais é que uma ação do pensamento humano. A Verdade é infinita e, por isso, não há nada a que possamos aplicá-la. Ela é a realidade do ser, e não há nada exterior ou interior sobre o que ela possa agir: a Verdade age e trabalha por si própria, ou seja, é auto-operante.


Estamos todos envolvidos em atividades que aparentemente fazem o suprimento vir até nós. Independentemente de se tratar de um negócio, uma profissão ou uma arte, o que está em atividade é Consciência. Vista desse modo, nossa atividade é amorosa e inteligentemente dirigida e amparada. E mesmo mais do que isso: como uma emanação da Consciência, é a Consciência em Si mesma manifestando individualmente o próprio ser, natureza e caráter. A direção está a Seu cargo, e só a Consciência é responsável. Aprendemos a não nos envolver e a deixar que Deus, a Consciência, assuma Suas responsabilidades.


Lemos na Bíblia sobre os esforços e atribulações de Elias. Se o acompanharmos pelo capítulo dezoito de I Reis, compreenderemos que apenas a consciência da presença de Deus, do Espírito dentro dele, poderia ter feito aquelas grandes coisas. Nenhum poder humano poderia tê-lo conseguido.


No capítulo dezenove encontramos o desânimo despontar naquilo que aparece como o fracasso do ministério de Elias. Na realidade, esta foi uma oportunidade dada a Elias para que comprovasse que o poder não era de um ser humano, mas que era de fato o poder de Deus se manifestando como em homem, Deus se mostrando como ser individual.













sábado, 6 de maio de 2017

O Suprimento - 1/2 - JOEL GOLDSMITH






O segredo do suprimento encontra-se no capítulo décimo segundo de Lucas:



E ele disse aos seus discípulos: "Portanto eu vos digo, não vos preocupeis com a vossa vida, com o que haveis de comer; nem com o vosso corpo, com o que o cobrireis. A vida é mais que o alimento, e o corpo é mais que a vestimenta.
Considerai os corvos: eles não semeiam nem colhem; eles não têm dispensa nem celeiro; e Deus os alimenta: quanto mais vaieis vós que as aves?
E qual de vocês, com toda solicitude, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? E se, pois, não sois capazes de fazer estas pequenas coisas, por que vos preocupais com as outras?
Considerai os lírios, como eles crescem: eles não fiam nem tecem; e na verdade vos digo que nem Salomão, em toda sua glória, jamais se vestiu como um deles. E se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada ao forno, quanto mais vestirá a vós, homens de pouca fé? Não pergunteis pois o que haveis de comer, ou o que haveis de beber, nem andeis na dúvida. Pois todas as gentes das nações do mundo buscam estas coisas: e vosso Pai sabe que delas haveis mister. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo.
Não temais, pequeno rebanho, pois é do agrado do vosso Pai dar-vos o reino.”

Surge agora a questão: Como é possível "não nos preocupar" com o dinheiro quando as prementes obrigações devem ser satisfeitas? Como podemos confiar em Deus se ano após ano tais problemas financeiros nos afligem, geralmente não por falha nossa? Vimos na passagem de Lucas que o modo de resolver nossas dificuldades está em não nos preocuparmos com o suprimento, quer seja dinheiro, alimento, roupa ou qualquer outra forma. 

E o motivo pelo qual não precisamos estar ansiosos quanto a isso é que "é do agrado do vosso Pai dar-vos o reino", uma vez que Ele "sabe que delas haveis mister".

Para podermos entrar completamente no espírito de confiança desta passagem inspirada das Escrituras, temos de compreender que dinheiro não é suprimento, e sim o resultado ou efeito do suprimento. Não existe tal coisa como suprimento de dinheiro, de roupas, de casa, de automóvel ou alimento. Tudo isso constitui o efeito do suprimento, e se este suprimento infinito não estivesse presente dentro de nós, nunca haveria as "coisas dadas de acréscimo" em nossa vida. As coisas de acréscimo, naturalmente, são estas coisas práticas como dinheiro, alimento e roupas, que são tão necessárias neste estágio da existência.

E se dinheiro não é suprimento, que é este então? Façamos uma pequena divagação e observemos uma laranjeira carregada de frutos. Sabemos que as laranjas não constituem o suprimento, pois quando estas tiverem sido comidas, vendidas ou dadas, uma nova safra começará a brotar. As laranjas se foram, mas o suprimento continua, pois dentro da laranjeira existe uma lei em operação. Chame-a de lei de Deus, ou lei da natureza — o nome não é tão importante, mas o que importa é o reconhecimento da lei que atua na, através e como laranjeira. E esta lei opera internamente — através das raízes vêm os elementos minerais, nutrientes, água, elementos do ar; e mais a luz solar, que são então transformados em seiva. Esta, por sua vez, caminha tronco acima, é distribuída pelos ramos e finalmente toma expressão como flor. A seu tempo, esta lei transforma as flores em bolotas verdes e estas se tornam laranjas maduras. As laranjas são pois o resultado, ou o efeito da ação da lei na, através e como laranjeira. Enquanto esta lei estiver presente, teremos laranjas. A laranja, por si, não pode produzir outra laranja. E assim compreendemos que a lei é o suprimento e as laranjas seus frutos, os resultados, os efeitos da lei.

Dentro de mim e de você há também uma lei em operação — a lei da Vida — e a conscientização da presença desta lei é o nosso suprimento. O dinheiro e as coisas necessárias à vida diária são os efeitos da conscientização da atividade da lei interior. Esta compreensão nos permite desligar o pensamento do mundo exterior para habitarmos na consciência da lei.

Que é esta lei, que é nosso suprimento? A Consciência divina ou universal, a sua consciência individual — isto é a lei. E ela é de fato a nossa consciência. Assim, nossa consciência se torna a lei do suprimento para nós, produzindo a sua imagem e semelhança na forma de coisas necessárias ao nosso bem-estar. E assim como não há limites para a nossa consciência, tampouco há limites para a percepção consciente da ação da lei e, por isso, não há limites para o nosso suprimento em todas as suas formas.

A Consciência divina ou universal, nossa consciência individual, é espiritual. A atividade desta lei interior é também espiritual e, por isso, nosso suprimento, em todas as suas formas, é espiritual, infinito, sempre presente. Aquilo que vemos como dinheiro, alimento, vestimenta, carros ou casas representa a nossa interpretação dessa idéia. Nossos conceitos são tão infinitos como nossa mente.

Convenhamos que, assim como não precisamos nos preocupar com as laranjas, enquanto tivermos a fonte ou suprimento que produz continuamente os frutos para nós, também não precisamos mais nos preocupar com o dinheiro. Aprendamos a olhar para o dinheiro como olhamos para as folhas ou para as laranjas, como um resultado natural e inevitável da lei que age interiormente. Não há, de fato, razão para nos preocuparmos, mesmo quando a árvore nos pareça desfolhada, enquanto mantivermos a consciência da verdade de que a lei continua assim operando internamente, para nos dar os frutos de sua própria espécie. Independentemente do estado de nossas finanças em dado momento, não fiquemos preocupados ou aborrecidos, pois agora sabemos que a lei atua dentro de nós, através e como nossa consciência e trabalha, quer estejamos dormindo ou despertos, para nos prover das coisas "de acréscimo".

Aprendamos a olhar para os lírios e a nos regozijar com a prova da presença do amor de Deus por Sua criação. Observemos as andorinhas, quão completamente confiam na lei.

Regozijemo-nos ao ver as flores na primavera e no verão, que nos confirmam a divina Presença. Assim como aprendemos a nos alegrar com as belezas e generosidade da natureza sem o desejo de nos apoderar de qualquer coisa, sem o medo de que seu suprimento não seja infinito, assim também aprendamos a nos alegrar com o desfrute de nosso suprimento infinito — resultado do infinito repositório em nosso interior — sem nenhum medo de que alguma carência venha a nos perturbar.

Gozemos dessas coisas do mundo exterior sem, contudo, considerá-las como suprimento. Nossa conscientização da presença e da atividade da lei é nossa consciência de suprimento, e as coisas exteriores são as formas sob as quais nossa consciência se expressa. O suprimento interno se manifesta como as coisas externas de que necessitamos.









sexta-feira, 5 de maio de 2017

Lei de Suprimento - JOEL GOLDSMITH





Por nenhum momento iríamos pensar em construir uma casa sem termos compreendido: As leis de projeto, escavação, edificação, etc., bem como as leis locais de zoneamento e de saúde. Não tentaríamos ganhar uma causa no tribunal, a menos que conhecêssemos a lei que a regula; e, tampouco iríamos tentar navegar sem o conhecimento das leis de navegação. 


Entretanto, tentamos resolver nossos problemas de suprimento individual; tentamos demonstrar a disponibilidade e abundância de suprimento sem o devido reconhecimento das leis que o governam.


Muitos ignoram a existência dessas leis e creem que uma cega fé em algum Deus ou Poder é suficiente para manifestar a operação do bem na experiência individual. No plano do Absoluto não há nenhuma necessidade de se resolver o problema do suprimento. Nele nada é requerido, pois a substância espiritual é onipresente e inexistem tempo e espaço em que o suprimento esteja ausente. 

Enquanto não atingirmos esta Consciência, a Consciência crística, teremos de preparar o nosso destino em conformidade com a lei das escrituras, encontrada nos textos sagrados de todos os povos. Nosso primeiro passo é o reconhecimento de nosso ser verdadeiro-nosso relacionamento com Deus.

Compreendendo Deus como a Consciência divina única universal, e o homem como a expressão individual desta Consciência, descobrimos que TUDO QUE É DO PAI É MEU, isto é, tudo o que está incorporado a Consciência universal está incorporado à consciência individual, por elas serem uma. 

Assim, quaisquer coisas ou ideias de que necessitemos já são partes integrantes de nossa consciência, e se desdobrarão à percepção humana tão logo nos familiarizemos com a lei e passemos a aplicá-la. 

"Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" desta ilusão de que o que você busca encontra-se separado e apartado de você. Deverá haver o entendimento de que o universo inteiro está incorporado à Mente divina; e, em vista de esta ser a nossa única mente, todas as coisas já estão dentro de nós. Em consequência, jamais somos dependentes de alguma pessoa, lugar ou condição para coisa alguma! Portanto, nosso passo seguinte é abandonar toda dependência a pessoas, posições ou investimentos para o nosso suprimento.

A princípio, isto parece ser um disparate, já que as coisas do Espírito são loucuras para os homens. "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (I Cor. 2:14).

Um negócio ou uma posição podem parecer constituir o presente canal de nosso suprimento. Nossos alunos ou pacientes podem aparentar ser nossos únicos canais. Donas-de-casa podem acreditar que seus maridos ou filhos sejam seus canais de suprimento. MAS NADA DISSO É VERDADEIRO. Como Deus, a Consciência divina, é a FONTE, então esta exata Consciência é o canal de suprimento; e, de fato, é o SUPRIMENTO em si. Procure sempre se afastar de suas noções pré-concebidas sobre este assunto, Reconheça que todas as coisas estão incorporadas à infinita Consciência eterna; e então, SAIBA QUE ESTA CONSCIÊNCIA É A SUA!

Tendo se libertado de toda dependência a fontes e recursos materiais e humanos, você perceberá o bem continuamente se desdobrando em sua experiência humana, na forma de bem que a cada momento lhe estiver sendo requerido. 

Enquanto caminha rumo a esta Consciência superior, obedeça a duas recomendações importantes dadas pelas Escrituras: "Levarás à casa do Senhor, teu Deus, as primícias dos frutos da tua terra." (Exodus 23:19). A forma disso ser feito deverá ser como nos ensinou o Profeta Hebreu: "E esta pedra, que erigi em padrão, será chamada casa de Deus; e de todas as coisas que me deres te oferecerei ( ó Senhor ) o dízimo." (Gen. 28:22) 

Após reconhecermos que tudo que existe pertence a Deus, a Mente universal, pomos de lado uma pequena mas definida parte de tudo recebido individualmente, recirculando-a no Universal, ou seja, fazemos uso desta parcela sem a vincularmos com as despesas usuais ou pessoais. Podemos doá-la a alguma causa comunitária ou de caridade, podemos exprimir gratidão a um instrutor ou praticista espiritual, mas, seja como for, esta parcela deverá ser dedicada a serviço de Deus, o bem, independente da manutenção própria ou familiar. E ela deverá se constituir das "primícias" dos frutos - e não uma parte daquilo que sobrou de nossa receita. Deverá ser tirada da mesma tão logo a recebamos, de modo que possamos, nós mesmos, fazer o equilíbrio e confiar que "Deus dará o aumento".

Nossa obediência a estes princípios nos dará condição de provar que "quando todas as fontes materiais estão secas, Tua plenitude permanece a mesma." 

Quando relaxamos a mente consciente das tensões e lutas, e permitimos que o bem flua através de nossa consciência espiritual, descobrimos que não precisamos temer o que o homem mortal possa nos dar ou sonegar. Repousamos na firme convicção de que "Do Senhor é a terra e a sua plenitude", e de que TUDO que é do Pai é MEU; tudo o que existe no Universal está se desdobrando para o individual. Chegamos agora àquela que talvez seja a suprema lei espiritual da Bíblia, a nós revelada por Jesus Cristo. 

Na Oração do Senhor, podemos ler: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." 

Eis o ponto em que você pode pôr suas próprias limitações em suas demonstrações do bem. Na proporção em que você perdoa, receberá as bênçãos do Infinito. Podemos perdoar aos que nos devem somas de dinheiro, e àqueles que têm para conosco dívidas de amor, gratidão, reconhecimento, ou mesmo dívidas de cortesia de família ou amigos. Mas devemos perdoar. Devemos viver num constante estado de bênçãos. Este é o perdão verdadeiro que nos liberta das obrigações mortais e materiais.

Há algum tempo, fui procurado por um homem muito necessitado de dinheiro, sem emprego e sem fonte de renda. Contou-me que um de seus amigos lhe devia uma soma de dinheiro que o tiraria da dificuldade, e perguntou-me: "Como fará para que eu possa receber esta dívida?" Disse-lhe que perdoasse tanto o homem como a dívida. Não que lhe escrevesse cancelando a dívida, já que esta era problema de seu amigo, mas que o perdoasse mentalmente, e caso ela nunca fosse paga, que não pensasse mais nela, nem pensasse maldosamente a respeito do chamado devedor. "Tire-o de seu pensamento como se ele não existisse, e deixe o Princípio divino abrir seus canais de suprimento." Ele percebeu o ponto e se voltou deste único canal visível possível de suprimento para o Não-Visto Infinito. Exatamente na semana seguinte, ele recebeu dinheiro suficiente para mantê-lo por duas semanas, e, ao término da segunda semana, foi novamente chamado ao seu próprio emprego, de que havia sido desligado por vários anos.







quinta-feira, 4 de maio de 2017

Suprimento é Espírito - JOEL GOLDSMITH





No campo do mentalismo, é comum a pessoa querer demonstrar suprimento, companhia, lar ou transporte. Já numa mensagem mística como a do Caminho Infinito, esta seria uma base incorreta de se trabalhar, pois, estaríamos partindo da premissa de que “eu não tenho”. 

Isto seria uma lástima, pois estaríamos endossando um senso de separação de Deus, do Bem, da “completeza” e da infinitude.


Suprimento é espírito e está dentro de nós. Não é visível e nunca o será. Escapa ao olhar humano; não o sentimos com nossos dedos humanos; jamais o ouvimos ou degustamos. 

O que vislumbramos no mundo exterior são as formas que o suprimento assume. Externamente, o suprimento assume a forma de dinheiro, de alimento, de vestuário, de moradia, de transporte, de capital empresarial, etc. 

Nosso discernimento espiritual nos confirmará essa verdade. Mais tarde, teremos a prova disso – não porque conseguiremos ver o suprimento, mas porque seremos capazes de reconhecer as formas que ele assume.

O suprimento é infinito e onipresente, onde quer que nos encontremos. Como Moisés, podemos compreender que não precisamos viver do maná de ontem, nem estocar o de hoje para amanhã: o suprimento é inesgotável.

Como o suprimento, também a Verdade não pode ser vista nem ouvida. Jamais veremos ou ouviremos a Verdade. Ela está dentro de nós. A Verdade é Espírito, a Verdade é Deus. Aquilo que lemos num livro ou escutamos à nossa volta não passa de símbolos da Verdade.

Assim, não iremos sair de nossa Consciência para demonstrar coisa alguma, uma vez que a infinita Consciência divina é a nossa Consciência individual, e ela incorpora a infinitude. Portanto, nada teremos de fazer para atrair o suprimento; antes, ele deverá surgir expressado de nosso próprio ser.

Enquanto vivermos neste conceito material de mundo, pensaremos em suprimento como puramente material, sempre consistindo de algo externo a nós, o qual devêssemos obter: dinheiro, casa, carro, etc. No mundo real, do Espírito, o suprimento nunca está fora de nós, nem é algo a ser adquirido, alcançado ou recebido posteriormente. Isto porque suprimento, no reino espiritual, é aquilo que Eu sou: Eu sou o pão; Eu sou o alimento; Eu sou a água. Sem qualquer pensamento voltado a algo ou alguém do mundo externo, voltamo-nos interiormente e comungamos com nosso ser interior, habitando na percepção de uma “completeza” inerente a esse nosso Eu.

Isto compreendido, poderemos olhar qualquer pessoa e notar sua completa independência com relação às demais, graças a este princípio de Autocompleteza. A Vida única cuida de nós, fazendo surgir tudo o que se faça necessário ao nosso desenvolvimento. Esta Autocompleteza que somos, e que tão fartamente nos supre, não é de fato nossa: ela flui em nós, através de nós, como fruto a ser compartilhado. 

Antes, porém, de o colocarmos em circulação, devemos nos elevar acima do conceito material de vida, que acredita necessitarmos de obter coisas externas. Você entende aonde eu quero chegar? Não é torná-lo um humano mais rico, mas torná-lo consciente do fato de que – O REINO INTEIRO DE DEUS É SEU! 

Não necessitamos de lutas, esforços, nem de aquisições: basta-nos ficarmos quietos, na percepção de nosso Eu que é completo, de nosso Eu que engloba a tudo.







quarta-feira, 3 de maio de 2017

O HOMEM QUE VIVE PELA GRAÇA É AQUELE QUE SE LIBERTOU DA CRENÇA EM DOIS PODERES




No momento exato em que perceber que sua função como curador espiritual não é remover ou sanar doenças, ou acreditar que Deus assim o faça, ou que haja fórmulas ou afirmações que possam remover as doenças, mas sim que a sua função está em saber a verdade de que toda criação mortal é constituída sobre a crença do bem e do mal, você não saberá então nem de saúde nem de doença, de pobreza ou de riqueza, mas apenas de um contínuo transbordamento de harmonia espiritual - o Jardim do Éden. 

Você nunca será um curador espiritual enquanto acreditar que haja dois poderes - o poder de Deus e o poder do pecado, da doença, ou então que haja poder na higiene, na astrologia, nas dietas. 

Você nunca será um curador espiritual até que saiba que não é preciso qualquer poder. 

Deus mantém o seu universo espiritual eternamente, e não há nada de errado com ele. 

O que está errado é conosco; o que está errado é a crença universal em dois poderes.

No segundo capítulo do Gênesis, Deus não é mais o Criador, mas ali é chamado de Senhor Deus; e 'Senhor', está dito, é sinônimo de lei. 

Noutras palavras, o homem do segundo capítulo do Gênesis vive debaixo da lei ao contrário daquele do primeiro capítulo, criado à Imagem e Semelhança de Deus e vivendo sob a Graça. 

Como podemos nos tornar esse homem que vive sob a Graça? Como, senão jogando fora a crença em dois poderes? 

Então a Graça permeará todo o nosso ser, vai nos suportar, manter e sustentar; e a Graça irá à nossa frente aplainando os nosso caminhos. 

A Graça é tudo à nossa volta.




Joel Goldsmith (O Trovejar do Silêncio)

terça-feira, 2 de maio de 2017

DEUS NÃO OPERA EM UM MUNDO QUE ACREDITA EM DOIS PODERES






O poder de Deus está agora mesmo fazendo tudo o que pode, e opera no estado edênico de consciência para toda a criação espiritual, mas não pode operar num mundo de dois poderes. 

Essa é a razão pela qual, por mais éticos, bons e benevolentes que nós ou nossos vizinhos possamos ser, nós e eles estamos debaixo do pecado, da morte, de acidentes e guerras.

E mais e mais surge a pergunta: "Como podem existir tais coisas, se há um Deus?". 

E a resposta é estarrecedora: Há um Deus, sim, mas não no cenário humano; não há Deus no segundo capítulo do Gênesis, mas sim um Senhor Deus, que é a lei de causa e efeito - a lei cármica. 

Quando subimos para além da lei de Carma, não estamos mais sob a lei, mas sob a Graça. 

Noutras palavras, estamos vivendo no primeiro capítulo do Gênesis, onde não existem tais coisas como o bem e o mal humanos."







- Joel Goldsmith (O Trovejar do Silêncio)


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Misticismo - 2/2 - JOEL GOLDSMITH







PROVAÇÕES NA SENDA ESPIRITUAL

Preciso dizer-lhes isto também: a trilha espiritual não é de rosas sem espinhos. Quando você decide fazer a transição para a vida mística, verá que é necessário abandonar muitos de seus conceitos anteriores de corpo, negócios e prazer. Você encontrará novas experiências à sua espera, e, nesse período de transição, nem tudo é harmonia, "porque estreita é a porta, e apertado é o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" (Mateus 7:14). Essa vida não é fácil em seus primeiros estágios. De fato, aprender estas lições pode ser muito doloroso porque muitas delas só chegam através de um profundo sofrimento. É estranho, mas sem esse sofrimento talvez não as aprendamos, porque quando tudo está bem e estamos em paz com o mundo, não fazemos realmente o esforço nem realmente tentamos nos aprofundar dentro de nós mesmos.

Frequentemente, seguimos pensando como tudo está indo bem - mas, de fato, não há progresso. É a oportunidade de nossas provações e atribulações que nos forçam para cima, e muitas vezes a pessoa que sofreu mais é a que mais consegue - não porque isso seja necessário, ou que haja algum Deus que o decrete, mas por causa da inércia, por causa do nosso desejo de continuarmos ao longo do caminho que estamos seguindo, porque gostamos de saber que cada dia será seguido por um outro dia sem dor, sem carências e sem limitações.

Tenho lido as vidas de muitos que foram longe na trilha espiritual e até agora não encontrei ninguém que não tinha tido o seu Getsêmane. Essas grandes verdades não são de fácil consecução. Se as provações não chegam sob uma forma, chegam sob outra. Jesus enfrentou provações, muitas delas, conquanto seja verdade que não temos de passar por acusações e suportar a condenação pública, teremos de vivenciar um pouco de luta pessoal. Pode ser dentro de nossa família. Pode ser dentro de nossa comunidade. Em algum lugar, de algum modo, se temos de sondar as profundezas da sabedoria espiritual, cada um de nós deve passar por um período de transição.


Uma das maiores provações pode acontecer quando você pára de depender das pessoas ou quando cessa de enviar contas a seus pacientes e decide que vai depender unicamente do Cristo. Esse primeiro mês em que está ocorrendo esse ajuste e você não pode pedir dinheiro a ninguém, nem pode mandar uma conta, é um período em que você algumas vezes treme um pouco e pondera se essa dependência do Cristo irá funcionar. Depois, quando você chega àquele grande estágio de cura em que não precisa de usar palavras ou pensamentos no tratamento, nunca duvide de que você teve uma provação, um "Rio Jordão" a cruzar. Primeiro vem a tentação: "Acho que não estou fazendo justiça a meus pacientes; acho que não estou trabalhando bastante arduamente"; e depois vem a segunda tentação, após terem ocorrido algumas bonitas curas, depois de os pacientes terem sido muito generosos, e você sente: "Não posso receber este dinheiro; eu realmente não trabalhei para isto; não fiz o suficiente para ganhar isto".

Existe toda espécie de provações que chegam com esta vida. Quando você alcança o estágio em que sua resposta a um pedido de ajuda é tão simples como: "Eu realmente acredito que Deus é a vida de todo o ser; e, portanto, qualquer aparência de erro não pode ser, nem mais nem menos, do que alucinação, uma tentação que me vem para me fazer crer num 'eu' à parte de Deus. Eu me recuso a acreditar nisso" - e fico satisfeito por deixar que esse seja o tratamento; depois, quando você se lembra das primeiras formas de tratamento que usou, surge um período de hesitação e de dúvida. Esse período de transição não é fácil. Chega uma ocasião em que os membros de sua família começam a dizer que você deve ter ficado louco, e os membros de sua igreja lhe dizem: "Bem, você agora com certeza saiu dos eixos".

De um modo ou de outro as provações chegam até nós através de nós mesmos, através de nossa família ou de nossos pacientes. Pode até surgir uma ocasião de problemas sérios de saúde e suprimento - nossos ou de nossos pacientes - mas temos de aprender a permanecer firmes, temos de aprender a fazer vigília com eles. Também temos de aprender a nos afastar por "quarenta dias", ainda que não sejam realmente quarenta dias, mas em sentido figurado. É nos afastarmos para dentro do "armário", em nosso esconderijo, e apenas orar até cansar o nosso velho coração: "Afasta de mim este cálice - todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres".

Todas estas coisas nos vêm neste caminho - estreito e apertado. À medida que você abandona a sua confiança em todos os meios humanos de salvação, à medida que você escolhe este caminho, você verá como ele é estreito e apertado. Você verá como são poucos os que o percorrem e, durante algum tempo, parecerá que você está afastado de seus amigos; parecerá que ninguém no mundo o entende e que você jamais encontrará alguém que o entenda. Eu sei, porque durante muitos anos não só tive a oportunidade de falar desta maneira em público como também não tive sequer a oportunidade de falar destas coisas em particular. Tive de ficar quieto, porque no momento em que eu tentasse expressar quaisquer destas idéias, as pessoas entenderiam mal.

Se nossa confiança está no plano interior, se sua confiança está em seu contato com Deus, e você julga que não depende de meios humanos para demonstrar o seu bem, surge uma ocasião em que você tem de permanecer quieta e secretamente dentro de seu próprio ser. Você tem de resolver isso sem falar a esse respeito ao mundo exterior. Tem de prová-lo e, depois de ter feito isso, a evidência é tão grande que você não precisa mais contar, exceto quando estiver ensinando. Você nunca terá de contar a ninguém que encontrou "a pérola de grande valor". Em primeiro lugar, se você contasse, isso seria quase que a prova positiva de que não a tinha encontrado. Não é necessário falar disso, porque toda a sua vida, toda a sua atitude, todo o seu ser são evidências suficientes. Tudo indica que você a encontrou, e então o mundo a quer - ou quer pelo menos os seus frutos.

Surge um outro período difícil, quando você realmente acredita que o mundo reconheceu que você encontrou a "pérola", e ele a quer e você deseja expô-la. Depois que você faz isso durante diversos anos - anos de profundo sofrimento - você descobre que o mundo não a queria, absolutamente: apenas queria os frutos que viu você desfrutar. Eis porque, quando alguém vem até você, alegando que quer essa verdade, você se movimenta com calma - você nem sempre tem a certeza de que a pessoa está sendo verdadeiramente sincera. Talvez ela queira apenas os efeitos ou os resultados. Você logo descobre o que é e qual é o propósito real dela porque, se ela realmente o quiser, haverá indicações de que todas as outras coisa foram postas de lado e por suas ações ela prova que nada é tão importante quanto a verdade. Então você ouvirá: "Bem, quinta-feira à noite não pode ser, mas eu virei na terça-feira de tarde. Se você não puder me ver, então eu não posso vê-lo!"

Quando um discípulo quer realmente a verdade, ele virá à meia-noite ou a qualquer hora do dia ou da noite, bastando que você o diga. Você sabe que Brow Landone mantinha o horário do consultório durante a noite toda? Quando você marcava uma entrevista, tinha de perguntar se era antes ou depois do meio-dia. Tive entrevistas com ele que duraram até as seis.


Quando você se torna atuante neste trabalho, constata que não há isso de manter o horário do consultório. Antes ou depois do meio dia não significa absolutamente nada para você, exceto para manter o registro certo, e a devoção e a dedicação dos que vão até você, podem, num certo sentido, ser medidas por seu interesse quanto ao fato de a entrevista com você ser antes ou depois do meio-dia, na terça, na sexta ou no domingo; porque se essas pessoas estão preocupadas com essas trivialidades, então seus corações estão longe - e este caminho não visa aos corações, almas e mente que não estejam em Deus.

Se há uma ideia em sua mente de que a verdade é algo que possa ser usado, que é algo para obter ganho pessoal, para obter felicidade ou saúde pessoal, nem comece o seu estudo porque você encontrará só desapontamentos e corações dilacerados. 

Há uma infinidade de métodos metafísicos que podem ser usados com a finalidade de proporcionar felicidade pessoal ou ganhos pessoais temporários. Mas o Caminho Infinito não pode ser usado para tais propósitos: o Caminho Infinito pode proporcionar somente imortalidade e eternidade e todo o bem que Deus conhece. Mas isso em um nível completamente diferente do que o do bem humano, assim como a liberdade espiritual não deve ser confundida com liberdade humana.

A liberdade espiritual, a paz que ultrapassa o entendimento, não depende de nada no mundo exterior. Depende do seu relacionamento com o Cristo, com Deus. Quando isso se torna real, quando Ele se incorpora em você, quando Ele o inflama e essa vida se torna seu tudo em tudo, você se vê vivendo em dois mundos: o mundo interior, que é o importante, e o mundo exterior, com sua cota de satisfações, que não deve ser tomado muito a sério e não deve tomar muito tempo e esforço porque a impaciência para voltar ao Centro é muito grande.


PODER ESPIRITUAL NOS ASSUNTOS DO MUNDO

Quando Deus se torna uma realidade e nos tornamos conscientemente um com Ele, Ele guia cada pessoa de nossa experiência; Ele nos supre; Ele atrai para nós tudo aquilo de que precisamos no mundo - amizades certas, relações familiares certas, suprimento certo, atividade certa, livros certos, associações certas, tudo quanto é necessário para avançar nosso bem-estar cultural e espiritual e nos prover com maior oportunidade para sermos úteis ao mundo. Tenho um profunda convicção de que, pela primeira vez na história do mundo, o poder espiritual vai desempenhar um papel importante nos assuntos humanos.

Até o momento, Deus realmente tomou parte na história do homem ou existe qualquer evidência de que Deus Se preocupou com os problemas do homem? Se Deus tivesse tomado parte na história do homem, eu não acredito que o mundo teria passado por milhares e milhares de anos de guerras, furacões, terremotos, fomes e epidemias. Se Deus estivesse presente nos assuntos humanos, tais coisas não poderiam ter acontecido. Então, onde é que Deus tem estado durante todos esses anos?

A verdade é que Deus sempre está presente na consciência daqueles que estão conscientes de Sua presença. Mas quantas pessoas tiveram essa consciência? Os poucos que viveram em mosteiros, os poucos que viveram em ashrans, os poucos discípulos espirituais do mundo, os poucos que tentaram fundar organizações religiosas falharam. Eles conheciam Deus e tinham tido a bênção da presença de Deus e do poder de Deus em sua experiência individual.

Essa bênção, entretanto, não desceu até o nível das massas. De fato, a verdade espiritual nunca foi dada ao mundo em geral até os três últimos quartéis do século. Antes dessa época, todo o conhecimento religioso do mundo era zelosamente guardado pelos filósofos, padres e rabinos. Tudo o que o povo - as massas - alguma vez receberam foram formas, cerimônias, rituais e credos. Será que os mestres hindus alguma vez ensinaram os que estavam abaixo do nível do brâmane espiritual? Exceto durante um breve período na Europa - o período dos místicos ocidentais, durante uns poucos séculos, mais ou menos entre 1200 e 1700 - as massas receberam alguma vez ensinamentos sobre a verdade espiritual? Quantas pessoas Jesus foi capaz de alcançar? No máximo umas poucas centenas, praticamente nada em comparação com a população do mundo. Quando é que a consciência espiritual alguma vez alcançou a consciência da massa humana?

Mas ocorreu uma mudança nos anos em que a Ciência Cristã, a Unidade, o Novo Pensamento começaram a ser transmitidos ao mundo. As pessoas foram encorajadas a meditar, a refletir, a estudar diariamente lições espirituais, a ir à igreja na quarta-feira ou no domingo, e depois ir à igreja em outras ocasiões para servir em grupos de trabalho, ou para serviços religiosos cotidianos da tarde. Durante muitos anos, através da Ciência Cristã, Unidade e Novo Pensamento, a verdade espiritual foi transmitida às pessoas, a um grande número delas, a qualquer um que a aceitasse.


Tudo isso atuou como um fermento, de modo que as pessoas que nem ao menos conhecem o significado da palavra "metafísica" usam a expressão "passagem", em lugar de morte. Muitas pessoas que não conhecem o significado da palavra "metafísica" admitem que existe um poder espiritual, ou que as doenças têm sido curadas e o suprimento tem sido recebido através de meios espirituais. Os médicos admitem a eficácia da cura espiritual, porque viram casos e casos curados nos hospitais. Na verdade, os clínicos médicos psicossomáticos colheram experiências dos primitivos ensinamentos metafísicos, e alguns deles agora acreditam numa forma já ultrapassada da metafísica, que ensina que há cura mental para a doença física.

A verdade é que não há doença no reino de Deus. Você não pode ter Deus e doença ao mesmo tempo. Existe um único poder, e esse é Deus. Qualquer outra coisa é crença ou ilusão. Mas, no início, apesar de o ensinamento de uma causa mental para uma doença física ser errônea, isso significava um passo à frente no que eu vinha fazendo antes. Foi empregada a terminologia da religião, e Deus foi levado para as artes da cura.

Tudo isso teve um efeito importante: levou as pessoas ao assunto de Deus em qualquer dia da semana que não fosse no domingo, e levou-as ao lugar onde fizeram de Deus uma parte de sua experiência cotidiana como um meio de vencer os seus problemas. Não faz diferença o quanto rudimentar tenha sido o começo; houve resultados satisfatórios e bons efeitos. Isso espalhou a palavra de que o mundo de Deus não é apenas uma experiência domingueira, ou uma experiência apenas para o ministro, para o padre ou para o rabino, mas que Deus é uma experiência para você e para mim, e que podemos alcançar a união consciente com Deus ainda que não sejamos ministros, padres ou rabinos.

Se você não fez parte dessa revolução religiosa, ou se você pelo menos não a observou de perto, não pode compreender as mudanças que ocorreram quando Deus foi elevado à consciência do homem da rua. Provavelmente, este foi um dos maiores eventos já ocorridos na história do mundo. E agora, faz setenta e cinco anos que isso tem sido disseminado e até mesmo em pequenas bibliotecas metafísicas, em centros de verdade ou em salas de estudo da Ciência Cristã, provavelmente duzentas ou trezentas pessoas vão diariamente meditar, estudar e procurar conhecer mais sobre Deus. Pense nos muitos lares que estão sendo afetados pelo trabalho que é feito nos centros de Unidade, nos centros do Novo Pensamento, nos centros independentes, nas Igrejas e Salas de Estudo da Ciência Cristã. Procure multiplicar isso pelo mundo todo.

Como é que o efeito de milhões de exemplares vendidos de In tune with the infinite ("Em Sintonia com o Infinito"), de Ralph Waldo Trine, pode ser avaliado? Você sabe o que poderia significar para dois milhões de pessoas ter pensado a respeito de Deus antes desta era?

Com esta percepção de Deus na consciência humana - e lembre-se de que um pequeno grão de Deus pode fazer milagres - pense como essa consciência de Deus deve estar fermentando o pensamento, influenciando nossos dirigentes públicos e nossas relações internacionais! Se ainda não houve qualquer influência significante, haverá, em grau sempre crescente. A consciência de Deus neste mundo algum dia dominará e controlará a consciência toda do mundo - político, econômico, social e religioso. Isso acontecerá porque, pela primeira vez, as massas estão aprendendo a levar Deus à sua experiência, não apenas sete dias por semana, mas estão aprendendo a "orar sem cessar". Estão aprendendo a levar Deus à sua consciência, mesmo quando se sentam para um simples desjejum ou almoço.

O pensamento do mundo está sendo fermentado; o pensamento do mundo está sendo alcançado com essa consciência de Deus. Não faz diferença qual dos movimentos metafísicos você citar. Cada um deles está levando a palavra, Deus, a expressão consciência de Deus e a ideia de Deus imanente na experiência individual do mundo. Por isso, cada qual está agindo como uma bênção; cada qual é uma luz para o mundo.

Chegará o dia em que cada prático metafísico deverá estar tão imbuído do Cristo que ele poderá curar e, depois se você for a um prático do Novo Pensamento, da Unidade e da Ciência Cristã, você alcançará a cura.

Sejamos honestos a este respeito: o ensino em si nada tem a ver com a cura. O ensino só serve para abrir sua consciência à receptividade do Cristo; e essa receptividade do Cristo é o que faz a cura. Todos os livros - milhares e milhares - não curarão uma simples dor de cabeça, mesmo que você pudesse memorizar todos eles. Somente o Cristo cura. Há, na Bíblia, verdade suficiente para abrir a consciência para o Cristo mesmo que não houvesse um único livro metafísico na Terra. Há verdade suficiente em qualquer livro metafísico honesto para abrir a consciência para o Cristo. Por pouca que seja a verdade existente em alguns deles, ainda há o suficiente - verdade suficiente para levá-lo ao Cristo, e essa é a influência fermentadora, não a palavra escrita.

A cura será ocasionada somente quando o Cristo é introduzido na consciência. Você pode ir a qualquer pessoa que cure em qualquer dos movimentos metafísicos, e se você encontrar uma que esteja imbuída do espírito da verdade e do Cristo, ela será capaz de efetuar uma cura para você, ainda que ela seja parte de um movimento em que o ensino não ocorra num nível muito espiritual. Dia virá em que cada prático, não importando o seu antecedente metafísico, estará tão imbuído do Cristo que, quando houver um chamado, o Cristo deve responder e ocasionar a cura.

Deveria haver lugares - e existem alguns - que abrissem suas portas às pessoas de todas as igrejas, ou que não tenham igreja, a todas as organizações ou a nenhuma organização, possibilitando que as pessoas se encontrem no nível comum da Cristandade, não estar muito preocupadas acerca do ensinamento particular que está sendo seguido, porque repetidamente nos dizem que "a letra mata e o espírito vivifica" (II Coríntios 3:6). Não estou muito preocupado com os livros que as pessoas leem, mas estou preocupado com as pessoas que os leem. Estou preocupado quanto ao fato de elas encontrarem ou não nesses livros alguma medida do Cristo, o suficiente para lhes dar o desejo de vivê-Lo e levarem o pensamento de Deus à sua experiência humana.

Lembre-se de que foi prometido que, se houvesse dez homens justos na cidade, esta seria salva. Há uma profunda lei espiritual amparando esta declaração. Se existirem algumas dezenas de pessoas justas, de pessoas conscientes de Deus, de pessoas contagiadas por Deus, talvez elas salvem a cidade, a nação ou o mundo. Isso poderia muito bem acontecer, sem dúvida. Pode ser que o pensamento justo de apenas alguns, no plano interior, toque e alcance a consciência do mundo.

Conhecemos civilizações que foram eliminadas, civilizações que eram tão adiantadas quanto a nossa e algumas que eram ainda mais adiantadas. Em nossa complacência, provavelmente pensamos que temos o maior grau de civilização já alcançado pelo homem. Na verdade, talvez sejamos a maior geração de cientistas, engenheiros mecânicos e fazedores de "bugigangas", mas não somos a maior geração, a mais civilizada. Essa honra foi reservada a outras civilizações, e elas foram eliminadas. Também não houve Deus que impedisse esse holocausto. E nunca haverá até que Deus se torne o nível da consciência individual e da massa. Então Deus trabalhará em nossos assuntos humanos. Você precisa reconhecer a validade desta declaração, porque, assim como Deus não trabalhou muito em nossos assuntos humanos até que você conseguisse um lampejo do Cristo e, a partir de então, Deus passou a governar todos os seus assuntos humanos, da mesma forma, Deus não trabalhará nos assuntos humanos enquanto Ele não se tornar a consciência real de milhares e milhares de pessoas. Então você verá essa mesma consciência de Deus influenciando assuntos materiais e internacionais.

A força do Cristo é tão imensa que, quando se torna viva, Ela vem com um propósito universal, não apenas com a finalidade de resolver alguns de nossos problemas pessoas humanos. O Cristo é um bem universal, não um bem pessoal. Qualquer verdade individual é também uma verdade universal. Por isso, cada vez que há uma demonstração individual da presença do Cristo, há uma demonstração universal. Ele apenas precisa ser reconhecido numa escala mais ampla para ser atuante nos assuntos do mundo.

Provavelmente, é por isso que a Bíblia diz que se houver dez homens justos - não apenas um ou dois, mas dez - se houver dez homens com espiritualidade suficiente, fermentando a consciência, eles influenciarão os outros. Isso não significa que há necessidade de números: significa que pessoas suficientes precisam estar dispostas a passar à influência do domínio espiritual, porque não podemos, com toda nossa espiritualidade, levar nem mesmo os membros de nossa família para o céu, se eles não quiserem ir. É preciso, numa consciência permeável, um fermento, de modo que pessoas suficientes terão realmente o desejo de abandonar sua dependência em relação aos meios humanos.


A BATALHA NÃO É SUA

"Não resista ao mal". Não importando o nome ou a natureza de seu problema particular, pare de combater o erro tanto quanto possível; procure não combatê-lo demasiado arduamente. Convença-se de que a batalha não é sua; depois, sossegue e veja a salvação do Senhor. Você não precisa batalhar: tudo o que você tem a fazer é reconhecer que tudo o que está acontecendo é para a glória de Deus. Veja se você não pode ficar mais tranquilo acerca deste trabalho de cura e agir como se estivesse realmente convencido de que o mal não é um grande poder.

Suponhamos agora mesmo que você teve o poder pessoal de ser capaz de curar uma doença. Isso não o assustaria? Deveria assustá-lo! Deveria! Mas você não tem tal poder. O Cristo, o Invisível Infinito, é a única agência de cura que existe no mundo. Ele dissipa a ilusão dos sentidos e isso é tudo quanto é necessário.

O grande segredo é: "Eu não posso, de mim mesmo, fazer coisa alguma" (João 5:30)... "E vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim." (Gálatas 2:20). 

O grande segredo não é quanto poder pessoal você pode desenvolver como pessoa que cura, mas o quanto você se torna um bom veículo para o Cristo, o quão clara é a sua transparência, que grau de consciência de Cristo você desenvolve. Em outras palavras, qual é o grau de amor ao erro, ou de ódio ao erro, ou de temor ao erro que está dentro ou fora de sua consciência? Quanto você teme realmente o erro? Quanto você realmente ama o erro? Quanto você odeia o erro? Isso determina o quanto você é transparente para o Cristo. Não se trata de quanto poder você tem, mas de quão esclarecido você esteja sobre a grande verdade de que Deus é amor e de que Deus não faz acepção às pessoas. N'Ele não há pecado nem doença, e vivemos, nos movimentamos e temos o nosso ser na consciência do Cristo.

Para todos vocês que estão ativamente empenhados no trabalho de cura, quando surge um chamado, vejam até que ponto podem parar de estabelecer uma resistência ou negação, apressando-se com um: "Isso não é verdade! Isso não é verdade!" Vejam se podem deixar de fazer isso e acreditar que não se trata de verdade. Se vocês realmente acreditam que não se tratam de uma verdade, não precisam dizê-lo ou declará-lo: Vocês podem contentar-se em sorrir, porque são capazes de ver de outra maneira.

Algumas vezes vocês terão de manter isto durante muito tempo. A tenacidade do erro é tão forte nos pensamentos de certas pessoas que é necessário persistir nesta prática. Ainda não chegamos ao ponto onde possamos saber, com alguma certeza, por que uma pessoa pode ser curada num minuto e por que a cura leva dois ou três anos para a outra. Talvez alguns julguem, como eu, que isso tem a ver com a preexistência; tem a ver com o ciclo de vida do indivíduo antes que ele fizesse seu aparecimento no plano desta Terra. Eu, pessoalmente, creio nisso. Acredito que, se a vida é eterna, sempre temos vivido, e desde que sempre temos vivido, devemos ter vivido dentro ou fora de algum determinado estado de consciência, motivo pelo qual algumas pessoas são muito mais desenvolvida que outras.

Por exemplo, você - que alcançou pelo menos um estado suficientemente alto de consciência para estar lendo e estudando a verdade - suponha que neste momento estivesse passando (morrendo). Você não teria de vivenciar todas as coisas pelas quais passou antes de ter vindo para esta dimensão espiritual. Muito provavelmente, você começaria no plano seguinte ao que você está neste minuto como uma Alma espiritualmente desenvolvida - em alguns casos, até bem mais adiante, porque muitas vezes o ato da transição é liberador.

Mas nosso interesse particular neste momento não é especular os motivos pelos quais uma pessoa é curada rapidamente, não acontecendo o mesmo com uma outra. Nosso problema particular é o desenvolvimento de uma certa medida da consciência do Cristo - esse Amor universal divino, esse sentido de perdão e gratidão - o desenvolvimento de nossa consciência até o ponto em que não tememos, não odiamos, nem amamos o erro.

Não se esqueça de que o mandamento do Mestre foi: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo"(Mateus 22:39). Este não foi somente um mandamento para amar a Deus, mas para amar o próximo, para amar o próximo como você mesmo. Algumas vezes alguns de nós se tornam tão absolutos acerca de nosso amor por Deus que nos esquecemos do próximo. Mas não podemos fazer isso neste trabalho. Queremos a plena medida do Cristo; e, por isso, devemos não só amar a Deus com todo o nosso coração, como também precisamos amar o próximo; e esse amor precisa ser mostrado em compaixão, paciência, justiça, bondade, clemência e júbilo - uma disposição para partilhar todo o bem que Deus nos deu.

Acima de tudo, precisamos abandonar nossa crença egoísta de que temos poderes pessoais como práticos. Nossas curas estarão na proporção em que compreendermos que todo o poder nos é dado através de Deus, através do Cristo que nos fortalece. E essa é a única Fonte de nosso poder.

Esta mesma ideia de que não há poder pessoal é da máxima importância para uma vida espiritual ou mística, na qual não há dependência de pessoa, lugar ou coisa, e não há confiança em contatos humanos - apenas dependência e confiança no plano interior, em nosso contato interior com Deus.

Se existe algum método de demonstração, é por meio deste contato com o Pai interior. Conquista a compreensão consciente da presença e do poder de Deus dentro do seu próprio ser. Não importando o nome e a natureza do problema ou necessidade, não procure resolvê-lo no nível do problema. Não tente resolver suprimento como suprimento; não tente resolver relacionamentos de família como relacionamentos de família. Descarte todo o pensamento dessas coisas. Caminhe para o seu íntimo, até encontrar realmente aquele lugar no interior do seu ser que lhe dá a resposta de Deus. Então seus problemas serão resolvidos. À medida que você tocar o Cristo dentro do seu próprio ser, você tocará a nascente de vida mais abundante.


"União consciente com Deus! Esta constitui a união consciente com todo ser espiritual e com toda ideia espiritual."