sexta-feira, 4 de novembro de 2016

BOM PASTOR - 3







SE DESEJAMOS ORAR

Ao acordarmos pela manhã devemos reconhecer a presença e o poder de Deus, mantendo-O constantemente conosco, através de cada experiência, durante todo o dia.


Recordem estes passos da Bíblia

"Tu guardarás em completa paz aquele cujos pensamentos permanecem em Ti"; 

"Reconhece-O em todas as tuas atividades e Ele te proporcionará paz"; 

"Na quietude e confiança estará a vossa fortaleza"; 

"E habitarei na casa do Senhor para sempre". 

Lembrem o primeiro versículo do Salmo 90 (ou 91): "Aquele que habita no lugar secreto do Altíssimo". Este Salmo relata a seguir, as coisas horríveis que não chegariam à nossa morada, se esta estivesse ao abrigo do Altíssimo.


Eis neste primeiro verso, novamente, a condição de habitar nEle, como no Salmo do bom Pastor: "e habitarei na casa do Senhor para sempre".


Se vocês estão vivendo na consciência de Deus constantemente, poderão também dizer:

"O Senhor é meu Pastor. Nada me faltará. Ele me faz repousar em verdes prados e me conduz a águas refrescantes...


Mas se vocês NÃO estão habitando (e habitar não é entrar e sair depois de alguns momentos) na presença de Deus, certamente não poderão demonstrar as promessas que se encontram no resto dos salmos 22 (ou 23) e 90 (ou 91). 

Aqui de novo aparece o conceito ou ideia mais elevada da oração, que é o reconhecimento de Deus como onipresença e onipotência; o reconhecimento de Deus como presença constante, sempre disponível; o reconhecimento de Deus como a Lei e a Luz de nosso ser, MAS sem o intento de obrigá-lo a nada disso.


Eis, de fato, o mais elevado conceito de oração: este constante habitar, sabendo-se permanecer na presença de Deus.


Não mais necessitamos de perguntar: "Qual a oração que farei hoje?" Nada mais há a rezar quando dizemos: "e habitarei na casa do Senhor para sempre".


Outra constatação parecida se encontra no salmo 26 (ou 27): "Ó Senhor é minha luz e meu socorro". Temer o que, então? O Senhor é a fortaleza de minha vida. Quem pode causar- me temor? Se um exército acampasse contra mim, meu coração não temeria. E embora me declare guerra, terei confiança. Uma só coisa pedi ao Senhor; isto sim, eu reclamo: HABITAR na casa d'Ele para sempre!


Guardem a idéia de habitar, viver, morar. A idéia expressa por Paulo: "Em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser". Permanecer na consciência de Deus é a real oração. 

Não há mais elevada forma de prece porque, havendo alcançado esta percepção e constante sintonia (união consciente com Deus) vocês poderão voltar ao Salmo do bom Pastor, compreendendo por que não é preciso procurar Deus nem pedir-Lhe algo. 

Bastará constatar: "Por que tenho de procurá-lo ou pedir-Lhe algo? "O Senhor é meu Pastor. Nada me faltará". Ele me faz repousar. Ele fez de mim Sua morada, como eu d'Ele fiz a minha.


Esta oração, esta compreensão da prece, é a que satisfaz todas as nossas necessidades.


É o tipo de prece que nos assegura harmonia definitiva. 

Não há um Deus que esteja sentado, à espera de nossas preces corretas ou incorretas. Não existe um Deus que de repente resolva conceder-nos algo que nos vinha negando.


Como o Senhor é nosso pastor, é impossível que algo nos venha a faltar. Também é impossível que Deus nos prive de um bem merecido; que nos negue proteção e segurança.


Mas existe um preço, uma condição, que encontramos, quer nos ensinamentos de Cristo, quer nos do Velho Testamento. Esse preço é: "Habitar no esconderijo secreto do Altíssimo"; viver constantemente na consciência de Deus. Essa é a resposta.


Uma corroboração deste ponto se encontra no capítulo 32 do 2.° livro de Crônicas: "Sede fortes e tende ânimo. Não temais nem desmaieis ante o rei da Assíria nem ante à multidão que o segue, porque maior é O que está conosco, do que o que está com ele"


O trecho não se assemelha às orações comuns; não está implorando por Deus nem Lhe pede nada. Há simplesmente uma declaração, uma constatação da verdade.


"Com ele está um braço de carne, mas conosco está o braço do Senhor nosso Deus para ajudar-nos e para combater nossos combates".


Seguem-se as palavras mais maravilhosas de todas as Escrituras: "E o povo teve confiança nas palavras de Ezequias". Não tiveram confiança em suas armas e recursos bélicos: confiaram nas palavras de Ezequias. Que palavras eram essas? "Não temais, o braço de carne não vos pode ferir porque temos um Deus".


Só quando vivemos constantemente na segurança da presença de Deus é que podemos dizer, face a qualquer desafio: "Não temerei mal algum, ainda que eu caminhe por um vale tenebroso, porque Deus está comigo". Que importa a experiência a defrontar, se estou seguro de que Deus está comigo?


É importante estar sempre em guarda contra as sugestões negativas que nos chegam pelo temor de que "talvez o Senhor não esteja conosco". Em nossas experiências pessoais, muitas vezes chegamos a descrer de todos e até de Deus, por falta de conhecimento da Verdade.


Porém, basta que nos voltemos em fé ao próprio íntimo, para não recear andar pelo vale tenebroso, das carências, das limitações. Não recear sequer a presença dos inimigos.


"Preparas uma mesa perante mim, à vista de meus inimigos. Ainda que eu andasse por um vale tenebroso, não temeria mal algum porque Deus está comigo".


Se vocês querem alcançar o mais elevado conceito de oração, devem deixar de orar no sentido comum das palavras. 

Façam de suas orações uma contínua realização da presença e do poder de Deus, em todos os caminhos. Saibam, durante as vinte e quatro horas do dia, que Deus está guiando e dirigindo cada um de seus pensamentos, palavras e ações. Vivam na constante lembrança c presença do querido Pai.










quinta-feira, 3 de novembro de 2016

BOM PASTOR - 2







Medite sobre o Salmo do bom Pastor. É uma forma de oração que se harmoniza, da maneira mais bela, com a ideia que as atuais Escolas da Verdade têm acerca da prece.


"O SENHOR É O MEU PASTOR. NADA ME FALTARÁ".  

Essa declaração não leva pedido de coisa alguma a Deus. Não ensina a procurar Deus para suplicar-Lhe algo. Não há, sequer,a expectativa de um bem determinado procedente de Deus. 

Há, sim, uma positiva declaração de que "O Senhor é o meu Pastor", do que, naturalmente se infere que "Nada me faltará".


Pense nesta forma de oração. "O Senhor é o meu Pastor. Nada me faltará". Não há busca de Deus nem intento de a Ele chegar. Não há petição antiquada nem afirmação em novo estilo. Apenas encerra o reconhecimento de que Deus É. E já que Deus é o MEU Pastor, meu Pastor individual, meu guia, meu protetor, meu guardião, Aquele que me sustem e supre -logicamente "Nada me faltará". Não há qualquer dúvida: há confiança, há segurança de que "Nada me faltará".


Não há busca de provisão. Não se deseja demonstrar abundância. 

Há, só, a tranqüila e a clara segurança de que "Nada me faltará". Compreenda: nesta convicção é totalmente impossível necessitar-se de algo!


“EM VERDES PRADOS FAZ-ME REPOUSAR. ELE ME CONDUZ A ÁGUAS REFRESCANTES". 

De novo, aqui, não há busca de Deus, de forma alguma Não é dito: Ele me prove de verdes prados, senão que (notem bem) "Ele me faz repousar" neles. 

Não se trata de escolher se se quer ou não repousar em verdes prados e tampouco se fala de castigar-nos por nossos pecados, expulsando-nos dos verdes prados. Simplesmente: "Em verdes prados faz-me repousar".


V. deve sentir uma espécie de alívio ao compreender que a responsabilidade de se dirigir, de se manter ou de encontrar o correto modo de orar, não depende mais de você.


"O SENHOR É O MEU PASTOR. NADA ME FALTARÁ. EM VERDES PRADOS FAZ-ME REPOUSAR. ELE ME CONDUZ A ÁGUAS REFRESCANTES E RECONFORTA MINH'ALMA; GUIA-ME PELO CAMINHO DA RETIDÃO, POR AMOR DE SEU NOME".


Observe que, do princípio ao fim, não há intenção de ganhar o favor de Deus ou buscar- Lhe a bondade. Não há qualquer intento de alcançá-lo. Há, só, uma constante e confiada segurança.


"AINDA QUE EU ANDASSE POR UM VALE TENEBROSO, NÃO TEMERIA MAL ALGUM, PORQUE ELE ESTÁ COMIGO". 

Eis, verdadeiramente, um milagre de oração. Em meio às provas e tribulações, enfermidades sérias, problemas familiares, escassez, limitação, perda de fortuna, pode parecer que estamos separados de Deus e, de algum modo, desassistidos por Ele. 

Em decorrência, somos levados a buscá-lo de novo, .e aqui está uma conclusão equivocada! 


"Ainda que eu andasse por um vale tenebroso, não temeria mal algum, porque Ele está comigo". 

Embora atravessasse um vale tenebroso - diz o salmista - nada haveria a temer. Isto não é verdade em relação ao ser humano em geral: eles apalpam esse vale... ou a escassez e limitação ou qualquer outra coisa errada. . . e começam a temer. Por que temem? Por uma só razão: falta-lhes a suficiente percepção de que Deus está com eles.


Embora o Salmo seja antigo, eis, nele, um conceito inteiramente novo de oração. 

Não se está reclamando a companhia de Deus na travessia do vale tenebroso; nem sequer se está procurando alcançá-lo. Nem estamos procurando calar nossos temores, já que a companhia de Deus não nos evitou essa tenebrosa travessia. Mas pelo menos, embora sejamos obrigados a percorrê-lo, esta declaração nos diz que Ele nos acompanhará nessa travessia: "Ele está comigo".


Se V. tão-só tomasse esta declaração e a compreendesse!. . . nada mais lhe faria frente: nem vale atual cheio de trevas, nem prova particular alguma que o desafiasse porque V. teria a consciência bem segura de que, em qualquer circunstância, Deus estaria EM E com VOCÊ, na travessia da prova.


Em "Interpretação Espiritual das Escrituras" você encontrará a história de José e seus irmãos. José, o filho mimado, o favorito de seu pai. José esperava andar pelo vale da vida com muita facilidade, calma e tranqüilamente, sem provas nem tribulações, talvez sem grandes vitórias também. Para que vitórias se ele era o beneficiado da grande fortuna do pai, em quem tinha assegurado favoritismo? Mas por maldade e ciúmes de seus irmãos, José foi lançado em um poço e depois foi tirado de lá para ser assassinado ou vendido como escravo (isto era considerado pior do que a morte).


Vendido como escravo, José foi parar no Egito, onde passou da escravidão a uma posição honrosa, como responsável da casa do governador. Estava já quase satisfeito consigo mesmo porque percebe que Deus está com ele. Porém, repentinamente é levado à prisão. Alegou inocência mas, embora inocente, está preso e, segundo as aparências, novamente sem a presença de Deus, ainda mais que ficou vários anos na masmorra.


Todavia, Deus uma vez mais revela que o não abandonou: José decifra o sonho do Faraó e, tirado da prisão, torna-se o governador virtual do Egito.


Então seus irmãos vieram para o Egito. Eram eles que o haviam jogado no poço, que o haviam vendido como escravo e provocado todos os problemas. Agora vinham em busca de favores. Necessitavam de alimento e José o tinha armazenado "nos tempos das vacas gordas".


Gentilmente lhes proveu alimento. Quando os irmãos procuram desculpar-se por suas ações e
exprimir seu arrependimento, José, à semelhança de Davi, expressa estes pensamentos: "Não fostes vós que me fizestes isso: Deus o fez. Foi Ele que me enviou antes de vós ao Egito".

Estas palavras de José encerram um elevado conceito de oração. É uma prece que bem vale recordar. Não é o demônio; não é a mente carnal; não é o oposto a Deus que traz ao homem as discórdias e enfermidades. É o próprio Deus que acompanha o homem em suas
provas e tentações para conduzi-lo a alguma vitória maior, em lugar de abandoná-lo a si mesmo para ser apenas um ser humano com saúde e fortuna, sem nada realizar de expressivo em seus setenta ou mais anos de vida, neste plano.


Em geral o homem realiza muito pouco das coisas essenciais que lhe cabe, como missão na Terra. Limita-se a ganhar a vida e sustentar uma família. No que se refere a uma contribuição real para manifestar a glória de Deus, ao fim e ao cabo de uma vida as pessoas geralmente mostram muito pouco.


Saibam disto: trazemos uma ordem de produzir frutos espirituais, que revelem a obra de Deus, que glorifiquem a obra de Deus. Se vamos contentar-nos em permanecer na Terra em boa saúde, acumulando bens, então estamos bem longe de nosso verdadeiro destino.


José reconheceu o que um dia também vocês reconhecerão: a inveja, os ciúmes, a maldade, o ódio, a infecção, o contágio, as depressões, transformações, governos cambiantes - não podem trazer-lhes discórdias nem falta de harmonia. 

Só Deus pode levá-los a compreender a verdadeira identidade, o homem interno, de um ou de outro modo. Ainda que vocês tenham de passar, simbolicamente, pelo fogo ardente (companheiros de Daniel), ou atravessar o deserto de quarenta anos (Moisés), ou ficar na cruz com Jesus (seja qual for sua prova ou tribulação - e na Bíblia as há de todo tipo), saibam que Deus os acompanha sempre em cada experiência.


Se Deus não estivesse na cruz, acompanhando Jesus, não teria havido ressurreição nem ascensão. Só o poder de Deus, na consciência de Jesus, lhe conferiu impulso para a ressurreição.


Se não houvesse Deus na travessia de quarenta anos pelo deserto, com Moisés, não teria havido a entrada na Terra Prometida e nem libertação para os hebreus.


Se Deus não houvesse estado com José, ele jamais passaria de escravo a virtual governador do Egito, que era, então, um grande país.


Qualquer seja o problema que vocês estejam a enfrentar, procurem tomar consciência disto: vocês não o estão defrontando sozinhos. Mesmo que se trate de um vale tenebroso, não há temer mal algum porque Deus está com vocês. Considerem este alto conceito de oração.


SEU BORDÃO E SEU CAJADO ME CONFORTAM - Seja o que for que lhes constitua o simbólico vale tenebroso, há um cajado que lhes serve de apoio para se conservarem de fronte erguida, a caminhar em linha reta. Há certa forma de disciplina. Há certo ensinamento.


Há certo modo de ajuda espiritual que nos ilumina e fortalece. Compreendam isto e alcancem uma total convicção desta verdade. Só assim poderão agir confiantemente.


Elias quase esqueceu isto quando foi alimentado pelo corvo no deserto, e pela viúva, e encontrou tortas cozidas sobre as pedras. Quase olvidou que era a presença de Deus que lhe proporcionava estas coisas. Só isso - tudo o que era necessário para que ele atravessasse o seu vale tenebroso com êxito e finalmente chegasse àquele lugar em que Deus lhe mostra que havia reservado uma congregação de sete mil homens que não haviam dobrado seus joelhos a Baal.


Para vocês há também uma congregação de sete mil. Para vocês também há uma missão espiritual, um destino espiritual na Terra e uma prova ou teste particular. É possível que vocês estejam passando pela tribulação ou uma série delas, mas estejam seguros que elas constituem uma ponte que os leva à demonstração final: algo que nunca viria sem esse teste ou prova particular.


Este é o caminho da cruz. Mas é também o caminho da coroa do triunfo. Notem que a vitória vem muito depois da crucifixão. Primeiramente vêm as crucificações (e muitas delas).


Por tal razão, a pessoa que está entrando no caminho espiritual deve compreender que "Não vim trazer a paz, mas uma espada. .. para separar famílias", para acabar com tudo o que lhes anestesie de excessivo conforto, tranqüilidade e segurança.


Não pode haver progresso espiritual enquanto vocês não tenham vencido o mundo; enquanto estiverem fazendo uso da Verdade apenas para aumentar seus recursos humanos e bens; para assegurar uma boa renda semanal; para remodelar suas casas; para adquirir um carro de último tipo. Enquanto estiverem nisso, vocês não terão sequer apalpado o caminho espiritual.


Em cada caso, na história dos profetas hebreus, vocês notarão que a missão deles não era pessoal; não se referia unicamente a bens humanos nem acrescentar recursos materiais: era sempre uma missão espiritual.


O mesmo se aplica a vocês. Vocês têm uma missão espiritual, tenham ou não consciência dela, neste momento. Todos têm uma missão espiritual e todos, algum dia, a encontrarão.


Uma vez que vocês tenham ingressado no caminho espiritual, é impossível retornar Vocês poderão tentar o retorno, ocasionalmente, mas notarão que tudo os leva e força a prosseguir a caminhada, já que "Tu estás comigo".


"Ainda que eu andasse por um vale tenebroso, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo".


Então é dito: PREPARAS UMA MESA PERANTE MIM, À VISTA DE MEUS ADVERSÁRIOS.


UNGES COM ÓLEO A MINHA CABEÇA; MEU CÁLICE TRANSBORDA".


De novo, aqui, encontramos a simples declaração daquilo que é: "Preparas uma mesa perante mim". 

Não há qualquer desejo de que isto se realize, nenhuma petição, nem busca de Deus: simplesmente uma declaração, uma constatação. Eis uma oração elevada.


"Preparas uma mesa perante mim, à vista de meus adversários. Unges com óleo a minha cabeça; meu cálice transborda".


E o arremate:


"CERTAMENTE QUE O AMOR E A GRAÇA ME SEGUIRÃO TODOS OS DIAS DE MINHA VIDA:


E HABITAREI NA CASA DO SENHOR PARA SEMPRE!"


Notem com que assegurada confiança é dito: "certamente que o amor e a graça. . ."


Eis aqui outro pensamento importante: "todos os dias da minha vida".


Dado que Deus atua hoje, não pode deixar de agir amanhã e sempre. 

Tomem consciência disto para alcançarem um dos mais elevados conceitos de oração. Procurem reconhecer que em qualquer momento de sua experiência vocês podem comprovar a eficácia da oração (isto é, serem sanados por meios espirituais). 

Procurem reconhecer que em qualquer circunstância da vida vocês podem ter uma evidência do poder e da presença de Deus. Certamente. . .quando chegarem a este reconhecimento, a esta vivência, nunca mais terão motivos de preocupação, porque tão-só esta evidência da divina Presença será suficiente para fazê-los dizer: "Certamente que o amor e a graça me seguirão todos os dias de minha vida". Vejam bem: todos os dias.


Como pode Deus estar com você hoje e não amanhã? Como pode Deus manifestar-se ou exprimir-Se um dia e no dia seguinte não?


Foi difícil, aos hebreus, aprender esta lição. Quando insistiam em guardar maná para o dia seguinte, e para o outro, e o outro seguinte, Moisés tinha de recordar-lhes que esse maná caía do céu pela Graça de Deus. Por que, então, se preocupavam de que não lhes caísse mais no dia seguinte e no outro? Por que deixaria Deus de suprir-lhes a necessidade, enquanto ela existisse?


Será possível que Deus nos retenha Suas bênçãos enquanto delas necessitamos?


Será possível que a ajuda de Deus seja de tal modo limitada, que possa ser retirada antes de completar sua missão? Há alguma razão para duvidarmos d'Ele? Haverá necessidade deaplicarmos nossos recursos humanos para suprir uma deficiência divina na solução de nossos problemas?


Meditem sobre o espírito ou a mensagem do Salmo do bom Pastor. Em nenhum sentido ele nos leva a nos esforçar para alcançar Deus, nem a buscar-Lhe qualquer coisa. Melhor que isso; ele nos leva a permanecer em completa e perfeita confiança: "certamente que o amor e a graça me seguirão todos os dias de minha vida".


E então conclui: "e habitarei na casa do Senhor para sempre". "Morarei" na consciência de Deus "para sempre".


Aqui não há tratamento. Há só uma declaração: "e morarei" na consciência do Senhor "na casa do Senhor para sempre".


Sirva-nos ela de modelo. VOCÊ já tomou a decisão e já declarou: "Habitarei na casa do Senhor" (na consciência de Deus) "para sempre"?










quarta-feira, 2 de novembro de 2016

BOM PASTOR - 1









CAPÍTULO 1

MEDITAÇÃO SOBRE A PRECE




Só através da compreensão da prece, é que a atividade do Reino de Deus, Sua Harmonia e Totalidade, se convertem em experiência individual. 

Se a oração, tal como é geralmente entendida, fosse realmente oração, o mundo já estaria livre do pecado, da enfermidade, da morte, das guerras, da fome e da sede. Tudo isto e outras limitações humanas já teriam desaparecido da face da Terra, nos milhares de anos que ela tem sido ensinada e praticada.


As escrituras nos dizem que se oramos e não recebemos resposta é porque oramos mal. 

julgar por este preceito, há milhares de anos a humanidade vem orando equivocadamente.


Cabe, então, perguntar: presentemente sabemos algo mais sobre a oração?


O desabrochar de um entendimento mais claro da oração tem sido lento. Até agora o progresso mais expressivo se deu na esfera dos problemas individuais. 

Quanto ao grande problema de trazer paz à Terra e boa vontade aos homens. . . ainda não foi resolvido.


Incumbe-nos, pois, dedicar todo o tempo que nos seja possível ao estudo da oração e à meditação sobre este tema. . ., até que cheguemos a conceitos mais elevados e profundos sobre ela.


Os resultados obtidos em nossa experiência é que nos dirão se estamos ou não, chegando a conclusões efetivas. O certo é que, ao fazer vibrar uma nota mais elevada na oração, teremos melhor saúde, prosperidade, desfechos mais seguros na ação diária e um maior grau de harmonia em nosso viver.


Quase sempre a oração tem consistido em palavras, declarações, repetições e citações.


Mas a oração, em si, é sem palavras. Ela nada tem a ver com o sentido das palavras, seja uma petição, afirmação, negação ou qualquer outro gênero de palavras ou pensamentos. 

rigor, a prece consiste em ALGO de que tomamos consciência, no silêncio; é a palavra de Deus revelada à nossa consciência.


Em outras palavras, a oração não é o que vimos conhecendo e praticando, mas um ESTADO DE RECEPTIVIDADE. 

De fato, a palavra de Deus não é o que nós exprimimos, senão o que Deus expressa em nosso íntimo.


Uma forma de meditação é refletir tranqüilamente acerca de alguma idéia a respeito de Deus, pensando nela e até lendo-a em voz alta, durante um curto período de tempo. 

Depois nos pomos internamente receptivos e deixamos que a meditação nos venha de Deus. 

Melhor dito: é o Divino interno que vai meditar sobre a ideia. O humano apenas procura tomar consciência dos frutos dela.


No Preâmbulo de uma antiga edição da Bíblia, lemos: "Acaso o Reino de Deus se converteu em meras palavras ou sílabas? Por que devemos ficar limitados ao sentido literal, se somos livres?"


O Reino de Deus pode ser expresso em palavras ou em sílabas? Não! O Reino de Deus está dentro de vós e deve ser manifestado à vossa consciência. Ele deve tornar-Se presente, proclamando-Se, evidenciando-Se, fazendo-Se ouvir. Logo, o Reino de Deus não está nas palavras humanas nem em suas sílabas.


Freqüentemente as preocupações nos acompanham aos momentos de prece. 

Ficamos, então, a refletir: como resolver este ou aquele problema? Como devo orar para intuir uma solução? Posso receber uma compreensão mais elevada de como orar?


Se isto está acontecendo com V., medite sobre o alcance desta frase já citada: "Acaso o Reino de Deus se converteu em meras palavras ou sílabas? Por que devemos ficar limitados ao sentido literal, se somos livres?" 

As Escrituras ensinam que somos livres; que somos filhos de Deus e, se filhos, também herdeiros; como herdeiros, co-herdeiros com o Cristo.


Nós JÁ somos livres. Se não o fôssemos, nem o divino poder nos libertaria. Não precisamos de lutar por nossa liberdade porque já somos livres. 

A síntese da verdade é, precisamente, trazer à luz esta percepção ou revelação de nossa atual liberdade. 

Ante qual quer problema que nos esteja a desafiar, deveríamos ter presente que as soluções não estão nas palavras nem em declarações de verdade. O que resolve, isto sim, é predispormos ao aquietamento e, por algum tempo permanecer em estado de receptividade, deixando que Deus nos revele o Seu plano: Seu plano, não o nosso.


Encontramos esta mensagem na tradução de Smith, das Escrituras, Salmo 19: "Os céus narram a glória de Deus e o firmamento revela a obra de Suas mãos. Um dia fala ao outro dia e uma noite declara sabedoria a outra noite. Não há linguagem nem palavras. Não se escutam vozes e, no entanto, suas vozes atravessam a Terra e até os confins do mundo se ouvem suas palavras".


Os últimos quatro versos referem ao primeiro: "Os céus narram a glória de Deus". Depois explicam a natureza dessa narrativa: "Não há linguagem nem palavras". E isto é verdadeiro. Os céus não se expressam em palavras ou discursos. Não obstante, estão declarando e proclamando a glória de Deus. "O firmamento revela a obra de Suas mãos". E após nos esclarece a índole da revelação: "Não  se escutam suas vozes". É claro que o firmamento não fala, tal como entendemos o falar.


Apesar disso revela a obra de Suas mãos.


"No entanto, suas vozes atravessam a Terra", isto é, as vozes dos céus, do firmamento, do dia e da noite se manifestam sem discursos, sem sílabas, sem palavras. Sua voz se manifesta e se converte em testemunho.


De modo idêntico, nossa inteira experiência demonstra a glória de Deus. Nossa experiência total, nossa vida inteira, nossos corpos, estão continuamente mostrando a obra de Suas mãos.


Se neste momento os nossos corpos e a nossa saúde não parecem estar mostrando divina harmonia, é simplesmente porque vivemos na crença de que a saúde nos pertence; os corpos nos pertencem; os poderes nos pertencem - em vez de tomarmos consciência de que tudo o que nos diz respeito (o corpo, os bens, o lar etc.) É UMA DEMONSTRAÇÃO DE DEUS; É DEUS A MANIFESTAR SUA BELEZA, SUA NATUREZA E SEU CARÁTER.


Do momento em que saímos da crença de que temos saúde (e toda posse pode ser ganha ou perdida); do momento em que renunciamos a ideia de que temos saúde que pode ser melhorada, e compreendemos que a única saúde que há em todo o universo é a saúde de Deus (manifestando-se como condição natural de harmonia em todos os corpos e seres) - então chegamos a compreender a verdade ensinada no Salmo 19: "Os céus narram a glória de Deus" e o fazem sem palavras nem discursos. "O firmamento revela a obra de Suas mãos" e o faz sem palavras nem discursos. "Um dia fala a outro dia" como discursos eloqüentes a comunicar a harmonia de Deus. Uma noite declara sabedoria a outra noite" e o faz sem discursos ou outras formas de comunicar idéias. Fá-lo como atividade reveladora da glória de Deus.


Agora, tudo o que somos e tudo o que esperamos ser, é Deus a manifestar-Se como saúde nossa, como força nossa e tudo o que de melhor possa existir em nossa experiência.


Renunciemos, pois, de imediato, à crença de que nossa saúde ou riqueza dependam de certas fórmulas ou orações jeitosas, pois o Reino de Deus não se expressa em palavras nem em sílabas O Reino de Deus JÁ está estabelecido dentro de nós.


Abandone a crença de que a saúde, a riqueza, ou o lar seja algo fora da atividade de Deus.


Uma vez que V. tenha tomado consciência de que é a atividade de Deus que mantém a harmonia de seu ser, começará a vislumbrar uma nova luz em sua compreensão da prece.












terça-feira, 1 de novembro de 2016

RESISTÊNCIA DA MENTE HUMANA E PODER DA PRESENÇA ESPIRITUAL DE DEUS EM NOS






 
Muitos dos discípulos de Jesus que o tinham ouvido disseram: “Dura é esta linguagem; quem a pode ouvir?” (João 6:60 e 66).


A mente humana sempre se ofende com a verdade, porque esta é contrária a tudo o que ela conhece. Imagina que insulto, para ela, dizermos que quando está quieta ou inativa podem realizar-se curas maravilhosas!

Imagina que afronta para o homem que se orgulha de seus conhecimentos intelectuais, dizermos que todo o seu dinamismo mental não fará tanto por ele quanto o fará um só momento de silêncio!


A mente humana se ofende quando tentamos dispensar seu auxílio.


“O espírito é que vivifica; a carne nada vale. As palavras que acabo de dizer-vos são espírito e são vida. Mas há entre vós alguns que não crêem” (João 6:63, 64).


Em que não acreditavam alguns deles?


Que o Espírito vivificasse, e não a carne, isto é, que o silêncio, a paz fizeram realmente o trabalho, e não a ginástica mental, não o que se aprende em livros ou por meio do intelecto.


Nós, hoje, como outrora os discípulos de Jesus, também não estamos conseguindo muito, não estamos fazendo grande progresso.


Como no tempo de Jesus, a mente humana se ofende, fica irritada com a idéia de que possa existir um Espírito que trabalha sem palavras ou pensamentos, ou com a idéia de que existe no homem um Espírito que pode levantá-lo, orientá-lo e acalmar-lhe as tempestades da vida, sem que para isto necessite pensar, falar ou recorrer a tratamento.


“O mundo não pode odiar a vós. A mim, porém odeia, porque eu dou testemunho de que as suas obras são más” (João 7:7).

O mundo jamais odiará quem usar as armas ou utilize os métodos de trabalho que ele considera válidos.


O mundo odeia somente aqueles que dizem que tudo o que ele tanto preza é desnecessário, visto existir um poder mais alto, o poder do Espírito. Daí a perseguição, embora não seja inevitável.


Atualmente estamos aprendendo a deixar que o Cristo impessoal absorva toda a perseguição que nos movam, ao invés de nos permitirmos tomá-la sobre nós. Aceitamos a perseguição, ou tomamo-la sobre nós, quando cremos que a mensagem que apresentamos seja de nossa propriedade particular.

Cada um de nós deveria, em vez de aceitar essa perseguição, conscientizar-se do seguinte: “Esta verdade não é minha, mas de Cristo. Se alguém odiar-me por isto, que seu ódio recaia sobre ela, e não sobre mim, porque eu estou apenas mostrando o que o Mestre ensinou sobre a presença de Cristo e o poder d’Aquilo que constitui nosso verdadeiro ser, o Consolador no íntimo de cada um. Se o mundo quiser odiar esta verdade, que a odeie”. Este é o segredo do Mestre, o segredo da “paz que excede todo o entendimento” (Filipenses 4:7), o segredo da paz que é poder.


Joel S. Goldsmith – “Setas no Caminho do Infinito” – Ed. Alvorada





Observação:


A mente imagina e idealiza (sonha), porém é a vida Real - ESPIRITUAL que faz e aperfeiçoa de acordo com o estado de consciência de cada um.


A consciência material é o sentido finito e enganador que considera o homem e o Universo limitados, como bons e maus.


A Consciência Espiritual é a percepção do indivíduo como um ser de Deus, que tem apenas a Mente de Deus e o corpo do Espírito.


A Consciência Espiritual não supera nem destrói a matéria ou as condições materiais: apenas sabe que tais condições não existem, pelo menos da forma com que nos são mostradas pelos sentidos finitos. Ela traduz para nós as aparências, revelando-nos a verdadeira natureza das coisas que estão presentes.




Joel S. Goldsmith – “O Caminho Infinito” – Ed. Martin Claret