sexta-feira, 11 de novembro de 2016

VIVENDO ACIMA DOS PARES DE OPOSTOS - ACIMA DAS APARÊNCIAS DO BEM E DO MAL - 6



É surpreendente como ocorrem milagres quando abandonamos todas as tentativas de transmutar pessoas más em boas ou enfermas em sadias, e começamos a viver nesta conscientização:


Senhor, revela-me Tua Individualidade espiritual; revela-me Teu Filho espiritual; mostra-me o filho de Deus em cada individuo.



Com essa visão, começamos a perceber e sentir a filiação espiritual de todos aqueles com quem convivemos, e eles passam a agir diferentemente com relação a nós, e o mesmo acontece conosco com relação a eles, porque já não os tratamos como julgávamos que merecessem ser tratados. 

A ninguém condenamos, porque então sabemos que o mal que alguém faça será por ignorância quanto à sua divina filiação. 


Os crimes contra a sociedade e o individuo, tais como a mentira, o roubo, o embuste, a fraude, só podem ser cometidos enquanto pensamos que tu és tu e eu sou eu. Tudo isto cessa no momento em que descobrimos que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai, que pertencemos à mesma casa. 


De imediato isso torna o mundo menos real aos nossos olhos, e mais real o "Meu reino", revelando o Universo como um reino espiritual, onde nada precisa ser conseguido pela força.



Eis a vida mística: não nos rejubilemos com a boa aparência humana, mas olhamos para além do bem, e do mal, para além das aparências humanas, e contemplamos a natureza do Cristo.
Podemos fazer isto. Todos podemos fazê-lo. 

É verdade que isto requer alguma disciplina, algum treino, porque o que estamos procurando fazer é superar os efeitos de centenas de gerações daqueles que nos deixaram como herança a crença em dois poderes. 

Estamos pondo de lado tanto o bem como o mal, para contemplar o que é o Espírito; estamos pondo de lado a saúde e a doença, a fim de nos identificarmos com o Cristo – nossa individualidade permanente em Deus.

Somente nossa individualidade espiritual de filhos de Deus nos permite comer do manjar que o mundo não conhece. 


Não é por sermos boas criaturas humanas que qualquer de nós pode proclamar-se co-herdeiro com Cristo, porque as boas qualidades humanas estão tão longe do céu tanto quanto as más. 


Os escribas e fariseus eram o que havia de melhor entre os hebreus, eram os mais religiosos, os maiores adoradores do Deus único, os maiores protetores do templo. Ser bons, era a sua obsessão. Não obstante,  Jesus disse aos seus seguidores que a bondade deles precisava transcender a dos escribas e fariseus. Isso, humanamente, teria sido quase impossível, porque estes, praticamente, já haviam atingido a perfeição.


Verdadeira bondade, depende de nossa capacidade de compreender que o Reino de Deus nos pertence em virtude de nossa identidade espiritual, e não de nossa bondade humana. 


Isso implica em sermos bastante corajosos para lançar fora os pensamentos relacionados com todas as nossas maldades do passado e do presente e, ao mesmo tempo, todos os pensamentos referentes à nossa bondade – e não em condenarmos o mal que tenhamos feito e tomarmos a nosso crédito o bem que tenhamos praticado -, e afirmar somente a nossa identidade espiritual em Deus. 


Nesta ligação com Deus, descobriremos que somos um com Ele, que somos co-herdeiros com Cristo de todas as riquezas celestes. Mas enquanto pensarmos que os nossos maus caminhos estejam nos mantendo afastados dessas riquezas, ou que o bem que pratiquemos esteja nos aproximando delas, estaremos em caminho errado.







quinta-feira, 10 de novembro de 2016

VIVENDO ACIMA DOS PARES DE OPOSTOS - ACIMA DAS APARÊNCIAS DO BEM E DO MAL - 5






Para aqueles que tenham sido treinados para perceber a irrealidade das aparências, isso talvez não pareça muito difícil, mas a razão por que a maioria de nós não alcança maior êxito nessas tentativas de ver além das aparências, é o fato de não aplicarem este princípio quando vêem as boas aparências humanas. Por que nos contentamos com as aparências de saúde, riqueza, sucesso e felicidade, se todo o quadro é suscetível de inversão de um momento para outro?




Não é fácil a qualquer um, nem mesmo ao buscador espiritual, ser capaz de olhar para si mesmo, para os amigos ou para os parentes, quando eles gozam da melhor saúde e são ricos e puros, e compenetrar-se de que tudo isto é aparência, porque a Realidade, o Cristo, o Filho espiritual de Deus, é invisível aos olhos dos humanos. 

Contudo, quem for capaz disto, estará sempre convivendo com a individualidade espiritual de seus amigos, parentes e estudantes. É o próprio amor divino, fluindo através dele, o que lhe estará fechando os olhos às aparências e mostrando-lhe a Alma de cada pessoa, tanto das boas como das más – a mesma Alma pura, que é Deus.


À medida que pudermos estar neste mundo sem pertencermos a ele – em que pudermos estar nele e, não obstante, não sermos fascinados pela identidade humana das pessoas, e que compreendermos que toda pessoa é realmente a Alma de Deus manifestada nesta terra – estaremos vivendo no Meu reino. Isso exige visão interna desenvolvida, capaz de perceber a presença de Deus em cada pessoa.










quarta-feira, 9 de novembro de 2016

VIVENDO ACIMA DOS PARES DE OPOSTOS - ACIMA DAS APARÊNCIAS DO BEM E DO MAL - 4





Algumas vezes os estudantes da ciência espiritual não se sentem felizes com o desinteresse pelas coisas do mundo, que surge quando prosseguem na busca. Sentem-se como se estivessem perdendo algo de valor. Seus tesouros de arte, seus animais de estimação e os velhos amigos já não lhes são tão importantes. 
Passam a encarar o mundo – o corpo e mesmo a vida – mais objetivamente. Perdem muitas das emoções que constituem grande parte da vida humana. 



Enquanto avançam pelo caminho espiritual, são reorientados quanto aos valores humanos, e assim não sofrem muito com os aspectos negativos da vida humana, mas também não se alegram tanto com as coisas boas, como outrora. As emoções ou sentimentos mundanos já não entram tanto em sua vida de rotina. Em compensação, há vantagens que ultrapassam em muito as perdas.

Quando nos tornamos espectadores, não olhamos a vida com ansiedade pelo que esteja para acontecer. Contemplamos o que Deus está fazendo. No caminho espiritual, ao acordar pela manhã o espectador se compenetra de que Este é o dia de Deus, este é o dia que o Senhor fez, e pergunta-se a si mesmo: Que experiência me trará hoje a atividade de Deus?

Nesta atitude objetiva, isenta de apego às coisas materiais, passamos o dia inteiro na expectativa de algo prestes a acontecer, na certeza de que o que quer que aconteça nesta hora, na próxima ou depois, terá sido produzido por Deus, será o efeito da Sua atividade. 

Começamos então a conhecer por experiência própria certo estado de harmonia profunda, imutável, em que os efeitos externos já não nos interessem como em outros tempos: chegamos àquele nível de consciência que nos permite discernir espiritualmente a natureza ilusória das aparências boas ou más. 

O interesse pelas aparências favorece e perpetua sua influencia hipnótica. 

Pela manhã, ao meio-dia e à noite, precisamos afirmar intimamente nosso equilíbrio espiritual, baseados na compreensão de que no reino de Deus não existe bem nem mal, mas somente o Espírito, e que o bem e o mal que aparecem no reino deste mundo são igualmente ilusórios. 

Se desejarmos efetuar uma demonstração espiritual da natureza do Cristo, ou seja de natureza cristã, não podemos preocupar-nos com aparências transitórias, mas precisamos apegar-nos à verdade espiritual, interna. 

Embora incorpóreo e invisível à vista humana, o reino de Deus é real e tangível para aqueles que possuem visão espiritual para contemplá-lo. 

A individualidade espiritual, inerente ao Reino de Deus, não pode ser vista a não ser pela percepção espiritual, ou seja, pela Consciência Crística que Somos. 

Não podemos ver a identidade espiritual com nossos olhos físicos, mas, assim como Deus pode olhar a luz e as trevas e vê-las como uma só coisa, também os espiritualmente iluminados podem olhar para além das boas ou más condições humanas e contemplar as qualidades do Cristo. 

De acordo com o ensino místico, nós não temos direito de olhar para um ser humano com o intuito de mudar o mal em bem, a doença em saúde ou a pobreza em abundância. 


O que devemos fazer – e é imperioso que o façamos – é olhar para além das aparências e nos compenetrarmos de que: 

Embora invisível aos meus olhos humanos, este é o Cristo, o filho de Deus. Não pretendo mudá-lo, melhorá-lo reformá-lo. Olho para além da aparência e me lembro de que embora não possa vê-la, o que aqui está é identidade espiritual.










segunda-feira, 7 de novembro de 2016

VIVENDO ACIMA DOS PARES DE OPOSTOS - ACIMA DAS APARÊNCIAS DO BEM E DO MAL - 3




A revelação e compreensão da Unicidade de Poder ajuda-nos a alcançar aquele nível de consciência em que já não procuramos converter o estado negativo em positivo. 


Quando nos conscientizamos da existência de UM só poder, cessamos não só de procurar poderes materiais para prover às nossas necessidades, mas também de andar em busca de poderes espirituais.



Se existe UM só poder, então nada há sobre o quê, contra o quê ou a favor do quê, possamos usá-lo. 

Que quer isto dizer, em essência? Que significa alcançar um nível de consciência em que se abandona todo desejo de empregar Deus como uma força? Não será isto libertar a Deus de responsabilidade? Não será exatamente isto o que temos que aprender a fazer?



Deus está em permanente atividade. Deus é a influência criadora, sustentadora e mantenedora do Universo espiritual. Deus o governa e o governará pela Graça, não a partir de amanhã ou da próxima semana. 

A Graça divina tem estado em ação de eternidade em eternidade, e continuará de eternidade à eternidade, insubornável e insuscetível às influências das nossas orações ou súplicas ou ao que quer que façamos para persuadi-lo a fazer Sua obra de acordo com o nosso parecer. 

Deus É, e esta afirmação encerra a verdade de que Ele está eternamente ocupado com Sua tarefa, a tarefa de Ser Deus.

O que nos incumbe, na oração e meditação, é conhecer a verdade para que a verdade nos liberte; e conhecer a verdade de que existe somente um poder; conhecer a verdade de que "Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto"; conhecer a verdade de que, no reino de Deus, "luz e trevas são a mesma coisa". 

Esta firme e constante dedicação à compreensão da verdade, desenvolverá um estado de consciência que não oscila entre o bem e o mal: um estado de consciência que, pelo menos com certa estabilidade, adere ao caminho e à realização espiritual.

Deus é, mas, para sabermos espiritualmente que Deus é, temos que nos elevar acima do tempo e do espaço. 

O que Deus é, é de eternidade à eternidade. Portanto, coisa alguma pode estar fora da jurisdição de Deus; coisa alguma jamais poderá funcionar mal no reino de Deus. Precisamos substituir a base material do nosso estado de consciência, em que esta funciona sob a crença em dois poderes, pelo apoio da essência de Deus.

No reino de Deus não há nada de natureza mutável, coisa alguma de natureza discordante ou desarmoniosa, nada que precise ser curado ou aperfeiçoado. 

Em tal estado de consciência, já não somos hipnotizados por aparências, nem compelidos a tentar insistentemente mudar o mal em bem, ou a procurar apegar-nos a qualquer coisa de bom aspecto, seja ela o que for. Isto de modo nenhum afeta nossa vida externa. 

Quando atingimos esta realização a nossa vida se torna mais harmoniosa, já não nos preocupamos com a mutação das aparências, que antes eram más e agora são boas, e sim com a realidade espiritual que desponta no campo da nossa consciência.














VIVENDO ACIMA DOS PARES DE OPOSTOS - ACIMA DAS APARÊNCIAS DO BEM E DO MAL - 2










Trevas e luz são uma coisa só. Aos olhos de Deus não há diferença entre elas: há somente Espírito, uma Luz que não tem semelhança alguma com o que conhecemos como luz.

Luz, em sentido espiritual, é consciência iluminada, não por uma luz, mas pela Sabedoria.

A expressão Eu era cego, e agora vejo não se refere à cegueira ou falta de visão física. É um modo figurado de declarar que estávamos na ignorância mas agora alcançamos a Sabedoria. Frequentemente se representa a ignorância por trevas e a sabedoria por luz, mas, na realidade, não há trevas nem luz para aqueles que vivem acima dos opostos.

Requerem-se meses, e às vezes anos de experiência espiritual para se compreender que no Meu reino trevas e luz são a mesma coisa, e que neste reino não procuramos mudar as trevas em luz, ou livrar-nos das trevas para obtermos a luz. Trevas e luz são uma coisa só.

Alcançar esta concepção representa grande salto para qualquer pesquisador, mas para o ignorante da sabedoria espiritual e não treinado em metafísica e misticismo, é salto, ainda maior, - um salto quase impossível – conceber ou aceitar a ideia que doença e saúde são a mesma coisa. Na realidade, não passam dos extremos opostos da mesma vara.

Quando individualmente podemos afirmar com convicção que pelo que me toca, trevas, ou luz, dá tudo no mesmo. Não estou tentado livrar-me de uma para obter a outra: estou procurando compreender somente a sabedoria espiritual, a verdade espiritual, a divina Presença – então é que começamos a compreender a natureza espiritual deste Universo.

É quando tentamos livrar-nos de algo ou procuramos conseguir algo, que abandonamos o mundo espiritual em troca do mundo das concepções humanas.

Nem doença nem saúde exercem qualquer papel na vida espiritual: tudo o que existe na vida espiritual é Deus, o Espírito, infinita e eternamente manifesto como ser individual incorpóreo.

O ser incorpóreo não pode ser conhecido por meio dos sentidos da vista, da audição, do gosto, do tato ou do olfato. Pode ser experimentado somente em nossa consciência interna, mas quando compreendemos e percebemos diretamente que trevas e luz são a mesma coisa. E o que é essa coisa? Tudo o que percebemos através dos sentidos – doença e pobreza hoje, ou saúde e riqueza amanhã -, é ilusão. Não veremos a Realidade enquanto não contemplarmos o ser espiritual, incorpóreo, através de nosso sentido espiritual.

Olhemos para este mundo e perguntemos a nós mesmos: O que lhe tem aproveitado todas as guerras? Se a resposta for: Nada – será porque estarmos começando a alcançar a meta espiritual. Em correlação com esta pergunta, deverá ocorrer-nos uma outra: O que tem aproveitado ao mundo todos os dias em que não tem havido guerra? – E a resposta deverá ser: Nada.

Espiritualmente, o que estamos buscando não é a guerra nem a paz. É o governo de Deus, o governo espiritual, o governo divino. E onde atuará esse governo? – Em nossa consciência. É onde ele tem que ser conscientizado.

Não importa quantas soluções se oferecem aos problemas do mundo de hoje, porque amanhã eles aparecerão sob novas formas ainda mais graves. Este vaivém só acabará quando percebermos a natureza do poder espiritual e compreendermos que este nada tem a ver com as boas condições em que nos sintamos hoje e nem com as más condições em que estejamos amanhã. 
 
A manifestação desse poder, em nós, está relacionada com a compreensão que tenhamos de que não devemos mudar as condições da matéria, mas compreender que o Espírito é onipresente; que não devemos tentar converter doença em saúde ou guerra em paz: o que devemos fazer é buscar o governo de Deus, a revelação e compreensão íntima de Deus como nossa consciência.

Isto muda completamente nossa maneira de viver. Sob a velha maneira de viver, o melhor que podíamos esperar era substituir alguma coisa má por outra boa, ou tornar positiva alguma condição negativa; e mesmo assim estava sempre presente o medo de que a coisa boa ou a condição positiva alcançada não fosse permanente: estávamos sempre lutando por aqueles momentos de saúde, paz e harmonia.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 





























sábado, 5 de novembro de 2016

VIVENDO ACIMA DOS PARES DE OPOSTOS - ACIMA DAS APARÊNCIAS DO BEM E DO MAL - 1





Desde aquele período da Criação referido no segundo capitulo de Gênesis, vem o homem vivendo sob a influência de dois poderes aparentes, vem ele flutuando entre o bem e o mal, experimentando muitas vezes mais a influência do mal que a do bem. 



No entanto, quando compreende a ideia da unicidade do Poder, e percebe que não há poder do bem nem do mal, já não é fascinado pelo bem nem pelo mal da experiência humana, e deixa de identificar-se com as sensações provocadas por um ou por outro.



Pouco a pouco ele aprende a encarar o mal friamente, sem emoção, e sem atribuí-lo a ninguém e, poder-se-ia dizer, quase sem comiseração. Reconhece a natureza das aparências e as aceita como tais, isto é, como ilusórias.

Isto nem sempre é fácil. Todavia, é menos difícil identificar a aparência do mal que a do bem. Fácil ou difícil, porém, o homem precisa tomar e manter uma atitude interna que lhes permita estar sempre cônscio de que se o bem não provier de Deus, será transitório, e nada lhe adiantará deleitar-se com ele.

É óbvio que, se por um lado esta atitude tira muitos dos aspectos agradáveis da vida humana, por outro nos poupa de muitas de suas misérias, substituindo as emoções negativas pela convicção interna de que, por detrás do cenário visível, existe uma realidade espiritual que a qualquer momento poderá revelar-se totalmente.

Quando nos pedem ajuda, nossa primeira reação é o desejo de mudar a aparência do mal em aparência do bem. Entretanto, se quisermos viver espiritualmente, precisamo-nos compenetrar de que o objetivo do ministério espiritual não é mudar doença em saúde. 

A saúde é temporária, e a que temos hoje poderá converter-se em doença amanhã, na próxima semana ou no próximo ano. 

A finalidade do ministério espiritual não é condenar publicamente o mal e tentar fazer o bem. Seu objetivo é, antes de mais nada, ensinar-nos a desprezar as aparências boas ou más e manter-nos atentos ao Caminho do Meio, compenetrados de que precisamente onde parece encontrar-se o bem e o mal, o que existe é a realidade do Espírito.

A má aparência de hoje poderá converter-se em boa aparência amanhã e, como bem sabemos, toda boa aparência pode logo tornar-se má. 

Um dia de paz na terra pode ser apenas a pausa momentânea que precede outra guerra; a saúde perfeita de hoje não passa de uma condição temporária que os micróbios ou o envelhecimento poderão mudar. 

Vistos humanamente, estamos como que num carrossel, sempre a rodar, rodar, rodar. Estamos sempre a oscilar como em pêndulo, entre a doença e a saúde, entre a pobreza e a riqueza, entre a guerra e a paz, para trás e para frente, sem chegarmos à parte alguma.

Mas no meu reino não há pares de opostos. Meu reino é um reino espiritual, onde nada é tocado por influências contraditórias. 

Meu reino é dirigido e protegido pelo Divino Princípio, ou Deus, que a tudo mantém e sustenta. 

No Meu reino não há trevas. 

Esta declaração parece dar a entender que as trevas sejam alguma coisa má. No entanto, quando alcançamos esta percepção, teremos chegado à estatura espiritual do Salmista, que disse: "as trevas e a luz são a mesma para Ti".







BOM PASTOR 4






CAPÍTULO 4



ENTREM NO SILÊNCIO



Silêncio é poder. Silêncio é atividade sanadora na consciência individual. O silêncio é o princípio creativo de toda existência.


Neste silêncio vocês se tornam receptivos à VOZ INTERNA, a Voz do Ser Interior. E quando a Verdade Se expressar ao ouvido que escuta, vocês terão consciência da Influência Sanadora, com todos os sinais de que vai acompanhada.


A receptividade que vocês tenham ao Reino de Deus interno; aquilo que vocês tiverem em consciência de Deus, de percepção d'Ele, de conhecimento d'Ele, constitui a atmosfera sanadora.


Até este momento a tarefa do estudante consistiu em conseguir a harmonia de sua experiência, através de declarações ou afirmações da Verdade; leitura ou citação da Vei dade.


D'ora avante ele terá de elevar sua consciência até o ponto em que, contínua e conscientemente poderá escutar a Verdade em seu íntimo. Terá de aprender a real natureza do Silêncio, do sossego e da quietude.


É fácil compreender porque os sábios da antigüidade ensinaram: "Aquieta-te e sabe que eu sou Deus". Esta quietude proclama a Presença de Deus, "mais perto do que a respiração; mais próxima do que os pés e mãos". Isso mostra que nem o homem, nem as circunstâncias têm poder sobre as coisas que dizem respeito a vocês, pois o que se chama de EU, dentro década pessoa, é Deus, é poder, é Presença.


Agora também sabemos porque nunca poderemos ser Deus: é que Deus está inseparavelmente ligado a nosso próprio ser. Tudo isto, só o silêncio no-lo revelar.


Recordem sempre:não são os seus conceitos da verdade nem o que sobre ela tenham lido, que formam o poder restaurador da Harmonia de suas vidas. Não: só o que lhes for revelado em “Sossego e confiança” porque essa revelação é Deus, que Se expressa como restaurador de harmonia em sua vida. Não são os pensamentos que vocês possam conceber senão as ideias que lhes são reveladas no íntimo de seu ser – que constituem orientação e sabedoria.


Deus reina em seus corpos e em seus assuntos e circunstâncias externas através da consciência da Verdade que vocês cultivam pela receptividade interna – e não os pensamentos acerca da Verdade que vocês declaram intelectualmente.


A atividade da Verdade, na consciência de vocês, é a Luz que dissipa as trevas do sentido humano. Não basta o que vocês pensam acerca da Verdade: é preciso que a própria Verdade lhes ensine. Não é o que vocês afirmam à Mente Divina o que importa. Mas o que Ele revela a vocês. Isto é o que se chama Silêncio. Isto é o que se chama Poder.


Em quietude e confiança, em sossego e Silêncio, o Amor revela a sua Presença consoladora e nos assegura: “Por baixo estão os braços eternos”, sustentando-nos e apoiando-nos, mesmo em tempos de provas e tribulações.


O título do Salmo 22 ou 23 é: “A confiança de Davi na Graça de Deus”. Vocês também podem sentir esta serena confiança, ao ler: “O Senhor é o meu Pastor. Nada me faltará”. Aqui não há petição nem súplica. Sobretudo, não há dúvida ou temor. Já que o Senhor é o Pastor de cada um de nós, que nos poderá faltar?


“Em verdes prados faz-me repousar. Ele me conduz a águas refrescantes (A paz que sobrepassa todo humano entendimento me envolve quando tomo consciência de que não posso escapar ao meu bem, já que Deus não só me proporciona verdes prados como também me faz neles repousar. Deus não apenas me dá águas refrescantes, senão que também a elas me conduz).


"Ele reconforta minh'alma". "Embora minh'alma se tenha tornado vermelha de pecados e inquieta por enfermidades", Ele m'a conforta, guiando-me pelo caminho da retidão, por amor de Seu Nome", (e embora eu seja ainda acossado por desejos, Ele me aparta do pecado e leva-me ao caminho da retidão, liberando-me da enfermidade para o estado de saúde.


"Ainda que eu andasse por um vale tenebroso, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo. Seu bordão e Seu cajado me confortam". A confiança de Davi na graça de Deus é sustentada, mesmo quando ele percorre o tenebroso vale, pois nem ali ele sente temor, posto que o Senhor está com ele. Oh Senhor! Possa também eu repousar em confiança e destemer mesmo ao caminhar pelo vale tenebroso, na segurança de que sempre estás comigo!


Só conhecemos medo quando estamos sob a crença de que Deus nos abandonou em meio às discórdias e desarmonias. Jamais temeríamos, mesmo que nosso pecado fosse vermelho escarlate, ainda que estivéssemos sofrendo grave enfermidade, se chegássemos a experienciar a mesma confiança de Davi. Ele conservou essa confiança, mesmo sob sérias tribulações que chamou de "passar por um vale tenebroso". Por que? Porque sabia que Deus estava com ele. Deixemos, pois, que o Silêncio Bem Amado desça também sobre nós. Essa experiência depende de tomarmos consciência, com todo o nosso ser, de que "Deus está onosco".


"Seu bordão e Seu cajado me confortam". (A graça de Deus se manifesta sempre na forma de um bastão, cajado, alimento ou água, ao nível humano. Esta graça expressa como o meu bem, me conforta. Esta certeza da divina Presença, que sempre me sustenta e protege. . . dá- me consolo.)


"Preparas uma mesa perante mim, à vista de meus adversários. Unges com óleo a minha cabeça; meu cálice transborda". (A graça de Deus prevalece onde a carência e a limitação me ameaçam. Minh'alma se plenifica de inspiração. Meu coração transborda de gozo e reconhecimento. Esta evidência de abundância, através da Graça, me cumula, me satisfaz e meu coração canta de gozo em Sua Presença).


"Certamente que o amor e a graça me seguirão todos os dias de minha vida: e habitarei na casa do Senhor para sempre! (Notem o ânimo positivo e confiante de Davi ao cantar:


"Certamente que o amor e a graça me seguirão". Como ele se sente seguro da eternidade da Graça de Deus, ao declarar que este amor e graça "me seguirão todos os dias de minha vida"!


Que bem-aventurada segurança que ele tem da Onipresença: "todos os dias de minha vida".


E, por decorrência, habitarei nesta consciência de Deus para sempre).


"Porque as primeiras coisas passaram". "Eis que faço novas todas as coisas". "Havendo já sido cego, agora vejo", não "por espelho, obscuramente", senão "face a face". Sim, ainda em minha carne, vi a Deus. As montanhas se foram e não há mais horizonte, senão a luz do céu que faz ver todas as coisas em profundidade e clareza.


De há muito te venho buscando. Oh Jerusalém, somente agora meus peregrinos pés tocaram o terreno do céu. Não há mais lugares baldios. Diante de mim estão as terras férteis, tais como jamais sonhei. Oh! verdadeiramente "ali não haverá noite". Sua glória brilha como o sol de meio-dia. Não há necessidade de luz porque Deus é a luz ali Sento-me, para repousar. À sombra das árvores descanso e encontro minha paz, em Ti.


Em Tua Graça está a paz, oh Senhor' Estava fatigado no mundo mas em Ti encontrei descanso. Encontrava-me perdido no denso emaranhado das palavras; sentia cansaço e temor ante a letra da Verdade, mas só em Teu espírito está a sombra, a água e o descanso.


Quão longe de Teu espírito andei vagando. Oh, Terno e Fiel Amigo, quão longe, quão longe! Quão profundamente havia eu mergulhado no labirinto de palavras: palavras, palavras!


Mas agora regressei e em Teu Espírito encontro vida, paz, fortaleza. Teu Espírito é o Pão da Vida. Tendo-o achado, jamais sentirei fome. Teu Espírito é fonte de água viva. Bebendo-a, jamais sentirei sede!


Como cansado peregrino te vinha buscando. Agora o cansaço se desvaneceu. Teu Espírito me deu refúgio, em cuja refrescante sombra agora me ponho a repousar. Minh'alma se sente inundada de paz. Tua Presença me plenifica de paz. Teu amor me ofereceu um Festim espiritual. Sim: Teu Espírito é lugar de repouso; oásis no deserto da letra da Verdade.


Em Ti me isolarei do vozerio do mundo dos argumentos. Em Tua Consciência, as nauseabundas conversações dos homens calarão. Dividem as Tuas vestiduras, oh Senhor da Paz! Divergem e disputam sobre Tuas palavras, a ponto de elas se tornarem meras palavras e não mais a Tua Palavra.


Como mendigo de espírito,, venho buscando um novo céu e uma nova terra. Tu me fizeste herdeiro de tudo. Como, então, posso aproximar-te de Ti, senão em silêncio? Como posso honrar-Te, senão através da meditação de meu coração?


Não buscas louvores nem ação de graças, mas aceitas o coração compreensivo. Guardarei silêncio diante de Ti. Meu Espírito, minh'alma e meu Silêncio serão tua Morada. Teu Espírito plenificará minha meditação; encher-me-á de graça e assim me conservará. Oh! Terno e Fiel
Amigo: quão doce e afável é o lar que em Ti encontrei!