Por milhares de anos, o homem tem considerado Deus responsável pelos males deste mundo, acreditando que Ele recompensa e pune, que Ele é responsável pelos acidentes, doenças e desastres desta terra, que tornados, ciclones, furacões e maremotos são atos de Deus.
Por milhares de anos, também, o homem tem sido ordenado: _"Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com todas as tuas forças"_.
Mas será possível para uma pessoa amar um Deus que num momento pode recompensar e abençoar e que no momento seguinte, sem nenhuma razão, pode trazer doenças horríveis, acidentes e morte sobre ela? (1. Deuteronômio 6: 5.)
Não há maneira de "amar o Senhor teu Deus" exceto compreendendo e tornando-se convencido de que o mal não tem sua origem em Deus, e que nem o pecado, a doença, o acidente, a morte, a fome, a tempestade, nem a seca - nenhum destes - vem de Deus.
Somente na medida em que podemos dissociar Deus de ser a causa do mal, podemos nos livrar dele, porque o mal em nossa experiência decorre da crença de que Deus, de alguma forma, é responsável por ele.*
Esta concepção errônea sobre a natureza de Deus era evidente nos primeiros dias do povo hebreu, quando eles se voltavam com esperança para Deus por suas bênçãos, mas ao mesmo tempo temiam Sua maldição. Isto está bem ilustrado na história de Noé e da Arca. Porque Noé era um homem bom e justo, Deus iria salvá-lo, e Ele, portanto, instruiu-o a construir uma arca e enchê-la com todo tipo de animais, com gado, coisas rastejantes, e aves com as quais prover para ele e sua família. Mas o mesmo Deus que faria isso por Noé ia _"destruir toda a carne, na qual está o sopro da vida"_. 2 (2. Gênesis 6: 17.)
É possível que naquele tempo Noé fosse o único homem santo ou justo na terra? Mesmo que isso fosse verdade e todos os outros homens perversos, de onde viria sua capacidade de serem maus? De onde, senão de Deus, e se de Deus, por que, então, Deus os puniria? E se Deus não deu ao homem a capacidade de pecar, onde ele receberia essa capacidade, já que Deus é seu Pai, seu Princípio Criativo, e a Fonte de tudo o que existe?
Talvez naquela época as pessoas não tivessem a sabedoria para levantar tais questões. Elas tinham apenas a escuridão da superstição e da ignorância e, portanto, abençoavam a Deus quando Ele as abençoava e O amaldiçoava quando o desastre as atingia, acreditando que o bem e o mal vinham de Deus.
Com o advento da verdadeira Luz Espiritual que foi encarnada na consciência de Jesus Cristo em sua plenitude, somos apresentados a um Deus diferente, um Deus em quem não há escuridão, um Deus puro demais para contemplar a iniquidade, um Deus que exige de nós que sejamos tão puros que até perdoemos nossos inimigos e oremos por aqueles que nos usam maldosamente.
O Deus que Jesus deu ao mundo é um Deus que exige de nós que não tenhamos ninguém em condenação, que não apliquemos nenhum castigo sobre o pecador.
*- Joel Goldsmith*